Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 63 - fascículo 1
Resumos e Artigos Completos

Resumo dos artigos deste fascículo

CAUSAS DE CEGUEIRA E BAIXA VISÃO EM CRIANÇAS
Autores: Dras.: Patrícia Ribeiro Brito e Silvia Veitzman
O USO DO PHOTOSCREENING NO ESTUDO DE FATORES AMBLIOPIGÊNICOS NA POPULAÇÃO INFANTIL
Autores: Drs.: Pedro Paulo Leite dos Reis, Wagner Oto Kawakami e Domingos A . C. Mourão
ENDOFTALMITE: UMA ANÁLISE DE 58 CASOS
Autores: Drs.: Tarciso Schirmbek, Eramos Romão, Maria de Lourdes Veronese Rodrigues e José Fernando de Castro Figueiredo
TRATAMENTO DA ÚLCERA CORNEANA EXPERIMENTAL COM MEMBRANA AMNIÓTICA
Autores: Drs.: Eliana Cristina Louza Monteiro, Silvana Artioli Schellini, Mariângela E. Alencar Marques, Amélia Kamegasawa e Carlos Roberto Padovani
FACOEMULSIFICAÇÃO: RESULTADOS E COMPLICAÇÕES NOS PRIMEIROS 100 OLHOS
Autores: Drs.: Maria Emília Xavier dos Santos Araújo, André Chang Chou, Clebert Reinaldo da Silva, Leonardo Bruno de Oliveira e Isaac Neustein
INFLUÊNCIA DA CICLOPLEGIA SOBRE A AÇÃO HIPOTENSORA DO LATANOPROST EM INDIVÍDUOS NORMAIS
Autores: Drs.: Marco Aurélio Alves, Patrícia Maria F. Marback e João Antonio Prata Jr.
VIDEOANGIOGRAFIA DIGITAL COM A FLUORESCEÍNA SÓDICA E INDOCIANINA VERDE NA DOENÇA HIPERTENSIVA ESPECÍFICA DA GESTAÇÃO
Autores: Drs.: Mauríco B. Pereira, Juliana Ferraz Salum, Daniela Calucci, Paulo Eduardo Ferraz, Fausto Uno e Michel E. Farah
LASIK PARA CORREÇÃO DE MIOPIA, ASTIGMATISMOS E HIPERMETROPIA
Autores: Drs.: Sérgio Kwitko, Diane Marinho, Roseli Raskin, Sergio Sprinz, Moacir Rabin, Samuel Rymer e Antonio Mendez Noble
REJEIÇÃO CORNEANA PÓS TRANSPLANTE DE CÓRNEA - ANÁLISE DE DADOS DO BANCO DE OLHOS DO HOSPITAL SÃO PAULO - ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA
Autores: Drs.; Maria Regina Catai Chalita, Eileen Beatriz Mejia Diazgranados, Elcio H. Sato, Bruno Castelo Branco e Denise de Freitas
LABORATORIAL ANALYSES OF FUNGAL KERATITIS IN A UNIVERSITY SERVICE
Autores: Drs.: Alfredo José Muniz de Andrade, Luis Antonio Vieira, Ana Luisa Hofling-Lima, Maria Cecilia Zorat Yu, Olga Fischman Gompertz, Denise de Freitas e Luciene Barbosa de Sousa
CORRELAÇÃO ENTRE OS ACHADOS À BIOMICROSCOPIA ULTRA-SÔNICA DE BOLHAS FILTRANTES COM OU SEM MITOMICINA C COM APRESSÃO INTRA-OCULAR
Autores: Drs.: Italo Mundialino Marcon, Paulo Augusto de Arruda Mello, Zelia Maria da Silva Corrêa e Alexandre Seminoti Marcon
CORREÇÃO DE ESTRABISMO PARALÍTICO POR INJEÇÃO DE TOXINA BOTULÍNICA
Autores: Drs.: Raquel Wattiez, Fábio Henrique Cacho Casanova, Rosana N. Pires da Cunha e Tomás Scalamandré Mendonça

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CAUSAS DE CEGUEIRA E BAIXA VISÃO EM CRIANÇAS
Patrícia Ribeiro Brito
Silvia Veitzman

Objetivo: Identificar e analisar as principais causas preveníveis e tratáveis da cegueira e baixa visão na infância.

