PAINÉIS
Volume 66 - fascículo 4
Resumo dos Painéis do
XXXII Congresso Brasileiro de Oftalmologia

Esses resumos correspondem a trabalhos completos examinados e selecionados pela Comissão Científica do Conselho Brasileiro de Oftalmologia para apresentação, mas não passaram por análise editorial pelos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia

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LIO "IN THE BLEB" - PSEUDOFACOCELE ATÍPICA

Umberto Antonini Rizzuto, Emílio Rintaro Suzuki Junior, Felício Aristóteles da Silva, Wagner Duarte Batista Régis Sá Vieira
Santa Casa de Belo Horizonte - MG

Objetivo: Relatar um caso de deslocamento da lente intra-ocular (LIO) para o espaço subconjuntival de uma bolha filtrante. Relato do caso: M.S, 81, submetida à cirurgia combinada de glaucoma e catarata em ambos olhos apresentou deslocamento da lente intra-ocular para o espaço subconjuntival de uma bolha filtrante após traumatismo em olho direito. Conclusão: O deslocamento da LIO para o espaço subconjuntival (pseudofacocele) é uma complicação rara da cirurgia de catarata e geralmente decorrente de traumatismo. Apresentou-se um caso de pseudofacocele tardio para o espaço subconjuntival de uma bolha filtrante.

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CERATITE BACTERIANA POR PSEUDOMONAS AERUGINOSA E ACANTHAMOEBA SP EM USUÁRIOS DE LENTE DE CONTATO – RELATO DE DOIS CASOS

Adamo Lui Netto, Maurício Arruda Câmara Barros, João Baptista Nigro Malta, Fernando Crosta, Ronaldo Yuiti Sano
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - SP

Introdução: Relatamos dois casos clínicos de pacientes que usavam lentes de contato, um teve infecção por Pseudomonas e outro por Acanthamoeba. Relato de Caso: Relevamos a importância de um acompanhamento por um médico oftalmologista para evitar a opacidade corneal ou até a cegueira pelo mau uso da lente de contato. Conclusão: Nos casos relatados fica evidente a necessidade de uma abordagem rápida e especializada para evitar a perfuração e a perda do olho acometido.

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P 111
ANÁLISE DA PERFORMANCE CLÍNICA DE UM NOVO TIPO DE MATERIAL DE LENTES DE CONTATO RÍGIDA

Alex Luciano Magatti, Marcelo Sobrinho, César Lipener, Fernando Antônio de Macedo Leal
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Na tentativa de melhor adaptação e conforto de lentes de contato foi fabricado um novo material, denominado híbrido, que combina material rígido com um componente hidrofílico. Objetivo: Avaliar a performance clínica de um material híbrido, fabricado pela Contamac (Londres, Inglaterra) e fornecidas pelo laboratório Solótica (São Paulo, SP). Material e Métodos: O estudo foi realizado de maneira prospectiva em pacientes que já tentaram o uso de lentes RGP, sem sucesso por desconforto, e em pacientes já usuários de lentes RGP que vêm desenvolvendo intolerância às mesmas. Os pacientes foram avaliados de maneira objetiva (hiperemia, blefaroespasmo e lacrimejamento) e subjetiva (desconforto). Resultados: Foram estudados 10 pacientes, com idade variando de 10 a 35 anos. As indicações de lentes de contato foram ceratocone, astigmatismo miópico composto (AMC), astigmatismo misto (AM) e degeneração marginal pelúcida (DMP). Houve diminuição significativa do lacrimejamento, hiperemia, desconforto e da acuidade visual com o uso das lentes híbridas. Conclusão: Com base no presente estudo o uso de lentes híbridas mostrou-se satisfatório tanto na correção visual quanto na qualidade de vida dos pacientes, com diminuição das queixas referentes ao uso de lentes RGP.

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P 112
PERFIL DOS USUÁRIOS DE LENTES DE CONTATO BIFOCAIS

Luiz Roberto Melo de Oliveira, Ana Luísa de Oliveira Infante Vieira, Thomaz Fracon de Oliveira, Renata Fracon de Oliveira
Luiz Roberto Melo de Oliveira e Oftalmologistas Associados S/C Ltda – Belo Horizonte - MG

Objetivo: Avaliar o nível de satisfação de pacientes adaptados com lentes de contato bifocais. Material e Métodos: Um grupo de 50 pacientes présbitas (predomínio do sexo feminino) foi adaptado com lentes gelatinosas bifocais descartáveis do tipo visão simultânea em multizonas. O olho dominante recebeu hipocorreção da adição para perto e o outro olho recebeu a adição necessária. Colocávamos a lente de teste e verificávamos a acuidade visual distante e próxima. Explicávamos que a visão enevoada era devida à superposição das imagens de longe e perto. O par de lentes selecionado era entregue ao paciente e agendava-se o retorno para 7 a 14 dias (período de teste). Visão satisfatória para as atividades do paciente (estabelecemos AV distante: 20/25 “ou melhor” e próxima: 1 M ou melhor) e boa tolerância às lentes eram os critérios para liberar para o uso. Resultados: Na ocasião da colheita de dados, 64,5% já usavam as LCB há mais de 1 ano e 80,6% demoraram 1 semana para adaptar-se a elas. A maioria usava somente óculos ou nunca tinha usado nem óculos e 41,9% já eram usuários de LC. A visão distante foi considerada ótima ou boa por 58% e a visão para perto foi considerada ótima ou boa por 77,4% dos pacientes. A auto-estima melhorou em 93,5% dos usuários e 90,3% indicariam esta lente para outras pessoas. Conclusão: As LCB utilizadas revelaram ser um recurso valioso para a maioria dos présbitas que tem objeção ao uso de óculos para perto. A adaptação às lentes é facilitada por um período de teste longo, de 1 a 2 semanas, usando as lentes calculadas de acordo com a orientação do fabricante, doando um par sem ônus para experimentar. Esta possibilidade de experimentar sem compromisso pareceu-nos fazer toda a diferença para obter sucesso na adaptação.

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P 113
ADAPTAÇÃO DE LENTES DE CONTATO NA AFACIA

Micheline Ibiapina Cantanhede, Daniela Lyra Antunes, Ana Cláudia Tabosa, Conceição Sales
Fundação Altino Ventura – Recife - PE

Objetivo: Avaliar a adaptação de lentes de contato em pacientes afácicos, correlacionando com a acuidade visual e incidência de complicações. Casuística: Foram analisados, retrospectivamente, pacientes portadores de afacia atendidos no ambulatório de Lentes de Contato da Fundação Altino Ventura e Hospital de Olhos de Pernambuco entre 1995 e 2001. Avaliaram-se os pacientes quanto ao sexo e os olhos quanto ao tipo de lente utilizada, acuidade visual com correção óptica pré e pós-adaptação, incidência de sucesso e a ocorrência de complicações. Resultados: Cento e seis pacientes foram examinados, sendo 61 (57,6%) do sexo masculino e 45 (42,4%) do sexo feminino, totalizando cento e dezenove olhos. A lente gelatinosa foi a mais utilizada (57,9%), seguida da siliconada (25,2%) e fluorcarbonada (16,8%). Em 90 olhos (75,6%) a acuidade visual manteve-se igual ou melhor com o uso da lente de contato em relação à acuidade com óculos, enquanto em 29 olhos (24,3%) houve piora da acuidade visual. Das complicações, a hiperemia conjuntival prevaleceu (23,5%), seguida de infecção (17,6%), de erosão, intolerância e instabilidade (5,9%, cada). Comentários: Houve melhora estatisticamente significante da acuidade visual com o uso de lentes de contato em relação ao uso de óculos, ressaltando a importância da adaptação da lente em pacientes afácicos que não foram submetidos a implante secundário de lente intra-ocular. Além disto, as poucas complicações encontradas foram transitórias, portanto, não determinaram o insucesso na adaptação.

