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Coristoma
ósseo episcleral - Relato de caso
Episcleral
osseous choristoma - Case report
Lucieni Cristina Barbarini Ferraz
Erika Hoyama
Silvana Artioli Schellini
Sheila Cristina Lordelo Wludarski
Mariangela Esther Alencar Marques
RESUMO
Os autores apresentam um caso de coristoma ósseo episcleral (COE), cujo diagnóstico foi dado pelo exame histopatológico. O coristoma ósseo episcleral é tipo raro de coristoma, em geral localizado no quadrante temporal superior, sendo formado por tecido ósseo maduro.
INTRODUÇÃO
Coristomas são lesões presentes desde o nascimento, com pequeno ou sem potencial para o crescimento, formadas por tecidos normais que, habitualmente, não são encontrados na região envolvida(1).
Existem três tipos de coristomas epibulbares: o dermóide sólido, bem definido e de localização limbar; dermolipoma, mais difuso; e o coristoma complexo, com conteúdo e forma variados (1-2).
O coristoma ósseo episcleral (COE) é um coristoma complexo, caracterizado pela presença de uma placa de tecido ósseo maduro no tecido episcleral, localizado no quadrante temporal superior(1-2).
Por causa de sua raridade, o COE dificilmente tem seu diagnóstico feito no pré-operatório.
O objetivo deste é apresentar um caso de COE, diagnosticado e tratado na Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP.
RELATO DO CASO
TCLP, 9 anos, branca, procurou o HC da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, em abril de 1999, por ter detectado um pequeno nódulo assintomático, localizado no quadrante temporal superior do olho direito.
Exame oftalmológico: acuidade visual para longe igual a 1,0 em ambos os olhos, sem uso de correção óptica, segundo tabela de Snellen; pressão intra-ocular de 12 mmHg em ambos os olhos; motilidade ocular normal; fundoscopia normal. Ao exame externo, assim como à biomicroscopia, presença de nódulo arredondado, medindo cerca de 5mm de diâmetro, amarelado, sem vascularização e não aderente a conjuntiva, mas aderente a esclera (Figura 1).
A biomicroscopia ultra-sônica (UBM) mostrou lesão episcleral calcificada (Figura 2).
A criança retornou ao Serviço 1 ano após, referindo crescimento da lesão e optou-se pela remoção cirúrgica. Após abertura conjuntival, a lesão foi facilmente separada da esclera, usando bisturi de lâmina 15, suturando-se a conjuntiva com Vicryl 7-0.
O exame histopatológico mostrou canais Harversianos envolvidos em osso maduro compacto e tecido conectivo, caracterizando o COE (Figura 3).
DISCUSSÃO
O primeiro relato sobre a existência do COE foi feito por Von Graefe no ano de 1863 apud(3).
A maioria dos coristomas é lesão assintomática, descobertos acidentalmente como neste caso relatado.
O COE está tipicamente presente desde o nascimento, tem crescimento lento ou pode não crescer, ocorre no quadrante temporal superior de olhos normais, distando 5 a 10 mm posteriormente ao limbo corneano, podendo variar em tamanho e forma, como o de um pequeno amendoim, até uma amêndoa(3-5).
O termo episcleral é mais apropriado que epibulbar ou subconjuntival, tendo em vista que a lesão é sempre episcleral(4), o que foi possível observar durante a exérese realizada.
Clinicamente, estes tumores são diagnosticados como dermóides, principalmente por falta de familiaridade com a entidade do COE e por sua raridade. Os dermóides têm outros tipos de tecidos e ocorrem em associação com outras anomalias oculares(6). Outra possibilidade é que o COE pode ocorrer associado a outras lesões coristomatosas(6).
As lesões ósseas são radiopacas e podem ser demostradas no exame radiológico(7). Porém, a lesão é muito pequena e a UBM é útil para demostrar que a lesão está sobre e muito unida ao tecido escleral.
O exame histológico confirma o diagnóstico de COE, caracterizado por uma placa de tecido ósseo maduro episcleral, contendo canais Harversianos, envolvidos em osso maduro compacto e tecido conectivo.
Apesar da raridade, a localização característica, a aparência e o padrão histológico fazem com que o diagnóstico de COE possa ser feito.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem a Dra. Norma Alleman e Dra. Zuleide Romano pela realização do UBM.
ABSTRACT
Episcleral osseous choristoma (COE) is a rare tumor, characterized by the presence of a plaque of mature bone in the episcleral tissues of the upper temporal quadrant. This is a case report of COE whose diagnosis was established after histological features.
Keywords: Choristoma, Sclera; Case report; Eye neoplasms; Bone and bones
REFERÊNCIAS
1. Spencer W, Zimmerman LE. Conjunctiva. In: Spencer W. Ophthalmic pathology. 3 ed. Philadelphia: Saunders; 1985. p.117-27.
2. Spencer W. Sclera. In: Spencer W. Ophthalmic pathology.3 ed. Philadelphia: Saunders; 1985. p.419.
3. Boniuk M, Zimmerman LE. Epibulbar osteoma (episcleral osseous choristoma). Am J Ophthalmol 1962;53:290.
4. Sheth KL, Mathur RN, Sheth JJ. Episcleral osseous choristoma. Indian J Ophthalmol 1978;26:49-50.
5. Kaufer G, Plater G. Coristoma oseo epiescleral. Arch Oftalmol B Aires 1968;43:12-3.
6. Ferry AP, Hein HF. Epibulbar osseous choristoma within an epibulbar dermoid. Am J Ophthalmol 1970;70:764-6.
7. Beckman H, Sugar HS. Episcleral osseous choristoma: report of two cases. Arch Ophthalmol 1964;71:377-9.
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