Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 61 - fascículo 4

Resumo dos artigos deste fascículo

Bilateralidade, simetria e correlação clínico-eletrofisiológica na retinose pigmentar
Suspensão superciliar por fios: técnica sem descolamentos e com incisões mínimas
Retinal toxicity of ceftazidime in the infusion fluid for vitrectomy in the rabbit eye
Investigação de teste simplificado de medida da reação pupilar à tropicamida em portadores da doença de Alzheimer
 
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Bilateralidade, simetria e correlação clínico-eletrofisiológica na retinose pigmentar
Flávio R. L. Paranhos
Márcio B. Nehemy
Tatsuo Hirose

Objetivo: Estudar a simetria e a correlação entre achados psicofísicos e eletrofisiológicos em pacientes com retinose pigmentar (RP).

Método: 58 pacientes com RP (média de idade de 34,4 ± 16,8 anos), sendo 32 homens e 26 mulheres, foram examinados, realizando-se acuidade visual (AV), campo visual (CV), eletrorretinograma (ERG) e eletro-oculograma (EOG). Foram realizados os testes de Student para amostras dependentes e a correlação de Pearson.

Resultados: A AV média, em LogMAR, foi de 0,35 (equivalente Snellen 20/45) para o olho direito (OD) e 0,37 (equivalente Snellen 20/47) para o olho esquerdo (OE). O campo visual foi de 20° em média para ambos os olhos (AO). O índice inter-ocular de correlação de Pearson calculado para a AV e o CV foi de, respectivamente, r = 0,722 e r = 0,967 (p < 0,05). 21 pacientes tiveram um ERG registrável, sendo que a diferença de amplitude não foi significativamente diferente entre os olhos para nenhum dos componentes (p > 0,05). O CV médio foi significativamente melhor no grupo de pacientes com ERG registrável do que no grupo de ERG não-registrável (aproximadamente 35° e 15°, respectivamente; p < 0,05). 16 pacientes tiveram um EOG registrável, (média da razão de ARDEN = 1,41 ± 0,42 para o OD e 1,57 ± 0,58 para o OE; p > 0,05).

Conclusão: Houve grande simetria inter-ocular das manifestações clínicas, assim como uma significativa correlação entre o ERG e o CV, em nossos pacientes.

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Suspensão superciliar por fios: técnica sem descolamentos e com incisões mínimas
Sandra Maria Canelas Beer
Antonio Carmo Graziosi
Wilson de Freitas
 
O correto posicionamento dos supercílios exerce grande influência sobre as pálpebras superiores, seja em relação ao excesso cutâneo, seja com relação ao conjunto estético órbito-palpebral. Com a necessidade de associar mais freqüentemente o tratamento de ambos, foi desenvolvida uma alternativa para elevação dos supercílios. Por meio de incisões mínimas no couro cabeludo e na margem superior do supercilio é realizada uma ancoragem e tração com fios não-absorvíveis. Não há descolamentos na região frontal, exceto no trajeto do fio, que é subgálico. Com a idealização da técnica, decidiu-se realizar um trabalho científico no qual os autores selecionaram 10 pacientes, que foram submetidos a esta técnica e avaliados posteriormente a curto, médio e longo prazo. Houve boa aceitação da cirurgia por parte dos pacientes. Como resultados, apresentaram 4 pacientes considerados bons, 3 regulares e 3 insuficientes. Este procedimento mostrou-se uma alternativa válida comparado com as vantagens e desvantagens obtidas por outras técnicas.

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Retinal toxicity of ceftazidime in the infusion fluid for vitrectomy in the rabbit eye
Ismael Ribeiro
Chanping Liang
Gholam A. Peyman

Background and Objective: We investigated the retinal toxicity of ceftazidime, a third-generation cephalosporin, in the infusion fluid during vitrectomy.

Study Design/Materials and Methods: Twenty-two New Zealand rabbits underwent examination, electroretinogram, and complete vitrectomy. Infusion solutions with ceftazidime were used in the right eyes at the following concentrations: 20 (n = 2), 40 (n = 4), 80 (n = 5), 100 (n = 2), 150 (n = 2), 200 (n = 2) and 300 µg/mL (n = 5). Left eyes were infused with balanced salt solution. Animals were examined daily for 2 weeks, underwent electroretinograms 2 weeks postoperatively and, then, were sacrificed for light and electron microscopy.

Results: Electroretinogram findings were normal at concentrations of 20, 40, 100 and 150 µg/mL. In the 80 µg/mL group, 1 of 5 animals had significant changes. In the 200 and 300 µg/mL groups, significant decreased in amplitude were noted. Retinas exposed to 300 µg/mL demonstrated minimal changes in the rod outer segments of the photoreceptor layer.

Conclusion: We found concentrations up to 150 µg/mL ceftazidime in the infusion fluid to be nontoxic to the retina.

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Investigação de teste simplificado de medida da reação pupilar à tropicamida em portadores da doença de Alzheimer
Christiane Baddini Caramelli
Paulo Caramelli
Ricardo Nitrini
Roberto Batistella
Carlos Alberto Rodrigues-Alves

Introdução: O diagnóstico definitivo da doença de Alzheimer (DA) só é possível mediante exame neuropatológico, sendo que os critérios para diagnóstico clínico se baseiam essencialmente na exclusão de outras causas de demência. Em 1994, Scinto et al. observaram hipersensibilidade pupilar à tropicamida em pacientes com DA, dado compatível com a existência de redução dos níveis de acetilcolina na doença. Entretanto, estudos posteriores não confirmaram esses resultados.

Objetivo: Avaliar a hipótese de hipersensibilidade pupilar à tropicamida no dignóstico da DA, utilizando para este fim metodologia de simples execução.

Material e Métodos: Dez pacientes com diagnóstico clínico de DA e dez indivíduos idosos controles completaram o protocolo. As medidas pupilares foram realizadas com o paciente sentado em ambiente com iluminação padronizada, olhando para um ponto focal localizado a seis metros de distância. Utilizou-se régua milimetrada para medir o diâmetro pupilar horizontal antes e após 15 e 30 minutos da instilação de uma gota de tropicamida a 0,02% em cada olho.

Resultados: Não foram observadas diferenças significativas entre a dilatação pupilar de pacientes e de controles para nenhum dos tempos das medidas ou no percentual de variação total do diâmetro pupilar. Observou-se tendência a valores maiores de dilatação pupilar no grupo de portadores de DA em relação ao grupo controle, embora sem significância estatística.

Conclusões: O emprego de metodologia simplificada para medida do diâmetro pupilar não permitiu diferenciar pacientes com DA de controles no teste de reação pupilar à tropicamida a 0,02%.

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