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P 114
Complicações relacionadas ao uso lentes de contato - estudo prospectivo de 120 casos

Mônica Alves, Júnior Kuczmainski, Karla Komiyama Oda, Analisa Raskin, Milton Ruiz Alves
Clínica Raskin - Campinas - SP

Objetivo: Avaliar as complicações relacionadas ao uso de lentes de contato em pacientes referidos ao Pronto Socorro de Olhos da Clínica Raskin por um período de um ano. Métodos: Foram avaliados 120 pacientes de forma consecutiva e prospectiva. Foram analisados idade, sexo, olho acometido e tempo decorrido do início dos sintomas, a queixa principal referida pelo paciente, a indicação e o tipo de lente de contato utilizado bem como materiais de conservação e higiene, esquema e tempo de uso. Os pacientes foram submetidos a exame oftalmológico completo. As alterações verificadas ao exame biomicroscópico foram classificadas em quatro grupos, sendo: grupo 1 reações de toxicidade, grupo 2 alergia, grupo 3 infecção e grupo 4 manipulação e manutenção inadequadas das lentes de contato. Resultados: Em relação à distribuição dos pacientes quanto aos achados biomicroscópicos observou-se, grupo 1: 17,5%, grupo 2: 4,17%, grupo 3: 37,5% e grupo 4: 40,83%. Conclusão: Os dados obtidos demonstraram uma maior freqüência de complicações relacionadas à manipulação inadequadas das lentes e uma associação entre a incidência de ceratite infecciosa e o hábito de dormir com as lentes.

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P 115
ADAPTAÇÃO DE LENTE DE CONTATO EM CERATOCONE ANTES E DEPOIS DO TRANSPLANTE DE CÓRNEA

Roberto Deway Guimarães Pereira, Yamara Ribeiro Serrano, Ana Claudia França Gomes, Antonio Augusto Cerqueira Alves Filho, Leonardo Murilo Palmeira da Silva
Hospital Geral Roberto Santos / Secretaria Estadual de Saúde – Salvador – BA

Introdução: A lente de contato rígida gás permeável é o melhor recurso óptico para reabilitação visual do portador de ceratocone. Mesmo nos casos submetidos a ceratoplastia penetrante, a adaptação de lente de contato rígida gás permeável pode representar a melhor opção para recuperação visual do paciente. Relato do caso: Paciente jovem portadora de ceratocone bilateral com intolerância ao uso de lentes de contato rígidas gás permeáveis, foi submetida a ceratoplastia penetrante em ambos os olhos. Após o transplante de córnea, foi realizada a adaptação de lentes de contato em olho direito com boa tolerância e obtendo acuidade visual de 20/20. Aguarda retirada das suturas para adaptação de lente em olho esquerdo. Comentários conclusivos: Este caso exemplifica a importância da adaptação de lente rígida gás permeável na reabilitação visual dos portadores de ceratocone, mesmo quando submetidos a transplante de córnea.  

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P 116
DEGENERAÇÃO MARGINAL PELÚCIDA – DIFICULDADES NO DIAGNÓSTICO CLÍNICO/TOPOGRÁFICO E NA ADAPTAÇÃO DE LENTE DE CONTATO

Roberto Deway Guimarães Pereira, Yamara Ribeiro Serrano, Ana Claudia França Gomes, Antonio Augusto Cerqueira Alves Filho, Leonardo Murilo Palmeira da Silva
Hospital Geral Roberto Santos / Secretaria Estadual de Saúde – Salvador – BA

Introdução: O diagnóstico diferencial entre ceratocone e degeneração marginal pelúcida é difícil. A ceratoscopia computadorizada permite uma avaliação mais detalhada da topografia corneana, embora ainda não exista uma classificação topográfica satisfatória. Devido a ectasia estar localizada na porção inferior da córnea, a adptação de lentes de contato também é mais difícil. Relato do caso: Paciente jovem com sinais clínicos e topográficos de degeneração marginal pelúcida apresentando dificuldades na adptação de lentes de contato relacionadas principalmente com o posicionamento e tempo de tolerância. Vem apresentando opacidades corneais e ceratopatia em redemoinho em decorrência do uso das lentes. Comentários conclusivos: Os achados clínicos e topográficos, além da dificuldade da adaptação das lentes de contato, sugerem o diagnóstico de degeneração marginal pelúcida. No caso relatado houve indicação de transplante de córnea como opção para reabilitação visual da paciente.

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P 117
LENTES DE CONTATO COMO PARTE DA REABILITAÇÃO VISUAL DE CRIANÇA COM AFACIA MONOCULAR

Roberto Deway Guimarães Pereira, Yamara Ribeiro Serrano, Ana Claudia França Gomes, Mariadélia Costa Lino Almeida, Jucelia Amâncio Barbosa de Alencar
Hospital Geral Roberto Santos – Salvador – BA

Introdução: A reabilitação visual de crianças portadoras de catarata congênita inclui cirurgia, correção óptica e tratamento da ambliopia. Requer intervenção precoce. Quando da cirurgia resulta afacia monocular a adaptação de lente de contato é a melhor opção, devido a aniseiconia gerada pela grande anisometropia de índice. O empenho da equipe médica e dos familiares na estimulação precoce destas crianças é fundamental para um resultado satisfatório, apesar do prognóstico reservado. Relato do Caso: Relatamos o caso de uma criança portadora de catarata congênita monocular à esquerda submetida a facectomia sem implante de lente intra-ocular aos 8 meses de vida e encaminhada para este serviço para adaptação de lente de contato, logo após a cirurgia, bem como sua evolução até a presente data. Comentários conclusivos: Este caso exemplifica a importância da lente de contato na reabilitação precoce das crianças portadoras de catarata congênita depois de submetidas à cirurgia. Requer soma de esforços do profissional médico oftalmologista e dos familiares. Além de toda dificuldade de adaptação, o resultado na maioria das vezes, pode não ser o esperado. No caso relatado, a cirurgia foi realizada no primeiro ano de vida, a lente de contato foi adaptada logo após, a família vem seguindo adequadamente as orientações relativas à oclusão e estimulação precoce da criança. Ainda assim a acuidade visual obtida, até o momento, foi de 20/400, com correção. A criança está com 4 anos e continuaremos tentando melhorar ou pelo menos manter esta acuidade visual.

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P 118
ADAPTAÇÃO DE LENTE DE CONTATO EM CERATOCONE APÓS HIDROPISIA CORNEANA AGUDA

Roberto Deway Guimarães Pereira, Yamara Ribeiro Serrano, Ana Claudia França Gomes, Mariadélia Costa Lino Almeida, Simone Lisboa Queiroz
Hospital Geral Roberto Santos – Salvador – BA

Introdução: A hidropisia corneana aguda é uma possível complicação na evolução natural do ceratocone em usuário ou não de lente de contato. Pode resultar em aplanamento corneano favorecendo, em alguns casos, à adaptação de lentes de contato, em casos antes não conseguidos. Relato do Caso: Paciente jovem portador de alergias e ceratocone bilateral avançado com redução de acuidade visual acentuada. Realizada adaptação de lente de contato rígida gás permeável apenas em olho direito, porém não conseguida em olho esquerdo devido ao estágio avançado de protrusão do cone. Desenvolveu hidropisia corneana aguda em olho esquerdo com conseqüente aplanamento corneano, o que propiciou a adaptação de lente. Comentários conclusivos: Devido à dificuldade de acesso dos pacientes ao transplante de córnea em alguns Estados do Brasil, a adaptação de lentes de contato rígidas gás permeáveis deve ser tentada nos portadores de ceratocone, inclusive aqueles que já desenvolveram hidropisia corneana aguda deve ser tentada com o objetivo de reabilitação visual enquanto se aguarda a ceratoplastia penetrante.

