PAINÉIS
Volume 66 - fascículo 4
Resumo dos Painéis do
XXXII Congresso Brasileiro de Oftalmologia

Esses resumos correspondem a trabalhos completos examinados e selecionados pela Comissão Científica do Conselho Brasileiro de Oftalmologia para apresentação, mas não passaram por análise editorial pelos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia

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CERATOPATIA DE EXPOSIÇÃO EM SÍNDROME DE PFEIFFER – RELATO DE CASO
Cristiano Eduardo Schneider, Priscila Greboge Prevedello, Ana Thereza Ramos Moreira, Artur Schmitt, Carlos Alberto Tedeschi
Universidade Federal do Paraná

Introdução: A morbidade ocular é freqüentemente severa em pacientes portadores de craniossinostose, pois apresentam um comprometimento da anatomia orbitária pelas deformidades causadas pelas precoces sinostoses acarretando desta forma proptose e anomalias corneanas. Relato do caso: O trabalho apresenta o caso de um paciente com síndrome de Pfeiffer com exoftalmia significativa e úlceras de córneas de difícil tratamento durante seus 50 dias de vida. Comentários conclusivos: O tratamento desses pacientes costuma ser difícil, complexo e exige uma equipe multidisciplinar. A participação dos oftalmologistas nesta equipe é de fundamental importância na restauração cosmética e funcional garantindo uma melhor qualidade de vida e aceitação do paciente na sociedade.

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P 074
DISPLASIA DÉRMICA CEREBELO TRIGEMINAL - RELATO DE UM CASO

Jane Chen, Eduardo Vitor Navajas, Flávio Hirai, Juliana Maria Ferraz Sallum, Luis Garcia Alonso
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Introdução: A displasia dérmica cerebelo trigeminal (OMIM 601853), também conhecida por síndrome de Gomez-Lopez-Hernandez (GLH), é uma síndrome neurocutânea rara que pode apresentar craniosinostose, ataxia, anestesia do trigêmeo, alopecia, anormalidades cerebelares, hipoplasia de face, opacidades corneanas, orelhas de implantação baixa, retardo mental e baixa estatura. Relato do caso: Apresentamos o caso de um paciente que apresenta as características clínicas desta síndrome e uma revisão dos 8 casos previamente descritos na literatura com enfoque para as alterações oftalmológicas. Comentários conclusivos: O paciente apresentava estrabismo convergente, analgesia do trigêmeo, opacidades corneanas e úlcera de córnea unilateral, além de outras alterações oculares. O paciente descrito no presente trabalho apresenta alterações oculares semelhantes às de casos descritos na literatura previamente.

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P 075
GENÉTICA E PREVENÇÃO DA CEGUEIRA - PERCEPÇÃO E CONDUTA DE OFTALMOLOGISTAS BRASILEIROS
Priscila Hae Hyun Rim, Luis Alberto Magna, Antonio Sérgio Ramalho
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - SP

Introdução: No Brasil e em outros países em desenvolvimento, as doenças genéticas já são diagnosticadas rotineiramente nas várias especialidades médicas, incluindo a Oftalmologia. O recente desenvolvimento científico e tecnológico tem ampliado significativamente o potencial preventivo e terapêutico do processo de aconselhamento genético no campo da Oftalmologia, sendo uma das suas aplicações mais evidentes a prevenção da cegueira. Objetivo: Verificar a percepção de oftalmologistas brasileiros em relação à contribuição da Genética em sua atuação médica rotineira, bem como a sua conduta frente a portadores de doenças hereditárias que necessitem de aconselhamento genético. Métodos: Duzentos oftalmologistas que atuam na região de Campinas, SP, Brasil (universidades e/ou clínicas particulares) foram convidados a participar de uma entrevista sobre o assunto. Aqueles que aceitaram os convite (36%), enviaram um questionário respondido, via correio. Resultados: A análise das respostas fornecidas demonstrou que, de um modo geral, os oftalmologistas entrevistados têm noções básicas de Genética e estão conscientes de sua importância na prevenção da cegueira. Na prática, no entanto, eles utilizam muito pouco a metodologia genética, incluindo o aconselhamento genético. Conclusões: Os conhecimentos de genética da grande maioria dos oftalmologistas brasileiros são incompletos e quase que inexplorados em seu potencial terapêutico e preventivo. Frente a isso, é muito importante que a metodologia genética seja discutida intensamente, de forma menos teórica e mais pragmática, no Brasil, bem como em outros países em desenvolvimento.

