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Resumo dos artigos deste fascículo
Foram estudadas as complicações oculares como causa de deficiência visual em 300 pacientes (600 olhos) portadores de diferentes formas clínicas de hanseníase.
Foram observados 14% de deficiência visual unilaterais e 75% bilaterais. As complicações oculares mais freqüentes foram: atrofia de íris (21 olhos, 3,5%), lagoftalmo associado e leucoma de córnea (19 olhos, 3,2%), catarata e catarata associada a atrofia de íris (18 olhos, 3,0%), causa indeterminada e "corneoscleral roll" associado a leucoma de córnea (12 olhos, 3,0%), atrofia do bulbo ocular (10 olhos, 1,7%), maculopatia (8 olhos, 1,3%), rarefação do epitélio pigmentar da retina e úlcera de córnea (3 olhos, 0,5%). Também foram observados leucoma vascularizado de córnea e luxação do cristalino (2 olhos, 0,3%).
Foram analisados retrospectivamente prontuários de pacientes submetidos a transplante penetrante de córnea no Departamento de Oftalmologia do Hospital da Santa Casa de São Paulo, no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1995, com o objetivo de determinar as principais indicações.
Duzentos e quarenta e nove transplantes de córnea foram realizados neste intervalo de 5 anos.
Idade média foi de 42,6 anos (variou de 1 a 89 anos). Dezenove foram realizados em crianças com idade inferior ou igual a 12 anos.
Os casos foram distribuídos em 16 categorias diagnósticas, de acordo com a nomeclatura proposta por Lindquist.
Indicação mais comum foi ceratocone com 21,7%, o que contrasta com estudos recentes que têm apontado ceratopatia bolhosa pseudo-fácica como a principal indicação, com progressiva redução de ceratocone. Ceratopatia bolhosa pseudo-fácica, por sua vez, foi a quinta indicação mais comum em nosso estudo, com apenas 8% dos casos.
Reoperação foi a segunda indicação mais freqüente, principalmente devido a trauma e condições ulcerativas associadas ou não a infecção.
Ceratite infecciosa ou pós-infecciosa foi a terceira indicação, seguida por trauma. Das distrofias corneais, Fuchs foi a mais freqüente (3,6%). Outras distrofias constituíram pequeno, mas importante grupo de desordens (6,4%), das quais a macular foi a mais comum. Seis por cento (15 casos) das indicações foram por ceratite viral, dos quais 9 por herpes (simples e zoster).
Com o objetivo de estudar os subtipos topográficos do ceratocone, os autores estudaram através de um sistema de análise topográfica computadorizada 59 córneas de olhos não operados de 34 pacientes com ceratocone. Todos os pacientes apresentavam achados clínicos compatíveis com ceratocone em pelo menos um dos olhos ou haviam sido submetidos a ceratoplastia por ceratocone no olho contralateral. A análise topográfica corneana foi realizada em ambos os olhos em 25 pacientes e em apenas um dos olhos em nove pacientes que haviam sido submetidos à ceratoplastia por ceratocone no olho contralateral.
Quanto aos subtipos topográficos, os autores encontraram padrão em 8 simétrico (2/57; 3,51%); 8 assimétrico (13/57; 22,81%); 8 distorcido (15/57;26,32%); periférico (17/57; 29,82%); central (1/57; 1,75%) e irregular (9/57; 15,79%). Em dois olhos de dois pacientes com ceratocone no olho contralateral, os padrões se assemelhavam aos observados no astigmatismo contra a regra, porém não típicos de ceratocone e por isso não incluídos na casuística.
Através da comparação dos padrões topográficos de cada um dos olhos de um mesmo paciente e de diferentes pacientes em diferentes estágios evolutivos, os autores propõem uma possível rota evolutiva no desenvolvimento do ceratocone.