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P 119
Neuropatia óptica isquêmica anterior bilateral associada à presença de anticorpos antiproteína S em paciente HIV positivo

Alexandre Barbosa
Instituto Hilton Rocha / Hospital Madre Teresa - Belo Horizonte - MG

Objetivos: Apresentar a ocorrência ainda não descrita na literatura de neuropatia óptica isquêmica anterior (NOIA) bilateral em paciente HIV positivo associado à presença de anticorpos antiproteína S e discutir a importância desses achados na investigação dos pacientes HIV positivos. Relato de caso: Paciente de 46 anos, HIV positivo, sem diagnóstico de SIDA, sem outras doenças de base ou fatores de risco para doenças cardiovasculares ou eventos tromboembólicos. Referia história de perda visual súbita em OD, seguida após 30 dias por perda visual súbita em OE. Apresentava acuidade visual corrigida de 20/600 AO, reflexos pupilares diminuídos simetricamente, disco óptico difusamente pálido e defeito altitudinal inferior AO. Extensa propedêutica identificou apenas anticorpos antiproteína S e depleção de proteína S (38%, VR: 55 a 160%). Conclusão: A imunodeficiência e a autoimunidade são desencadeadas pela desregulação imunológica associada ao HIV e constituem duas faces da mesma moeda. A produção de autoanticorpos é comum na infecção pelo HIV e é uma das causas da depleção de células CD4 característica da SIDA. A alta prevalência da depleção de proteína S, aproximadamente 60% entre os pacientes HIV positivos, constitui um fator de risco importante de eventos tromboembólicos. Apesar da associação entre NOIA e a presença de anticorpos antiproteína S não ter sido até o momento verificado na literatura, o presente trabalho demonstra a importância de se incluir a dosagem de proteína S e a pesquisa de anticorpos antiproteína S na propedêutica desses pacientes, assim como considerar a pesquisa do HIV na investigação dos pacientes com NOIA. 

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P 120
Correlação entre manifestações clínicas da papiloflebite e parâmetros de fluxo ao ecodoppler ocular

Alexandre Barbosa, Tatiana de Souza Borges
Instituto Hilton Rocha / Hospital Madre Teresa - Belo Horizonte - MG

Objetivos: Apresentar a correlação ainda não descrita na literatura entre diferentes manifestações clínicas da papiloflebite e parâmetros de perfusão ao ecodoppler ocular. São descritos dois casos com pesquisa de fluxo na artéria oftálmica (AO), artéria central da retina (ACR), artérias ciliares posteriores curtas (ACPC) nasal e temporal e veia central da retina (VCR). Relatos de casos: Caso 1. Acuidade visual 20/50, edema importante do disco óptico e hemorragias retinianas em pólo posterior. Caso 2. Diminuição da visão de cores e contraste no OD, acuidade visual 20/20, edema moderado do disco, congestão venosa e hemorragias retinianas até média periferia. Piora súbita da visão após 1 semana, evoluindo para acuidade visual de CD a 50 cm e hemorragias densas no pólo posterior, associada à intensa tortuosidade venosa, caracterizando obstrução de veia central da retina (OVCR). Extensa propedêutica identificou apenas alteração da perfusão ocular, com elevação do índice de resistência (IR), em AO e ACR bilateralmente, acompanhadas de diminuição das velocidades de fluxo na VCR. O paciente do caso 1 apresentou aumento do IR também em ACPC bilateralmente. O paciente do caso 2 apresentou IR na ACR mais elevado que no paciente do caso 1. Conclusões: O presente trabalho demonstra dois casos de papiloflebite com hipoperfusão bilateral em AO e ACR e em que se observa dois padrões distintos, um caracterizado por edema do disco e aumento do IR em ACPC e outro por OVCR e aumento do IR em ACR. A hipoperfusão pode ser fator de risco para o desencadeamento da papiloflebite e o padrão de hipoperfusão nos diferentes vasos apresenta forte correlação com suas manifestações clínicas.

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P 121
AMAUROSE BILATERAL SIMULTÂNEA ASSOCIADA À OCLUSÃO DO SEIO SAGITAL SUPERIOR

Ana Cláudia Martins de Carvalho Rodrigues, Daniel Canamary Silveira Ribeiro, Joana Gurgel Holanda Filha, Cristiane Nóbrega Gularte Timóteo, André Jucá Machado
Universidade Federal do Ceará / CLDO – Fortaleza - CE / CBEPO – Fortaleza - CE

Introdução: A trombose asséptica do seio sagital superior (SSS) é condição clínica pouco comum. A oclusão da veia central da retina (OVCR) é uma alteração vascular retiniana relativamente comum porém o acometimento bilateral simultâneo ocorre em poucos casos. Não encontramos na literatura relato de OVCR bilateral simultânea à trombose de SSS. Relato de caso: Homem, 57 anos apresentando baixa de acuidade visual aguda, bilateral e simultânea, com quadro sistêmico inicial de parestesia em mão esquerda e região maxilar esquerda, cefaléia de forte intensidade, tontura e fadiga. Ao exame: acuidade visual sem percepção luminosa em ambos os olhos, reflexos pupilares direto e indireto ausentes e biomicroscopia do segmento anterior normal. No exame de fundo de olho, foram evidenciados sinais compatíveis com OVCR em ambos os olhos, confirmados pela angiografia. Na ressonância magnética de crânio, foi evidenciada trombose do SSS. Foi realizada investigação das possíveis causas ou condições predisponentes. O quadro clínico foi, então, classificado como OVCR bilateral e simultânea, associada à trombose idiopática do SSS. O paciente foi submetido à heparinização e encontra-se em uso de warfarina sódica. No seguimento, houve resolução da oclusão do SSS, absorção das hemorragias retinianas, involução do edema de papila e atrofia óptica. Comentários conclusivos: A trombose do SSS é condição a ser lembrada na OVCR bilateral e simultânea.

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P 122
ANÁLISE DO GDx® EM PACIENTES COM NEUROPATIA ÓPTICA INDUZIDA PELO ÁLCOOL

Ana Paula Yokoyama Ribeiro, Ana Maria Marcondes, Vital Paulino Costa, Heloísa Helena Abil Russ
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - SP

Objetivo: Investigar a ocorrência de alterações da camada de fibras nervosas da retina (perda axonal) em pacientes portadores de NTA. Pacientes e Métodos: Examinados 30 olhos de 15 pacientes com diagnóstico de NTA da HC-UNICAMP. Foram submetidos à avaliação oftalmológica completa, teste de visão cromática, perimetria automatizada e análise da camada de fibras nervosas pelo GDx®. Os critérios de exclusão foram: presença de outra afecção oftalmológica associada, como vícios refracionais maiores e/ou iguais a 5 dioptrias esféricas, cicatrizes coriorretinianas, glaucoma e portadores de doenças sistêmicas como hipertensão arterial sistêmica e diabetes melitus. Sorologias para sífilis, rubéola, citomegalovírus (CMV), toxoplasmose e reação intradérmica de Mantoux para pesquisa de tuberculose positivas foram excluídos da análise. Resultados: A idade média foi de 40,46 anos. Referiam etilismo durante 20 a 30 anos 8 deles (53,3%), ingerindo uma média de 1145,45 ml diariamente de bebida destilada. A acuidade visual para longe melhor corrigida em ambos os olhos variou de 0,1 a 0,3 em 18 (60%) olhos, de 0,4 a 0,7 em 8 (26,7%) olhos e de PL a CD em 4 olhos (13,3%). O exame com tabela de Ishihara foi alterado em 12 olhos (40%). A alteração a fundoscopia mais frequentemente encontrada foi a palidez temporal do disco óptico em 28 olhos (93,3%). O exame de perimetria revelou 53,3% com escotomas centrais. Houve ao GDX® uma significativa diminuição de fibras nervosas retinianas principalmente nos quadrantes superior (-17,99µm) e inferior (-5,89µm). Conclusão: Ao comparar a medida da camada de fibras nervosas retiniana de 15 indivíduos com NTA, utilizando a database de indivíduos normais incluida no instrumento, observa-se que a perda de fibras nervosas retinianas é mais acentuada nos quadrantes peripapilares superior e inferior, achado previamente não descrito na literatura.