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P 076
SÍNDROME DE ROTHMUND-THOMSON - RELATO DE CASO
Virginia de Oliveira Ecard, Ruiz Simonato Alonso, Ricardo Vieira Alves, Rodrigo Brazuna, Simone Boghossian
Instituto Benjamin Constant - RJ

Introdução: Sindrome de Rothmund-Thomson (SRT) é uma sindrome genética autossômica recessiva, caracterizada por lesões cutâneas e esqueléticas assim como alta prevalência de osteossarcoma, podendo cursar com hipogonadismo, baixa estatura (nanismo), opacificação de cristalino (catarata juvenil bilateral), alteração de fâneros, bossa frontal, nariz em sela, prognatia e deformidades cranianas. O defeito genético é atribuído ao cromossomo 8 sendo responsável a mutação no gene humano RECQ4 por alguns casos de síndrome de Rothmund Thomson. Relato de caso: Paciente avaliado aos três meses de idade apresentando deformidades cranianas, baixa estatura, deformidades de membros, microftalmia bilateral e catarata bilateral. Apresentando história familiar com prováveis casos de SRT. Posteriormente foi encaminhada ao estudo genético e confirmada a doença. Discussão: Aproximadamente 200 casos relatados no mundo, com maior incidência no sexo feminino. Doença de baixa prevalência necessitando maior estudo para esclarecimento dos casos.

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P 077
RASTREAMENTO DE MUTAÇÕES NO GENE PITX2 EM PACIENTES COM ANOMALIA E SÍNDROME DE AXENFELD-RIEGER
Wener Cella, José Paulo Cabral de Vasconcellos, Mônica Barbosa de Melo, Dulcinéia Albuquerque, Vital Paulino Costa
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - SP

Introdução: A síndrome de Axenfeld-Rieger é um distúrbio autossômico dominante com heterogeneidade fenotípica caracterizada por malformações das estruturas do segmento anterior do olho, alterações ósseas faciais e involução da pele periumbilical. Associa-se em aproximadamente 50% dos casos a glaucoma de aparecimento precoce, principal fator de morbidade da síndrome. Até o momento, os genes PITX2 no cromossomo 4q25, FKHL7 no cromossomo 6p25 e PAX6 no cromossomo 11p13 estão envolvidos nos diferentes fenótipos da síndrome através de eventos mutacionais. Objetivo: Pesquisar mutações no gene PITX2 numa população brasileira, determinando se estas alterações são semelhantes às descritas na literatura e correlacionando o fenótipo dos pacientes à mutação encontrada. Pacientes e Métodos: Pacientes portadores da síndrome de Axenfeld-Rieger e seus familiares foram avaliados oftalmologicamente e submetidos à coleta de sangue periférico para extração de DNA. O DNA extraído foi seqüenciado para determinar mutações em regiões previamente amplificadas do gene PITX2. Resultados: Oito pacientes preencheram os critérios para inclusão neste estudo. Cinco indivíduos pertenciam ao sexo masculino e todos apresentavam diagnóstico de glaucoma. A AAR foi observada em 5 indivíduos e a SAR estava presente nos 3 pacientes restantes. Não foram encontradas alterações estruturais nas regiões analisadas. Conclusões: Nos pacientes brasileiros com AAR não foram observadas mutações no gene PITX2, sendo necessária à avaliação dos demais genes envolvidos nesta patologia.

