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Resumo dos artigos deste fascículo
Objetivo: Identificar conhecimentos de prevenção e conduta relacionados a doenças oculares e funcionamento dos olhos em graduandos do curso médico, a fim de subsidiar alterações curriculares com vistas ao aprimoramento da formação profissional.
Métodos: Realizou-se "survey" sobre conhecimentos de Oftalmologia entre alunos do último ano do curso de graduação em Medicina de seis escolas no Estado de São Paulo (amostra aleatória), aos quais foi aplicado um questionário padronizado contendo 16 questões referentes a aspectos em Oftalmologia importantes na formação do médico.
Resultados: A avaliação dos questionários revelou conhecimentos insuficientes, erros de conduta, falhas na detecção de doenças comuns, além de existência de mitos e crendices populares sobre saúde ocular em proporção acentuada. O índice de acerto considerado bom nesta avaliação (igual ou superior a 80%) não foi atingido em nenhuma das questões aplicadas.
Conclusões: Vê-se necessidade de reformulações no curso de Oftalmologia no currículo de Medicina, a fim de que o médico não especialista esteja preparado para adotar condutas corretas na orientação e tratamento de problemas oculares. As evidências do conhecimento insuficiente nesta área sugere a reavaliação periódica do conteúdo do curso de Graduação e dos conhecimentos cognitivos adquiridos pelos alunos.
Objetivo: Avaliar as causas de glaucoma neovascular (GNV), bem como os fatores que influenciam seu prognóstico e o resultado do tratamento efetuado.
Métodos: Estudou-se retrospectivamente um grupo de 38 pacientes com diagnóstico de GNV atendidos consecutivamente no setor de Glaucoma da UNICAMP entre setembro de 1996 e março de 1997.
Resultados: A principal causa de GNV encontrada foi a retinopatia diabética proliferativa (RDP) em 18 pacientes (47,4%), seguida de oclusão da veia central da retina (OVCR) em 14 (36,8%). O único fator prognóstico positivamente correlacionado à acuidade visual final foi a acuidade visual inicial (p = 0,004). Não houve associação entre pressão intraocular (PIO) inicial e acuidade visual final, nem tampouco entre extensão de goniossinéquias e acuidade visual final (p > 0,05). Entre os 38 pacientes, 8 (21,1%) foram submetidos a cirurgia, onde observamos uma diminuição significativa da PIO de 39,75 ± 10,99 mmHg para 21,88 ± 12,14 mmHg (p = 0,01), 5 (13,1%) obtiveram redução da PIO de 31,4 ± 7,4 mmHg para 16,0 ± 4,6 mmHg graças a tratamento clínico da PIO (medicação anti-glaucomatosa + ablação retiniana) (p = 0,01). Os demais 25 pacientes (65,8%) não apresentavam prognóstico visual suficiente que justificasse cirurgia (acuidade visual menor ou igual a percepção luminosa). Ao final do período de seguimento, 71,1% dos pacientes apresentaram acuidade visual pior ou igual à percepção luminosa.
Conclusão: O GNV mostrou ser moléstia de difícil controle terapêutico e com prognóstico visual ruim. Na tentativa de minimizar esta evolução desfavorável, propusemos um fluxograma de abordagem do paciente com GNV.
Realizamos um estudo amostral populacional para melhor conhecer a prevalência de Toxoplasmose ocular em Venda Nova do Imigrante, ES e compará-la com a prevalência de lesões em outras regiões do Brasil. De 1.074 pessoas examinadas, 11,27% foram diagnosticadas como portadoras de toxoplasmose ocular, baseado em achados fundoscópicos. Esta prevalência foi superior à existente nos Estados Unidos (0,6%) e em São Paulo (9%), mas inferior à de Erechin, RS (17,7%). Foram encontrados quatro casos familiares (2 famílias com 2 irmãos não-gêmeos e 2 famílias com casos de mães e filhos afetados), sugerindo toxoplasmose adquirida. A acuidade visual foi igual ou inferior a 20/200 em 7% dos olhos com lesões oculares, devido a presença de lesões maculares.