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P 123
Acometimento ocular por neuro-behçet

Bianca Kneipp, Ana Maria Marcondes, Marielce Cestan Rocha
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - SP

Apresentamos relato do paciente V.O. 32 anos, masculino, branco, com queixa de baixa acuidade visual para longe e perto progressiva em ambos os olhos (AO), com poliartralgia e úlceras orais e genitais associadas. Com acuidade visual (AV) inicial de 0,1/0,2 e < J6/J3, biomicroscopia e tonometria normais, fundoscopia com edema macular cistóide e edema de papila em AO. Exames alterados: hemograma com discreta eosinofilia, VHS, citologia e manometria liquóricas. Angiografia com hiperfluorescência em região macular e papilar, corroborando no diagnóstico de edema macular e papilar AO. Demais pesquisas laboratoriais, tomografia e ressonância nuclear magnética de crânio sem alterações. Conclusão: A hipótese diagnóstica foi de neuro-Behçet, estabelecida em conjunto com a reumatologia e neurologia. Foi prescrita dose de ataque de corticosteróides (prednisona 60mg) diária e manutenção com doses menores. Após um mês de tratamento houve melhora da AV para 0,3/0,7 e J6/J2. O paciente mantém-se em acompanhamento nos ambulatórios de oftalmologia e reumatologia e, atualmente, em uso de prednisona e azatioprina oral, na última consulta apresentou AV 0,4/0,9 e J6/J3 - e fundoscopia com atrofia papilar (OD>OE), edema macular cistóide em regressão.

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P 124
NEUROPATIAS ÓPTICAS – ESTUDO DE 67 CASOS

Bráulio Folco Telles de Oliveira, Laura Martins Clemencio Duprat Cardoso, Élcio Nakano, Aloízio Fumio Nakashima, Yoshitaka Nakashima
Universidade de São Paulo - São Paulo

Objetivo: O presente trabalho visa analisar os dados epidemiológicos, as circunstâncias clínicas e o diagnóstico etiológico dos pacientes internados com neuropatia óptica. Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo retrospectivo em que foram analisados os dados de 67 pacientes com diagnóstico de neuropatia óptica internados na Clínica Oftalmológica do Hospital das Clínicas da FMUSP no período de 1980 a 2001. Resultados: Dos 67 pacientes estudados, 34 (50,75%) eram do sexo feminino. A idade dos pacientes variou de 4 a 81 anos, com média de 34,35 anos. Entre os diagnósticos, os achados mais comuns foram neurite óptica (28 casos), neuropatia óptica traumática (8 casos), neurorretinite (5 casos), neuropatia óptica isquêmica anterior (NOIA) não-arterítica (4 casos), NOIA arterítica (3 casos), papilite (3 casos) e neurite sifilítica (3 casos). O tempo médio de duração da baixa de visão na apresentação foi de 9,6 dias nas neurites ópticas. Dor ocular foi relatada em 60% dos casos de neurites ópticas, 66,6% das papilites, e não foi relatada em nenhum dos casos de NOIA. O acometimento ocular foi bilateral em 60% das neurites, 50% das NOIA não-arteríticas, 100% das arteríticas e 100% das papilites. Conclusão: A neurite óptica foi a causa mais prevalente neste estudo. Nota-se que grande parte dos pacientes internados tinham acometimento bilateral ou baixa de visão prévia no olho contralateral (olho único), já que são indicações de pulsoterapia nas neurites. Outras justificativas são a necessidade de antibioticoterapia endovenosa na sífilis, e pulsoterapia nos casos traumáticos. Por fim, uma anamnese bem elaborada associada a um exame oftalmológico bem feito, e complementados por exames laboratoriais e de imagem, colaboram para um diagnóstico mais preciso das neuropatias ópticas.

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P 125
Síndrome de Wolfram – Relato de Caso

Bruno Machado Fontes, Jane Chen, André Hasler Príncipe, Juliana M. Ferraz Sallum, Carlos Filipe Chicani
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Introdução: A síndrome de Wolfram consiste na associação de diabetes mellitus e atrofia óptica. Outros achados comuns são surdez neurossensorial, alterações do trato urinário e distúrbios neurológicos. Tem padrão de herança autossômico recessivo com penetrância incompleta e expressividade variável. O objetivo deste relato é apresentar um paciente que apresenta todas as características da síndrome de Wolfram (ou síndrome DIDMOAD). Relato do caso: JFP, negro, 23 anos, apresenta diabetes mellitus e insipidus, atrofia óptica, surdez neurossensorial, polineuropatia periférica, neuropatia autonômica, bexiga neurogênica, dilatação do trato urinário, infecções repetidas do trato urinário e azoospermia. Os exames clínico - oftalmológico, retinografia, angiografia fluoresceínica, eletrorretinografia (ERG) e potencial visual evocado (PVE) mostram padrão de normalidade retiniana e de atrofia de nervos ópticos. Conclusão: A síndrome de Wolfram deve ser lembrada em casos de atrofia óptica associados à diabetes, poliúria, polidipsia ou a qualquer uma das alterações apresentadas.

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P 126
MANIFESTAÇÕES NEURO-OFTALMOLÓGICAS DA ATAXIA CEREBELAR HEREDITÁRIA - RELATO DE UM CASO

César Moreira Sampaio, Lívia Maria Nossa Moitinho, Ilara Matos guerra, Jamary Oliveira Filho, Roberto Lorens Marback
Universidade Federal da Bahia / Fundação Monte Tabor

Objetivo: Descrever os achados neuro-oftalmológicos de uma paciente portadora de ataxia cerebelar. Método: Revisão do prontuário. Resultados: O exame neurológico e a ressonância nuclear magnética confirmaram a suspeita clínica. O exame oftalmológico revelou atrofia parcial de papila, estreitamento vascular na periferia e alteração difusa do epitélio pigmentar da retina, com mobilização de pigmentos inclusive na mácula. Conclusão: Os achados oftalmoscópicos e neurológicos confirmaram o diagnóstico de ataxia cerebelar hereditária.

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P 127
PUPILA TÔNICA BILATERAL COMO SEQÜELA OFTÁLMICA ISOLADA DA DOENÇA DE LYME

Fernando Fugimoto, Ramon Coral Ghanem, Mário Luiz Ribeiro Monteiro
Universidade de São Paulo - São Paulo

Introdução: A doença de Lyme é um distúrbio multissistêmico causado pela espiroqueta Borrelia burgdorferi, transmitida por carrapatos. Tem sido descrita principalmente nos países do hemisfério norte, sendo pouco relatada no Brasil. O objetivo deste trabalho é documentar uma paciente com doença de Lyme que apresentou pupila tônica bilateral como única seqüela oftálmica da afecção. Relato do caso: Paciente de 13 anos, feminina, com diagnóstico de doença de Lyme, confirmado por sorologias no sangue e líquor, com queixa de ardência ocular e dificuldade de fechar ambos os olhos. A paciente havia apresentado paresia facial periférica e oculomotora bilaterais. Após recuperação do quadro neurológico, manteve anisocoria, reação fraca à luz, amplitude de acomodação inferior ao normal, constrição pupilar tônica para perto e redilatação lenta em ambos os olhos. Apresentou constrição pupilar com pilocarpina a 0,1% em ambos os olhos, confirmando a suspeita clínica de pupila tônica bilateral. Conclusão: Esse trabalho relata o primeiro caso de pupila tônica bilateral causado por doença de Lyme. Os autores enfatizam que a doença de Lyme deve ser incluída no diagnóstico diferencial dos indivíduos com pupila tônica, especialmente em regiões endêmicas para essa doença.

