Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 62 - fascículo 1

Resumo dos artigos deste fascículo

Teste de fotoestresse em pacientes diabéticos portadores de edema macular
Implante de molteno e transplante penetrante de córnea
Evolução da acuidade visual em pacientes vítimas de trauma ocular por violência
Campos visuais não confiáveis em pacientes glaucomatosos ou com suspeita de glaucoma: uma análise dos fatores de risco
Comparação entre os testes de acuidade visual e de Snellen e Sheridan-Gardner
A double-masked evaluation of ligdocaine-prilocaine cream used to alleviate the pain of peribulbar injection
Estudo comparativo entre sistemas videoceratográficos no ceratocone
Teste de sensibilidade ao contraste e teste de ofuscamento no paciente portador de catarata
Estudo da pressão média da artéria oftálmica e da pressão de perfusão ocular em indivíduos submetidos à cicloergometria
Ceratite infecciosa pós-transplante de córnea
Causas de exenteração
Fibroxantoma atípico de conjuntiva - Relato de Caso
Promoção da saúde ocular
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Teste de fotoestresse em pacientes diabéticos portadores de edema macular
Cássia Regina Suzuki
Teruo Aihara
Ralph Cohen

Objetivo: Avaliar o teste do fotoestresse como método de avaliação da função macular em 15 pacientes diabéticos com retinopatia diabética não-proliferativa e edema macular clinicamente significante unilateral.

Métodos: Os resultados foram comparados com os 16 pacientes do grupo controle por meio do teste estatístico Mann-Whitney para amostras independentes. Foi feita também a comparação entre os olhos acometidos e os olhos não-acometidos dos pacientes em estudo pelo teste de Wilcoxon para amostras pareadas.

Resultados: A diferença entre as amostras foi significativa em ambos com p = 0,0000234 no teste de Mann-Whitney e p = 0, 000656 no teste de Wilcoxon.

Conclusão: O teste de fotoestresse mostrou ser de simples execução, e um passo importante na propedêutica para o diagnóstico do edema macular do diabético.

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Implante de molteno e transplante penetrante de córnea
Paulo E. C. Dantas
Ralph Cohen
M. Cristina Nishiwaki-Dantas
Carmo Mandia Jr
Geraldo Vicente de Almeida

Objetivo: Relatar experiência clínico-cirúrgica inicial da associação de cirurgia de transplante de córnea e implante de dispositivo de drenagem artificial de humor aquoso (Molteno) no tratamento do glaucoma refratário associado a doença da córnea.

Métodos: Quinze olhos de 15 pacientes com glaucoma não-controlado por medicação máxima e/ou tratamento cirúrgico prévio associado a opacidade corneana foram submetidos à cirurgia combinada de TPC e implante de Molteno. Avaliamos acuidade visual melhor corrigida (AV), tonometria e biomicroscopia, correlacionando-as à efetividade do tratamento quanto à redução da pressão intra-ocular (PIO) e quanto à transparência do botão doador durante o período de observação.

Resultados: Houve efetiva diminuição da PIO em 14 (93,3%) dos olhos tratados. AV melhorou em 12 casos (80%), foi mantida em 2 (13,3%) e piorou em 1 (6,6%). Os botões doadores permaneceram claros até o final do acompanhamento em 13 olhos (86,6%). Principais complicações encontradas foram aumento da PIO (1 caso), formação de membrana retrocorneana (1 caso) e toque endotelial (2 casos).

Conclusão: Cirurgia combinada de transplante de córnea e implante de dispositivo de drenagem (tubo de Molteno) parece ser alternativa eficaz no tratamento de pacientes com glaucoma refratário a tratamento convencional e doença corneana associada.

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Evolução da acuidade visual em pacientes vítimas de trauma ocular por violência
Danielle Boni
Nilva S.B. Moraes
Denise de Freitas

Objetivo: Estudar além da prevalência, a evolução da acuidade visual após tratamento, nos pacientes vítimas de trauma ocular por violência.

Pacientes e Métodos: Os autores estudaram retrospectivamente 665 pacientes vítimas de traumatismos oculares atendidos no Pronto Socorro do Hospital São Paulo entre janeiro de 1991 a fevereiro de 1997.

