Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 63 - fascículo 5
Resumos e Artigos Completos

Resumo dos artigos deste fascículo

CISTOS PRIMÁRIOS DO EPITÉLIO PIGMENTAR DA ÍRIS E CORPO  CILIAR:  ASPECTOS DE BIOMICROSCOPIA ULTRA-SÔNICA  
Autores: Drs. Bernadete Ayres, Norma Allemann, Celia Nakanami, Consuelo B. D. Adan
RETINOPATIA DA PREMATURIDADE: ACHADOS REFRATIVOS PÓS TRATAMENTO COM CRIOTERAPIA OU LASER
Autores: Drs. Sara Pozzi, Luciane Provenzano, Danielle Boni, André Castelo Branco, Nilva Moraes, Michel Farah
BIOMICROSCOPIA ULTRASÔNICA NA AVALIAÇÃO DA POSIÇÃO DAS LENTES INTRAOCULARES EM UMA TÉCNICA DE FIXAÇÃO ESCLERAL  
Autores: Drs. Raul de Camargo Vianna Filho, Lincoln de Freitas, Norma Allemann, Ana Luísa Hofling de Lima
ESTUDO DA CORRELAÇÃO ENTRE PRESSÃO INTRA-OCULAR E ESPESSURA CORNEANA CENTRAL (PROJETO GLAUCOMA)  
Autores: Drs. Kenji Sakata, Aloisio Laurindo de M. Figueira, Ana Cecília Pedriali Guimarães, Artur José Schmitt, Luciana Scapucin, Luis Guilherme Rego Barros, Nara Delai
ATENDIMENTO OFTALMOLÓGICO DE ESCOLARES DO SISTEMA PÚBLICO DE ENSINO NO MUNÍCIPIO DE SÃO PAULO - ASPECTOS MÉDICOS-SOCIAIS  
Autores: Drs. Milton Ruiz Alves, Edméa Rita Temporini, Newton Kara-José
RESULTADOS DA CORREÇÃO CIRÚRGICA DE ESOTROPIAS DE GRANDE ÂNGULO, EM PORTADORES DE BAIXA DE ACUIDADE VISUAL UNILATERAL
Autores: Drs. Jorge Antonio Meireles-Teixeira, Rosana Pires da Cunha, Tomás Scalamandré Mendonça
QUEIMADURAS OCULARES QUÍMICAS: EPIDEMIOLOGIA E TERAPÊUTICA
Autores: Dras. Luciana da Cruz Noia, Ana Helena Garcia de Araújo, Nilva S. Bueno de Moraes
CIRCUITO ELÉTRICO AUXILIAR PARA INTUBAÇÃO DAS VIAS LACRIMAIS
Autores: Drs. José Byron Vicente Dias Fernandes, Suzana Matayoshi, Wilson Komatsu, Henrique S. Kikuta, Eurípedes da Mota Moura
ACHADOS OCULARES EM PACIENTES COM MIELOMENIGOCELE - 72 CASOS
Autores: Drs. Mônica Fialho Cronemberger, Marcia Keiko Uyeno Tabuse, Luis Tibiriça Aguilar, Marcelo Fernandes da Costa, Ivan Ferraretto
ACHADOS OCULARES E FUNDOSCÓPICOS EM PACIENTES COM LUPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
Autores: Drs. Silvane Bigolin, Emerson Oyamaguchi, Cláudia del Claro, Agostinho Bryk Junior, Maria Cláudia Gomes Komatsu, Eduardo Belotto, Ezequiel Postella
CONSTRIÇÃO CAMPIMÉTRICA CAUSADA POR VIGABATRIN
Autores: Drs. Mário Luiz Ribeiro Monteiro, Hélio Benito Scapolan

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CISTOS PRIMÁRIOS DO EPITÉLIO PIGMENTAR DA ÍRIS E CORPO  CILIAR:  ASPECTOS DE BIOMICROSCOPIA ULTRA-SÔNICA  
Bernadete Ayres
Norma Allemann
Celia Nakanami
Consuelo B. D. Adan

Objetivo: Descrever as características, incidência e distribuição dos cistos primários de epitélio pigmentar de íris e corpo ciliar ao exame de biomicroscopia ultra-sônica, que devem ser diferenciados de lesões sólidas.

Métodos: Foram estudados de modo retrospectivo os prontuários de 73 pacientes, 82 olhos, com diagnóstico ecográfico de cisto primário de íris ou corpo ciliar durante o período de janeiro/97 a dezembro/99. Utilizou-se o biomicroscópio ultra-sônico, aplicando técnicas padronizadas de imersão.