Foram estudadas prospectivamente 71 crianças pré-termo nascidas no Hospital São Paulo durante o ano de 1995. A análise das observações referentes ao peso ao nascer, idade gestacional, dos oftalmoscopia, e exame de ultrassom de fontanela recém-nascidos, revelou uma relação estatisticamente significante retinopatia entre da prematuridade (RP), baixo peso ao nascimento idade (796,6 g), menor gestacional (média de 28,3 semanas) e sugerindo hemorragia intraventricular (HV), um possível mecanismo HV.fisiopatológico vascular comum para RP e
Objetivo: Investigar a associação entre glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) e hipotireoidismo.
Métodos: No primeiro estudo, 15 pacientes com hipotireoidismo primário que não estavam recebendo complementação hormonal foram investigados quanto à presença de GPAA. No segundo estudo, 65 pacientes com GPAA foram investigados quanto à ocorrência de hipotireoidismo através da dosagem de TSH.
Resultados: Nenhum dos 15 pacientes com hipotireoidismo apresentou dados compatíveis com o diagnóstico de GPAA, e o nível médio da pressão intraocular nesses pacientes foi de 15,8 ± 2,3 mmHg, variando entre 11 e 21 mmHg. Apenas um (1,5%) entre os 65 pacientes glaucomatosos apresentou hipotireoidismo subclínico, diagnosticado graças aos níveis elevados de TSH.
Conclusão: Os achados deste estudo não confirmam a hipótese de uma associação entre hipotireoidismo e GPAA.
Objetivo: Analisar a técnica, indicações e resultados da fotocoagulação com laser diodo vermelho com oftalmoscopia indireta em portadores de Retinopatia Diabética Proliferativa.
Pacientes e Métodos: Estudo prospectivo da fotocoagulação com laser diodo vermelho (810 nm) indireto em 28 olhos de 21 pacientes com RDP com ou sem limitações técnicas para o tratamento à lâmpada de fenda.
Resultados: Treze olhos (46%) completaram o tratamento e apresentaram estabilidade, com melhora da proliferação. Quinze olhos (54%) tiveram seu tratamento interrompido por intercorrências como evolução de catarata, hemorragia vítrea clinicamente significativa, alterações sistêmicas (como hipertensão arterial não controlada e cardiopatia que limitavam o uso do bloqueio anestésico) e alguns por dor intolerável, mesmo após bloqueio peribulbar.
Conclusão: A técnica de laser diodo com oftalmoscopia indireta tem papel importante no tratamento da retinopatia diabética quando a panfotocoagulação deve ser realizada na periferia retiniana em olhos que possuem opacidades de meios. O laser diodo vermelho foi eficaz nos pacientes que completaram o tratamento.
Este estudo retrospectivo apresenta a experiência no tratamento do espasmo facial unilateral com toxina botulínica tipo A. Dezenove pacientes receberam 71 aplicações. O índice de sucesso foi de 94,4%. A duração média do efeito foi de 17,7 (± 7,2) semanas. A incidência de complicações foi de 35,2% e dose dependente, todas elas locais, transitórias e de grau leve a moderado.
Com o objetivo de determinar e classificar as alterações histológicas que ocorrem na obstrução primária do ducto nasolacrimal, realizou-se estudo prospectivo de 51 espécimens biopsiados durante a dacriocistorrinostomia via externa, de 50 indivíduos portadores de obstrução primária do ducto nasolacrimal.
Os ductos foram classificados em três padrões histopatológicos: inflamatório em cronificação (9,8%), inflamatório crônico sem obliteração fibrosa ductal (58,8%) e inflamatório crônico com obliteração fibrosa ductal (31,4%).
Houve associação positiva entre o padrão inflamatório crônico com obliteração fibrosa ductal e a ausência de epitélio na mucosa.
Os três padrões histopatológicos não mostraram diferença quando comparados em relação ao tempo de evolução dos sintomas.
Os autores avaliaram o aspecto histológico da conjuntiva de bolhas filtrantes de dois pacientes que foram submetidos a revisão cirúrgica do sítio de filtração após trabeculectomia com uso de 5-Fluorouracil no intra-operatório. As bolhas foram excisadas devido aos olhos apresentarem hipotonia persistente. A microscopia óptica mostrou: atenuação do epitélio conjuntival, estroma com colágeno frouxamente organizado, poucos vasos sangüíneos e raras células inflamatórias. O resultado da análise histopatológica é semelhante aqueles descritos na literatura para casos tratados com mitomicina-C.
