Resumo dos artigos deste fascículo
Aplicações do oftalmoscópio de
rastreamento a laser em pacientes portadores de buraco de mácula
verdadeiro idiopático
Geração
de rotações oculares combinadas em casos de perdas de ação
muscular. Modelos baseados em forças produzidas por campos
magnéticos
Estudo das manifestações oculares em
crianças com paralisia cerebral
Alinhamento
ocular nos primeiros sete meses de vida
Tratamento
cirúrgico de catarata senil: óbices para o paciente
Considerações
sobre as transposições dos músculos retos. O deslizamento
lateral
Eficácia
da ciprofloxacina e da tetraciclina no tratamento do tracoma:
Estudo clínico e microbiológico
Precisão
e reprodutibilidade da videoceratografia
Schwannoma
maligno de órbita
Invasão
do nervo óptico por melanoma maligno da úvea
Avaliação
da acuidade visual e da ceratometria após a cirurgia do
pterígio
Concomitância
de ceratocone e iridociclite heterocrômica de Fuchs
Efeito
da dorzolamida em glaucoma crônico simples
Melanoma
da coróide na criança - Relato de caso e revisão da literatura
Linfoma de
células B intra-ocular
Arnaldo F.
Bordon
Pedro Paulo Bonono
Alex E. Jalkh
Michel E. Farah
Foram analisados 50 olhos de 41 pacientes portadores de buraco macular idiopático, utilizando-se o oftalmoscópio de rastreamento a laser. Foi realizada a perimetria híbrida da área central retiniana. Dez (24,4%) pacientes eram do sexo masculino e 31 (75,6%) do sexo feminino. A média de idade foi 64,9 anos. Nove (22%) casos bilaterais foram identificados. Quanto a microperimetria, 78% dos olhos apresentavam escotoma denso na região do buraco e 22% escotoma denso e relativo. A fixação foi estável em 88% dos olhos e instável em 12%. O descolamento seroso ao redor do buraco estava presente em 52% dos olhos. A presença do descolamento seroso ao redor do buraco foi correlacionada com a presença de escotoma correspondente nessa área em apenas 26,9% dos casos. Somente olhos com ausência do descolamento seroso ao redor do buraco apresentaram acuidade visual entre 20/40 e 20/60 (P = 0,03). A baixa ocorrência de escotoma associado ao descolamento seroso, indica que o tecido retiniano ao redor do buraco é potencialmente viável.
Geração de rotações oculares combinadas em casos de perdas de ação muscular. Modelos baseados em forças produzidas por campos magnéticos
Harley E. A. Bicas
Em prosseguimento aos estudos procurando obter rotações oculares conjugadas, em casos nos quais há perdas de forças de contração muscular, são analisadas diversas possibilidades de arranjo de elementos magnéticos e de condições de seus deslocamentos. A rotação de um ímã permanente ao redor de um eixo que divida suas polaridades é uma das alternativas mais favoráveis pela economia de espaços e pela simplicidade com que podem ser a ela relacionados os movimentos suscitados sobre outros elementos magnéticos.
Estudo das manifestações oculares em crianças com paralisia cerebral
Márcia Keiko
Uyeno Tabuse (1)
José Belmiro de Castro Moreira (2)
Foram examinadas 290 crianças portadoras de paralisia cerebral, com o objetivo de avaliar e estimar a freqüência das alterações oculares e tentar correlacionar com os diversos tipos clínicos de paralisia cerebral. A hipermetropia (pura ou com astigmatismo) foi a ametropia mais encontrada, sendo de evolução semelhante às crianças normais. Foram prescritos óculos para 73% das crianças e ambliopia foi detectada em 43%, sendo a maioria antes dos 6 anos de idade. As esotropias foram encontradas em 53% contra 40% de exotropia, não havendo correlação com um tipo clínico específico de paralisia cerebral. Houve variação de desvio em 30% dos casos. Nistagmo e atrofia óptica foram encontrados numa proporção maior do que na população normal.