Resultados: À biomicroscopia ultra-sônica os cistos caracterizaram-se por apresentarem paredes finas e regulares, e conteúdo anecóico. Quarenta e oito pacientes (65,7%) eram do sexo feminino. A maior incidência (28,8%) ocorreu para o grupo incluído no intervalo de 20 a 29 anos de idade. Observou-se uma característica distribuição, predominantemente nos quadrantes temporais inferiores.

Conclusões: A biomicroscopia ultra-sônica mostrou-se útil no diagnóstico de cistos primários do epitélio pigmentar da íris e do corpo ciliar, auxiliando na diferenciação de patologias tumorais e avaliando possíveis complicações. O conhecimento dos critérios ecográficos e da distribuição epidemiológica facilitam o diagnóstico destas lesões.

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RETINOPATIA DA PREMATURIDADE: ACHADOS REFRATIVOS PÓS TRATAMENTO COM CRIOTERAPIA OU LASER
Sara Pozzi
Luciane Provenzano
Danielle Boni
André Castelo Branco
Nilva Moraes
Michel Farah

Objetivos: Determinar e comparar as características refrativas de uma população composta de crianças pré-termo com retinopatia da prematuridade que necessitaram de tratamento com crioterapia ou laserterapia.

Método: Análise dos resultados da refração estática de 14 pacientes (de um total de 761 fichas de crianças) que nasceram no Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, entre janeiro de 1988 e abril de 1998, que completaram um ano de idade e que apresentaram Retinopatia da Prematuridade grau 3 com características de "doença limiar" sendo tratadas com crioterapia ou laserterapia. Foram utilizados os testes estatísticos de Wilcoxon e Mann-Whitney para a avaliação dos resultados.

Resultados: 64,3% dos pacientes apresentaram miopia. No grupo de pacientes que receberam tratamento com crioterapia, 80% mostrou miopia, que em todos os casos foi alta; 20% hipermetropia leve, com uma média para o equivalente esférico de –3,10 D no olho direito e –3,25 D no olho esquerdo (diferença entre ambos os olhos estatísticamente não significante). No grupo de laserterapia, 55,6% mostrou miopia, sendo 20 % dos casos miopia alta e 80% miopia leve; 11,1% apresentou-se sem ametropia e 33,3 % com hipermetropia leve. O valor da média para o equivalente esférico foi –0,58 D no olho direito e –0,83D no olho esquerdo (diferença entre ambos os olhos estatisticamente significante). A comparação dos resultados refracionais dos dois grupos mostrou uma maior incidência para miopia alta no grupo de pacientes que receberam tratamento com crioterapia (P< 0,05).

Conclusões: Existe predisposição a erros refrativos de tipo miopia nas crianças com retinopatia da prematuridade que recebem tratamento. A possibilidade de miopia severa é maior naquelas crianças tratadas com crioterapia do que nas tratadas com laserterapia.

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BIOMICROSCOPIA ULTRASÔNICA NA AVALIAÇÃO DA POSIÇÃO DAS LENTES INTRAOCULARES EM UMA TÉCNICA DE FIXAÇÃO ESCLERAL
Raul de Camargo Vianna Filho
Lincoln de Freitas
Norma Allemann
Ana Luísa Hofling de Lima

Objetivo: Avaliar pela biomicrospia ultra-sônica (UBM) o posicionamento, em relação ao sulco ciliar, das alças de lentes intra-oculares (LIO), em uma técnica de fixação escleral, avaliando-se também se dois pontos de fixação são suficientes para que não haja inclinação da parte óptica.

Métodos: Dezesseis olhos afácicos foram submetidos a implante LIO por uma mesma técnica de fixação escleral, realizados por um mesmo cirurgião. Um mês após a cirurgia, o posicionamento das alças das LIO foram avaliados pelo UBM, assim como distâncias entre as LIO e córnea. Os resultados foram submetidos a testes estatísticos.

Resultados: Das 32 alças fixadas à esclera, oito estavam localizadas no sulco ciliar e 24 fora deste. Não houve diferença estatística nas distâncias entre LIO e córnea para alças posicionadas no sulco ciliar quando comparadas àquelas localizadas fora do sulco. Isto sugere que, além da distância ao limbo que se transfixa a esclera, outros fatores devem estar associados ao posicionamento da alça no sulco ciliar. As medidas LIO – córnea realizadas na periferia das LIO às 3, 6, 9, e 12 horas foram semelhantes, mostrando que dois pontos de fixação são suficientes para que a LIO não fique inclinada.