Método: 174 crianças de 3 instituições de duas cidades brasileiras (Salvador e São Paulo) foram examinadas e os dados de cada criança foram registrados em protocolo padronizado pela OMS.

Resultados: De acordo com a OMS, encontrou-se cegueira ou baixa visão em 82% das crianças. Entre as moléstias preveníveis e tratáveis, a retinopatia da prematuridade e o glaucoma foram as mais freqüentes.

Conclusão: O presente estudo piloto demonstrou características similares às encontradas em outros países em desenvolvimento, onde pelo menos 50% das doenças são preveníveis ou tratáveis com o atual desenvolvimento científico.

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O USO DO "PHOTOSCREENING" NO ESTUDO DE FATORES AMBLIOPIGÊNICOS NA POPULAÇÃO INFANTIL
Pedro Paulo Leite dos Reis, 
Wagner Oto Kawakami 
Domingos A . C. Mourão

Objetivo: Estudar a precisão do aparelho "MTI Photoscreener" na triagem de uma população infantil, identificando fatores ambliopigênicos como ametropias, anisometropias, estrabismos e cataratas congênitas e opacidades dos meios transparentes.

Métodos: Durante o projeto "Veja Bem Brasil" os autores examinaram com uma máquina de "photoscreening" (MTI Photoscreener), 107 crianças, com idade variando entre 6 e 15 anos, comparando estes resultados com aqueles encontrados em posterior exame oftalmológico completo.

Resultados: Ao final encontraram 31 (28,97%) crianças com alguma patologia oftalmológica e 76 (71,02%) dentro da normalidade. As análises estatísticas da precisão do aparelho revelaram os seguintes valores: sensibilidade 90,32%; especificidade, 96,05%; valores preditivos positivos e negativos de 90,32% e 96,05%, respectivamente.

Conclusão: Os resultados acima citados demonstraram a confiabilidade do teste de "Photoscreening" na triagem de pacientes em idade escolar.

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ENDOFTALMITE: UMA ANÁLISE DE 58 CASOS
Tarciso Schirmbek
Eramos Romão
Maria de Lourdes Veronese Rodrigues
José Fernando de Castro Figueiredo

Objetivo: Foram estudados 58 casos com diagnóstico de endoftalmite no intuito de se obter as características regionais desta patologia. Avaliaram-se os fatores predisponentes, quadro clínico, exames complementares, tratamento e resultado funcional.

Métodos: Foi feita a análise retrospectiva dos prontuários dos pacientes atendidos no HCFMRP-USP, com diagnóstico de endoftalmite, no período de 1993 a 1998.

Resultados: Trauma e cirurgia foram os principais fatores desencadeantes (39,05% cada). O quadro clínico predominante foi dor e diminuição da acuidade visual associado a hiperemia conjuntival e hipópio. Em 70,48% dos casos colheu-se cultura, sendo o resultado positivo em 85,36% das amostras. O agente etiológico mais freqüente foi o S. aureus (26,08%), seguido do S. epidermidis e P. aeruginosa (13,04% cada). Todos agentes isolados foram sensíveis à vancomicina e à ceftazidima. Em 65,51% dos casos a acuidade visual final foi ausência de percepção luminosa.

Conclusões: Os resultados sugerem algumas alterações a serem efetuadas para se melhorar o prognóstico visual destes casos, como o uso de vancomicina e ceftazidima intra-ocular.

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TRATAMENTO DA ÚLCERA CORNEANA EXPERIMENTAL COM MEMBRANA AMNIÓTICA
Eliana Cristina Louza Monteiro
Silvana Artioli Schellini
Mariângela E. Alencar Marques
Amélia Kamegasawa
Carlos Roberto Padovani

Objetivo: Avaliar a evolução da úlcera de córnea experimental tratada com enxerto de membrana amniótica (MA) homóloga.

