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Resumo dos artigos deste fascículo
Hemorragia expulsiva espontânea é um evento desastroso e incomum, geralmente associado ao glaucoma. Neste artigo, relatamos dois casos ocorridos durante episódios de crise hipertensiva arterial, uma associação que ainda não havia sido discutida na literatura. Acreditamos que a pressão arterial gravemente elevada possa desempenhar um papel direto na patogênese dessa condição.
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Objetivo: O objetivo desse trabalho foi mostrar os achados ecográficos dos olhos de pacientes com síndrome de Sturge-Weber, uma vez que a ultra-sonografia permite avaliar a presença do hemangioma de coróide associado a esta síndrome.
Pacientes e Métodos: Foi realizado exame de ultra-som ocular com transdutor de 10 MHz em 10 pacientes com síndrome de Sturge-Weber por meio de cortes axial vertical, longitudinais e transversais, para observação da espessura da parede ocular e/ou tumoração, área papilar e comprimento axial comparativo dos olhos ipsilaterais ao hemangioma de face.
Resultados: Dos 10 pacientes examinados, apenas um apresentava uma lesão circunscrita em região temporal e temporal inferior. Três pacientes apresentavam parede ocular maior que 2,5 mm, quatro apresentavam espessura da parede posterior dentro dos limites da normalidade, sendo que, dentre estes, um evoluiu com aumento da espessura da parede ocular e do comprimento axial comparativo num intervalo de um ano. A escavação papilar pôde ser evidenciada em quatro pacientes.
Discussão: Cerca de 40% dos pacientes com síndrome de Sturge-Weber apresenta hemangioma de coróide. Por meio do exame de ultra-som ocular, foi possível avaliar a espessura da parede ocular, assim como diferenciar as lesões de coróide difusas das circunscritas, com sua refletividade tipicamente alta. Alguns tumores malignos, numa fase inicial, podem simular um hemangioma de coróide. Portanto, é preciso utilizar todos os recursos disponíveis para distinguí-las. De modo geral, o ultra-som ocular mostrou-se um importante método de avaliação e seguimento de pacientes com suspeita de hemangioma de coróide na síndrome de Sturge-Weber.
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Propósito: Descrever as características epidemiológicas e o quadro clínico numa série de pacientes com neuropatia óptica isquêmica associada a enxaqueca, enfatizando sua relação causal.
Métodos: Os casos dos pacientes com diagnóstico de NOI associados a enxaqueca, examinados num período de 17 anos, foram revistos. Os pacientes foram submetidos a completo exame oftalmológico e a propedêutica laboratorial complementar adequada para afastar outras etiologias da perda visual. A enxaqueca foi considerada como causa de NOI quando havia uma relação temporal entre o ataque de enxaqueca e a perda visual, quando havia história de perda visual monocular transitória em episódios prévios de enxaqueca, e quando os exames laboratoriais apropriados afastaram outras possíveis causas do déficit visual.
Resultados: Entre 446 pacientes com NOI 18 (4,3%) estavam associados a enxaqueca. Havia 14 mulheres e 4 homens com idades entre 11 e 53 anos (média: 31,4). Dois pacientes apresentavam envolvimento bilateral. Nos casos unilaterais o olho direito foi envolvido em 11 pacientes, e o olho esquerdo em cinco. A acuidade visual variou entre 20/20 a NPL. O exame de campo visual foi anormal em todos os olhos em que o exame pôde ser realizado, com predominância dos defeitos altitudinais e arqueados. Havia edema do disco óptico em 10 (50%) olhos. Atrofia óptica foi observada em nove olhos (45%), e o exame fundoscópico foi normal em um (5%). Em seis pacientes (30%) anomalias da configuração anatômica do disco foram detectadas.
Conclusões: A enxaqueca é uma causa de NOI. Seu diagnóstico deve ser considerado em pacientes com história prévia de enxaqueca associada a déficits visuais monoculares transitórios e quando os exames complementares afastem outras possibilidades etiológicas.
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Objetivo: O potencial visual evocado por padrão reverso (PVE-P) é um exame eletrofisiológico de extrema utilidade clínica e fácil execução. Propomo-nos, no presente trabalho, a estudar estatisticamente os valores dos resultados do PVE-P transient e steady-state em indivíduos normais.