Objetivo: Avaliar características clínicas do tracoma e verificar a possibilidade de utilização de testes laboratoriais para confirmação da doença em população escolar de Joinville.
Métodos: O exame ocular externo foi feito em 1697 indivíduos com idade variando de 5 a 16 anos. O tracoma foi avaliado de acordo com o esquema de gradação da OMS. Amostras de material conjuntival foram colhidas de crianças portadoras de tracoma folicular e crianças clinicamente normais e submetidas à pesquisa de Chlamydia trachomatis (imunofluorescência direta, testes imunoenzimáticos Chlamydiazyme®, Surecell Chlamydia® e Clearview Chlamydia®, reação em cadeia da polímerase (PCR) e cultura), adenovírus e herpes simples vírus (cultura) e bactérias aeróbias e fungos (cultura).
Resultados: a prevalência de tracoma folicular (TF) foi 4,95% e a de tracoma cicatrial (TS) foi 0,65%. A imunofluorescência direta foi inconclusiva e os outros exames laboratoriais para pesquisa de Chlamydia trachomatis foram negativos em crianças com tracoma folicular e em crianças normais, assim como a cultura de adenovírus e herpes simples vírus. A cultura de bactérias e fungos foi positiva em 55% dos espécimes conjuntivais analisados e os bacilos gram-negativos (41,7%) e cocos-gram positivos (35%) foram os mais identificados.
Conclusões: A população estudada tem baixa prevalência de tracoma, com quadros inflamatórios brandos. O diagnóstico da doença foi clínico uma vez que os testes laboratoriais específicos foram negativos ou inconclusivos. Embora vários tipos de bactérias aeróbias e fungos tenham sido isolados, eles não puderam ser relacionados à ocorrência do tracoma pois tiveram maior prevalência em crianças clinicamente normais.
Este estudo retrospectivo descreve os achados clínicos em 97 pacientes portadores de Síndrome de Duane do Departamento de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo e Clínica Particular (Dr. Carlos Souza-Dias). Encontramos 90 casos (92,8%) unilaterais e 7 (7,2%) bilaterais, os quais foram avaliados separadamente. Tipo I, sexo feminino e olho esquerdo foram mais freqüentes. As características clínicas estudadas foram erro refracional, movimentos verticais anômalos, torcicolo, ambliopia e desvio em posição primária do olhar.
Foram examinados 57 pacientes (112 olhos) portadores de visão subnormal do Hospital São Geraldo. A pesquisa procurou estudar a relação entre a acuidade visual e a possibilidade de realização dos testes de visão de cores. Os pacientes foram submetidos aos testes de Ishihara, Panel D15 de Farnsworth, D28 de Roth e The City University Color Vision Test (CUCVT). Os pacientes com acuidade visual maior ou igual a 0,05 obtiveram resultados favoráveis.
Em continuidade à pesquisa, foi realizado um estudo comparativo entre o Panel D15 de Farnsworth, D28 de Roth e The City University Color Vision Test para determinar o melhor indicado na classificação do tipo da discromatopsia. Na análise dos resultados, o D15 de Farnsworth e o D28 de Roth se equivaleram apresentando resultados semelhantes e superiores ao CUCVT.
As autoras indicam o teste de Ishihara no diagnóstico de uma alteração cromática congênita ou adquirida. Para classificação do tipo da discromatopsia consideram o D28 de Roth o melhor indicado nos portadores de visão subnormal por ser mais sensível que o D15 de Farnsworth.
Foram estudados retrospectivamente 695 pacientes (1390 olhos) portadores de glaucoma do H.C. da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, atendidos de 1986 a 1996, com o objetivo de avaliar o número de olhos cegos (AV < 0,1) na primeira consulta. Esta AV foi correlacionada aos dados de identificação, parâmetros oftalmológicos e tipos de glaucoma.