Métodos: Foram utilizados 18 coelhos, divididos em dois grupos experimentais: úlcera corneana (G1) e úlcera corneana tratada com enxerto de MA (G2). A ulceração corneana foi induzida na córnea toda, com álcool absoluto e lâmina de bisturi. Os animais foram sacrificados em três momentos experimentais: 7 dias (M1), 15 dias (M2) e 30 dias (M3) após a indução da ulceração. Os defeitos corneanos foram avaliados com fotodocumentação por analisador de imagem Luzex-F e exames histopatológicos, comparando-se os resultados por meio da análise de variância.

Resultados: O resultado do exame morfométrico mostrou desepitelização maior em G2 no M1; a opacidade corneana foi mais intensa na área central da córnea, sendo significativamente maior em G1 no M3. Os neovasos corneanos também foram mais intensos em G1. A avaliação histopatológica revelou ulceração epitelial em dois animais de G1 no M2 e em dois de G2 no M1; o edema estromal foi mais intenso em G1, assim como a presença de neovasos.

Conclusão: O uso de MA homóloga no tratamento da úlcera corneana experimental não acelerou a cicatrização, porém preveniu o edema estromal e a formação de neovascularização corneana. A cicatrização se mostrou mais deficiente na área central da córnea.

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FACOEMULSIFICAÇÃO: RESULTADOS E COMPLICAÇÕES NOS PRIMEIROS 100 OLHOS
Maria Emília Xavier dos Santos Araújo
André Chang Chou
Clebert Reinaldo da Silva
Leonardo Bruno de Oliveira
Isaac Neustein

Objetivo: Analisar o resultado visual e as complicações dos 100 primeiros olhos submetidos à facoemulsificação, realizados no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE), por cirurgiões iniciantes nesta técnica.

Pacientes e Método: As 100 primeiras cirurgias de facoemulsificação realizadas por 05 cirurgiões, em pacientes do ambulatório de Catarata do HSPE, foram analisadas. A técnica utilizada foi incisão tunelizada, capsulorrexis curvilínea contínua anterior, facoemulsificação do núcleo, usando um aparelho de bomba peristáltica, e implante de lente intra-ocular, sob anestesia com bloqueio peribulbar.

Resultados: As complicações ocorreram em 15,2% dos olhos, sendo rotura de cápsula posterior sem perda vítrea em 8,7%, perda vítrea em 5,4% e luxação de núcleo no vítreo em 1 olho. Em 96,7% dos olhos foram implantados LIO de câmara posterior, sendo 70,8% no saco capsular, 28% no sulco, 1,2% fixação escleral superior. A acuidade visual final foi maior que 20/40 em 89% dos olhos e nenhum evoluiu para ceratopatia bolhosa ou descolamento de retina.

Conclusão: A incidência de complicações foi comparável a da literatura, sugerindo que o aprendizado pode ser iniciado no período da residência médica.

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INFLUÊNCIA DA CICLOPLEGIA SOBRE A AÇÃO HIPOTENSORA DO LATANOPROST EM INDIVÍDUOS NORMAIS
Marco Aurélio Alves
Patrícia Maria F. Marback
João Antonio Prata Jr.

Objetivo: Avaliar a influência da cicloplegia sobre a ação hipotensora ocular do latanoprost em indivíduos normais.

Pacientes, materiais e métodos: Foram estudados 17 voluntários normais, sem antecedentes de doenças oculares crônicas, trauma ou cirurgias. Foi instilado latanoprost 0,005% em ambos os olhos e após 20 minutos foi instilado ciclopentolato 1% no olho direito. A pressão intra-ocular (Po) foi medida, pela tonometria de aplanação de Goldmann, antes da instilação do latanoprost e após 20 minutos, 1 hora e 20 minutos, 3 horas e 20 minutos e 4 horas e 20 minutos. A Po foi comparada entre o olho direito (OD) e o olho esquerdo (OE) pelo teste de Wilcoxon. A comparação entre as medidas realizadas em cada olho nas diferentes fases do estudo foi procedida pelo teste de Friedman. A variação percentual da Po foi calculada em cada tempo e comparada entre OD e OE.