Conclusões: Outros fatores (por exemplo o ângulo de abertura do corpo ciliar), além da distância ao limbo na qual se transfixa a esclera, são importantes para o posicionamento das alças no sulco ciliar. Dois pontos de fixação são suficientes para que a LIO não apresente inclinação dentro do olho.

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ESTUDO DA CORRELAÇÃO ENTRE PRESSÃO INTRA-OCULAR E ESPESSURA CORNEANA CENTRAL (PROJETO GLAUCOMA)
Kenji Sakata
Aloisio Laurindo de M. Figueira
Ana Cecília Pedriali Guimarães
Artur José Schmitt
Luciana Scapucin
Luis Guilherme Rego Barros
Nara Delai

Objetivos: Avaliar a distribuição da espessura corneana central (ECC) e sua relação com a pressão intra-ocular (PIO) em um grupo de pacientes e demonstrar a utilidade da paquimetria para avaliar a PIO em casos selecionados.

Métodos: A espessura corneana central foi determinada em 167 pacientes com mais de 40 anos de idade (319 olhos) por meio de paquimetria ultra-sônica. A pressão intra-ocular foi medida com tonômetro de aplanação de Goldmann.

Resultados: A ECC média dos 319 olhos foi 0,5173 + 0,0377 mm, sendo o valor máximo 0,656 mm e o mínimo 0,430 mm. A PIO média foi 16,44 + 3,88 mmHg, a pressão máxima 30 mmHg e a pressão mínima 8 mmHg. Foi observada uma regressão linear de 0,13677 nas variáveis analisadas (p=0,0145), não havendo diferença entre sexo e idade. Dividiu-se as observações em dois grupos: grupo I – PIO £ 21 mmHg – com 285 olhos que apresentaram uma ECC média de 0,517 + 0,0376; e o grupo II – PIO > 21 mmHg – com 34 olhos que apresentaram uma ECC média de 0,519 + 0,0393.

Conclusão: Observou-se uma regressão linear entre PIO e ECC, ou seja, quanto maior a ECC maior será a PIO. Demonstrou-se a utilidade da paquimetria corneana na avaliação da PIO daqueles pacientes em que esta estava falsamente aumentada ou diminuída na tonometria de aplanação, direcionando a terapêutica a pacientes realmente portadores de glaucoma.

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ATENDIMENTO OFTALMOLÓGICO DE ESCOLARES DO SISTEMA PÚBLICO DE ENSINO NO MUNÍCIPIO DE SÃO PAULO - ASPECTOS MÉDICOS-SOCIAIS
Milton Ruiz Alves
Edméa Rita Temporini
Newton Kara-José

Objetivo: Identificar obstáculos à realização de exame oftálmico de escolares em projeto comunitário, para subsidiar o planejamento de ações preventivas e assistenciais em oftalmologia direcionadas à comunidade

Tipo de estudo: "Survey" descritivo.

Local: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo (HCFMUSP), Brasil.

Participantes: Escolares da primeira série do ensino fundamental de escolas do sistema público educacional, atendidos por meio da Campanha "Veja Bem Brasil, 1998".

Métodos: Aplicou-se um questionário por entrevista em amostra de conveniência constituída de pais dos escolares atendidos.

Resultados: A amostra foi composta por 227 pais, correspondendo a igual número de escolares. Características do núcleo familiar: 77,1% não apresentam o 1º grau de escolaridade completo e 39,6% apresentam renda familiar inferior a 2 salários mínimos. Características pessoais do escolar: 48,0% do sexo masculino e 52,0% do sexo feminino, 19,4% com idades igual ou superior a 8 anos, 67,8% deles não receberam atendimento oftalmológico anterior. Dificuldades apontadas para receber atendimento na campanha: falta de transporte (41,6%), falta de orientação (31,0%) e perda do dia de trabalho (24,8%). Razões apontadas para o não-comparecimento às convocações anteriores: não recebeu orientação (52,0%) e não podia faltar ao trabalho (19,4%).

Conclusões: Foram identificadas dificuldades socioeconômicas para efetivar o atendimento oftalmológico de escolares no projeto comunitário de saúde ocular "Veja Bem Brasil". A solução ou minimização de distúrbios oftalmológicos de escolares dependem, significativamente, do esforço conjunto de pessoal de ensino, família, comunidade e pessoal de saúde.