Pacientes e Método: A freqüência de reversão dos quadrados pretos e brancos foi de 1,9 Hz para o PVE-P transient e de 7 Hz para o PVE-P steady-state. Cinco padrões foram testados (100, 50, 25, 12 e 6 min de arco) e no caso do PVE-P transient, apenas o de 25 min de arco, anotando-se a latência do componente "P100". Foram estudados 29 pacientes com exame oftalmológico normal (média de idade = 37,6 ± 16,7), sendo 11 homens e 18 mulheres.
Resultados: A curva de amplitude em função do padrão do PVE-P steady-state mostrou melhores respostas nos padrões intermediários de 50 e 25 min de arco. Apenas os padrões de 50 e 25 min tiveram uma distribuição de amplitudes gaussiana (W = 0,971 e p = 0,638 para 50 min OD; W = 0,965 e p = 0,488 para 25 min OD; W = 0,977 e p = 0,791 para 50 min OE; W = 0,975 e p = 0,735 para 25 min OE). Não houve diferença significativa (p > 0,01) entre as amplitudes dos olhos direito e esquerdo. A média das latências das respostas obtidas ao PVE-P transient foi de 102,6 ± 3,8 ms para o olho direito, e 103,0 ± 4,6 ms para o olho esquerdo (p = 0,542). A distribuição das latências foi gaussiana (W = 0,959, p = 0,351 para OD e W = 0,962, p = 0,407 para OE).
Conclusão: Consideramos que os resultados encontram-se em concordância com a literatura e servem como ponto de partida para uma padronização do nosso serviço, assim como um parâmetro de comparação para os demais laboratórios.
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Apresenta-se o princípio de introdução de forças no sistema oculomotor pelo uso de campos magnéticos com duas vantagens principais e específicas desse método: 1) A de que as forças atuam sem contato material entre o(s) elemento(s) que as geram (um ímã permanente em posição periorbitária) e o ponto de sua aplicação (p.ex., uma placa ferromagnética fixada à superfície escleral). 2) A de que tais forças, embora atuando permanentemente, não são constantes, mas variam com as distâncias entre os elementos do circuito magnético. Isso permite que se introduzam no sistema oculomotor forças suficientes para uma condição (por exemplo, bloqueio de um nistagmo), sem impedir que outras mais intensas as superem, desfazendo o vínculo estabilizador e permitindo rotações normais. Ligas de neodímio, ferro e boro permitem a obtenção de ímãs permanentes muito eficientes que, em tamanhos muito reduzidos, geram forças de ordens necessárias nesses processos de estabilizações oculomotoras. Montagens com "armaduras" suscitam outras melhorias de desempenho. Por outro lado, as placas para uso na superfície escleral impedem o efeito do campo magnético além delas. O método, assim estudado, é por isso bem indicado para o bloqueio de nistagmos, mas pode servir também a outras aplicações, como a de ajustamento e estabilização de posições oculares em seqüência a cirurgias de correção de estrabismo.
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Objetivo: Avaliar a freqüência de complicações decorrentes do uso intra-operatório de mitomicina-C em trabeculectomias.
Materiais e Métodos: Foram analisados 76 olhos submetidos à cirurgia filtrante com mitomicina-C, notando-se diagnóstico, indicação para seu uso, medidas de pressão intra-ocular, número de medicações antiglaucomatosas e complicações no período pós-operatório.
Resultados: Esta série mostrou incidência de 25% de câmara anterior rasa, 18,4% de hiperfiltração, 10,5% de catarata e 9,2% de descolamento de coróide.
Conclusões: O presente estudo sugere que a mitomicina-C deve ser utilizada com bastante critério e cautela pelo oftalmologista, tendo em vista as complicações potencialmente graves que podem dela advir.
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Objetivo: Analisar por meio da angiografia digital com indocianina verde (ICV) casos de membrana neovascular subretiniana (MNSR) oculta ou mal definida, diagnosticada pela angiofluoresceinografia (AF) em degeneração macular relacionada à idade.
Material e Método: Pacientes com MNSR oculta ou mal definida, diagnosticada pela AF foram analisados por meio do ICV, excluindo-se olhos com tratamento prévio com raio laser ou outra doença ocular.