Resultados: A comparação dos valores de Po e de sua variação percentual em relação à medida inicial entre OD e OE não mostrou diferenças estatísticas para as medidas inicial, 1:20 h e 3:20 h. Para a medida de 4:20 h a Po do olho direito (cicloplegiado) foi estatisticamente menor do que a do olho contralateral (PoOD = 10,9 ± 2,2; PoOE = 11,8 ± 2,2; p = 0,009), observando-se uma maior redução percentual da Po de forma estatisticamente significante (D%OD = 28,1 ± 7,4; D%OE = -21,6 ± 9,6; p = 0,007).

Conclusões: Os resultados indicam uma maior ação hipotensora ocular a curto prazo do latanoprost em olhos cicloplegiados de indivíduos normais, quando comparados aos seus olhos contralaterais que não foram cicloplegiados.

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VIDEOANGIOGRAFIA DIGITAL COM A FLUORESCEÍNA SÓDICA E INDOCIANINA VERDE NA DOENÇA HIPERTENSIVA ESPECÍFICA DA GESTAÇÃO
Mauríco B. Pereira
Juliana Ferraz Salum
Daniela Calucci
Paulo Eduardo Ferraz
Fausto Uno
Michel E. Farah

Objetivo: Descrever os achados oftalmoscópicos e videoangiográficos com a fluoresceína sódica e indocianina verde (ICG-V) na doença hipertensiva específica da gestação (DHEG).

Métodos: Quatro pacientes do sexo feminino, portadoras de DHEG foram submetidas a exame oftalmológico e angiofluoresceinografia (AF) e adicionalmente, em duas pacientes, foi realizada videoangiografia digital com indocianinografia verde (ICG-V).

Resultados: Todas as pacientes apresentaram descolamento seroso da retina bilateral que regrediu espontaneamente com a estabilização do quadro clínico hipertensivo. Na AF notaram-se múltiplas áreas de não-perfusão coróidea precoce e pontos hiperfluorescentes por vazamento e acúmulo do corante no espaço subretiniano nas áreas do descolamento. Áreas de hiperfluorescência transmitida por defeito em janela e hipofluorescência por bloqueio pigmentário após a resolução do descolamento associados a alterações pigmentárias foram encontradas tardiamente. A ICG-V evidenciou hipoperfusão coróidea precoce e múltiplos pontos de vazamento e acúmulo tardio do corante.

Conclusões: A DHEG geralmente apresenta bom prognóstico visual após a resolução do quadro, embora em alguns casos possa haver baixa visual associada a alterações pigmentárias maculares. A ICG-V mostra com maior precisão o envolvimento vascular da coróide na fisiopatologia do descolamento seroso da retina, sugerido previamente por estudos angiofluoresceinográficos.

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LASIK PARA CORREÇÃO DE MIOPIA, ASTIGMATISMOS E HIPERMETROPIA
Sérgio Kwitko
Diane Marinho
Roseli Raskin
Sergio Sprinz
Moacir Rabin
Samuel Rymer
Antonio Mendez Noble

Objetivo: Relata a experiência em nossos primeiros 329 olhos operados com a técnica de Lasik para miopia, astigmatismo e hipermetropia, com um mínimo de 6 meses de seguimento pós-operatório.

Métodos: Foram analisados retrospectivamente os resultados de Lasik em 110 olhos com baixa miopia (grupo I), 113 com miopia moderada (grupo II), 47 com alta miopia (grupo III), 139 com astigmatismo baixo (grupo IV), 31 com astigmatismo moderado (grupo V), 27 com baixa hipermetropia (grupo VI) e 25 com hipermetropia moderada (grupo VII).