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P 078
Parâmetros de fluxo ao ecodopper ocular no glaucoma de pressão normal

Alexandre Barbosa
Instituto Hilton Rocha / Hospital Madre Teresa - Belo Horizonte - MG

Objetivos: Descrever os parâmetros de fluxo verificados ao ecodoppler ocular em pacientes com glaucoma de pressão normal (GPN), comparando-os com pacientes normais. Discutir a importância da pesquisa de fluxo na compreensão da fisiopatologia da neuropatia óptica glaucomatosa. Foram estudados 20 pacientes com GPN, submetidos ao ecodoppler ocular para a pesquisa da perfusão em artérias oftálmica (AO), central da retina (ACR) e ciliares posteriores curtas (ACPC) nasal e temporal. Resultados: Os pacientes com GPN apresentaram parâmetros de fluxo sugestivos de aumento da resistência, especialmente aumento do índice de resistência (IR), em todos os vasos estudados, principalmente nas artérias ciliares posteriores curtas. Os pacientes com GPN apresentaram IR médios de 0,78, 0,72 e 0,70 nas AO, ACR e ACPC respectivamente, enquanto valores de 0,70, 0,60 e 0,62 foram observados nos pacientes normais. Um grupo específico de pacientes apresentou velocidades de fluxo intensamente diminuídas, com preservação dos valores normais do IR. Dois pacientes com lesão assimétrica apresentaram medidas de IR assimétricas, que se correlacionaram com a intensidade da lesão. Dois pacientes apresentaram fluxo indetectável em artéria oftálmica provavelmente por variação anatômica dessa artéria, com artérias ciliares posteriores presentes e de origem distinta. Conclusões: O presente trabalho demonstra alterações nítidas da perfusão em pacientes com GPN e reforça o conceito de que a hipoperfusão pode contribuir para o estabelecimento e progressão da neuropatia óptica glaucomatosa. A determinação dos parâmetros de fluxo no glaucoma, especificamente o de pressão normal, pode ser útil na abordagem desses pacientes, especialmente como critério para a definição da pressão alvo.

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P 079
ANÁLISE HISTOPATOLÓGICA DA CONJUNTIVA DE PACIENTES EM USO DO BIMATOPROST 0,03%
Bruno Campelo Leal, Fabrício Witzel Medeiros, Felipe Andrade Medeiros, Ruth Miyuki Santo, Remo Susanna Junior
Universidade de São Paulo – São Paulo

Objetivo: No presente estudo nós analisamos, histologicamente, espécimes conjuntivais de pacientes que apresentavam hiperemia com uso de bimatoprost e comparamos com grupo controle. Materiais e métodos: Pacientes com indicação de facectomia foram incluídos prospectivamente e divididos em dois grupos. O primeiro grupo era formado por pacientes com suspeita/diagnóstico de glaucoma ou hipertensos oculares e que desenvolveram hiperemia conjuntival com uso do bimatoprost. O segundo grupo foi formado por pacientes normais. Os olhos foram classificados de acordo com o grau de hiperemia e após a cirurgia os espécimes conjuntivais excisados foram processados para análise histopatológica. Resultados: Quinze pacientes foram incluídos no estudo, 9 no grupo estudo e 6 no grupo controle, sendo 6 indivíduos do sexo masculino e 9 do sexo feminino com média de idade semelhante entre os grupos. No estudo encontramos 2 pacientes (22,2%) com hiperemia moderada e sinais de resposta inflamatória moderada, mostrando infiltrado mononuclear leve na substância própria e marginação de células polimorfonucleares. No controle também foram encontrados 2 pacientes (33,3%) com sinais de resposta inflamatória, apresentando marginação de polimorfonucleares, fenômeno de diapedese e infiltrado polimorfonuclear e/ou mononuclear. Congestão vascular foi o achado mais freqüente observado em ambos os grupos (12 pacientes - 80%). Em um paciente de cada grupo não foram encontrados vasos no espécime conjuntival. Conclusão: Em nosso estudo concluímos que a hiperemia conjuntival associada ao uso do bimatoprost não foi associada com processos inflamatórios a histopatologia. Porém, outros estudos são necessários verificando a presença de resposta inflamatória em casos mais severos de hiperemia ou em pacientes com períodos maiores de uso da droga.