A tonometria de aplanação necessita da instilação de colírios, oferece potencial risco de infecção e pode ser alterada por vícios de aferição. Entre estes estão a hipofluorescência e a hiperfluorescência do filme lacrimal, a espessura corneana e o astigmatismo, especialmente irregular. Já a tonometria de não-contato apresenta a vantagem de não necessitar o uso de anestésicos, apresentar menor risco de infecções e ter a facilidade do uso.
Este trabalho avalia 80 olhos de pacientes triados do setor de glaucoma e do ambulatório geral do Serviço de Oftalmologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, comparando a tonometria de não-contato com a tonometria de aplanação. São medidas a pressão intra-ocular (PO) com o tonômetro de aplanação manual (Perkins) e com o tonômetro de não-contato (Topcon CT-20), a ceratometria e a paquimetria ultrassônica.
Houve boa correlação entre os dois tonômetros, embora o tonômetro de não-contato tendesse a dar pressões predominantemente mais elevadas, com diferença estatisticamente significativa somente para PO acima de 20 mmHg nos olhos glaucomatosos. A ceratometria se correlacionou positivamente com a tonometria de aplanação (r = 0,22; P < 0,05) e a paquimetria (córneas mais espessas) se correlacionou positivamente com a tonometria de não-contato (r = 0,34; P < 0.001).
Sugerimos que as medidas acima de 20mmHg obtidas com o tonômetro de não-contato sejam confirmadas pela tonometria de aplanação, evitando decisões clínicas errôneas ou precipitadas. Entretanto, consideramos capazes de não haver resultados falso-negativos os resultados mais baixos.
Purpose: To evaluate the effectiveness and safety of an old procedure (Salleras procedure) in patients with APBK and poor visual prognosis regarding biomicroscopic, histopathologic and tonometric findings.
Patients and Methods: Eight consecutive patients with APBK were included and followed up for 3 months. Biomicroscopy and tonometry were taken preoperatively and postoperatively (PO 1, 3, 7, 15, 30, 60 and 90). One patient underwent penetrating keratoplasty and the button was sent to the pathologist.
Results: All the patients presented corneal healing in 4 weeks. Their main complaint before the procedure (excruciating pain), was completely alleviatet after the corneal healing. There were no IOP increasing out of normal patterns. Histopathologic study showed that the mechanism of action related to this technique is related to formation of a dense connective tissue, that acts as a physical barrier to fluid penetration from the stroma to the epithelium.
Conclusion: Besides all technology, electrocautery of Bowmans membrane is still a reliable procedure to treat patients with severe pain and poor visual prognosis in APBK.
Epidemiologia do buraco macular
Buraco macular é uma entidade decorrente de várias patologias, podendo apresentar-se de diversas formas, com diferentes prognósticos e tratamentos. Através da análise dos 1030 prontuários de maculopatia do Setor de Retina e Vítreo do Departamento de Oftalmologia UNIFESP/ EPM, levantamos todos os casos de buraco de mácula de 1980 a 1995. O buraco macular idiopático foi o mais freqüente, com dezoito pacientes (66,6%), predominando no sexo feminino com média etária de 64 anos e bilateral em cinco casos (18%). Com relação ao buraco macular secundário ao edema macular cistóide, observamos que sete (87,5%) dos pacientes eram do sexo feminino, sendo que facectomia, dois casos (37,5%) e uveíte, um caso (28,6%) foram as causas mais freqüentes. Houve uma predominância do sexo masculino, de três (83,3%) homens, no buraco traumático com uma média de idade de 31,6 anos, assim como, encontrou-se um predomínio do sexo feminino de duas (66,6%) mulheres, nos casos de buraco macular relacionado com a miopia e uma média de idade de 47 anos.