Resultados: A refração pré-operatória média de cada grupo acima foi, respectivamente: -3,56 ± 1,25 D, -8,31 ± 1,68 D, -14,95 ± 2,85 D, -1,57 ± 0,49 D, -3,98 ± 0,85 D, +2,32 ± 0,65 D, +5,05 ± 1,02 D. Aos 12 meses de pós-operatório, a refração média residual em cada grupo acima apresentava-se, respectivamente, com -0,11 ± 0,69 D, -0,42 ± 0,85 D, -0,69 ± 1,48 D, -0,42 ± 0,73 D, -0,73 ± 1,16 D, +0,35 ± 0,50 D, e +1,32 ± 1,03 D. A regressão do efeito da cirurgia neste período foi clinicamente insignificante em todos os grupos, exceto no dos hipermétropes moderados (0,76 D). Foram necessárias re-intervenções em 4,9% dos olhos operados (3,4% para hipocorreção, 0,6% hipercorreção, e 0,9% para limpeza da interface). Perda de uma ou duas linhas na tabela de Snellen ocorreu em 3,7% dos míopes baixos, 12,4% dos míopes moderados, 0% dos míopes altos, 18,5% dos baixos hipermétropes, e 20% dos hipermétropes moderados. Outras complicações, raras, foram as seguintes: corte completo do disco, entretanto sem perda do disco (0,3%), corte incompleto (0,3%), corte irregular por perda de sucção do anel (0,3%), astigmatismo regular induzido (7,4%), descentração da foto-ablação induzindo astigmatismo irregular (0,3%), opacidades e fragmentos na interface (0,6%), estrias importantes do disco (0,3%).

Conclusões: A cirurgia de Lasik demonstra ser segura, eficaz, e previsível para uma grande parte das ametropias.

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REJEIÇÃO CORNEANA PÓS TRANSPLANTE DE CÓRNEA - ANÁLISE DE DADOS DO BANCO DE OLHOS DO HOSPITAL SÃO PAULO - ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA
Maria Regina Catai Chalita
Eileen Beatriz Mejia Diazgranados
Elcio H. Sato
Bruno Castelo Branco
Denise de Freitas

Objetivo: Dentre todos os transplantes, o corneano tem sido o mais realizado na atualidade. Geralmente é bem sucedido, mas a rejeição do enxerto corneano pode ser uma complicação. A rejeição é estudada há muitos anos, já tendo sido estabelecidos alguns fatores predisponentes. Este estudo tem como objetivo analisar os casos de rejeição ocorridos em nosso serviço para detectar algum fator peculiar para a ocorrência da mesma.

Métodos: Realizamos um estudo retrospectivo analisando 113 casos de transplante de córnea ópticos efetuados no ano de 1998. Destes, selecionamos todos os casos de rejeição e avaliamos a patologia de base, presença de sinéquias, neovasos, aumento da pressão intra-ocular, antecedente de transplante prévio, idade do doador, tempo de captação e de preservação da córnea, experiência do cirurgião.

Resultados: Dos 113 transplantes realizados, 20 casos (17,69%) apresentavam rejeição do botão transplantado. Destes 20 casos, 9 apresentavam sinéquias, 4 tinham neovasos, 8 apresentaram aumento da pressão intra-ocular e 7 já haviam se submetido a transplante de córnea prévio.

Conclusões: Encontramos em nosso trabalho uma maior incidência de rejeição nos casos em que havia fatores predisponentes. Aparentemente houve mais rejeições quando os cirurgiões eram inexperientes. Também deve ser considerado o fato de sermos um serviço terciário, o qual recebe casos mais complexos e com maior chance de complicações.

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LABORATORIAL ANALYSIS OF FUNGAL KERATITIS IN A UNIVERSITY SERVICE
Alfredo José Muniz de Andrade
Luis Antonio Vieira
Ana Luisa Hofling-Lima
Maria Cecilia Zorat Yu
Olga Fischman Gompertz
Denise de Freitas
Luciene Barbosa de Sousa

Purpose: To present the frequency and type of identified fungi from infectious keratitis.

Methods: Retrospective survey of the cases of mycotic keratitis in the period from 1995 to 1998, at the Laboratory of Ocular Microbiology of the Department of Ophthalmology of the Federal University of São Paulo. Description of the fungal isolations, analysis of the causative factors and relation to the number of infectious keratitis in the same period.

