Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 63 - fascículo 3
Resumos e Artigos Completos

Resumo dos artigos deste fascículo

VALIDAÇÃO CLÍNICA DE TESTE PSICOFÍSICO COMPUTADORIZADO PARA AVALIAÇÃO DE VISÃO DE CORES E SENSIBILIDADE AO CONTRASTE
Autores: Patrícia K. Kjaer, Solange Rios Salomão, Rubens Belfort Jr. e Ana Lúcia Define Colella
COMPLICAÇÕES COM USO DE ESFERAS NÃO INTEGRÁVEIS E INTEGRÁVEIS NA RECONSTRUÇÃO DA CAVIDADE ANOFTÁLMICA
Autores: Silvana Artioli Schellini, Erika Hoyama, Carlos Roberto Padovani, Vera Lúcia R. Ferreira e Romualdo Roça
INCIDÊNCIA DAS AMETROPIAS NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM CAMPO GRANDE, MS ENTRE 1996 E 1998
Autores: Eduardo Velasco de Barros e Vanderson Glerian Dias
CERATÓLISE AUTO-IMUNE EM PACIENTE COM VASCULITE LEUCOCITOCLÁSTICA: APRESENTAÇÃO ATÍPICA DE ERYTEMA ELEVATUM DIUTINUM COM PADRÃO GRANULOMATOSO
Autores: Fábio Henrique Cacho Casanova, Rodrigo L. Meirelles, Marcelo Tojar, Maria Cristina Martins, Moacir P. Rigueiro e Denise de Freitas 
PHOTOREFRACTIVE KERATECTOMY FOR MODERATE MYOPIA WITH THE VISX AND SUMMIT EXCIMER LASERS: A RESTROSPECTIVE STUDY
Autores: João C. Ribeiro, Jean M. Ancel, Marguerite B. McDonald e Ray J. Varnell
PERSISTENT HYPOTONY AFTER PRIMARY TRABECULECTOMY WITH MITOMYCIN C.
Autores: Viviane R.F. Guedes, Ruthanne B. Simmons, Helena M. Pakter e Richard J. Simmons
ESTUDO DO COMPORTAMENTO DA PRESSÃO INTRA-OCULAR EM PACIENTES DIABÉTICOS, HIPERTENSOS E NORMAIS (PROJETO GLACOMA)
Autores: Kenji Sakata, Maurício Maia, Leonardo Matsumoto, Emerson K. Oyamaguchi, Ana Cristina A. Carvalho, Northon Knoblauch e Adilson Gil de Oliveira Filho

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VALIDAÇÃO CLÍNICA DE TESTE PSICOFÍSICO COMPUTADORIZADO PARA AVALIAÇÃO DE VISÃO DE CORES E SENSIBILIDADE AO CONTRASTE
Patrícia K. Kjaer 
Solange Rios Salomão
Rubens Belfort Jr.
Ana Lúcia Define Colella

Objetivo: Avaliar a confiabilidade do teste computadorizado Two Docs para a determinação da visão de cores e sensibilidade ao contraste em indivíduos adultos normais.

Métodos: Trinta voluntários normais, com idades variando de 20 a 30 anos (média de 23,3 anos) foram submetidos ao TwoDocs Test para determinação de sua sensibilidade ao contraste e classificação de sua visão de cores. Seus resultados foram comparados com os dados obtidos pelas tabelas de Pelli-Robson e Farnsworth-Munsell 100 cores.

Resultados: O teste TwoDocs mostrou total concordância com os resultados da sensibilidade ao contraste obtidos com a tabela de Pelli-Robson. Os testes para determinação da visão de cores não concordaram em seus resultados pois a avaliação dessa função visual por meio do teste TwoDocs foi superestimada tendo como base os resultados apresentados pelo teste Farnsworth-Munsell.

Conclusão: Concluiu-se que o TwoDocs é um método confiável para a determinação da sensibilidade ao contraste em pacientes normais entre 20 e 30 anos de idade. Na avaliação clínica da visão de cores, os resultados obtidos com o teste computadorizado TwoDocs devem ser criteriosamente analisados, tendo em vista a superestimação da classificação da visão de cores. Estudos adicionais em pacientes com defeitos na visão de cores são importantes para melhor compreensão da utilidade clínica do método.

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COMPLICAÇÕES COM USO DE ESFERAS NÃO INTEGRÁVEIS E INTEGRÁVEIS NA RECONSTRUÇÃO DA CAVIDADE ANOFTÁLMICA
Silvana Artioli Schellini
Erika Hoyama
Carlos Roberto Padovani
Vera Lúcia R. Ferreira
Romualdo Roça

Objetivo: Apresentar as complicações observadas com esferas de diferentes materiais na reconstrução da cavidade anoftálmica.