Propósito: Avaliar a segurança e eficácia do retratamento da miopia e astigmatismo com excimer laser.
Métodos: Foram estudados onze olhos de dez pacientes, com idade variando de 20 a 46 anos. A técnica de reoperação foi a ceratectomia fotorrefrativa (PRK) em seis olhos (54,54%), a ceratectomia fototerapêutica epitelial (PTK-e) seguida de PRK em dois olhos (18,18%), e a ceratectomia fotoastigmática (PARK) em dois olhos (18,18%). O retratamento foi realizado de 5 a 16 meses após o primeiro tratamento (média de 9,3 ± 3,4 meses). O seguimento pós-operatório variou de 6 a 23 meses (média de 9,2 ± 5,4 meses). Foi utilizado o excimer laser Apex plus Summit, e avaliada a refração, a acuidade visual e a opacidade sub-epitelial, ou "haze".
Resultados: O equivalente esférico (EE) médio inicial foi de -8,50 ± 3,66D. Após o primeiro tratamento houve uma diminuição de 55% no EE médio inicial para -4,04 ± 2,42D, que foi estatisticamente significante (p = 0,0004). Após o retratamento houve uma diminuição de 28% no EE médio em relação ao primeiro tratamento, não sendo estatisticamente significante (p = 0,09). O astigmatismo médio pre-operatório foi de -2,41 ± -1,84. Após o primeiro tratamento (média de -2,30 ± 1,70) e retratamento (média de -2,10 ± 0,8) não houve mudança estatisticamente significante (p = 0,19 e p = 0,30 respectivamente). Após o retratamento, 36,36% dos olhos apresentaram AV sc ³ 20/40 e 63,63% AV sc ³ 20/60. Trinta e seis por cento dos olhos apresentaram uma refração entre ± 1D da emetropia e 54,54% entre ± 2D da emetropia. Em relação ao pré-operatório, 45,55% perderam entre 1 e 5 linhas da melhor acuidade visual corrigida por óculos após o retratamento.
Conclusão: O retratamento com excimer laser é pouco eficaz no caso de altas ametropias residuais, podendo induzir a opacidade sub-epitelial e perda de linhas de visão.
Efeito do cloridrato de
proparacaína a 0,5% na força isométrica dos músculos retos horizontais
em pacientes estrábicos
Foi avaliado o efeito do cloridrato de proparacaína a 0,5% na força isométrica dos músculos retos horizontais em quinze pacientes estrábicos durante a cirurgia de estrabismo pela técnica da sutura ajustável em uma etapa. Os músculos foram apreendidos com um gancho de estrabismo tipo Green modificado e as forças isométricas máxima e mínima (repouso) eram registradas em um dinamômetro digital acoplado ao microscópio cirúrgico, antes e após a instilação de uma e duas gotas do anestésico tópico. Uma gota do anestésico não alterou a força isométrica máxima, enquanto duas gotas do colírio diminuíram significativamente as forças isométricas máxima (Fcalc 4,03*; Fcrít 3,34; Tukey: após duas gotas < inicial) e mínima (Fcalc 38,20*; Fcrít 3,34; Tukey: após duas gotas < inicial e após uma gota), a última mais intensamente. Embora não tenham sido necessárias modificações na técnica cirúrgica nem tenham ocorrido resultados pós-operatórios inesperados após uma e duas gotas do anestésico, é prudente a instilação de apenas uma gota do mesmo quando realmente necessária e não próxima ao tempo do ajuste pela possibilidade de erro no alinhamento ocular e de resultados pós-operatórios indesejáveis.
Cytomegalovirus retinitis
in human immunedeficiency virus negative patients
Purpose: Cytomegalovirus (CMV) retinitis is a widely recognized complication of advanced disease due to human immunedeficiency virus (HIV) infection. It can also occur in patients with other causes of immunessupression. We describe three cases of CMV retinitis in immunessupressed HIV negative patients.
Methods: Case report of CMV retinitis in three patients with immunessupresion related to glomerulonephritis, leukemia associated to bone marrow transplantation and renal transplantation.