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P 080
RELAÇÃO ESCAVAÇÃO/DISCO SIMÉTRICA E AUMENTADA EM PACIENTE SEM GLAUCOMA – RELATO DE CASO
Camila Haydée Rosas Salaroli, Anderson Gustavo Teixeira Pinto, Suel Abujamra, Alexandre Tomio Umino
Universidade de Santo Amaro - São Paulo - SP

Introdução: A escavação da papila inexiste em 25% dos indivíduos normais. Nos 75% restantes, há uma escavação fisiológica que pode alcançar até o nível da lâmina crivosa. Uma relação escavação/disco (E/D) maior que 0,3 ocorre em 82% da população glaucomatosa e em apenas 18% da população normal. Uma escavação de 0,7 ocorre em somente 5% da população normal. O objetivo deste trabalho é relatar o caso de uma paciente sem glaucoma com relação E/D simétrica e aumentada em acompanhamento ambulatorial durante 10 anos pela Disciplina de Oftalmologia da Universidade de Santo Amaro. Relato do caso: APS, feminino, parda, 43 anos, veio encaminhada para exame de rotina oftalmológico. Ao exame apresentava: acuidade visual sem correção 20/20 em ambos os olhos (A0), sem alterações biomicroscópicas. A pressão intra-ocular (PO) era de 20mmHg AO, com escavação 0,8x0,8 AO, simétrica. A curva tensional diária revelou PO média de 20mmHg AO e campo visual normal. Foi introduzido colírio de maleato de timolol 0,5%, o qual foi usado por 14 meses. Visto a manutenção do quadro oftalmológico, foi suspensa a medicação. Nos 8 anos subseqüentes o quadro permaneceu inalterado, comprovado pela perimetria azul-amarelo e tomografia de coerência óptica que asseguraram ausência de alterações glaucomatosas. Comentário conclusivo: Para diagnosticar a doença glaucomatosa é necessário um exame oftalmológico meticuloso com a interpretação de um conjunto de alterações oculares e não apenas de um dado isolado como uma relação E/D ampla, já que em casos como o descrito neste trabalho, pode-se deparar com uma raridade estatística.

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P 081
EFEITO DO BIMATOPROST, LATANOPROST, TRAVOPROST E UNOPROSTONA NA PRESSÃO INTRA-OCULAR E NO FLUXO SANGÜÍNEO OCULAR
Carlos Rubens de Figueiredo, Emílio Rintaro Suzuki Junior, Bruno Pimentel de Figueiredo, Wagner Duarte Batista, João Agostini Netto
Santa Casa de Belo Horizonte - MG

Objetivo: Comparar o efeito do bimatoprost, latanoprost, travoprost e unoprostona na pressão intra-ocular e no fluxo sangüíneo ocular. Material e Método: Estudo prospectivo, randomizado, com 92 pacientes glaucomatosos ou hipertensos oculares sem tratamento prévio ou cirurgia intra-ocular. Pressão intra-ocular (Po), volume do pulso (VP), freqüência do pulso (FP) e fluxo sangüíneo ocular (FSO) foram avaliados com o medidor de fluxo sangüíneo (OBF laboratories, UK Ltda). Os pacientes eram randomizados a utilizar por 3 meses o bimatoprost 0,03% ou latanoprost 0,005% ou travoprost uma vez ao dia ou unoprostona 0,12% duas vezes ao dia. Po, PV, PR e FSO foram medidos às 11:00 horas tanto no início quanto no final de 3 meses. Resultados: Bimatoprost e travoprost reduziram a Po em 7,2 mmHg (29%), latanoprost 6,9 mmHg (27%) e unoprostona 1,6 mmHg (7%). Bimatoprost aumentou o PV em 1,7 µl (29%), latanoprost 1,2 µl (20%), travoprost 2,3 µl (31%) e unoprostona 0,4 µl (8%). Não houve mudança significativa na FP. Bimatoprost aumentou o FSO em 4,3 µl/s (29%), latanoprost 3,2 µl/s (21%), travoprost 6,2 µl/s (33%) e unoprostona 1,0 µl/s (8%). Conclusão: Bimatoprost, latanoprost e travoprost foram significativamente mais eficazes na redução da Po que a unoprostona. Travoprost foi mais eficiente em aumento médio do VP que o latanoprost e a unoprostona. Travoprost foi significativamente mais eficiente em aumentar o FSO que o bimatoprost, latanoprost e unoprostona.