Resultados: Observaram que 102 pacien tes (15,3%) foram vítimas de trauma ocular por violência contra a pessoa, sendo distribuídos em 4 grupos (1 - por arma de fogo: 15%, 2 - por arma branca: 23%, 3 - por luta corporal: 17%, 4 - por outras etiologias: 45%). 84% dos pacientes (86) eram do sexo masculino e 16% (16) do feminino. Prevaleceu a faixa etária jovem, entretanto a análise de variância não mostrou diferença significante entre as idades em relação ao tipo de trauma estudado. Foi freqüente a multiplicidade de lesões, porém o comprometimento corneano foi estatisticamente mais prevalente (p < 0,001).

Conclusão: Os resultados visuais nos 4 tipos de traumas violentos foram analisados e na maioria dos casos a acuidade visual se manteve inalterada. A prevalência de baixa acuidade visual permanente nos olhos afetados por traumas oculares violentos foi de 71,5%. A taxa de cegueira legal (< 20/200) dos pacientes afetados por traumas violentos foi de 10,78%. Nos 6% de traumas bilaterais encontrados a taxa de cegueira legal foi de 100%.

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Campos visuais não confiáveis em pacientes glaucomatosos ou com suspeita de glaucoma: uma análise dos fatores de risco
Luciana Bernardi
Vital Paulino Costa
Fernando Mutton
Newton Kara José

Objetivo: Avaliar freqüência e fatores associados à ocorrência de exames de campo visual não-confiáveis em pacientes glaucomatosos ou com suspeita de glaucoma que realizaram o exame de perimetria computadorizada pela primeira vez.

Métodos: Foram avaliados os prontuários de 262 pacientes glaucomatosos ou suspeitos de glaucoma submetidos ao primeiro exame de campo visual com o Perímetro Humphrey de janeiro a dezembro de 1996. Definiu-se como exame não-confiável a presença de perdas de fixação superiores a 20%, respostas falso-positivas superiores a 33% ou respostas falso-negativas superiores a 33%.

Resultados: Quarenta e oito (18,3%) pacientes apresentaram exame não-confiável. Destes, 34 (64,5%) apresentaram alto índice de perda de fixação e 17 (29%) alto índice de falso-negativo. Baixa confiabilidade esteve associada a idade inferior ou igual a 15 anos (p = 0,0005) ou acuidade visual inferior a 20/200 (p = 0,0002). Índice elevado de respostas falso-negativas esteve relacionado a idade superior a 65 anos (p = 0,0227), acuidade inferior a 20/200 (p = 0,005), defeito extenso de campo visual (p = 0,000017) e valor do SF aumentado (p = 0,0091). Perda de fixação esteve associada a idade inferior ou igual a 15 anos (p = 0,00008) e acuidade visual inferior a 20/200 (p = 0,0012).

Conclusão: A maioria dos exames de campo visual não-confiáveis ocorreu pelo excesso de perda de fixação ou respostas falso-negativas. Pacientes jovens ou com baixa acuidade visual necessitam orientação detalhada e maior número de pausas com a finalidade de minimizar o índice de perda de fixação. Pacientes com dano glaucomatoso grave, acuidade visual inferior a 20/200 ou idade superior a 65 anos possuem maior risco de apresentar exame não-confiável por excesso de respostas falso-negativas.

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Comparação entre os testes de acuidade visual e de Snellen e Sheridan-Gardner
Renata Cecília Carnelossi Lopreto
Isabelle Hautequest Meirelles
André Domingos Araujo Souza
Antonio Augusto V. Cruz

Objetivo: Comparar a medida da acuidade visual com o E de Snellen e com o teste de Sheridan- Gardner

Métodos: Três experimentos foram realizados. No primeiro, comparou-se os valores angulares e o tempo de medida da acuidade visual de 200 crianças com o E de Snellen e com o teste de Sheridan. No segundo, determinou-se funções psicométricas de 5 indivíduos obtidas com os dois testes em diferentes níveis de borramento óptico. No terceiro, observou-se o efeito da filtragem passa-baixa na percepção de 16 sujeitos das letras E, H, T, V e O.

Resultados: O tempo de medida bem como os valores de ângulo visual são menores com o teste de Sheridan-Gardner. O efeito do borramento óptico na acuidade visual é maior com o E de Snellen. A filtragem passa-baixa afeta mais o E do que os optotipos H, T, V e O.

Conclusões: Mesmo quando subtendem ângulos visuais idênticos, os optotipos E e H, T, V, O não podem ser considerados como equivalentes.

