Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 60 - fascículo 3
 

Resumo dos artigos deste fascículo

Avaliação clínica da lente de contato SoftPerm
Prevalência de tracoma em escolares de Manaus
Pesquisa laboratorial em endoftalmite
Considerações sobre o tratamento de úlceras corneanas presumivelmente bacterianas
Vitrectomia via "pars plana" na prevenção das lesões causadas pela injeção experimental de gentamicina na câmara anterior
Ceratite por Acanthamoeba: Relato de casos no Rio Grande do Sul
Estudo estatístico de valores normais do eletrorretinograma. Contribuição à padronização do exame
Influência dos chamados "Fatores de supercorreção" sobre o resultado da cirurgia para correção de esotropia de grande ângulo
Correção da hipertropia em posição primária com debilitamento cirúrgico unilateral do oblíquo inferior
Utilidade da oftalmoscopia na hipertensão arterial sistêmica aguda
Envolvimento da proteína A purificada e do Staphylococcus aureus na patogênese corneana
Subconjunctival methotrexate in the treatment of non infectious ocular inflammatory diseases
Lesão ocular em epidermodisplasia verruciforme
Degeneração marginal de Terrien: Relato de caso

Menu principal | Índice de artigos
 

Avaliação clínica da lente de contato SoftPerm

Armando Belfort Mattos
Valéria Belfort Mattos
Fabíola Belfort Mattos
Silvia Smit Kitadai

Adaptamos a lente de contato SoftPerm® em 20 pacientes (39 olhos) com astigmatismo regular ou irregular. Destes, 16 (80%) abandonaram o uso de lentes rígidas gás permeáveis (R.G.P.) por motivos de desconforto e 4 (20%) tiveram insucesso na adaptação de lentes gelatinosas tóricas (G.T.).
A dificuldade de manuseio por 40% dos pacientes foi a queixa mais frequente. Nenhuma complicação observada necessitou terapêutica medicamentosa.
O tempo médio de seguimento foi de 9,85 meses. A média do astigmatismo corneano foi de 2,53 dioptrias.
70% dos pacientes disseram estar satisfeitos com o uso das lentes. 65% continuaram o uso das lentes SoftPerm até o fim do estudo.

Menu principal | Índice de artigos
 

Prevalência de tracoma em escolares de Manaus

Ricardo Chaves Carvalho
Ridla Falcão
Jacob Cohen
Cláudio Chaves
Marinho Jorge Scarpi

Introdução: O tracoma é uma das principais causas de cegueira prevenível no mundo. O último inquérito epidemiológico realizado no Brasil data de 1974-76. Realizamos este estudo com o intuito de avaliar o estado atual da doença em uma área urbana representativa da distribuição populacional no Estado do Amazonas.
Material e Métodos: O estudo foi realizado na cidade de Manaus, bairro do Zumbi, em 949 escolares de 6 a 14 anos (média 10,19). O diagnóstico foi realizado clinicamente, seguindo a gradação da Organização Mundial da Saúde.
Resultados: O tracoma folicular foi diagnosticado em 4,85% das crianças e a cicatrização tracomatosa em apenas 0,11%, totalizando 4,96% de prevalência. O sexo feminino foi mais acometido com 68,09% dos casos, contra os 31,91% do sexo masculino. Os picos da ocorrência foram maiores nas faixas etárias de 8 a 11 anos.
Discussão: Os resultados encontrados sugerem que o tracoma observado não é causador de cegueira devido à sua baixa prevalência, apresentação na forma clínica inicial da doença e picos em faixas etárias mais altas.

Menu principal | Índice de artigos
 

Pesquisa laboratorial em endoftalmite

Angela Ramos Chaib
Denise de Freitas
Marinho Jorge Scarpi
Tânia Guidugli

Foram estudados laboratorialmente casos diagnosticados clínicamente como endoftalmite, no período compreendido entre 1985 a 1993, num total de 134 casos. O fator desencadeante mais freqüente foi a intervenção cirúrgica (66,2%), seguido pelo trauma (25,4%). Dos 134 casos, 52 apresentaram cultura positiva (39%). O agente etiológico predominante foi o Staphylococcus aureus. Quanto à sensibilidade aos antibióticos, todos os microrganismos eram sensíveis à vancomicina, cefalotina, gentamicina e tobramicina.

