Tumores malignos de pálpebra
INTRODUÇÃO
As lesões palpebrais são responsáveis por uma porção importante da prática clínica da oftalmologia.
Apesar de bastante aparentes, o que facilita sua detecção e diagnóstico, ainda pouco se sabe sobre a freqüência destes tumores palpebrais, principalmente em nosso meio. Devido à importância do diagnóstico precoce tanto para menor remoção tecidual como para reconstrução palpebral mais facilitada temos como objetivo deste estudo:
• Conhecer a freqüência e a localização dos tumores palpebrais malignos em nosso meio;
• Conhecer a prevalência em relação ao sexo e a idade dos portadores de tumores malignos de pálpebra.
MÉTODOS
Foi realizado um estudo de todos os casos de tumores malignos de pálpebra operados no Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre no período de 1985 a 1997.
Foram consultados arquivos clínicos e foram incluídos neste estudo todos os casos de tumores malignos de pálpebra que tiveram diagnóstico confirmado por exame anátomo-patológico.
Foram analisadas a freqüência e a localização dos tumores, além da idade e sexo dos pacientes acometidos.
RESULTADOS
Foram encontrados 54 tumores palpebrais malignos, sendo 41 (75, 92%) carcinomas basocelulares (Ca baso), 7 (12,96%) carcinomas espinocelulares (Ca espino), 4 (7,40%) melanomas (Melanoma), 1 (1,85%) carcinoma indiferenciado (Ca indif), 1 (1,85%) lentigo maligna (Lentigo) (Tabela 1).
O Ca baso (Gráfico) ocorreu mais em indivíduos na faixa etária dos 70 anos, porém também ocorreu em indivíduos na quarta década de vida. Quanto à prevalência de sexo, ocorreu mais em indivíduos do sexo feminino (Tabela 1). Acometeu mais freqüentemente a pálpebra inferior e a porção interna da pálpebra (Tabela 2).
As margens cirúrgicas estavam livres em todos os tumores, evidenciado pelo exame anatomo-patológico, não havendo recidiva no período de 2 anos em que foi feito acompanhamento clínico.
O Ca espino foi o segundo tumor maligno mais freqüente na pálpebra. Ocorreu em indivíduos com média de idade de 60 anos. Houve predileção pelo sexo masculino (71,42%) (Tabela 1).
Nos 7 pacientes com Ca espino, 4 ocorreram na pálpebra inferior (57,14%), 2 acometeram pálpebras superior e inferior (28,57%), e 1 apenas acometeu pálpebra superior (14,28%), não havendo recidiva no período de 2 anos em que foi feito acompanhamento clínico.
O terceiro tipo de tumor palpebral mais freqüente foi o Melanoma, afetando preferentemente idosos, apesar de um caso ter acometido um indivíduo de 35 anos. Houve preferência pelo sexo feminino (51,85%) (Tabela 1). Com relação à localização da lesão tumoral, observamos que 100% das lesões acometeram pálpebra inferior.
O Ca indiferenciado ocorreu em um paciente do sexo masculino (Tabela 1) e acometeu pálpebra superior (Tabela 2).
Um paciente de 68 anos, sexo feminino (Tabela 1), apresentou lentigo maligna, que acometeu canto interno (Tabela 2).
ABSTRACT
Purposes: To study the incidence of eyelid malignant tumors in the Banco de Olhos Hospital of Porto Alegre from 1985 to 1997. Methods: We retrospectivelly analyzed clinical archives and in this study all cases of malignant eyelid tumors with histopathologic examination were included. Results: We found 54 eyelid tumors: 75.92% basal cell, 12.96% squamous cell, 7.40% melanoma, 1.85% undifferentiated carcinoma and 1.85% lentigo maligna. The majority of the patients was over 40 years old, 50% were male and 50% female. The diagnosis was confirmed in all cases through histopathologic examination. Conclusions: Basal cell carcinoma was the most frequent eyelid malignancy followed by squamous cell carcinoma. Melanoma was the third most frequently found tumor in our study.
Keywords: Carcinoma, basal cell; Eyelid neoplasms; Carcinoma, squamous cell; Tumor; Incidence
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