Métodos: Foram avaliados retrospectivamente 117 portadores de cavidade anoftálmica, com tempo mínimo de seguimento de 6 meses, procurando correlacionar sexo, tipo de esfera utilizada, causa da perda do olho, diâmetro da prótese, tipo de cirurgia e a ocorrência das complicações (deiscências e expulsão da esfera).

Resultados: As deiscências ocorreram principalmente com esferas de polímero vegetal. A expulsão da esfera ocorreu mais precocemente nos implantes integráveis e foi mais freqüente com as esferas não-integráveis (PMMA). A esfera de polietileno (Polipore) foi a que apresentou menos probabilidade de complicações.

Conclusão: A esfera de polietileno é na atualidade a melhor alternativa para preenchimento da cavidade anoftálmica.

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INCIDÊNCIA DAS AMETROPIAS NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM CAMPO GRANDE, MS ENTRE 1996 E 1998
Eduardo Velasco de Barros
Vanderson Glerian Dias

Objetivo: Avaliar o perfil epidemiológico dos casos de ametropias atendidos no Núcleo do Hospital Universitário (NHU) da UFMS, já que as pesquisas em oftalmologia nessa área são extremamente pobres em nossa região.

Métodos: Realizou-se levantamento epidemiológico retrospectivo na Seção de Arquivos Médicos (SAME), através da aplicação de protocolo de investigação de 2.361 prontuários de pacientes com algum tipo de ametropia atendidos no NHU entre 1996 e 1998, contendo sexo, idade e tipo de ametropia (miopia, hipermetropia, astigmatismo ou presbiopia). Os dados foram analisados e discutidos.

Resultados: Prevalência do sexo feminino (60%) em todas as ametropias, o maior contingente atendido foi de pacientes com presbiopia (987 casos), seguida pela hipermetropia (701), miopia (434) e astigmatismo (239). A miopia esteve mais presente na faixa etária entre 20 e 29 anos, a hipermetropia entre 0 a 9 anos e os astigmatas entre 10 e 39 anos, enquanto a maior incidência de presbiopia foi na faixa etária acima de 40 anos.

Conclusão: O número de pacientes do sexo feminino é maior em re-lação ao sexo masculino, mesmo considerando cada ametropia isoladamente. Propõe-se no trabalho algumas hipóteses. A miopia concentra-se mais entre as idades de 10 a 39 anos. Já a hipermetropia ocorre mais em crianças e recém-nascidos, tendendo a diminuir com o passar da idade, devido ao aumento do globo ocular. O astigmatismo foi um defeito caracterizado como sendo de adolescentes e adultos jovens. A presbiopia foi o erro de refração mais comum e sua incidência, semelhante aos dados da literatura, ocorreu na faixa etária acima de 40 anos.

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CERATÓLISE AUTO-IMUNE EM PACIENTE COM VASCULITE LEUCOCITOCLÁSTICA: APRESENTAÇÃO ATÍPICA DE ERYTEMA ELEVATUM DIUTINUM COM PADRÃO GRANULOMATOSO
Fábio Henrique Cacho Casanova
Rodrigo L. Meirelles
Marcelo Tojar
Maria Cristina Martins
Moacir P. Rigueiro
Denise de Freitas 

Contexto: A vasculite leucocitoclástica é uma doença que acomete pequenos vasos mais comumente associada a distúrbios do tecido conectivo, caracterizada clinicamente pela presença de lesões purpúricas palpáveis. Manifestações oftalmológicas são raras.

Objetivo: Descrever quadro clínico de paciente portador de vasculite leucocitoclástica como manifestação incomum de padrão granulomatoso do erythema elevatum diutinum (EED).

Relato de Caso: Paciente de 64 anos, masculino, apresentando baixa de acuidade visual e aparecimento de lesões nodulares em mãos. Ao exame oftalmológico, evidenciou-se afinamento corneano superior bilateral com perfuração corneana do olho esquerdo e espessamento da conjuntiva limbar em ambos os olhos, associada a intensa atividade inflamatória. Exame anatomopatológico da conjuntiva revelou vasculite granulomatosa com intenso exsudato neutrofílico, células gigantes multinucleadas, além de proliferação fibroblástica. Exame anatomopatológico de biopsia da pele evidenciou alterações semelhantes compatíveis com EED, porém não foi visto célula gigante sugerindo lesão granulomatosa.

Conclusão: Ceratólise auto-imune secundária a vasculite leucocitoclástica cutânea (EED) não havia sido descrito na literatura, tampouco encontramos referências sobre a reação granulomatosa (encontrada na conjuntiva) em EED.

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PHOTOREFRACTIVE KERATECTOMY FOR MODERATE MYOPIA WITH THE VISX AND SUMMIT EXCIMER LASERS: A RESTROSPECTIVE STUDY
João C. Ribeiro 
Jean M. Ancel
Marguerite B. McDonald
Ray J. Varnell

Purpose: To present photorefractive keratectomy (PRK) results for myopia ranging from -4,00 to - 6,00 diopters performed with the VISX and Summit excimer lasers.