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RESULTADOS DA CORREÇÃO CIRÚRGICA DE ESOTROPIAS DE GRANDE ÂNGULO, EM PORTADORES DE BAIXA DE ACUIDADE VISUAL UNILATERAL
Jorge Antonio Meireles-Teixeira
Rosana Pires da Cunha
Tomás Scalamandré Mendonça

Objetivo: Avaliar os resultados cirúrgicos de esotropias de grande ângulo (no mínimo 60 dioptrias prismáticas - dp), associadas à baixa de acuidade visual (BAV) unilateral, cuja cirurgia foi planejada com o intuito de não se operar o olho de melhor visão.

Casuística e Métodos: Foram selecionados 17 casos de esotropias não-acomodativas, associadas à BAV (AV £ 0,4 no olho não-fixador, com a melhor correção) e sem tratamento cirúrgico prévio. Foi considerado bom resultado desvio pós-operatório de no máximo 10 dp, com rotações binoculares de até -2 de reto medial e +2 de reto lateral, regular XT / ET entre 10 e 15 dp, inclusive, ou rotações de ± 3 e ruim se tinha XT / ET > 15 dp ou rotações de ± 4.

Resultados: 13 (76,4%) tinham AV de conta-dedos no olho não-fixador, 2 (11,7%) atingiam 0,1 e outros 2 (11,7%) 0,4. Em 3 havia alta miopia (equivalente esférico ³ -6,00 dioptrias esféricas) em ambos os olhos. Entre os 17 pacientes, 12 (70,5%) obtiveram bom resultado cirúrgico, 3 (17,6%) foram regulares e 2 (11,7%) ruins.

Conclusão: A cirurgia de estrabismo sob anestesia tópica mostrou ser eficaz e segura nestes casos especiais de BAV em um dos olhos, sendo que na maioria das vezes consegue-se não operar o olho de melhor visão; o que a nosso ver, só se tornou possível pelo uso da anestesia tópica.

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QUEIMADURAS OCULARES QUÍMICAS: EPIDEMIOLOGIA E TERAPÊUTICA
Luciana da Cruz Noia
Ana Helena Garcia de Araújo
Nilva S. Bueno de Moraes

Introdução:Queimaduras oculares químicas podem produzir danos importantes à superfície ocular, resultando em incapacidade visual transitória ou permanente.

Objetivos: Levantar dados acerca da epidemiologia e do tratamento inicial aplicado aos pacientes vítimas de queimaduras oculares químicas que chegam a um hospital-escola.

Métodos: Foi realizado exame oftalmológico em 47 pacientes vítimas de queimaduras oculares químicas no pronto- socorro do Hospital São Paulo - Escola Paulista de Medicina / Universidade Federal de São Paulo.

Resultados: A maioria das vítimas era de jovens do sexo masculino e acidentes de trabalho foram bastante freqüentes (46,8%). Agentes de natureza básica (alcalina) foram envolvidos em 55,32% dos casos. A córnea foi afetada em 95,7% dos casos. Os graus I (78,8%) e II (12,8%) da classificação de Hughes foram os mais observados. O tratamento inicial dos pacientes foi realizado em 89,4% dos casos (irrigação copiosa do olho afetado com solução salina e remoção de debris) e 21 (44,68%) casos receberam medicações tópicas.

Conclusões: Foram observados vários erros na abordagem inicial dos pacientes, o que pode ter influenciado o prognóstico de alguns pacientes.

 
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CIRCUITO ELÉTRICO AUXILIAR PARA INTUBAÇÃO DAS VIAS LACRIMAIS
José Byron Vicente Dias Fernandes
Suzana Matayoshi
Wilson Komatsu
Henrique S. Kikuta
Eurípedes da Mota Moura

Objetivo: Apresentam num circuito elétrico auxiliar para a intubação de vias lacrimais.

Método: Descreve-se o dispositivo e sua utilização em 40 pacientes com obstrução congênita ou traumática das vias lacrimais.

Resultados: O estudo das características elétricas do aparelho mostrou suas vantagens em relação a outros dispositivos citados na literatura. O uso do aparelho facilitou a recuperação das sondas de Crawford em todos os pacientes.

Conclusão: O CAI mostrou-se eficiente e seguro sendo que seu emprego permitiu uma rápida localização e apreensão da sonda de Crawford na cavidade nasal.

 
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ACHADOS OCULARES EM PACIENTES COM MIELOMENIGOCELE - 72 CASOS
Mônica Fialho Cronemberger
Marcia Keiko Uyeno Tabuse
Luis Tibiriça Aguilar
Marcelo Fernandes da Costa
Ivan Ferraretto

Objetivo: Estudar as alterações oculares em pacientes com mielomeningocele.

Material e Método: Realizado estudo retrospectivo em 72 pacientes com mielomeningocele, descrevendo as alterações oculares presentes nessa população, além de correlacionar com a presença ou não de hidrocefalia.

