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Resumo dos artigos deste fascículo
Objetivo: Caracterizar as manifestações clínicas e determinar a distribuição epidemiológica e etiológica da síndrome do seio cavernoso (SSC) pela primeira vez no Brasil.
Métodos: Os casos de SSC vistos num período de 15 anos foram analisados. Os pacientes foram submetidos a completo exame neurológico e oftalmológico, a extensa propedêutica laboratorial e a exames de imagem do encéfalo para determinação da etiologia. Em alguns pacientes foi realizada biópsia cerebral.
Resultados: 70 casos foram encontrados com idades entre 4 e 74 anos (mediana de 41). Ambos sexos foram igualmente afetados. Cefaléia ocorreu em 80% dos pacientes, envolvimento do III nervo em 76%, do IV em 43%, do VI em 59%, e do nervo óptico em 46% dos casos. A síndrome de Tolosa-Hunt foi encontrada em 18 pacientes, a paquimeningite hipertrófica em 17, os tumores em 12, os aneurismas em 11, as fístulas carótido-cavernosas em 10, tuberculoma em um, e tromboflebite em uma paciente.
Conclusões: A SSC ocorre em ambos os sexos e em todos os grupos etários, se manifestando por graves déficits neuro-oftalmológicos. Neuropatia óptica é comum. Inflamação foi a causa mais freqüentemente encontrada da SSC nesta série.
Objetivo: Resumir o desenvolvimento de um Videoceratógrafo (ou menos precisamente, Topógrafo de Córnea) projetado e fabricado no Brasil.
Métodos: Discos de Plácido pintados num anteparo em forma de cone são refletidos pela córnea. As imagens passam por um sistema óptico de aumento e são focalizadas num CCD ("Charge Coupled Device"; nada mais do que uma abreviação para câmeras fabricadas com a tecnologia de semicondutores) atrás do cone. O sinal do CCD é enviado para uma placa de captura de imagens ("frame grabber") instalada em um PC-IBM compatível. Por meio de algoritmos de processamento de imagens, extraem-se das imagens digitalizadas as distâncias de borda dos Discos de Plácido. Estes valores são inseridos em algoritmos com modelos matemáticos da curvatura da córnea, resultando no cálculo da dioptria de aproximadamente 5.760 pontos.
Resultados: Assim como em outros aparelhos importados, imprime-se na tela do computador um mapa colorido plano com código de cores relativo aos valores de dioptria. Para um conjunto de 9 esferas de raios: 5,50; 5,75; 6,00; 6,25; 6,75; 7,00; 7,25; 7,50; 7,75 mm obteve-se um desvio médio de 0,1 para dioptria e 0,02 mm para o raio. Foram analisados computacionalmente 5.760 pontos para cada esfera. Em uma amostra de 20 córneas obteve-se desvio médio de 0,2 dioptrias com relação ao topógrafo EyeSys.
Conclusões: Podemos afirmar que o instrumento construído obtém resultados equivalentes àqueles do instrumento importado.
Purpose: To determine clinical and ultrasound correlation of secondary implantation iris and anterior chamber cysts, reported after trauma or intraocular surgeries.
Patients and Methods: Retrospective study of ultrasonographic biomicroscopy examinations (UBM Model 840 - Humphrey Instruments, USA, equipped with a 50 MHz transducer, utilizing immersion technique), performed from August 1994 to July 1997 at the Ocular Ultrasound Section, UNIFESP-EPM.
Results: In a total of 1,669 UBM examinations, 8 cases of secondary epithelial implantation cysts were found, among them 3 after trauma (2 presenting as a white lesion, whose anatomopathological sections showed concentric lamellae of keratin; another with penetrating ocular trauma presenting a lesion with hypodense content) and 5 cases after intraocular surgery (post-extracapsular extraction, 3 cases; post-penetrating corneal graft, 2 cases). On UBM, secondary implantation cysts were identified as unilateral lesions, with hypodense content (with particles in suspension, or epithelial cells) or disposed in concentric hyperreflective lamellae (keratin). In all the cases of hypodense content (6), delamination of iris stroma was observed, an information unavailable by other methods. Utilizing UBM examination, postoperative evaluation was performed in 2 cases (1 submitted to surgical removal, another to laser cystotomy) or serial examination if clinical observation was decided.
Conclusion: UBM examination was able to differentiate the type of anterior chamber epithelialization (cystic, solid and sheet-like forms), to detect associated lesions indicating the most appropriate treatment, its results when performed, and its follow-up.
Objetivo: Avaliar a técnica de lensectomia na cirurgia de catarata infantil, suas complicações e o resultado visual.
Métodos: Foram estudados 47 olhos de 41 crianças portadoras de catarata que foram submetidas à cirurgia por meio da técnica de lensectomia. As crianças apresentavam faixa etária entre 15 dias e 18 meses (média = 7,56 meses) na ocasião da cirurgia. O seguimento pós-operatório variou de 4 a 108 meses (média = 32 meses).
Resultados: As complicações pós-operatórias ocorreram em 07 (14,89%) dos 47 olhos e obteve-se acuidade visual de normal a 1 e ½ oitava abaixo do normal para a idade em 20 olhos (42,55%).