Menu principal | Índice de artigos
 

Considerações sobre o tratamento de úlceras corneanas presumivelmente bacterianas

Fernando Luis Mutton
Eliana Kakinowana
Milton Ruiz Alves
Carlos Eduardo Leite Arieta
Newton Kara José

Propósito: Avaliar a eficácia das culturas e antibiogramas no tratamento de úlceras de córnea presumivelmente bacterianas.
Métodos: Realizou-se um estudo clínico, retrospectivo, envolvendo 48 pacientes consecutivos admitidos na Clínica Oftalmológica da Universidade Estadual de Campinas, S. Paulo, entre janeiro e dezembro de 1995, com o diagnóstico de úlcera de córnea presumivelmente bacteriana. Coloração de gram e culturas foram realizadas antes do tratamento. As úlceras foram classificadas como moderadas e graves. Todos os pacientes foram tratados com colírios fortificados de cefalotina e aminoglicosídeo.
Resultados: A cultura das úlceras resultou negativa em 12 casos e positiva nos outros 36. Das úlceras, 29 foram classificadas como moderadas e 19 como graves. Houve mudança de terapêutica em 5 (17,2%) das 29 úlceras moderadas e em 5 (26,3%) das 19 úlceras graves.
Conclusão: A maioria dos casos de úlceras bacterianas adquiridas na comunidade resolvem com terapêutica empírica de largo espectro. A realização dos exames rotineiros de cultura e antibiograma podem ser úteis na modificação do esquema terapêutico dos casos que não apresentem boa evolução.

Menu principal | Índice de artigos
 

Vitrectomia via "pars plana" na prevenção das lesões causadas pela injeção experimental de gentamicina na câmara anterior

Magno Antônio Ferreira
Carlos Augusto Moreira Júnior
Ademir Rocha
Haoletia Barbosa Gomes
Michel Eid Farah
Pedro Paulo Bonomo

Este estudo foi realizado com o objetivo de avaliar, em coelhos, a eficácia da vitrectomia via "pars plana" imediata na prevenção ou redução das lesões da retina que habitualmente se seguem à injeção de doses supraterapêuticas de gentamicina em câmara anterior. Foram injetadas duas doses distintas de gentamicina (4 e 20mg) na câmara anterior, sendo observado que todos os olhos do experimento, independentemente da realização ou não da vitrectomia, apresentaram alterações retinianas no exame histopatológico, porém de grau muito menor no grupo submetido à vitrectomia. As lesões retinianas foram doses-dependentes, sendo mais intensas nos olhos de coelhos que receberam 20mg, que é a dose usual para injeção subconjuntival em seres humanos. A presença de cápsula anterior íntegra foi também um fator adicional de proteção da retina. Este trabalho mostra que, pelo menos experimentalmente, a vitrectomia via "pars plana" atenua as lesões decorrentes da injeção de doses supraterapêuticas de gentamicina em câmara anterior e talvez possa ter um papel importante, em humanos, nos casos de injeção acidental.

Menu principal | Índice de artigos
 

Ceratite por Acanthamoeba: Relato de casos no Rio Grande do Sul

Francisco Bocaccio
Sérgio Kwitko
Maria Cristina Boelter
Samuel Rymer
Diane Marinho
Leandro S. Alves
Luciana Nerung

Os autores relatam os três primeiros casos comprovados de ceratite por Acanthamoeba sp no Rio Grande do Sul. Todos os pacientes eram usuários de lentes rígidas gás-permeáveis, usando água corrente para higiene das mesmas. Um paciente teve resolução do quadro clínico após 4 meses de tratamento intensivo com neomicina, biguanida, metronidazol e dexametasona tópicos. Os outros pacientes necessitaram de ceratoplastia penetrante, um após 2 meses e o outro após 14 meses de tratamento clínico intensivo (neomicina, biguanida, propamidine e dexametasona tópicos) sem sucesso. Não houve recidiva da infestação por Acanthamoeba em nenhum dos casos durante o período de seguimento (16, 5 e 22 meses). O diagnóstico etiológico foi realizado pela identificação de cistos e trofozoítos de Acanthamoeba no exame direto do raspado da úlcera de córnea em dois pacientes e no exame anátomo-patológico dos botões corneanos dos que se submeteram ao transplante de córnea.