Resultados: Dos 72 pacientes com mielomeningocele, com idade variando de 5 meses a 18 anos, 64 (88,9%) pacientes tinham hidrocefalia. Destes 64 pacientes, 36 (56,3%) tinham estrabismo, sendo que 21 (58,3%) eram endotrópicos, 13 (36,1%) exotrópicos, 1 (2,8%) exofórico e 1 (2,8%) com estrabismo discinético. Do total dos 72 pacientes estudados 38 (52,8%) eram estrábicos. A anisotropia foi encontrada em 16 (22,2%) pacientes, sendo que em 14 (87,5%) em A e em 2 (12,5%) em V. Todos os 16 pacientes com anisotropia apresentavam hidrocefalia. O erro refrativo mais freqüente foi a hipermetropia encontrada em 64 (44,4%) olhos. Atrofia óptica foi encontrada em 9 (12,5%) pacientes.

Conclusão: A mielomeningocele, associada a hidrocefalia, apresenta uma porcentagem de estrabismo maior do que o encontrado na população normal.

 
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ACHADOS OCULARES E FUNDOSCÓPICOS EM PACIENTES COM LUPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
Silvane Bigolin
Emerson Oyamaguchi
Cláudia del Claro
Agostinho Bryk Junior
Maria Cláudia Gomes Komatsu
Eduardo Belotto
Ezequiel Postella

Objetivos: Descrever as alterações encontradas no exame ocular de pacientes com lupus eritematoso sistêmico (LES), especialmente aquelas relacionadas à fundoscopia.

Método: Estudo descritivo de 41 pacientes lúpicos, selecionados aleatoriamente entre maio e julho de 1999 no ambulatório de colagenoses do Serviço de Reumatologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Foi aplicado um protocolo de avaliação clínica e ocular.

Resultados: Foram incluídos no estudo 41 pacientes, sendo 40 (97,56%) do sexo feminino e 01 (2,44%) do sexo masculino. A média de idade foi de 32,22 anos, com mínima de 16 e máxima de 54 anos. Trinta e seis pacientes (87,80%) eram de cor branca, dois (4,89%) de cor negra e três (7,32%) pardos. O tempo de diagnóstico de LES variou de dois meses a 18 anos. Dos 41 pacientes, 19 (46,34%) apresentaram alteração fundoscópica relacionada ao LES. As principais lesões encontradas foram manchas algodonosas e estreitamento arteriolar (68,42%), seguidas de aumento da escavação (10,52%) e palidez do disco óptico (10,52%), lesão perivascular (5,26%) e alteração no epitélio pigmentar da retina (5,26%).

Conclusão: Observou-se alta prevalência de alterações fundoscópicas relacionadas ao LES, demonstrando a importância de exames fundoscópicos regulares mesmo em pacientes lúpicos assintomáticos ou sem doenças associadas.

 
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CONSTRIÇÃO CAMPIMÉTRICA CAUSADA POR VIGABATRIN
Mário Luiz Ribeiro Monteiro
Hélio Benito Scapolan

Objetivo: Descrever dois pacientes que apresentaram constrição campimétrica importante e determinar a origem desta alteração visual causada pelo uso de vigabatrin, um anticonvulsivante que atua aumentando a concentração do ácido gama-aminobutírico no sistema nervoso central.

Métodos: Os pacientes foram submetidos a exame e neuroftalmológico completo, avaliação cuidadosa da retina, campo visual com perímetro de Goldmann, tomografia computadorizada de crânio e órbitas, eletrorretinograma (ERG), imagem por ressonância magnética (1 paciente) e potencial visual evocado (1 paciente).

Resultados: A acuidade visual se mostrou preservada; o primeiro paciente apresentava campo visual restrito à área central de 20 a 30 graus centrais e o segundo uma constrição leve a moderada. Os exames de neuroimagem foram normais assim como o potencial visual evocado. Observou-se palidez discreta de papila em 3 olhos estudados e estreitamento arteriolar muito discreto dos vasos retinianos. O ERG revelou alterações importantes caracterizada por redução da onda b (caso 1) e dos potenciais oscilatórios (caso 2).

Conclusões: As alterações visuais causadas pelo vigabatrin são devidas a uma alteração retiniana, envolvendo provavelmente as células amácrimas, bipolares e ganglionares mas não se acompanham de uma alteração significativa à fundoscopia. Pacientes recebendo esta medicação devem ser seguidos de perto especialmente através da avaliação do campo visual central e periférico.

 
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