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P 082
PERFIL DOS PACIENTES GLAUCOMATOSOS ATENDIDOS NO AMBULATÓRIO DE GLAUCOMA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Enyr Saran Arcieri, Rafael Saran Arcieri, Greice Hellen de Jesus Mourão, Magda Sena Jamel Edin, Sandra Batista de Queiroz, Flávio Jaime Rocha
Universidade Federal de Uberlândia – MG

Objetivo: Avaliar o perfil dos pacientes portadores de glaucoma acompanhados no Ambulatório de Glaucoma do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia. Material e Métodos: No período de fevereiro a maio de 2002, 150 pacientes foram submetidos a uma pesquisa em forma de questionário com perguntas pré-formuladas, abordando questões relacionadas a: sexo, idade, raça, tempo de diagnóstico, conhecimento sobre a patologia, familiares com glaucoma, cegueira na família, uso de medicamentos para glaucoma, patologias associadas, renda familiar, gasto com medicamentos e necessidade de cirurgia para controle do glaucoma. Resultados: Foram entrevistados 66 homens (44%) e 84 mulheres (56%), com média de idade de 56,31 ± 17,14 anos e 51,13 ± 16,48 anos, respectivamente. A raça predominante foi a branca (52%). Dezessete pacientes (11,3%) não sabiam que o glaucoma pode levar a cegueira e 85 (56,7%) não sabiam explicar o que entendiam por glaucoma. Cento e trinta e seis pacientes (90,6%) estavam em uso de terapia medicamentosa, com 109 (80,1%) sabendo o nome da medicação utilizada. Além do glaucoma, 136 pacientes (90,6%) apresentavam outra patologia. O gasto médio mensal com a medicação antiglaucomatosa correspondeu em média a 14,5% da renda, enquanto o gasto total médio com medicação foi responsável pelo comprometimento de 24,7% da renda. Quarenta pacientes foram submetidos a cirurgia antiglaucomatosa por motivos sociais. Conclusão: Para aumentar a aderência ao tratamento, tentando evitar a progressão da doença, é necessário uma maior informação do paciente bem como melhorar o acesso aos medicamentos utilizados por parte da população de baixa renda.

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P 083
Síndrome Papilo Renal

Fábio Nishimura Kanadani, Felício Aristóteles da Silva, Edílson Krüger Leite, Guilherme Oliveira Thiebaut, Wagner Duarte Batista
Santa Casa de Belo Horizonte - MG

Objetivo: Descrever os achados oculares e renais em um paciente portador desta rara síndrome hereditária, chamando a atenção para o diagnóstico diferencial das alterações do disco óptico. Métodos: Relato do caso de um paciente de 23 anos, masculino, portador de IRC há cinco anos. Descrição do exame oftalmológico, retinografia, campo visual computadorizado (CVC), ultra-sonografia (Eco B), eletrorretinografia (ERG), potencial visual evocado (PVE), tomografia de coerência óptica (TCO), Doppler das artérias renal e oftálmica. Resultados: AV corrigida 20/80 no OD e 20/20 no OE; esotropia do OD e hiperfunção de +2 do RMD. Biomicroscopia sem alterações. A Po foi de 13mmHg em AO. Disco óptico estava aumentado, amplas escavações, ausência dos vasos centrais, arteríolas e vênulas fazendo uma deflexão e emergindo próximo à sua margem. O CVC mostrou escotomas absolutos e relativos centrais e inferiores no OD e nasais inferiores no OE. O ERG mostrou potenciais normais com onda-A e B de formas e amplitudes normais. O estímulo no formato padrão reverso (Pattern reversal) do PVE mostrou ondas irregulares, não captáveis. Já o estímulo Flicker 2 Hz mostrou um traçado pouco significativo em ambos os olhos com certa condução óptica. A TCO confirmou o aumento da área do disco óptico mais marcante no OE e uma diminuição na espessura da camada de fibras nervosas da retina difusa e mais marcante no OD e discreta no setor inferior do OE. O Doppler apresentou uma diminuição expressiva do fluxo sangüíneo na artéria renal e alta resistência bilateralmente. Havia uma anastomose com a artéria ciliar posterior curta em AO. Conclusão: O conhecimento das alterações do disco óptico nesta rara síndrome é fundamental para encaminhar a propedêutica complementar da maneira mais objetiva possível a fim de permitir sua correta identificação.