Alinhamento ocular nos primeiros sete meses de vida
Christine Mae
Morello Abbud
Antonio Augusto Velasco Cruz
A posição do reflexo corneano provocado pela fixação de um estímulo luminoso (teste de Hirschberg), posicionado a 1 metro de distância, foi estudada em 273 crianças com idades que variavam de 4 a 208 dias de vida. No primeiro mês de vida (n=139) os reflexos foram classificados como centralizados em 52,52% das crianças, desviados nasalmente em 38,13% e temporalmente em 9,35% das mesmas. A ocorrência dos desvios caiu abruptamente com a idade, segundo uma função potência, aproximando-se de zero a partir do terceiro mês. A magnitude dos desvios dos reflexos foi quase inteiramente restrita à área pupilar. Num intervalo de tempo de 7 a 28 meses após essa primeira avaliação, 63 crianças das 92 que apresentavam desvios dos reflexos, foram reexaminadas e apenas 2 apresentaram estrabismo. Concluiu-se que: 1) desvios precoces dos reflexos não são precursores de estrabismo, 2) grandes desvios dos reflexos não podem ser considerados normais no primeiro trimestre de vida e 3) mais da metade das crianças examinadas no primeiro mês de vida apresentam reflexos centralizados.
Tratamento cirúrgico de catarata senil: óbices para o paciente
Newton
Kara-José
Carlos Eduardo Leite Arieta
Edméa Rita Temporini
Ksiao Meng Kang
Luciano Enéas Ambrósio
Foram investigadas algumas características e dificuldades de pacientes portadores de catarata senil, para submeterem-se à cirurgia ocular, referentes a deslocamentos, tempo de aguardo da cirurgia e acompanhante, no hospital das clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Brasil). Foram realizados dois estudos transversais, em 1989 e em 1991, para comparação de resultados, aplicando-se questionário por entrevista a 98 e 109 pacientes, respectivamente. Os resultados evidenciaram predominância de pacientes do sexo masculino, de menos de 70 anos de idade, em ambos os levantamentos. O exame oftalmológico completo foi realizado no primeiro comparecimento do paciente em 8,2% dos casos em 1989 e em 81,6% em 1991; submeteram-se à cirurgia antes de completar três meses da data da consulta, 36,8% dos pacientes em 1989 e 75,2% em 1991. Enquanto, em 1989, a maior proporção (37,8%) compareceu quatro ou mais vezes, em 1991 a maioria (81,6%) retornou apenas uma vez. Relatam-se medidas organizacionais estabelecidas para agilizar o atendimento. Comparando-se os resultados, houve diminuição do número de comparecimentos dos pacientes ao hospital, assim como do tempo decorrido entre a primeira consulta e a realização da cirurgia, facilitando, portanto, o acesso de portadores de catarata à cirurgia.
Considerações sobre as transposições dos músculos retos. O deslizamento lateral
Carlos R. Souza-Dias
As operações chamadas "transposições musculares" têm-se demonstrado úteis para a correção de certos tipos de estrabismo, tanto comitantes como incomitantes. A interpretação mecânica do efeito da cirurgia tem, entretanto, sido alvo de discrepâncias, que partem já da interpretação dos fatos fisiológicos relativos aos músculos retos.
Os antigos tratados mostravam que uma a dução ocular em direção perpendicular ao plano de ação de um músculo reto provoca um deslizamento deste sobre a esclera, de modo a que ele assume sempre o trajeto mais curto entre as duas inserções. Teorias modernas têm afirmado o inverso, isto é, que os músculos retos atravessam formações semelhantes a polias, situadas na região equatorial do olho, que impedem fortemente os movimentos de translação. Isto garantiria a imutabilidade da ação do músculo, qualquer que seja a posição adotada pelo olho. Alguns trabalhos, que assumem essa linha de pensamento, afirmam que aquelas estruturas impedem o deslizamento lateral dos músculos inclusive nas operações de transposição muscular, como a de Hummelsheim.
O autor exibe fotografias de atos cirúrgicos, mostrando que as estruturas são destruídas durante esse tipo de operação, pois a posição dos músculos mostra que há translação, pelo menos a partir de uma região situada atrás do pólo posterior do olho, como, aliás, a própria técnica cirúrgica sugere, pois as estruturas perimusculares são seccionadas até cerca de 15 mm para trás da inserção muscular, portanto bem para trás do equador; qualquer polia existente na região do equador é obrigatoriamente seccionada, liberando o músculo para que assuma um grande círculo ao redor do olho (o caminho mais curto entre o "ponto de mudança de direção" e a nova inserção).
Aproveitando o ensejo, o autor exibe "curvas comprimento-força" realizadas durante as operações, mostrando que as operações tipo "Carlson & Jampolsky, para a paralisia de abdução, criam certa limitação passiva de adução, contrariamente à cirurgia de Knapp para a assim chamada "dupla paralisia de elevadores".