Resultados: Trinta e quatro olhos foram estudados. Foi encontrada placa com hiperfluorescência difusa em 18 olhos (52,9%), em 11 olhos (32,3%) a existência de um ponto focal hiperfluorescente e em 05 olhos (14,7%) a associação de placa com ponto focal hiperfluorescente, sendo que estas alterações não foram detectadas pela angiofluoresceinografia.
Conclusão: A ICV em alguns casos detecta a presença de membrana neovascular subretiniana presumível não-evidenciada ao exame de angiofluoresceinografia, sendo um método diagnóstico importante na avaliação detalhada de membrana neovascular oculta ou mal definida.
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Auxílios ópticos de perto e de longe foram testados e adaptados em pacientes com Degeneração Macular Relacionada à Idade. A acuidade visual melhorou utilizando-se os auxílios na maioria dos pacientes (78,12%). Os auxílios ópticos mais prescritos para perto foram os óculos com lentes esferoprismáticas e para longe, os mais prescritos foram os telescópios binoculares. Após os testes iniciais e após ter estabelecido o auxílio adequado foram realizados programas de treinamento de aprendizagem do manuseio dos mesmos, antes da prescrição final. Verificou-se que a utilização dos auxílios ópticos possibilitou a realização de tarefas consideradas simples, mas antes impossíveis como leitura de jornal, assistir TV, pegar ônibus, entre outras.
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Objetivo: Estudo da evolução e variação da pressão intra-ocular (PIO) de pacientes pseudofácicos não-glaucomatosos após capsulotomia posterior com laser de Nd:YAG com ou sem o uso de colírio de apraclonidina a 1% e avaliação da eficácia e segurança do medicamento.
Métodos: Trinta olhos pseudofácicos não-glaucomatosos foram submetidos à capsulotomia posterior com Nd:YAG laser. Onze olhos não-medicados pertenciam ao grupo I (controle). Os outros 19 olhos foram medicados com colírio de apraclonidina a 1% uma hora antes e durante o laser. A PIO foi medida cinco vezes em horários pré-estabelecidos. Tentou-se padronizar o tipo de cápsula, a energia dos disparos e o diâmetro das capsulotomias.
Resultados: No grupo I, 82% dos olhos apresentaram-se com PIO média aumentada de 8,4 mmHg (+61%) na 3ª hora. No grupo II, 84% dos olhos apresentaram-se com PIO média diminuída de 2,5 mmHg (-19%) na 3ª hora. A PIO média medida do grupo I era o dobro da do grupo II na 3ª hora.
Conclusões: O uso profilático do colírio de apraclonidina a 1% diminuiu a incidência e a magnitude do aumento da PIO pós-YAG laser.
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Foram analisados em estudo retrospectivo 89 pacientes com hipótese diagnóstica de Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada, com o objetivo de descrever e analisar suas manifestações clínicas e oculares. Sessenta e oito (76,4%) pacientes eram do sexo feminino e 21 (23,6%) do sexo masculino. A média de idade foi de 34 anos. Houve um predomínio da raça branca (59,6%). O envolvimento ocular foi bilateral em 100% dos casos. Doença do tipo I esteve presente em 25 pacientes (28,1%), tipo II em 36 (40,4%) e tipo III em 28 (31,5%). No tipo I encontramos uma menor incidência de manifestações neurológicas (p < 0,01). Dentre as manifestações extra-oculares a cefaléia (56,2%), zumbido (41,6%), hipoacusia (28,1%) e alopecia (27,0%) foram os mais citados. Os achados oculares mais freqüentes foram: "sunset glow fundus" (65,2%), nódulos de Dallen-Fuchs (49,4%), hiperemia de papila (48,3%), iridociclite granulomatosa (48,3%) e descolamento exsudativo de retina (31,5%). Catarata (52,8%) e glaucoma (27,0%) foram as complicações mais encontradas. Dos 18 pacientes que realizaram o exame do líquor, 10 (55,6%) apresentaram pleiocitose com linfocitose. A ultrassonografia ocular foi realizada em 30 pacientes e as principais alterações evidenciadas foram: membranas vítreas móveis e tênues (43,3%), espessamento de parede (26,7%) e descolamento de retina (23,3%). 68,5% dos pacientes foram tratados com uma combinação de corticosteróides tópicos e sistêmicos.