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P 084
Assimetria de escavação de papila associada à enxaqueca
Fábio Petersen Saraiva, Patrícia Grativol Costa, Mário Luiz Ribeiro Monteiro, Remo Susanna Junior, Roberto Freire Santiago Malta
Universidade de São Paulo - São Paulo

Introdução: Enxaqueca é uma causa comum de diversos distúrbios visuais, e o vasoespasmo é um mecanismo controverso em sua fisiopatologia. Este é um relato de caso de uma paciente que sofre de episódios recorrentes de enxaqueca de forte intensidade e apresenta uma escavação assimétrica de papila. Relato de Caso: Paciente de 37 anos refere episódios de enxaqueca associada às crises de diplopia e um episódio transitório de oftalmoplegia e ptose à esquerda. Apresentava acuidade visual de 20/20 em ambos os olhos, pupila esquerda não reagente a luz e ao fundo de olho, uma escavação de 0,3 x 0,3 no olho direito e 0,6 x 0,6 no olho esquerdo com palidez temporal. A curva tensional e a paquimetria não apresentavam alterações. Até a presente data, a paciente está em seguimento sem medicação, devido à possibilidade do aumento da escavação no olho esquerdo ter relação com os fenômenos vasoespásticos sofridos pela paciente. Comentários conclusivos: Vasoespasmo é uma constricção inapropriada dos vasos de pequeno calibre, podendo ser precipitado por hemorragia, frio, estresse emocional e outros. Manifestações oculares do vasoespasmo incluem alteração de vasos conjuntivais, edema de córnea, oclusão de artéria e veia de retina, isquemia coroidal, amaurose fugaz, neuropatia óptica isquêmica anterior, glaucoma e oftalmoplegia. Vasoespasmos recorrentes no olho, em alguns casos, podem levar a danos estruturais, com escavação do disco óptico. Este relato mostra o caso de uma paciente com episódios recorrentes de enxaqueca e escavação assimétrica. Concluímos que os fenômenos vasoespásticos, associados à enxaqueca, podem estar relacionados ao aumento da escavação do disco óptico esquerdo desta paciente.

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P 085
AVALIAÇÃO VIDEOCERATOSCÓPICA DO ASTIGMATISMO INDUZIDO PELA TRABECULECTOMIA E CORRELAÇÃO COM A PRESSÃO INTRA-OCULAR
Homero Miranda II, João Baptista Nigro Santiago Malta, Renato Klingelfus Pinheiro, Fabiana Amorim, Ricardo Nunes Eliezer
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo

Objetivo: Avaliar o astigmatismo corneal induzido pela trabeculectomia e correlacioná-lo com a pressão intra-ocular. Material e Métodos: Estudo prospectivo de 25 olhos glaucomatosos refratários ao tratamento clínico que foram submetidos a trabeculectomia, com seguimento pós-operatório de 2 meses sendo avaliada a pressão intra-ocular (tonometria de aplanação), ceratometria média (km) e astigmatismo corneal central (topografia de córnea). Resultados: As diferenças das médias das pressões intra-oculares pré e pós-operatórias foram significantes (p<0,004) em todas as análises. A análise isolada das médias do astigmatismo corneal induzido após a trabeculectomia não foram significantes (p>0,05). A correlação entre PIO e astigmatismo corneal foi significante no primeiro dia pós-cirúrgico. Conclusão: A baixa pressão intra-ocular (< 6 mmHg) obtida com a trabeculectomia pode causar aumento do astigmatismo corneal.