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P 128
NISTAGMO EM GANGORRA (“SEESAW”) CAUSADO POR ADENOMA GIGANTE DE HIPÓFISE

Frederico Castelo Moura, Allan Christian Pieroni Gonçalves, Mário Luiz Ribeiro Monteiro
Universidade de São Paulo - São Paulo

Introdução: Adenoma gigante da hipófise é uma variante incomum, na qual as dimensões do tumor são maiores do que quatro centímetros. Pode apresentar alterações endócrinas e neuroftálmicas incluindo perda visual, paralisias oculomotoras e proptose. O objetivo deste trabalho é relatar um paciente com adenoma hipofisário gigante que se apresentou com nistagmo em gangorra, uma das manifestações mais raras deste tipo de tumor, e discutir a fisiopatogenia desse fenômeno. Relato do caso: Um paciente de 50 anos apresentou cefaléia holocraniana progressiva associado à diminuição da acuidade visual e a nistagmo em gangorra. A perimetria manual revelou hemianopsia bitemporal completa e o exame de imagem por ressonância magnética mostrou grande lesão selar, compatível com adenoma hipofisário gigante, com invasão supra-selar. Não havia acometimento da região mesodiencefálica. Após a excisão do tumor, houve melhora do campo visual e desaparecimento do nistagmo. Comentários conclusivos: Este caso serve para enfatizar a importância de conhecer as possíveis causas de nistagmo em gangorra, uma das manifestações mais raras dos adenomas hipofisários. O estudo atual contribui para a compreensão da fisiopatogenia deste nistagmo evidenciando, através da imagem por ressonância magnética, que o tumor comprimia o quiasma óptico mas não acometia a região mesodiencefálica.

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P 129
RECUPERAÇÃO DA ACUIDADE VISUAL NA SÍNDROME DE PSEUDOTUMOR CEREBRAL APÓS TRATAMENTO CIRÚRGICO - RELATO DE CASO

Karine Koller, Mauricio Hiroshi Nakanami, Antonio dos Santos Taveira, Mariza Toledo de Abreu, Paulo Góis Manso
Universidade de Mogi das Cruzes - SP

Objetivo: Descrever um caso de pseudotumor cerebral apresentando acentuada baixa de acuidade visual, com total recuperação da visão após tratamento cirúrgico. Método: Paciente com pseudotumor cerebral sem melhora com tratamento clínico e que respondeu a tratamento cirúrgico. Resultados: Após tratamento cirúrgico, realizado através de um shunt lombo-peritoneal, a paciente apresentou importante recuperação da acuidade visual, mantendo como seqüelas apenas alterações discretas da campimetria visual. Conclusão: O caso descrito confirma a descrição presente na literatura sobre a grande incidência de defeitos visuais com perda severa da acuidade visual no pseudotumor cerebral. Com diagnóstico e tratamento adequados nas fases iniciais da doença podemos obter boa melhora da acuidade visual. 

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NEUROPTIA ÓPTICA AUTOIMUNE

Laura Martins Clemencio Duprat Cardoso, Leandro Cabral Zacharias, Mário Luiz Ribeiro Monteiro
Universidade de São Paulo - São Paulo

Introdução: Neuropatia óptica autoimune é uma condição na qual o acometimento do nervo óptico se mostra associado a alterações laboratoriais indicativas de um distúrbio autoimune sistêmico, embora não existam achados clínicos que permitam o diagnóstico de uma colagenose. Neste trabalho documentamos uma paciente com esta afecção, discutimos o seu diagnóstico diferencial e chamamos a atenção para a gravidade potencial desta neuropatia óptica. Relato do Caso: Uma paciente de nove anos apresentou perda visual bilateral que foi tratada com corticóide por via oral apresentando melhora visual em apenas um dos olhos. Nove anos depois apresentou recidiva do quadro no olho único com melhora importante após pulsoterapia corticóide, mas seguida de perda progressiva e completa da visão após a redução do tratamento. Novas tentativas terapêuticas não se seguiram de recuperação visual. Avaliação clínica e laboratorial não revelou doença sistêmica, mas a paciente apresentava anticorpos antinucleares (1/640), anti-Ro e anti-La positivos. Comentários conclusivos: Neuropatia óptica autoimune é uma afecção rara que simula uma neurite óptica idiopática e que se caracteriza por perda aguda da visão em um paciente geralmente do sexo feminino, sem doença sistêmica, mas com evidências laboratoriais de doença autoimune, em especial o FAN positivo. A biópsia de pele freqüentemente se mostra alterada, com evidências de vasculite. Esta condição deve ser diferenciada da neurite óptica idiopática ou desmielinizante e deve ser tratada mais agressivamente, com corticóide em altas doses e imunossupressores, uma vez que o acometimento visual geralmente é mais grave.

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PERDA VISUAL BILATERAL GRAVE COMO SINAL DE APRESENTAÇÃO DE TROMBOSE DE SEIO VENOSO CEREBRAL

Leonardo Provetti Cunha, Allan Christian Pieroni Gonçalves, Mário Luiz Ribeiro Monteiro
Universidade de São Paulo - São Paulo

Objetivo: Relatar um paciente com trombose de seios venosos cerebrais associados a trombocitose no qual a principal manifestação clínica foi perda visual bilateral grave e informar aos oftalmologistas a respeito desta condição incomum. Métodos: Relato de caso. Um paciente do sexo masculino, de 24 anos, procurou serviço oftalmológico com perda visual progressiva e acentuada em ambos os olhos há 4 meses. Referia também obscurecimentos transitórios da visão e cefaléia. Já havia sido submetido a exame neurológico e tomografia computorizada de crânio que nada revelaram. Ao exame apresentava constrição difusa e acentuada dos campos visuais e papiledema bilateral. Resultados: O exame do líquor revelou pressão elevada à punção lombar. A imagem por ressonância magnética de crânio mostrou sinais sugestivos de papiledema crônico e de trombose de seio sagital superior. A angiorressonância venosa evidenciou trombose de seios sagital superior, transverso e sigmóide, com recanalização parcial. Investigação laboratorial mostrou grande aumento do número de plaquetas e ferritina sérica baixa. O paciente foi submetido à descompressão da bainha do nervo óptico esquerdo (aquele com maior perda visual) seguida de tratamento clínico com acetazolamida e anticoagulação. Houve redução do papiledema e melhora da perda visual. Conclusão: A trombose dos seios venosos cerebrais pode se apresentar com quadro isolado de pseudotumor cerebral sendo a perda visual a principal manifestação. A trombose dos seios venosos, por sua vez, pode ser decorrente de afecção hematológica com graves repercussões sistêmicas. O oftalmologista deve estar apto a suspeitar destas condições e orientar adequadamente a investigação diagnóstica.