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Objetivo: Determinar a flora microbiana ambiental dos centros cirúrgicos oftalmológicos, com os aparelhos de ar condicionado ligados ou não.
Metodologia: Placas de cultura foram colocadas por tempo determinado ao lado do campo, durante a cirurgia, em 7 centros cirúrgicos ambulatoriais e 7 hospitalares da cidade de São Paulo.
Resultados: Foram isoladas 258 colônias de microrganismos, sendo 228 colônias de bactérias e 30 colônias de fungos. Do total das bactérias, encontrou-se 78% de cocos Gram-positivos coagulase negativa (Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus saprophyticus) e 22% de outras bactérias (Staphylococcus aureus, bacilos difteróides e Bacillus sp). Do total de microrganismos encontrou-se 11,6% de fungos (Cladosporium sp, Penicillium sp, Microsporum sp, Fusarium sp, Candida sp e outros sem corpos de frutificação). O número de colônias obtidas com o ar condicionado desligado foi menor que o obtido com o ar condicionado ligado.
Conclusão: O trabalho ressalta a importância da fonte de infecção pós-operatória, proveniente da contaminação ambiental. A flora microbiana encontrada é muito semelhante à da encontrada na literatura.
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O objetivo deste trabalho é avaliar a utilidade da biópsia de conjuntiva como procedimento rotineiro na avaliação de pacientes com suspeita de sarcoidose. Estudamos histologicamente 18 biópsias de 9 pacientes com sarcoidose sistêmica previamente comprovada por biópsias de diferentes tecidos. Os 18 exames (100%) foram negativos para processo granulomatoso sem necrose de caseificação. Concluímos que a biópsia de conjuntiva parece não ser procedimento útil para o diagnóstico de sarcoidose.
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Objective: The present study aims to draw, build and test a simple and low cost surgical keratometer.
Methods: The principle described by Plácido da Costa was used to construct the prototype. A circular ring of light was built and attached to a surgical microscope. The zoom system present in the microscope provided a bigger or smaller image of the ring to the observer. Its size would then be compared to a circular reticle located inside the ocular lens of the microscope. Numeric values were achieved by a graduated scale. The flattest and steepest meridians were also located.
Results: A precision between 0.29 and 0.62 D has been achieved in the evaluation of astigmatism. The meridian orientation showed a precision of about 10 degrees of inclination in astigmatisms greater than 1.60 D, and 6 degrees in astigmatisms greater than 1.96 D.
Conclusion: This device showed a slightly inferior precision in astigmatism measurement, when compared to conventional surgical keratometers (0.10 to 0.25 D). Equal to high precision was observed when evaluating meridian location (conventional precision = 10 degrees). It should also be mentioned that its low cost and easy use may render it a very useful device.
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Objetivo: Descrever as diferentes formas de apresentação clínica ocular da sífilis em pacientes com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).
Material e Métodos: Estudo retrospectivo dos pacientes com diagnósticos clínico e laboratorial de AIDS, sífilis e alterações oculares em São Paulo, Brasil, no período de janeiro de 1994 a janeiro de 1997, atendidos na Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP - EPM).
Resultados: Do total de 1450 pacientes com diagnóstico de AIDS, 14 tinham também o diagnóstico de sífilis ocular, sendo 11 (78,6%) com uveíte anterior, 7 (50%) com vitreíte, 8 (57%) com retinite, 1 (7,1%) com coroidite e 3 (21,4%) com papilite. Ocorreram uveíte anterior unilateral em seis e bilateral em cinco olhos, vitreíte unilateral em cinco e bilateral em dois olhos, retinite unilateral em cinco e bilateral em três olhos, coroidite em um olho, além de, papilite unilateral em dois e bilateral em um olho. Todos os pacientes apresentaram mais de uma manifestação ocular. A neurossífilis foi observada em 50% dos casos.
Conclusão: A sífilis ocular ocorreu em 0,96% dos pacientes com AIDS no período estudado, onde as apresentações clínicas foram: uveíte anterior, vitreíte, retinite, coroidite e papilite, ocorrendo em combinações variáveis.
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