Conclusões: O baixo número de opacificação secundária de eixo visual permite correção óptica e estimulação visual precoce.
Objetivo: Avaliar a ação hipotensora do cloridrato de dipivefrin 0,1% em olhos de pacientes usuários de pilocarpina 2% e maleato de timolol 0,5%.
Métodos: Em um estudo prospectivo, 26 pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto usuários de pilocarpina 2% de 4/4 h e maleato de timolol 0,5% de 12/12 h foram submetidos a 5 medidas de PIO às 8, 10, 12, 14 e 16 h. Duas semanas após a introdução de dipivalil epinefrina 0,1% de 12/12 h em um dos olhos, novas medidas de PIO foram realizadas nos mesmos horários.
Resultados: Após a introdução do dipivefrin observamos redução significativa das pressões intra-oculares medidas em todos os horários (1,49 ± 2,36 mmHg, p = 0,003). Não observamos diferença estatisticamente significante quando comparamos a variabilidade, o pico pressórico e o número de indivíduos com PIO > 21 mmHg pré e pós tratamento com dipivefrin. Apenas oito pacientes apresentaram redução de PIO superior a 15%.
Conclusões: Apesar das reduções da PIO serem estatisticamente significantes, o efeito adicional do dipivefrin em pacientes utilizando pilocarpina e maleato de timolol é clinicamente relevante em apenas um terço dos pacientes.
Introdução: A mansonelose, causada por infestação pela microfilária é encontrada no Brasil em áreas da floresta amazônica (Amazônia, Roraima) e Mato Grosso. Sua patogenicidade é discutida e em oftalmologia é referida como possível causa de prurido ocular e conjuntivite. Alterações corneanas associadas a Mansonella spp. não existem na literatura. O sudoeste do estado do Amazonas está entre as regiões do Brasil ainda sem registro oftalmológico, desconhecendo-se as suas necessidades e prioridades.
Objetivo: Relatar os achados oftalmológicos dos habitantes do município de Pauiní (localizado a sudoeste do estado da Amazônia, a 915 km de Manaus, a beira do rio Purus) e apresentar as lesões corneanas encontradas, possivelmente relacionadas à Mansonella, bem como verificar a porcentagem de habitantes que necessitavam de óculos.
Pacientes e Métodos: Em setembro de 1997, 524 moradores de Pauini foram submetidos a exame oftalmológico. Os óculos necessários foram doados, enviados e entregues aos moradores. Quatro pacientes foram submetidos à biopsia cutânea para pesquisa de oncocercose e outros quatro à venoclise para pesquisa de mansonelose.
Resultados: As ametropias foram as alterações oftalmológicas mais freqüentes nesta população. Foi indicada a prescrição de óculos em 178 (33,59%) pacientes. Destes, 21 (4%) necessitaram correção apenas para longe, 104 (20%) apenas para perto e 53 (10%) para perto e para longe. Quarenta e nove pacientes apresentaram pterígio (9,35%) e 36 (6,90%) catarata levando a baixa visual importante. Cicatriz retiniana compatível com toxoplasmose no pólo posterior causando grande perda visual esteve presente em pelo menos 6 pacientes (1%). Vinte e dois olhos de 20 pacientes (3,8%) apresentavam opacidades periféricas de córnea. Todas as lesões eram circulares, de 0,5 a 1,0 mm de diâmetro, com área translúcida de córnea entre a lesão e o limbo, sem neovascularização e sem afetar a visão, sendo bilaterais em 2 pacientes. Tracoma, oncocercose, conjuntivite cicatricial, alterações pupilares ou uveíte não foram encontradas. Nenhuma biópsia de pele foi positiva para oncocercose. Dois dos quatro pacientes submetidos a venóclise apresentavam Mansonella spp. no exame de sangue.
Conclusão: A falta de óculos é a causa mais importante de baixa acuidade visual na região estudada, seguida pela catarata. As lesões corneanas sem causa conhecida e a presença de Mansonella a sugerem como possível causa das opacidades corneanas encontradas.
Objetivo: Verificar a eficácia dos procedimentos oftalmológicos, educacionais e reabilatacionais oferecidos pelo Serviço de Visão Subnormal do Departamento de Oftalmologia do Hospital das Clínicas da UNICAMP.
Metodologia: Foram estudados 90 escolares/pacientes, na faixa etária de 7 a 18 anos e 11 meses, entre fevereiro e junho de 1997, por meio de "survey" descritivo transversal. Foi feita reavaliação oftalmológica e verificação da adesão à prescrição do auxílio óptico e às orientações por meio de questionários e aplicação dos testes qui-quadrado e Fisher.
Resultados: A coriorretinite macular bilateral congênita demonstrou ser a patologia mais freqüente (46,7%). A faixa etária de 7-10 anos apresentou compatibilidade entre a idade e a escolaridade (100%); entre 11-14 anos, 30,7% dos sujeitos apresentaram atraso de escolaridade. Em relação ao auxílio, 85,6%; dos sujeitos aderiram à prescrição. 78,4% dos escolares utilizavam auxílios não-ópticos. Em relação às orientações oferecidas, 94,4% dos professores aceitaram os auxílios ópticos.