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A double-masked evaluation of ligdocaine-prilocaine cream used to alleviate the pain of peribulbar injection
Roberto Lauande-Pimentel
Marisa B. Potério
Sandra Francischini
Milton R. Alves
Newton Kara José

Purpose: A randomized double-masked study was carried out on 64 patients, scheduled for cataract surgery, in order to assess the efficacy of a topical anesthetic, in alleviating the pain on peribulbar injection.

Methods: The patients were divided into two groups. Group I - 36 patients were treated with the lignocaine-prilocaine cream. Group II - 27 patients treated with a placebo cream with the same physical characteristics. Both groups remained with the cream 60 minutes before receiving the peribulbar injection. Pain was assessed objectively by the anesthesiologist, who observed the reaction of the patient when inserting the needle and the anesthesia. The pain was also analyzed subjectively by the patient with a international pain scale.

Results: Significantly lower pain scores were recorded, both subjectively and objectively, in Group I patients. None of the patients experienced any side effects during the study, due to the use of the cream.

Conclusion: These results support the efficacy and relative safety of lignocaine-prilocaine cream used to alleviate the pain during peribulbar injection.

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Estudo comparativo entre sistemas videoceratográficos no ceratocone
Renato Leça
Ana Luisa Hofling de Lima

Objetivo: Comparar os resultados obtidos pelo "Corneal Analysis System EyeSys", videoceratoscópio baseado no princípio do disco de Plácido, e pelo "Corneal Topography System PAR", videoceratoscópio baseado no princípio da rasterestereografia, na análise de olhos com ceratocone.

Método: Estudo prospectivo e comparativo dos mapas videoceratográficos de 55 olhos com ceratocone de 32 pacientes, obtidos pelo CAS-EyeSys e pelo CTS-PAR.

Resultados: O método CTS-PAR mediu áreas maiores de córnea, mediu um número maior de casos, localizou os ápices mais superiormente e forneceu curvaturas discretamente menores do que o CAS-EyeSys. Por outro lado, os dois métodos não diferiram nas medidas da direção do astigmatismo e na diferença ceratométrica.

Conclusão: Os métodos videoceratográficos baseados no disco de Plácido (CAS-EyeSys) e na rasterestereografia (CTS-PAR) apresentaram vários resultados discordantes na análise de olhos com ceratocone.

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Teste de sensibilidade ao contraste e teste de ofuscamento no paciente portador de catarata
Augusto Cezar Lacava
Virgílio Centurion

Objetivo: Estudar a aplicação de teste de ofuscamento e a medida da função da sensibilidade ao contraste em pacientes com diagnóstico de catarata.

Métodos: Foram selecionados 20 olhos de vinte pacientes consecutivos com diagnóstico de catarata apresentando idade média de 64,9 anos e com acuidade visual ³ 20/40. Todos foram submetidos à exame oftalmológico completo e a acuidade visual foi mensurada com a Tabela de Snellen, com Tabela do VCTS 6500 (Vistech Consultants, Inc.) e com o MCT 8000 (Vistech Consultants, Inc.).

Resultados: Os resultados foram convertidos para escala log MAR e mostraram que VCT 6500 e MCT 8000, são capazes de aferir uma mudança na acuidade visual noturna e diurna dos pacientes portadores de catarata.

Conclusões: Os autores concluem que os dois testes são auxiliares valiosos na indicação cirúrgica de facectomia em pacientes portadores de catarata com acuidade visual ³ 20/40.

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Estudo da pressão média da artéria oftálmica e da pressão de perfusão ocular em indivíduos submetidos à cicloergometria
Clóvis Paiva Filho
Clóvis de Azevedo Paiva

Objetivo: Comparar a pressão média da artéria oftálmica (POFm) e a pressão de perfusão ocular (PP) de indivíduos submetidos a esforço físico, com a pressão braquial média (PAm). Este estudo tem como finalidade, o melhor entendimento do mecanismo de auto-regulação do fluxo sanguíneo no bulbo ocular, durante o estado de estresse físico.

Método: Os autores examinaram 36 voluntários, submetidos a esforço físico por meio de teste ergométrico, medindo a pressão da artéria oftálmica (POF), assim como a pressão intra-ocular (Po) em três fases: basal, esforço e recuperação. Compararam os resultados com a PAm.