Como corolário dessas demonstrações, o autor contesta a maneira como Knapp propôs a reinserção dos músculos horizontais, transpostos para junto à inserção do reto superior. Ele os reinsere em direção próxima à perpendicular à espiral de Tillaux, quando, na verdade, devem ser inseridos paralelamente a ela, sob pena de diminuição do efeito elevador desejado, pois, da sua maneira, as fibras inferiores dos músculos ficam mais tensas do que as superiores, transferindo para baixo a resultante das forças.
Eficácia da ciprofloxacina e da tetraciclina no tratamento do tracoma: Estudo clínico e microbiológico
Consuelo Bueno
Diniz Adan
Marinho Jorge Scarpi
Tânia Guidugli
Foram estudados prospectivamente, em corte transversal, sob o ponto de vista clínico e através de exames laboratoriais, 396 habitantes (89,60% da população) do povoado Sítio Barro Vermelho, município de Barbalha, estado do Ceará. Os objetivos deste trabalho foram avaliar a prevalência do tracoma e testar a eficácia clínica e microbiológica do colírio de cloridrato de ciprofloxacina a 0,3% e da pomada de tetraciclina a 1% no tratamento do tracoma.
Encontrou-se que o tracoma, em todas as suas formas, acomete 38,13% da população, com tracoma folicular, predominando na infância e tracoma cicatricial nos adultos. Nesta população, o tracoma não se comporta como produtora de cegueira.
A adesão ao tratamento ocorreu de forma significativa mas diferente do esquema proposto, devido às formas clínicas brandas, aos efeitos colaterais, relacionados principalmente ao uso de pomada, e falta de motivação da população, em decorrência do baixo nível sócio-econômico-cultural.
Sob o ponto de vista clínico, houve redução do número de casos de infecção ativa nos tratados mas não houve diferença estatisticamente significante na cura do tracoma, entre as formas de tratamento utilizadas e quando comparadas ao placebo.
O tratamento em massa reduziu o contingente de microrganismos da mucosa conjuntival. Como a redução de microrganismos, nesta população, foi observada com quaisquer das formas de tratamento, inclusive com a aplicação de placebo, mas não naqueles que se abstiveram de qualquer forma de tratamento, pode-se concluir que a simples higiene ocular altera o curso da doença leve e que a melhora das condições sócio-econômicas e educacionais da população carente seria o caminho mais seguro para se obter a erradicação do tracoma nestas comunidades.
Precisão e reprodutibilidade da videoceratografia
Samir Jacob
Bechara (1)
Arnaldo Zanoto (2)
Newton Kara José (3)
Avaliou-se a precisão e a reprodutibilidade do sistema EyeSys de videoceratografia numa superfície esférica plástica (42,50 D) e em 58 córneas de 58 pacientes divididos em quatro grupos: 30 córneas normais, 10 córneas pós-ceratotomia radial, 8 córneas pós-excimer laser e 10 córneas com ceratocone. O método de análise incluiu, para os cálculos da precisão e reprodutibilidade, todos os pontos de medida das superfícies de estudo. O sistema EyeSys apresentou, na superfície esférica, uma precisão de 95% das medidas com desvio < 0,25 D e níveis de reprodutibilidade maiores na região central (média de 0,0295 D) que na região periférica (média de 0,0962 D). As córneas normais, pós-ceratotomia radial e pós-excimer laser apresentaram níveis semelhantes de reprodutibilidade, nas regiões central (médias de 0,1524 D, 0,1406 D e 0,0962 D, respectivamente) e periférica (médias de 0,4484 D, 0,4673 D e 0,3138 D, respectivamente). A reprodutibilidade no ceratocone foi menor que nos demais grupos (p < 0,05), tanto na região central (média de 0,3808 D) como na periférica (média de 0,8458 D). Nos quatro grupos, a reprodutibilidade foi maior na região central da córnea (p < 0,05). O sistema EyeSys parece proporcionar informações clinicamente úteis a respeito da topografia corneana, particularmente na região central.
Schwannoma maligno de órbita
Simone H. D. V.
F. Bison
José Vital Filho
José Wilson Cursino
Carmen L. P. Lancellotti
Relatamos um caso de tumor maligno de nervo periférico (schwannoma) na órbita e revisamos a literatura existente sobre essa rara lesão.