Methods: To be eligible for this study, patients had to be 20 to 45 years of age, have -4.00 to -6.00 diopters of myopia and have no more than 1 D of astigmatism. The Summit group was composed of 51 eyes. The baseline preoperative spherical equivalent of myopia was -5.22 ± 0.17 and surgeries were performed with the Excimed UV 200 LA Excimer Laser. In the VISX group, there were 53 eyes and the baseline refractive error was -4.85 ± 0.16 and surgeries were performed with the Twenty/Twenty Excimer Laser.

Results: At six-month examination, haze ranged from 0 to 1 (M:0.56 ± 0.07) in the VISX group and from 0 to 3 (M:0.58 ± 0.08) in the Summit group. Uncorrected vision at six months was 20/20 or better in 22% of eyes and 20/40 or better in 83% of eyes in the VISX group. In the Summit group, 25% of eyes were 20/20 or better and 71% were 20/40 or better at the six-month examination.

Conclusion: It is reassuring that PRK of patients with -4.00 to -6.00 D of myopia results in acceptable results.

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PERSISTENT HYPOTONY AFTER PRIMARY TRABECULECTOMY WITH MITOMYCIN C.
Viviane R.F. Guedes
Ruthanne B. Simmons
Helena M. Pakter
Richard J. Simmons

Purpose: To describe the clinical findings and treatment modalities of persistent hypotony following primary trabeculectomy with mitomycin C.

Methods: We retrospectively analyzed 9 eyes with persistent hypotony, which was defined as intraocular pressure less than or equal to 5 mmHg for more than 2 months.

Results: Mean hypotony duration was 7.4 months (standard deviation (SD) ± 6.7 months, range 2 to 23 months). Associated findings included choroidal detachment (2 eyes) and maculopathy (5 eyes). All patients who developed maculopathy were relatively young (mean age = 37 years old, SD ± 16, range 18 to 79 years). Treatments included bandaged contact lens, autologous blood injection, phacoemulsification, resuturing of the scleral flap, scleral patch graft, and Simmons’ shell. After treatment, intraocular pressure (IOP) raised in all patients (mean final IOP = 11.1 mmHg, SD ± 3.5). On the first day of hypotony, the mean IOP was 3 mmHg (SD ±1.7). At the last follow up, visual acuity (VA) was unchanged in 3 eyes, worsened in 2 eyes (by 2 Snellen lines), and improved (by 1 to 4 Snellen lines) in 4 eyes. Of those eyes whose VA improved, 3 had undergone phacoemulsification.

Conclusion: Hypotony after trabeculectomy with mitomycin C can be reversed with possible improvement in vision.

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ESTUDO DO COMPORTAMENTO DA PRESSÃO INTRA-OCULAR EM PACIENTES DIABÉTICOS, HIPERTENSOS E NORMAIS (PROJETO GLACOMA)
Kenji Sakata
Maurício Maia
Leonardo Matsumoto
Emerson K. Oyamaguchi
Ana Cristina A. Carvalho
Northon Knoblauch
Adilson Gil de Oliveira Filho

Objetivo: Analisar os valores da pressão intra-ocular (PIO) entre diferentes grupos de pacientes (diabéticos, hipertensos com ou sem retinopatia) e a população normal.

Métodos: Realizou-se a aferição da pressão intra-ocular (PIO) em um total de 924 olhos de 482 pacientes com idade igual ou maior que 40 anos (x=56,70; dp=11,89) examinados segundo um protocolo de estudo que incluiu medida da PIO, pressão arterial e glicemia, além da fundoscopia. A determinação da PIO foi obtida pelo tonômetro de aplanação de "Goldmann" e a glicemia foi aferida por meio de tiras reativas (Dextrostix – Bayer). Em seguida, os pacientes foram divididos em 7 (sete) grupos: hipertensos, hipertensos com retinopatia, diabéticos, diabéticos com retinopatia, hipertensos e diabéticos, hipertensos e diabéticos com retinopatia e a população controle.

Resultados: Pelo teste de ANOVA-uma via, numa distribuição normal no nível de significância de 5%, observou-se que o valor médio da PIO é significativamente maior no grupo de pacientes hipertensos sem retinopatia (média PIO=16,10), no grupo dos hipertensos com retinopatia (média PIO=16,33) e no grupo de diabéticos e hipertensos com retinopatia retinopatia (média PIO=16,95).

Conclusões: Observou-se que o valor médio da PIO é progressivamente mais elevado conforme o tempo de evolução da doença hipertensiva e também quando esta se encontra associada à diabetes mellitus.

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