Resultados: Na fase basal, a POFm correspondeu a 71,12% do valor da PAm. Na fase de máximo esforço, a PAm aumentou 36,13% e a POFm, 8,37% e a relação entre elas caiu de 71,12% para 56,62%, ou seja, caiu de 0,71mmHg para 0,56mmHg, o que representa uma redução de 21,12%. Na fase de esforço, a PP sofreu um aumento de 17,4%, ou seja, 9,43mmHg.

Conclusão: Este trabalho gostaria de demonstrar que existe um mecanismo de auto-regulação que controla o suprimento sanguíneo do olho, mesmo quando a POFm não aumenta na mesma proporção da PAm, e que apesar disto, existiria um aumento da PP responsável por um maior aporte de oxigênio para o disco óptico, durante o esforço físico.

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Ceratite infecciosa pós-transplante de córnea
Namir C. Santos
Patrícia T. Sucomine
Luciene B. de Sousa
Elcio H. Sato
Denise de Freitas

Objetivo: Estudar os casos de ceratite infecciosa pós-transplante de córnea do Setor de Doenças Externas Oculares e Córnea da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP-EPM.

Pacientes e Método: Foram revisados os registros de 255 pacientes submetidos a transplante de córnea no período de janeiro de 1995 a junho de 1997. Aqueles que desenvolveram infecção foram avaliados quanto: (1) indicação do transplante, (2) tempo entre a cirurgia e o aparecimento da infecção, (3) fatores desencadeantes da infecção, (4) microrganismo causal e (5) repercussão final na acuidade visual.

Resultados: Foram identificados dez casos de ceratite infecciosa pós-transplante de córnea resultando em uma incidência de 3,9%. Problemas relacionados à sutura, olho seco, ceratite herpética e defeito epitelial crônico foram os fatores desencadeantes identificados. Os principais microrganismos envolvidos foram Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus. A perda visual foi grave em 80% dos casos e, apenas dois pacientes tiveram acuidade visual final de 20/40 e 20/60.

Conclusão: Deve ser dado especial atenção na avaliação tanto pré-operatória como pós-operatória à presença de fatores predisponentes ao desenvolvimento de infecção no pós-operatório de transplante, pois embora seja uma complicação infreqüente pode comprometer gravemente o prognóstico visual.

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Causas de exenteração
Valmor Rios Leme
Mauro Vagner Duarte Oliveira
Nelson Boeira Júnior
Antonio Augusto V. Cruz

Objetivo: Analisar as causas das exenterações realizadas no Serviço de Órbita do Departamento de Oftalmologia da Faculdade de Medicina Ribeirão Preto-USP.

Métodos: Foi realizada análise retrospectiva dos prontuários de 23 pacientes exenterados no Serviço de órbita do Departamento de Oftalmologia da Faculdade de Medicina Ribeirão Preto-USP, no período de maio de 1992 a janeiro de 1998, levando-se em conta sexo, idade, tipo histológico e origem da lesão orbital.

Resultados: Todas as órbitas foram exenteradas por neoplasia. Em 95,7% dos casos a órbita foi acometida por processos neoplásicos locais que se originaram na própria órbita ou em estruturas circunvizinhas. Dentre estes, 61,9% apresentavam lesões diagnosticáveis ectoscopicamente. A maioria apresentava tumores palpebrais que já tinham sido operados em algum outro serviço.

Conclusões: Os resultados mostram que os tumores palpebrais são extremamente perigosos, pois invadem a órbita com freqüência constituindo-se na principal causa de exenteração. Uma análise rigorosa da história desses pacientes, mostra que se a conduta inicial fosse adequada a exenteração teria sido evitada em praticamente todos os casos.

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Fibroxantoma atípico de conjuntiva - Relato de Caso
Silvia Takanohashi Kobayashi
Moacyr Pezati Rigueiro
Renato L. Gonzaga
André B. Castelo Branco
Sung Bok Cha

Neoplasias fibro-histiocíticas da conjuntiva são raras. O fibroxantoma atípico é considerado uma variante superficial do fibro-histiocitoma maligno (FHM). Relatamos o primeiro caso da literatura nacional em uma mulher de 78 anos. Os aspectos clínicos e histopatológicos desta neoplasia são discutidos.

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Promoção da saúde ocular
Edméa Rita Temporini
 
Aplicam-se ao campo da saúde ocular as definições de promoção da saúde e de educação em saúde. Discutem-se aspectos conceituais, características e estratégias com vistas à promoção da saúde ocular, salientando-se a importância do desenvolvimento de programas de oftalmologia de caráter comunitário

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