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P 086
Descrição de uma família com síndrome de displasia óculo-dento-digital e glaucoma

José Paulo Cabral de Vasconcellos, Rui Barroso Schimiti, Norisvaldo César Bressanim, Mônica Barbosa de Melo, Vital Paulino Costa
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - SP

Introdução: A síndrome de displasia oculodentodigital (SDODD) é uma entidade rara, e tem como características alterações dismórficas oculares, faciais, dentárias, ósseas e neurodegenerativas. O glaucoma está incluído nas alterações oculares, podendo manifestar-se como ângulo aberto, estreito ou de desenvolvimento. Relato de Caso: Uma família de três gerações (13 indivíduos) com SDODD apresentando padrão autossômico dominante de herança. Os membros desta família mostravam alterações dentárias (implantação anômala, hipoplasia do esmalte), digitais (sindactilia dos dedos dos pés e das mãos) e microcórnea. Além disto, dois membros (2ª geração) desenvolveram glaucoma (ângulo aberto e estreito) e uma hipertensão ocular (ângulo oclusível). Os demais membros da terceira geração não apresentavam sinais de glaucoma sendo que o indivíduo mais velho desta tinha 22 anos de idade, porém, todos mostravam alterações dentárias, ósseas e microcórnea. Comentários conclusivos: O glaucoma manifestou-se em dois indivíduos e um cursava com hipertensão ocular. As formas de glaucoma presente nesta família variaram de ângulo aberto até ângulo estreito sendo que uma criança apresentava inserção alta de íris.

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P 087
ESTUDO COMPARATIVO DO TESTE DE SOBRECARGA HÍDRICA (PROVA D´ÁGUA) EM PACIENTES EM USO DE TIMOLOL 0,5% VERSUS TERAPIA COMBINADA DE TIMOLOL 0,5% E PILOCARPINA 2%
Júlice Caroline Soares de Lima Silva, Joelma Jullyanne Coelho Vieira, Ana Márcia de Amorim Almeida, Marize Maria Magalhães Dantas de Oliveira, Luís Renan Canuto Lima
Universidade Federal de Alagoas

Objetivo: Comparar o efeito do teste de sobrecarga hídrica (Prova d´água) em pacientes com glaucoma em uso de timolol 0,5% em monoterapia e em uso de terapia combinada de timolol 0,5% e pilocarpina 2%. Material e Métodos: A amostra constou de 20 pacientes (40 olhos) atendidos no Ambulatório de Oftalmologia do Hospital Universitário de Alagoas em uso de timolol 0,5% em monoterapia (Grupo 1) ou em terapia combinada de timolol 0,5% e pilocarpina 2% (Grupo 2) que atendiam aos critérios de inclusão. Realizamos o teste de sobrecarga hídrica em nesses pacientes, com a medida da pressão intra-ocular basal (em jejum), e em seguida solicitamos que ingerissem 1 litro de água em 5 minutos. Aferimos a pressão 15, 30 e 45 minutos após a ingestão de água. Resultados: A pressão basal média foi de 16,75 ± 2,13 mmHg no grupo 1 e 17 ± 1,45 mmHg no grupo 2. A pressão máxima observada no grupo 1 foi de 21,1 ± 2,77 mmHg e 21,3 ± 3,55 mmHg no grupo 2. A variação de pressão dos pacientes em uso de timolol foi 4,35 ± 1,92 mmHg e 4,3 ± 2,62 mmHg naqueles em uso de timolol e pilocarpina, não havendo diferença estatisticamente significativa entre os grupos. Conclusão: Não observamos diferença estatisticamente significativa em relação às pressões basal e máxima, bem como na variação entre os pacientes em uso de timolol como monoterapia e em terapia combinada de timolol e pilocarpina, sugerindo que ambos reduzem a pressão intra-ocular aos mesmos níveis nos grupos de pacientes glaucomatosos estudados.