Foram encontrados 502 olhos (36,12%) com AV < 0,1 no momento de chegada. Esta AV estava associada significativamente: à idade > 60 anos em 41,79% dos olhos, hipertensão arterial em 36,43%, ausência de história familiar de glaucoma em 37,18%, escavação de papila > 0,5 associada a outros sinais glaucomatosos da papila em 52,45% e PIO > 22 mmHg em 52,24%, Quanto ao tipo de glaucoma os que deram entrada com maior porcentagem de olhos cegos foram o glaucoma neovascular (90,90%), glaucoma por uveíte (75,00%) e glaucoma com pseudo-exfoliação (60,00%).
Objetivo: Avaliar a eficácia do uso do fluconazol subconjuntival em ceratite fúngica por Fusarium solani experimentalmente induzida em modelo animal.
Métodos: Após imunossupressão prévia com corticosteróide subconjuntival, o inóculo padrão, preparado com o auxílio do método de espectrofotometria, foi injetado no estroma corneano. Depois de três dias, iniciou-se a aplicação de 300 µl de fluconazol subconjuntival (grupo 1) ou placebo (grupo 2), por quatro dias consecutivos. Cinco dias após a primeira dose subconjuntival de fluconazol ou placebo, procedeu-se ao sacrifício dos animais e à trepanação das córneas e imersão destas em meio de enriquecimento líquido. Alíqüotas de 100, 10 e 1 µl deste meio foram semeadas, após 3 dias, em placas com Sabouraud-dextrose e as colônias crescidas, contadas em 5 dias.
Resultados: A análise estatística considerou o número de colônias crescidas nas diferentes diluições, para cada grupo. Não houve diferença estatisticamente significante entre o grupo tratado com fluconazol subconjuntival e o grupo controle.
Conclusão: A utilização de fluconazol subconjuntival, durante 4 dias, não foi eficaz na redução do número de colônias crescidas em placas, quando comparado com o grupo tratado apenas com placebo, em ceratite fúngica por Fusarium solani experimentalmente induzida em coelhos.
Objetivo: Avaliar os resultados clínicos e complicações da ceratectomia fotorrefrativa, associada à ceratotomia lamelar pediculada (LASIK), para graus moderados e altos de miopia e astigmatismo miópico composto em serviço universitário.
Pacientes e Métodos: Análise prospectiva de 70 olhos de 54 pacientes submetidos a LASIK, durante o período de abril de 1996 a abril de 1997. Após ceratotomia lamelar pediculada corneana com um microcerátomo motorizado (Chiron Corneal Shaper®), foi realizada a foto-ablação com excimer laser de fluoreto de argônio de 193 nm da Summit modelo Apex Plus®. Em 3 olhos, a foto-ablação não foi realizada, devido complicações durante a ceratotomia lamelar. Dos 67 olhos submetidos à foto-ablação, 60 apresentaram um seguimento mínimo de 1 mês e foram avaliados clinicamente. Em 36 olhos (60,0%) o tratamento foi programado para correção do equivalente esférico (Grupo I) e em 24 olhos (40,0%), o tratamento objetivou a correção do astigmatismo miópico composto (Grupo II).
Resultados: O tempo médio de seguimento pós-operatório foi de 4,5 meses. O equivalente esférico pré-operatório foi de -10,33 D (± 3,29). As médias das variações dos equivalentes esféricos em relação ao tratamento desejado nos meses 1, 3 e 6 foram, respectivamente, +0,06 D (± 1,74), -0,38 D (± 1,78) e -0,58 D (± 1,75). Ocorreram 12 complicações intra-operatórias, sendo 11 relacionadas ao microcerátomo. Não houve mudança da acuidade visual melhor corrigida, dentro de 1 linha da tabela de Snellen, em 43 olhos (71,7%), dentre os 60 analisados clinicamente. Houve perda de 2 ou mais linhas em 10 olhos (16,7%), e ganho de 2 ou mais linhas em 7 casos (11,7%). Foram observados 21 casos (35,0%) de hipocorreção acima de -1,00 D, sendo 20 olhos pertencentes ao Grupo l.
Conclusão: O LASIK apresentou-se como uma boa opção de tratamento para miopias moderadas e altas, porém apresentou uma alta incidência de complicações durante o seu aprendizado.
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