Conclusão: Os professores demonstraram receptividade à proposta da pesquisa, tendo sido estimulados pelos próprios alunos e seus pais. Apesar da aderência ao auxílio óptico de 85,6% os professores sentiram necessidade de maiores esclarecimentos a respeito da deficiência visual e suas implicações.
Objetivo: Avaliar a freqüência e o tipo de mutação no gene "trabecular meshwork-induced glucocorticoid response protein" (MYOC/TIGR) entre pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) e glaucoma juvenil de ângulo aberto (GJAA).
Métodos: DNA genômico foi extraído a partir de sangue periférico de pacientes com GPAA e GJAA. Posteriormente foram realizados PCR e SSCP para identificar possíveis mutações no gene MYOC/TIGR, os quais foram confirmados por meio de análise por sequenciamento.
Resultados: Foram estudados dezenove pacientes com GJAA. Oito pacientes (42%) apresentaram uma mutação de ponto no codon 433 (exon 3), ocasionando a substituição de uma cisteína (TGT) por uma arginina (CGT). Entre os pacientes com GPAA (n = 52), foram encontrados dois (3,8%) com mutação no gene MYOC/TIGR. Um deles mostrou uma mutação de ponto no aminoácido 368, substituindo uma glutamina por um codon de terminação e o outro paciente apresentou a mesma mutação observada nos pacientes com GJAA.
Conclusão: Identificou-se uma nova mutação no gene MYOC/TIGR em pacientes brasileiros com GPAA e GJAA. A ocorrência de mutações no gene MYOC/TIGR em 42% dos pacientes com GJAA assim como em 3,8% dos pacientes com GPAA poderia ser maior, uma vez que o gene não foi estudado em sua totalidade (apenas 400 pb do exon 3).
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Objetivo: Estudar a incidência de uveíte em pacientes com artrite reumatóide juvenil (ARJ) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP bem como a freqüência da uveíte nos diferentes subtipos de ARJ e possíveis fatores de risco para desenvolvimento de uveíte.
Métodos: Foi realizado exame oftalmológico completo em 160 crianças com idade inferior ou igual a 16 anos e diagnóstico de ARJ, sendo 52 com a forma sistêmica, 35 com a forma poliarticular e 73 com a forma pauciarticular.
Resultados: Na forma sistêmica observou-se fator anti-núcleo (FAN) positivo em 8,5% e fator reumatóide (FR) positivo em 2,2%; na forma poliarticular, FAN e FR foram positivos em 8,6%; e na forma pauciarticular encontrou-se FAN positivo em 25,8% e FR positivo em 0%. Na forma sistêmica não foi observado nenhum tipo de uveíte. Na forma poliarticular foi encontrada iridociclite bilateral em 5,7%, sendo que um deles evoluiu com catarata e ceratopatia em faixa em ambos os olhos. Na forma pauciarticular foi observada iridociclite em 6,8%, sendo um caso unilateral e quatro bilaterais, tendo um olho evoluído com catarata.
Conclusões: A incidência de uveíte foi de 4,4%, acometendo principalmente os portadores da forma pauciarticular. FAN positivo e idade do início da artrite foram fatores de risco para o desenvolvimento da uveíte.
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Objetivo: Avaliar a prevalência das alterações oculares, analisar estas alterações associadas a atividade da doença e drogas utilizadas para tratamento, e analisar a repercussão do Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) e das drogas na perimetria estática computadorizada com estímulos vermelho e azul.
Métodos: Sessenta e oito pacientes portadores de LES foram submetidos a exame oftalmológico, testes para pesquisa de olho seco e perimetria estática dos 10 graus centrais com estímulos vermelho e azul. O grupo de estudo foi dividido em dois subgrupos: os pacientes que usavam cloroquina (n = 53) e os que não usaram cloroquina (n = 15). Foi formado um grupo controle pareado por idade com 68 pessoas voluntárias para estudo comparativo dos limiares de sensibilidade da perimetria estática com estímulos vermelho e azul.
Resultados: As alterações oculares mais significativas incluíram olho seco (36,7%), desepitelização corneana do terço inferior (26,4%), catarata subcapsular posterior (35,3%) e alterações do EPR na mácula (10,3%). A sensibilidade ao azul foi maior que ao vermelho, em todos os grupos e os limiares de sensibilidade ao vermelho e azul foram significativamente menores no grupo com LES em relação ao grupo controle, independente do uso de cloroquina. O uso de cloroquina e o tempo de uso, não interferiram na sensibilidade aos estímulos vermelho ou azul. Não houve diferença entre os limiares de sensibilidade do grupo que usou cloroquina em relação ao grupo que não usou essa medicação, seja com estímulo vermelho ou com estímulo azul.
Conclusões: O olho seco é a manifestação ocular mais freqüente encontrada no LES. O uso de cloroquina não demonstrou ser responsável pela queda do limiar de sensibilidade nos pacientes com LES. É possível que o próprio LES seja responsável pela redução dos limiares, acometendo diretamente os foto receptores.
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