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Síndrome de Klippel Feil: associação não usual com anestesia de córnea e cisto aracnoídeo – relato de caso

Maria Kiyoko Oyamada, Adriana Claudino Rossi Módolo, Camila Haydee Rosas Salaroli, Eliana Aparecida Forno, Suel Abujamra
Instituto Suel Abujamra - SP

Introdução: A síndrome de Klippel Feil caracteriza-se pela fusão congênita das vértebras cervicais, que resulta da não segmentação do esqueleto axial do embrião durante o seu desenvolvimento. O fenótipo característico compõe-se de uma tríade caracterizada por implantação baixa do cabelo, colo curto e limitação dos movimentos da cabeça, geralmente associadas a outras malformações craniofaciais. Objetivo: Relatar um caso com as características clínicas e radiológicas da síndrome de Klippel Feil associado a cisto aracnoídeo de fossa posterior, anestesia de córnea e de hemiface bilateral. Relato de caso: RGS, 4 anos, masculino, branco, história de ausência de sensibilidade na face e nos olhos desde o nascimento. À ectoscopia, observou-se assimetria de hemiface, sendo o lado esquerdo menos desenvolvido, hipognatia, palato em ogiva, implantação baixa da orelha e de cabelo, colo curto, pescoço alado com mobilidade reduzida, retificação da calota craniana posterior e escoliose. À biomicroscopia, presença de opacidades corneanas difusas e vasos fantasmas em toda a córnea da ambos os olhos, mais evidente em olho esquerdo; sem outras alterações de segmento anterior. Ausência de reflexo corneano e anestesia de córnea em ambos os olhos e de hemiface bilateral. Irregularidade de superfície corneana à topografia. A ressonância nuclear magnética mostrou fusão de C2 e C3, presença de cisto aracnoídeo deslocando e comprimindo o cerebelo. Conclusão: O paciente apresenta alterações características da síndrome e outras alterações não típicas como cisto aracnoídeo e anestesia de córnea e hemiface bilateral. Podem ser mera associação ou decorrer de falha do desenvolvimento constituindo um espectro da síndrome de Klippel Feil.

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SÍNDROME DE "MORNING GLORY" BILATERAL ASSOCIADA A NANISMO HIPOFISÁRIO

Paulo de Tarso P. Pierre Filho, Paulo Henrique Limeira Soares, Ana Maria Marcondes
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - SP

Objetivo: Relatar um raro caso de síndrome de "morning glory" bilateral associada a nanismo hipofisário. Método: Relato de caso. Resultados: Paciente do sexo masculino, 8 anos, apresentava esotropia, nistagmo e acuidade de 20/400 em ambos os olhos. Ao exame oftalmoscópio, verificou-se papilas aumentadas de tamanho, escavadas, com anel pigmentado incompleto ao redor. Vasos papilares finos, com disposição radial, com poucas remificações. A ecografia mostou alargamento da área correspondente à papila com escavação da mesma em ambos os olhos, descolamento de retina em OE. Avaliação endócrina revelou deficiência de hormônio do crescimento (GH). Idade óssea segundo o método de Greulich-Pyle foi compatível com 3 anos e 6 meses. Ressonância magnética da região selar revelou hipoplasia hipofisária. Conclusão: A síndrome de "morning glory" é uma anomalia congênita incomum do disco óptico. Apenas seis casos de síndrome de "morning glory" com nanismo hipofisário foram relatados anteriormente. Exame físico geral e avaliação do crescimento são importantes. Exame oftalmológico periódico é recomendado devido à freqüência de descolamento de retina.

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SÍNDROME DE HORNER ASSOCIADA A TUMOR DO ÁPICE PULMONAR - RELATO DE CASO.

Renata Ferro David, Luís Gustavo Garavelli, Thais Piedade de Andrade, Eric Pinheiro de Andrade.
Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo - SP

Introdução: A síndrome de Horner (paralisia oculossimpática) decorre de lesão do trajeto do simpático ocular desde o hipotálamo, passando pelo tronco cerebral, medula cervical, raizes C8-T1, plexo braquial inferior, parede da artéria carótida, seio cavernoso e órbita. Cursa clinicamente com blefaroptose parcial superior, constrição da pupila (miose) e anidrose facial do lado acometido. Uma das causas dessa síndrome é o tumor do sulco posterior pulmonar (Pancoast), descrito pela primeira vez em 1932 por Henry K. Pancoast. Relato do caso: Nesse estudo apresentamos o caso de um homem de 58 anos de idade com tumor do ápice pulmonar esquerdo associado à fratura da clavícula esquerda e Síndrome de Horner ipsilateral provocada por lesão da via simpática pré-ganglionar na região do ápice pulmonar e da clavícula. Comentários conclusivos: Nesse relato estudamos um homem portador de síndrome de Horner relacionada ao tumor de ápice pulmonar esquerdo associado à fratura da clavícula esquerda. Com a lesão do simpático pré-ganglionar observamos blefaroptose mínima à esquerda ocasionada por paresia do músculo de Müller (inervação simpática), miose esquerda por défict do músculo dilatador da íris (inervação simpática) e anidrose em hemiface esquerda por diminuição da inervação simpática das glândulas sudoríparas da face (inervação essa que ao contrário da inervação ocular que segue trajeto pela artéria carótida interna, segue trajeto pela artéria carótida externa). Além do mais, foi realizado, para estabelecer o diagnóstico topográfico, o teste da fenilefrina a 1% que ocasionou dilatação pupilar e melhora da blefaroptose, demonstrando tratar-se de uma lesão pré-ganglionar.

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FOSSETA CONGÊNITA DE NERVO ÓPTICO ASSOCIADO A DESCOLAMENTO SEROSO DA RETINA - RELATO DE CASO

Rodrigo Pilon Módolo, Nicolau José Slavo, Mirko Babic, Omar Massayoshi Assae
Instituto CEMA – SP

Introdução: A fosseta congênita de nervo óptico (FCNO) é uma anomalia rara e consiste em uma herniação do neuroectoderma embrionário através de defeito na formação do disco óptico. Geralmente única e monocular pode estar associada ao descolamento seroso macular (40% dos casos), esta a principal causa de diminuição da acuidade visual. Objetivo: Relato de caso de FCNO com presença de descolamento seroso macular, mostrando aspectos clínicos, fisiopatologia e tratamento, comparando-os com dados da literatura. Relato do caso: VSA, 28 anos, fem., branca. Paciente relatava baixa acuidade visual (BAV) súbita em OE há 3 meses, sem fatores desencadeantes. Negava antecedentes patológicos oculares e sistêmicos. Ao exame oftalmológico apresentava AV sem correção de 20/20 em OD e 20/200 em OE. A refração estática era de +2,00 DE em OD e em OE, reflexos fotomotores presentes e normais e motilidade ocular extrínseca sem desvios ou restrições. A biomicroscopia de ambos os olhos não apresenta alterações, a tonometria de aplanação era de 12mmHg em OD e 13mmHg em OE. A fundoscopia de OD mostrou-se normal e em OE constatou-se fosseta de nervo óptico na região temporal da papila associado a descolamento seroso macular. Comentários: A FCNO é uma patologia que geralmente apresenta secundariamente o descolamento seroso da retina. A provável origem do fluído subretiniano (FSR) ainda permanece controversa. Inúmeros tratamentos foram descritos para tais casos, incluindo a fotocoagulação com laser de argônio, fotocoagulação com xenônio, porém com resultados inconsistentes quando comparados a trabalhos de autores que demostram, com a mesma significância, descolamentos que se resolvem espontaneamente. Pensamos, que sem saber ao certo a origem do FSR, será difícil encontrar um tratamento adequado para esta doença.