Results: CMV retinitis was unilateral and the macula was involved in all patients. The first patient developed CMV retinitis lesion in one eye that healed after discontinuation of the immunossupressive therapy and a rhegmatogenous retinal detachment successfully repaired by surgical treatment with vitrectomy, silicone oil injection and endolaser. The second patient received a ganciclovir implant and died in two weeks. The third patient had the diagnosis of chorioretinitis due toxoplasmosis in one eye and posteriorly developed sugestive CMV retinitis lesion in the fellow eye that healed with the suspension of the immunosuppressive drugs.
Discussion: Although CMV retinitis has been less frequent in HIV negative patients than in AIDS, it is necessary to be aware of this complication in patients under chemotherapy, following organ transplantation or with malignancies. The retinitis may present remission on reduction of systemic immunessupression or by using local therapy.
São apresentados 2 casos atípicos da distrofia macular viteliforme de Best. Ao invés da clássica lesão macular em "gema de ovo" evidenciou-se a presença de múltiplas lesões branco-amareladas medindo 200 a 1500 micra e distribuídas difusamente no polo posterior e equador de ambos os olhos. Ambos os casos apresentaram eletrooculograma subnormal.
Objetivos: Verificar o astigmatismo induzido (AI) quando a facoemulsificação endocapsular é realizada através de indecisões auto-selantes de 3,2 mm esclerais superiores e corneanas temporais; e comparar o AI entre os dois tipos de incisões.
Materiais e Métodos: A amostra do trabalho foi constituída de 24 pacientes selecionados prospectivamente e submetidos à facoemulsificação endocapsular através de incisões auto-selantes de 3,2 mm esclerais superiores (grupo 1-12 pacientes) e corneanas temporais (grupo 2-12 pacientes). Foram realizadas medidas com topografia computadorizada de córnea que permitiram a avaliação do AI através de Cravys em 5, 30 e 90 dias de pós-operatório.
Resultados: O AI foi não significativo em 5, 30 e 90 dias de pós-operatório nos dois grupos (0,36, 0,21 e 0,01 - grupo 1; 0,19, 0,16 e -0,04 - grupo 2); não houve diferença significativa entre o AI dos dois grupos.
Conclusão: A facoemulsificação endocapsular quando realizada através de incisões auto-selantes de 3,2 mm esclerais superiores e corneanas temporais não induzem astigmatismo significativo em 5, 30 e 90 dias de pós-operatório. Não houve diferença entre os achados dos dois grupos.
Dentre as complicações associadas à anestesia retrobulbar e peribulbar, perfuração do globo ocular parece ser das mais importantes. Recente estudo ultrassonográfico demonstrou que, em pacientes submetidos à anestesia retrobulbar para cirurgia de catarata com comprimento axial normal, a ponta da agulha usada para injeção retrobulbar se encontrava muito próxima do globo ocular, as vezes até indentando sua parede. Tal fato pode se tornar extremamente perigoso em olhos com comprimento axial aumentado, como nos altos míopes.
Demonstramos a eficácia e segurança do uso da técnica de anestesia retrobulbar com catéter flexível de Teflon em 15 pacientes com comprimento axial ocular ântero-posterior aumentado e candidatos à facectomia.
Introdução: O Edema Cistóide de Mácula (ECM) é uma das principais patologias que determinam baixa acuidade visual em pacientes após cirurgia de catarata. O objetivo desse estudo retrospectivo é determinar a eficácia da vitrectomia no tratamento do edema cistóide de mácula pós-pseudofacia em pacientes com falta de integridade da cápsula posterior.
Material e Métodos: Foram analisados retrospectivamente prontuários de 11 pacientes pseudofácicos com rotura ou falta de cápsula posterior, com diagnóstico de Edema Cistóide de Mácula, que foram submetidos à vitrectomia para tratamento do Edema Cistóide de Mácula.
Resultados: Houve significante melhora da acuidade visual após a vitrectomia. Não houve diferença entre os subgrupos com lente intra-ocular de câmara anterior e posterior.