Menu principal | Índice de artigos
 

Estudo estatístico de valores normais do eletrorretinograma. Contribuição à padronização do exame

Flávio R. L. Paranhos
Marcos P. Ávila
Augusto Paranhos
Arnaldo P. Cialdini

A padronização do eletrorretinograma (ERG), assim como dos parâmetros de normalidade de um laboratório de ERG é necessária para a melhor compreensão dos resultados encontrados. Neste trabalho, apresentamos um estudo estatístico descritivo e analítico dos valores eletrorretinográficos encontrados em 42 indivíduos normais.
O ERG foi realizado de acordo com as recomendações da International Society for Clinical Electrophysiology of Vision (ISCEV).
Não foi encontrada diferença significativa (p>.05) entre os olhos e os sexos. Também não houve correlação significativa (r<.5; p>.05) entre a idade e o ERG. Houve grande (r>.8) e significativa (p<.05) correlação entre os olhos.

Menu principal | Índice de artigos
 

Influência dos chamados "Fatores de supercorreção" sobre o resultado da cirurgia para correção de esotropia de grande ângulo

Luciana Lucci
Mauro Goldchmit
Carlos R. Souza-Dias

Avaliaram-se os resultados cirúrgicos de 52 pacientes portadores de esotropia maior ou igual a 60 dioptrias prismáticas, operados sobre os 4 músculos retos horizontais num só ato cirúrgico. Correlacionar-se os dados obtidos com a presença dos chamados "fatores de supercorreção" (ambliopia, hipermetropia maior que 4 dioptrias esféricas e déficit neurológico).
Os valores de correção obtidos revelaram que os pacientes sem a presença desses fatores apresentaram, de forma significativa, melhores resultados (61,5%) comparados ao grupo de pacientes portadores destes fatores (27,0%). Surpreendentemente, os maus resultados nestes últimos foram devidos à sub-correção.
Face à variabilidade de resultados e a constatação de grande número de subcorreções; sobretudo nos pacientes portadores de "fatores de supercorreção", acreditamos que a cirurgia ajustável, sempre que possível, deva ser utilizada, na tentativa de minimizar os insucessos cirúrgicos.

Menu principal | Índice de artigos
 

Correção da hipertropia em posição primária com debilitamento cirúrgico unilateral do oblíquo inferior

Mauro Goldchmit
Carlos Souza-Dias
Silvana Volpe de Lazary
Iara José Tavares

Os autores estudaram os resultados obtidos em 23 pacientes, nos quais realizaram debilitamento unilateral de oblíquo inferior, com o intuito de corrigir hipertropia. Como não encontraram diferenças significativas entre os pacientes portadores de esotropia ou exotropia, além da hipertropia, juntaram-nos num grupo único, acrescentando a eles dois pacientes que não apresentavam desvio horizontal na posição primária. Em 19 pacientes, o debilitamento constou de retrocesso do oblíquo inferior (na maioria das vezes de 8 mm, segundo a técnica de Fink) e, em 4, retrocesso-anteriorização, segundo a técnica de Elliott & Nankin, (estes últimos eram portadores de divergência vertical dissociada muito assimétrica e descompensada, associada a hiperfunção do oblíquo inferior).
A correção média da hipertropia entre os que receberam retrocesso do oblíquo inferior foi de 8,4 D ± 4,0 D e a hipertropia média precirúrgica era de 10,3 D ± 3,2 D.
Entre os 19 pacientes nos quais se realizou retrocesso simples do oblíquo inferior, não foi observado surgimento ou incremento de hiperfunção do oblíquo inferior contralateral.

Menu principal | Índice de artigos
 

Utilidade da oftalmoscopia na hipertensão arterial sistêmica aguda

Rodrigo Pessoa Cavalcanti Lira
Alexandre Augusto Paredes Selva
Pedro Cavalcanti Lira
Francisco de Assis C. Barbosa

Objetivo: Avaliar a prevalência de alterações oftalmoscópicas na crise hipertensiva e sua relação com o tipo de crise e o nível de pressão sangüínea.
Métodos: Neste estudo prospectivo, 111 pacientes foram examinados através de oftalmoscopia direta, entre junho/94 e junho/96. Seguindo-se a classificação de Keith-Wagener-Barker, foi realizado estadiamento do fundo de olho para determinar a presença de retinopatia.
Resultados: Entre os 111 pacientes, retinopatia estava presente em 91 (82%), 88 (79,3%) foram urgências hipertensivas, 23 (20,7 %) foram emergências. A admissão hospitalar por emergência hipertensiva associou-se com maior severidade de retinopatia (p<0,001). Não foi demonstrada relação entre a severidade da retinopatia e o nível de pressão arterial (p>0,05).
Conclusão: Este estudo sugere que retinopatia é freqüente em pacientes com crise hipertensiva. Não foi encontrada relação entre o nível pressórico sangüíneo determinado por esfingmomanometria e a retinopatia. Houve associação da admissão hospitalar por emergência hipertensiva com maior severidade de retinopatia.