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MANIFESTAÇÕES OCULARES DA MALÁRIA VIVAX NA AMAZÔNIA

Adriana Maria Neves Melo, Maria de Lourdes Veronese Rodrigues, Ricardo Augusto Chaves de Carvalho, José Fernando Castro Figueiredo, Hélio Vannuchi
Universidade do Estado do Amazonas / Universidade de São Paulo - São Paulo

Objetivo: A malária é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. O objetivo deste estudo é investigar as eventuais alterações oculares em pacientes com malária vivax. Material e Métodos: Foram examinados 200 pacientes com malária em tratamento ambulatorial. O exame ocular consistiu de: acuidade visual, biomicroscopia e oftalmoscopia binocular indireta. Resultados: As lesões oculares mais freqüentes foram as hemorragias subconjuntivais (2%) e retinianas (2%). As lesões oculares foram encontradas na malária por Plasmodium falciparum (7,4%) e por Plasmodium vivax (4%). A redução da acuidade visual relacionada à malária foi encontrada em um paciente (0,5%). Conclusões: A malária não complicada causa complicações oculares tanto na infecção por P.falciparum quanto na por P.vivax. As lesões oculares podem eventualmente reduzir a acuidade visual de forma irreversível.

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ALTERAÇÕES ETÁRIAS DO MÚSCULO CILIAR

Fabiane Trindade Jerônimo, Daiane Memória Ferreira Santos, Fábio Bernardo Silva de Almeida, Juliana Cristina Leite Botelho, Fernando Queiroz Monte
Hospital Geral de Fortaleza - CE

Objetivo: Estudar as características anatômicas do músculo ciliar, através da histologia e comparar a espessura anatômica entre as diferentes faixas etárias. Material e Métodos: Estudo retrospectivo de 44 globos oculares enucleados por patologias diversas nos laboratórios de anatomia patológica do Hospital Geral de Fortaleza (HGF/SUS) durante os anos de 1972 e 2000. Os globos foram corados pela Hematoxilina-Eosina e coloração Tricrômica de Masson. Resultados: A média da espessura no grupo de maior idade (maior de 51 anos) foi 7840µ comparadas a 3570µ e 4480µ nos grupos de menor idade e idade intermediária, respectivamente. O músculo ciliar é mais compacto nos jovens e a quantidade de tecido conjuntivo peri-muscular é muito acentuada em pacientes présbitas. Conclusão: Os autores observaram o aumento da espessura do músculo ciliar com a idade, assim como um aumento de tecido conjuntivo entre as fibras musculares e a hialinização dos processos ciliares.

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P 138
ACHADOS DE CERATITE HERPÉTICA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM CENTRO OFTALMOLÓGICO TERCIÁRIO

Angelino Julio Cariello, Denise de Freitas, Elisabeth Nogueira Martins, Lênio Souza Alvarenga, Luciene Barbosa de Souza
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Objetivo: Analisar os achados de ceratite herpética na infância em centro de referência, identificando variedades demográficas, padrão de acometimento, complicações e evolução da acuidade visual. Pacientes e Método: Em estudo retrospectivo foram revisados prontuários de pacientes atendidos no Setor de Córnea da Universidade Federal de São Paulo. Critérios de eleição foram idade (até 18 anos), imuno-competência e diagnóstico clínico de infecção ocular por Herpes Simples Vírus. Além destes, foram extraídas dos prontuários informações sobre etnia, sexo, procedência, olho acometido, evolução da acuidade visual, sinais e sintomas. Realizou-se a análise descritiva dos dados e classificação diagnóstica do quadro inicial, com base nos achados biomicroscópicos descritos. Resultados: Foram selecionados 22 prontuários de pacientes atendidos entre 1998 e 2000. A faixa etária mais prevalente foi de 5 a 9 anos (36%). A relação masculino/feminino foi de 1:3. Recorrência foi observada em 27% dos pacientes (18% imunes e 9% infecciosas). O olho direito foi acometido em 55% dos casos. Sintomas mais referidos foram olho vermelho (50%) e baixa acuidade visual (36%), e os sinais mais encontrados foram neovasos (36%) e leucoma (32%). O acometimento predominante foi ceratite estromal imune (50%), seguido por epitelial infecciosa (27%). Observou-se melhora da acuidade visual com tratamento em 45% dos casos. O abandono ao tratamento foi de 32%. Foram encaminhados para reabilitação visual 36% e 4,5% foi submetido a transplante de córnea. Conclusão: A ceratite estromal imune foi manifestação mais comum da ceratite herpética na infância observada neste centro terciário de referência. Apesar do tratamento clínico, alteração corneana em especial nesta população, pode acarretar ambliopia, prejudicando uma possível reabilitação visual.

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P 139
ALTERAÇÕES OCULOCUTÂNEAS NO XERODERMA PIGMENTOSO - RELATO DE SEIS CASOS

Daiane Memória Ferreira Santos, Marília Cavalcante Araújo, Fabiane Trindade Jerônimo, Islane Castro Verçosa, Fernando Queiroz Monte
Hospital Geral de Fortaleza - CE

Objetivo: Relatar seis casos de xeroderma pigmentoso e suas alterações oculocutâneas. Material e método: Foi realizado revisão dos prontuários e das secções histopatológicas obtidas das lesões. Relatos dos casos: Os autores relatam os casos de seis pacientes que chegaram ao serviço por demanda espontânea num período de 1 ano e 4 meses. A história, o exame clínico e oftalmológico foram conclusivos para o diagnóstico de xeroderma pigmentoso. Todas as crianças apresentavam lesões oculares e em três delas foi necessária exérese das lesões porque apresentavam características de malignidade. Conclusão: Ressaltar a importância do conhecimento das lesões oculocutâneas nos pacientes com xeroderma pigmentoso que é uma doença genética rara, com complicações oculocutâneas potenciais para malignidade e cegueira.

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P 140
SÍNDROME DE HORNER CONGÊNITA - RELATO DE CASO

Mário Adolfo Corrêa Neto, Rodrigo Beraldi Kormann, Hamilton Moreira, Amanda Perfoll
Faculdade Evangélica do Paraná

Introdução: A Síndrome de Horner, entidade clínica amplamente descrita e caracterizada por ptose palpebral, miose pupilar e anidrose facial têm uma variante congênita rara e com diversas etiologias possíveis. A sua forma congênita é rara e tem diversas etiologias, dentre elas tocotraumatismo, neuroblastoma, massas compressivas intratorácicas como ganglioneuroma e infecções congênitas, principalmente por varicela (Herpes zoster). Pode manifestar-se no recém nato após procedimentos cirúrgicos cardiotorácicos. É de suma importância a determinação do sítio de lesão simpática, pré ou pós ganglionar. Relato do caso: Este trabalho apresenta um caso de síndrome de Horner congênita em criança de 3 anos, apresentando anidrose facial, ptose e miose à esquerda, bem como heterocromia de íris e exames complementares diagnósticos. Comentários conclusivos: A detecção de síndrome de Horner congênita ocorre normalmente por volta dos 2 anos de idade, os sinais primariamente identificados são a ptose, heterocromia de íris e ausência da prega palpebral horizontal superior. A heterocomia é incomum na síndrome de de Horner do adulto. Para o diagnóstico correto é importante a obtenção de fotos antigas da criança visando a determinação do início dos sintomas (congênito ou pós natal). O diagnóstico da síndrome de Horner congênita pode ser confirmado com testes farmacológicos A heterocromia de íris é uma das características mais marcantes da síndrome de Horner congênita pois manifesta-se quase exclusivamente quando a afecção ocorre antes dos 2 anos de idade. As causas da síndrome de Horner congênita compõe um leque extenso de patologias, dentre elas: O diagnóstico etiológico inclui uma série de exames como: VDRL, FTA-ABS, Rx de tórax, tomografia, angiografia e testes farmacológicos. O tratamento é obviamente voltado para a doença base e depende de sua etiologia.