Conclusão: A vitrectomia via pars plana deve ser considerada como tratamento nos pacientes pseudofácicos com ECM associado com tração vítrea que não respondem ao tratamento clínico.
Objetivos: O objetivo deste estudo foi analisar a eficácia da videoceratoscopia computadorizada na detecção de ectasias corneanas nos candidatos à ceratotomia radial, avaliar a reprodutibilidade na análise destes mapas quando analisados por diferentes examinadores e associar padrões topográficos pré-operatórios a padrões topográficos pós-operatórios.
Métodos: Foram analisados, através da videoceratoscopia computadorizada, 66 olhos submetidos a ceratotomia radial no Departamento de Oftalmologia da UNIFESP-EPM no período entre maio de 1993 a setembro de 1994. A classificação dos mapas pré e pós-operatórios foi realizada por 3 examinadores independentes.
Resultados: Os mapas topográficos do pós-operatório mantiveram-se estáveis ou evoluiram para um padrão mais regular em 84,8%. Nos mapas pré-operatórios asféricos, 83,4% mantiveram-se ovais e 16,6% evoluiram para o padrão regular. Nos mapas regulares, 36,1% evoluiram para o padrão oval, 44,4% continuaram inalterados e 19,5% evoluiram para o padrão irregular. Os olhos com padrão irregular ou suspeito, continuaram inalterados em 50% dos casos, enquanto 33,3% passaram a oval e 16,7% a regular. A concordância entre os 3 examinadores foi estatisticamente significante na classificação dos mapas pré e pós-operatórios e absoluta nos padrões topográficos compatíveis com diagnóstico de ceratocone.
Conclusão: Este estudo confirma que a videoceratoscopia computadorizada como método de triagem é eficiente na determinação das córneas com suspeita de doença ectásica, tornando-se fundamental para o acompanhamento destes olhos, visto que alguns padrões videoceratoscópicos pré-operatórios possuem maior tendência a evoluir para determinados padrões no pós-operatório.
Os autores descrevem as observações da videoangiografia digital com indocianina verde (ICG-V) em 8 pacientes com história de trauma ocular contuso e alterações no segmento posterior. Dentre as lesões observadas, a rotura de coróide foi a mais freqüente ocorrendo em 75% dos casos (6 pacientes). A ICG-V permitiu melhor identificação e delimitação das roturas em relação à angiofluoresceinografia, sendo um método útil para a complementação da avaliação ocular. As lesões associadas a pior acuidade visual apresentavam acometimento foveal e não eram tratáveis.
Proposição: O objetivo deste trabalho foi avaliar o padrão de expressão do complexo principal de histocompatibilidade (CPH) classe II in vitro em células do epitélio pigmentado da retina (EPR) em humanos, em culturas de explantes tratados com gama interferon (IFN-g) e in vivo em EPR de coelhos após injeção subretiniana de IFN-g.
Métodos: A Expressão da Classe II foi estudada no EPR por imunohistoquímica em culturas de explantes de 6 olhos humanos adultos (todos acima de 70 anos), 4 olhos humanos fetais, e em 12 olhos de coelho albino. Os explantes humanos foram estimulados com IFN-g (50 U/ml) por 72 horas, e em seguida submetidos a imunocoloração para classe II. Os olhos de coelhos, in vivo, foram submetidos à injeção subretiniana de 500U de IFN-g e analisados por imunohistoquímica após 3 dias.
Resultados: Obteve-se um padrão heterogêneo de expressão da classe II, presente no EPR estimulado com IFN-g em ambos os experimentos in vivo e in vitro. Em olhos humanos idosos a porcentagem de células positivas classe II foi mais alta na periferia do que no polo posterior (região macular) (P<0,01), entretanto não foi observada tal diferença em olhos fetais. Diferenças regionais na Classe II foram observadas em olhos humanos idosos mas não em olhos humanos fetais.
Conclusão: Este estudo estabelece evidência de heterogeneidade funcional do EPR e é sustentado por estudos prévios demonstrando heterogeneidade fenotípica.