Menu principal | Índice de artigos
 

Envolvimento da proteína A purificada e do Staphylococcus aureus na patogênese corneana

Ginaine Farjallah Bazzi
Fabio Prado Sabbag
Marcelo Luiz Gehlen
Pablo Fabian Aviles Cabrera
Luciane Bugmann Moreira
Cinthia Oyama Branco
João Carlos Domingues Repka
Hamilton Moreira

Estudou-se a atividade da Mieloperoxidase em ceratite induzida em modelo animal (cobaios). Constitui-se de três grupos com cinco cobaios cada. No primeiro inoculou-se a cepa de Staphylococcus aureus DU5723 isenta de Proteína A e Delta-Toxina. O segundo grupo foi inoculado com Proteína A purificada (SIGMA) e o terceiro, grupo controle, foi inoculado com soro fisiológico. Todos os grupos sofreram inoculações intra-estromais com volume constante de 10µl.
Os níveis de atividade da Mieloperoxidase após 25 horas foram mensurados através de método espectrofotométrico, e as graduações de lesões corneanas foram determinadas por análise biomicroscópica a cada 5 horas pós-inoculação, durante 25 horas. Os resultados obtidos demonstram que a Proteína A purificada é um fator de virulência importante, e que a cepa de Staphylococcus aureus isenta de Proteína A e Delta-toxina induz lesão corneana em níveis ainda mais elevados. Em ambos os grupos constatou-se Ceratite.

Menu principal | Índice de artigos
 

Subconjunctival methotrexate in the treatment of non infectious ocular inflammatory diseases

Seiji Hayashi
Rubens Belfort Jr

We studied the effect of subconjunctival injections of methotrexate (MTX) in 18 patients with non-infectious ocular inflammatory processes (unilateral anterior uveitis 11 patients, corneal graft rejection 3 patients, nodular sclerouveitis with no systemic disease 2 patients, Vogt-Koyanagi-Harada’s disease 1 patient, and Behcet’s disease 1 patient). Weekly subconjunctival injections of 7.5mg of MTX were given. Daily slit lamp examination was performed to evaluate the degree of inflammatory activity in the anterior chamber or sclera and conjunctiva during the treatment. Patients were clinically followed for an average of 7.8 months (3 to 12 months) and no patient had evidence of local or systemic side effects. The conjunctiva remained yellowish and edematous for approximately 24hs after the injections and returned to the previous aspect after that. Our results showed that subconjunctival weekly injections of low dose MTX have a favorable response in the treatment in nine of 11 cases of anterior uveitis, three cases of corneal graft rejection, and one patient of Vogt-Koyanagi-Harada disease. One patient with Behcet disease, and two with scleritis did not respond to the treatment.

Menu principal | Índice de artigos
 

Lesão ocular em epidermodisplasia verruciforme

José Beniz
Marise A. R. Moreira
Luiz Carlos A. C. Gonçalves

Os autores descrevem um caso de epidermodisplasia verruciforme com acometimento ocular. A tumoração corneana existente foi ressecada. Não houve recidivas mesmo três anos após a intervenção. Estudo histopatológico é apresentado. Ao que sabemos, trata-se do primeiro caso onde é descrita a associação entre tal displasia e carcinoma espinocelular córneo-conjuntival "in situ".

Menu principal | Índice de artigos
 

Degeneração marginal de Terrien: Relato de caso

Hélia Soares Angotti B. de Andrade
Cláudio de Oliveira Vieira
Cláudio Sarkis Ribeiro
Márcio Adriano Gomes Ferreira
Joaquim Pereira Paes

Os autores descrevem um caso de Degeneração Marginal de Terrien em criança do sexo feminino, dez anos de idade, com queixa de baixa acuidade visual e ao exame biomicroscópico com hérnia de íris. Optou-se pelo tratamento cirúrgico através de "Patch" de córnea.

Menu principal | Índice de artigos