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P 141
COLOBOMA DE RETINA E CORÓIDE CONSEQÜENTE À RUBÉOLA CONGÊNITA – RELATO DE CASO

Nedy Maria Branco Cerqueira Neves, Almir Galvão Vieira Bitencourt, Flávia Branco Cerqueira Serra Neves
Clínica Soft – Salvador – BA

Introdução: O coloboma é uma malformação decorrente de um defeito na embriogênese que pode acometer qualquer estrutura ocular. Sua etiologia é bastante variada, podendo ocorrer como uma anormalidade ocular isolada ou em associação com múltiplas anormalidades sistêmicas. Cursa geralmente com microftalmia, microcornea, ambliopia e até cegueira. Relato do caso: Menina de 4 meses de idade com desvio desde o nascimento. Mãe relata ter apresentado rubéola durante a gestação. Ao exame externo apresentou microftalmia com microcornea bilateralmente, confirmadas por ultra-sonografia e mapeamento da retina, e ao teste de Teller apresentou ausência total da visão. Teve diagnóstico de coloboma parcial de retina e coróide em ambos os olhos. Comentários conclusivos: Não existe tratamento específico para a rubéola. As graves conseqüências da síndrome da rubéola congênita (SRC) são conhecidas e para evitá-las todas as mulheres em idade fértil devem ser vacinadas. O governo vem fazendo esforços para diminuir as taxas de incidência de rubéola e SRC no Brasil. Porém, são necessárias a conscientização e participação de todos os profissionais de saúde, inclusive os oftalmologistas, para atuarem junto aos seus pacientes e evitar que novos casos como estes ainda sejam vistos.

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P 142
SÍNDROME DE GOLDENHAR (DISPLASIA ÓCULO-AURICULO-VERTEBRAL) - RELATO DE CASO

Roberto Mitraud, Alexandre Barbosa Castelo Branco, Rafael Fernando Pires Anciães
Instituto Benjamin Constant – IBC - Rio de Janeiro – RJ

Objetivo: Relatar um caso de paciente com síndrome de Goldenhar atendido no Ambulatório de Oftalmologia do IBC com sua evolução clínica e principais dados semiológicos. Relato de Caso: H. S. B. S., masculino, aos 4 anos, foi trazido por sua mãe ao ambulatório do Instituto Benjamin Constant em 1985 que relatava provável baixa acuidade visual e secreção esverdeada espessa e constante em ambos os olhos. Retornou inúmeras vezes ao Serviço Médico mantendo secreção em ambos os olhos, refratária aos tratamentos propostos. Atualmente, apresenta-se com secreção em olho direito, porém a mesma cedeu em olho esquerdo após procedimento cirúrgico, permanecendo apenas conjuntivite. Sinais clínicos apresentados: Inspeção: Blefarofimose, bordos palpebrais irregulares, anomalia de lobo de orelha, presença de hemivértebra, cifose, agenesia do Atlas. Anexos: Pontos lacrimais irregulares, grande quantidade de secreção esverdeada. Biomicroscopia: Leucoma central em ambos os olhos, cisto dermóide limbar às 6h, catarata polar anterior em ambos os olhos. Acuidade Visual: OD – conta dedos a 2m; OE – conta dedos a 2m. Comentários conclusivos: Dentre os achados oculares da síndrome de Goldenhar, destaca-se o coloboma de pálpebra, usualmente unilateral, principalmente a metade temporal da pálpebra superior. Dermóide epibulbar ou lipodermóide também podem ocorrer, sendo o primeiro usualmente localizado na junção córneo-escleral do quadrante temporal inferior e o último, no quadrante temporal superior. O diagnóstico diferencial deve incluir: síndrome cervicooculoacústica, teratogenicidade por Vitamina A, displasia blefarooculocranial, sindrome de Townes-Brocks, deleção 22q, displasia frontonasal. Este trabalho destina-se a relembrar os sinais e sintomas desta síndrome rara. No caso em questão, apresentou-se com grande riqueza de achados semiológicos.

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P 143
SINDROME INFLAMATÓRIA IDIOPÁTICA DA ÓRBITA (SIIO) –ANÁLISE EM 20 CASOS

Aline de Vasconcelos Guimarães, Ana Cândida Gonçalves Veloso, Anne Leite Magalhães Sampaio, Mansueto Martins Magalhães, João Orlando Ribeiro Gonçalves
Universidade Federal do Piauí

Objetivos: Correlacionar a localização das lesões na tomografia computadorizada (TC) das órbitas com sinais e sintomas oculares de 20 casos da síndrome inflamatória idiopática da órbita, relatar o tratamento adotado e resultados obtidos. Material e Métodos: Foram estudados os prontuários de 20 casos com de SIIO examinados no Serviço de Plástica Ocular da Clínica Oftalmológica do HGV-CCS-UFPI e no Instituto de Olhos do Piauí - Teresina - PI entre junho/1974 a março/2003. Foram avaliados os seguintes dados: início dos sintomas, idade, sexo, cor, lado afetado, presença de dor ocular, sinais e sintomas oculares, acuidade visual, localização da lesão à TC, tratamento adotado e resultados obtidos. Resultados: A idade dos pacientes variou de 7 a 68 anos e não houve predomínio por faixa etária. O sexo feminino, o lado direito e a cor de pele não-branca foram os mais afetados em 60% dos casos. O início agudo dos sintomas ocorreu em 65% dos casos. Os sinais e sintomas oculares de maior ocorrência foram: exoftalmia unilateral (95%), dor ocular (80%), hiperemia conjuntival (75%) e oftlmoplegia (65%). A acuidade visual estava diminuída em 60% dos casos. A localização tomográfica de lesão mais encontrada foi a apical, correspondendo a 40% dos casos. Todos os pacientes do estudo fizeram uso de corticóides sistêmicos, sendo que 65% dos casos obtiveram melhora do quadro clínico. Conclusão: A TC de órbitas é um exame complementar extremamente importante para a classificação do padrão das lesões, sendo considerada um item indispensável na seleção dos pacientes neste estudo. Constatou-se que a SIIO tem boa resposta terapêutica a corticoterapia, como mostra a literatura.

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P 144
ENOFTALMO BILATERAL PROGRESSIVO COMO PRIMEIRO SINAL DE CARCINOMA DE MAMA

Allan Christian Pieroni Gonçalves, Frederico Castelo Moura, Mario Luiz Ribeiro Monteiro
Universidade de São Paulo - São Paulo

Introdução: Enoftalmo progressivo na ausência de trauma, cirurgia ou processo inflamatório prévio é uma condição pouco comum. Enoftalmo bilateral progressivo e isolado é uma condição ainda mais incomum com poucos casos descritos na literatura. Relato do caso: Uma paciente de 51 anos procurou o serviço de Oftalmologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP com história de enoftalmo bilateral progressivo nos últimos 14 meses. Apresentava enoftalmo bilateral com medidas de exoftalmometria (Hertel) de 11mm em olho direito e 10mm em olho esquerdo, restrição da motilidade ocular extrínseca em todas posições do olhar e ceratopatia puntata bilateral. A tomografia computadorizada mostrava importante enoftalmo e uma massa homogênea, hiperdensa e infiltrativa preenchendo ambas as órbitas. A paciente foi encaminhada para investigação no serviço de ginecologia sendo feito o diagnóstico de carcinoma lobular de mama bilateral. Comentários conclusivos: O carcinoma mamário metastático de órbita deve ser incluído no diagnóstico diferencial do enoftalmo mesmo quando este ocorrer em ambas às órbitas.


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