Invasão do nervo óptico por melanoma maligno da úvea
Eduardo Ferrari
Marback
Patrícia Maria Fernandes
Bruno Barbosa Castelo Branco
Roberto Lorens Marback
Danilo Cruz Sento Sé
Relatamos estudo clínico-patológico de um caso de invasão do nervo óptico por melanoma maligno da úvea. Comentamos as formas mais comuns de invasão extra-ocular por melanomas da úvea ressaltando a raridade da invasão extra-ocular destas neoplasias através do nervo óptico. Enfatizados a importância de seccionar o mais longo possível o nervo óptico ao realizarmos enucleações.
Avaliação da acuidade visual e da ceratometria após a cirurgia do pterígio
Cristina
Garrido
Ricardo Chaves Carvalho
Theodomiro Garrido Neto
Luiz Magalhães
Jacob Cohen
Marcelo Cunha
Mauro Campos
O estudo consistiu na avaliação da acuidade visual e da ceratometria pré e pós-cirúrgica do pterígio.
Foram estudados 21 pacientes consecutivos portadores de pterígio medial primário, idades variando de 22 a 66 anos (idade média 44,71) de março a novembro de 1993. No pré-operatório, 18 (85,7%) dos pacientes tinham astigmatismo a favor da regra.
No pós-operatório observou-se melhora da acuidade visual em 16 (76,2%) pacientes e diminuição do astigmatismo em 17 (81%).
Não ocorreu variação da acuidade visual e da ceratometria no intervalo do 1o para o 3o mês de pós-operatório.
Concomitância de ceratocone e iridociclite heterocrômica de Fuchs
Jacó Lavinsky
Diane Marinho
Aliana Grimberg
Descrevemos um caso de ceratocone associado a iridociclite heterocrômica de Fuchs (IHF). Após análise dos possíveis mecanismos etiopatogênicos das duas doenças não conseguimos formular uma hipótese para explicar sua ocorrência simultânea em nosso paciente. Segundo nosso conhecimento, trata-se do primeiro relato da concomitância destas patologias.
Efeito da dorzolamida em glaucoma crônico simples
Arieta, C. E.
L.
Serpa, J. F.
Marchi Jr, W. A.
Kara José, N.
Foram avaliados os resultados do uso de dorzolamida 2% tópica, um inibidor da andrase carbônica, sobre a pressão ocular, acuidade visual corrigida e perimetria visual, assim como seus efeitos colaterais em córnea, conjuntiva, câmara anterior, cristalino, fundo de olho e exames laboratoriais (hemograma, Na/K, plaquetas) e clínico geral em 22 olhos (11 pacientes) portadores de glaucoma crônico simples.
Os resultados obtidos revelam uma diminuição de 26,8% da PO após 30 dias de uso de dorzolamida 2%, a qual se mantém com 6 meses e 1 ano do uso da medicação.
Não houve variação significativa na acuidade visual média durante o tratamento. Houve piora do campo visual em 6 pacientes, sendo que em 3 desses a piora foi inespecífica.
Efeitos colaterais oculares leves foram observados em 12 olhos, mas não se mantiveram em consultas subseqüentes. Não houve alteração laboratorial adversa em nenhum paciente.
Melanoma da coróide na criança - Relato de caso e revisão da literatura
Silvana Artioli
Schellini
Edson Nacib Jorge
Maria Fernanda Grillo Milanezi
Mariângela Ester Alencar Marques
O melanoma uveal é raro na infância. Relata-se um caso de melanoma da coróide em criança de 5 anos que se manifestou por baixa visão, olho vermelho e dor. Os exames ultrassonográfico e tomográfico mostraram tumor intraocular extenso e o exame histopatológico mostrou se tratar de melanoma do tipo epitelióide de pequenas células. São enfatizados os fatores prognósticos do melanoma coroidal e a raridade do melanoma uveal na criança.
Linfoma de células B intra-ocular
J. Melamed
Cristiano de Queiroz Mendonça
Fátima Maria Lopes Carneiro
O Linfoma de células B ou Sarcoma de células reticulares é uma neoplasia que pode afetar diversos órgãos viscerais, o sistema nervoso e o olho. Na forma multicêntrica, atinge vários órgãos simultaneamente. O envolvimento ocular é raro, apresentando comprometimento bilateral assimétrico sob forma de uveíte com infiltrado de retina, vítreo, coróide e hemorragias retinianas. Estruturas orbitárias também podem ser acometidas. O prognóstico vital é desfavorável, levando quase sempre ao óbito. O presente trabalho visa a apresentação do segundo caso desta neoplasia na literatura oftalmológica nacional no qual o diagnóstico foi estabelecido, pela primeira vez, por técnicas modernas de imunohistoquímica.