Results/Conclusion: Mycotic keratitis was diagnosed in 61 (5.48%) of the 1,113 patients who presented ulcer of the cornea of infectious etiology, ranging from 3.4 to 9.25%, per year. Filamentous fungi were identified in 47 cases (77.04%) and yeasts in 14 (22.95%). Fusarium was the most frequent genus (50.82%), followed by Candida (22.95%) and Aspergillus (8.19%). Phaeosiaria sp, Phoma sp, Fonsecaea pedrosoi, Exserohilum rostratum, that are rare etiological fungal agents of keratitis, were also isolated.

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CORRELAÇÃO ENTRE OS ACHADOS À BIOMICROSCOPIA ULTRA-SÔNICA DE BOLHAS FILTRANTES COM OU SEM MITOMICINA C COM APRESSÃO INTRA-OCULAR
Italo Mundialino Marcon
Paulo Augusto de Arruda Mello
Zelia Maria da Silva Corrêa
Alexandre Seminoti Marcon

Objetivo: Avaliar, pela biomicroscopia ultra-sônica (UBM), a presença ou não de bolhas filtrantes antiglaucomatosas, observando sua cavidade, e suas diferenças no diâmetro, altura e espessura da parede, em olhos submetidos à cirurgia de trabeculectomia, com ou sem o uso de mitomicina C (MMC), e avaliar o efeito destas características sobre a pressão intra-ocular (Po).

Métodos: De forma aleatória, em um estudo de coorte com duração de seis meses, foram examinados pela UBM 61 olhos de 44 pacientes portadores de glaucoma, submetidos à cirurgia de trabeculectomia, tendo 38 recebido a mitomicina C (MMC) e 23 não. Todos os olhos foram examinados e avaliados no pós-operatório pelo UBM, com sonda de 50 MHz, utilizando a técnica descrita por Pavlin em 1991 (Pavlin et al., 1991).

Resultados: A altura da bolha filtrante foi de 1,80 ± 0,74 mm nos olhos com MMC e de 1,40 ± 0,53 mm naqueles sem MMC. A espessura da parede da bolha foi de 0,91 ± 0,59 mm nos olhos que receberam a MMC e 0,51 ± 0,45 mm naqueles que não receberam. A Po foi de 12,37 ± 5,45 mmHg nos olhos com MMC e de 14,91 ± 5,48 mmHg nos que não receberam.

Conclusões: O estudo pelo UBM demonstrou que foi a altura da bolha o elemento que mais influenciou na diminuição da Po. A espessura da parede foi significativamente maior nos olhos com MMC do que nos sem MMC. A diminuição da Po foi maior nos olhos em que foi utilizada a MMC, com uma diferença média de 2,54 mmHg.

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CORREÇÃO DE ESTRABISMO PARALÍTICO POR INJEÇÃO DE TOXINA BOTULÍNICA
Raquel Wattiez
Fábio Henrique Cacho Casanova
Rosana N. Pires da Cunha
Tomás Scalamandré Mendonça

Objetivo: Avaliar a ação da toxina botulínica em paralisias adquiridas de VI e III nervos.

Pacientes e métodos: Foram tratados com toxina botulínica 15 pacientes, com diagnóstico de paralisia de VI e III nervos, aguda ou crônica. Foram estudados de forma prospectiva, durante os meses de agosto de 1998 a maio de 1999. O estudo incluiu, além da avaliação do estrabismo, avaliação oftalmológica completa. Os pacientes foram acompanhados por um período de 2 a 7 meses após a última aplicação.

Resultados: Onze pacientes (73%) apresentaram paralisias do VI nervo e 4 pacientes (27%), paralisias de III nervo. Seis casos foram agudos (40%) e 9 casos (60%), crônicos. Cinco dos 6 casos agudos (83%) conseguiram controlar o desvio com a toxina botulínica como único tratamento e obter fusão. Dos 9 casos crônicos, 2 casos (22%) corrigiram o desvio só com a toxina, os outros 7, além da aplicação, foram submetidos à cirurgia, dos quais 4 casos (46%) foram corrigidos e os outros 3 casos (32%) não.

Conclusão: Concluímos que nos casos em que houve força muscular residual, após a paralisia, e bom potencial de fusão, a toxina botulínica foi o melhor tratamento, pois foi possível controlar o desvio e obter fusão, sem cirurgia.

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