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P 088
EFEITO DE APRENDIZADO EM PERIMETRIA DE FREQUÊNCIA DUPLA

Larissa Magosso, Filipe Brandão Accioly de Gusmão, Rodrigo Barbosa Lobo, Augusto Paranhos Junior
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Objetivo: Avaliar o aprendizado na perimetria de frequência dupla (FDT) em pacientes com glaucoma não submetidos a FDT prévio. Pacientes e Métodos: 19 pacientes foram submetidos ao exame de FDT. Foram incluídos pacientes que nunca haviam realizado o exame anteriormente, não possuíam nenhum impedimento para a realização do exame e com acuidade visual corrigida maior ou igual a 20/60 no melhor olho. Os pacientes foram distribuídos em dois grupos e submetidos aos exames de FDT no melhor olho com intervalo de uma hora entre os testes, através da seguinte programação: Grupo A (n=10): 1º teste (A1) - screening C20-1; 2º teste (A2) – Full threshold C20; 3º teste (A3) Full threshold C20; Grupo B (n=9): 1º teste (B1) – Full Threshold C20; 2º teste (B2) – Full threshold C20; 3º teste (B3) – Full threshold C20. Considerando-se o desvio médio (MD) e o desvio padrão (PSD), os valores em cada grupo (A2xA3 e B1xB3) e entre os grupos (A3-A2 x B3-B1) foram comparados, utilizando-se teste T pareado e não pareado, respectivamente. O teste Kappa foi utilizado para avaliar a concordância de áreas significantes entre os grupos. Resultados: Não houve diferença estatística quando comparamos MD e PSD em cada grupo separadamente: MD Grupo A: -0,063dB (0,915, p>0,05; Grupo B: -1,98dB (3,77, p>0,05 e PSD Grupo A: 0,851dB (2,178, p>0,05; Grupo B: 0,750dB (2,762, p>0,05. Comparando-se os dois grupos (MD (A3-A2 x (B3-B1), o grupo A apresentou menor variação em relação ao grupo B, porém sem alcançar significância estatística (Grupo A: 0,063dB (0,915; Grupo B: 1,98dB (3,77, p>0,05). A concordância de áreas significantes foi maior no grupo A (Kappa=0,80; p=0,0049) se comparado ao Grupo B (Kappa=0,78, p=0,0082). Conclusão: A realização de um teste de "screening" antes do teste "full threshold" pode melhorar o efeito de aprendizado na perimetria de frequência dupla.

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P 089
Discriminação Entre Olhos Normais e Glaucomatosos Através do Topógrafo de Disco Óptico
Leopoldo Magacho, Ana Maria Marcondes, Vital Paulino Costa
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - SP/ Universidade Federal de Goiás

Objetivo: Avaliar a capacidade do topógrafo de disco óptico (TOPSS) de discriminar entre olhos normais e glaucomatosos. Material e Métodos: Cento e doze pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto e 88 indivíduos normais foram incluídos no estudo. Todos os participantes foram submetidos a exame oftalmológico completo, exame de campo visual Humphrey, estratégia 24-2 full threshold, e um exame do TOPSS. Pontos de corte foram selecionados, curvas ROC criadas, e a sensibilidade (Se) e especificidade (Es) para cada parâmetro individual do TOPSS foram calculadas. Finalmente, a análise regressiva logística multivariada foi utilizada para obter a melhor relação Se/Es no diagnóstico do glaucoma. Resultados: Os parâmetros isolados do TOPSS com melhor relação Se/Es foram: "average disc diameter" (Se: 64,3%, Es: 88,6%), "total disc area" (Se: 84,8%, Es: 65,9%) e "cup area" (Se: 68,8%, Es: 85,2%). A análise multivariada resultou em uma área abaixo da curva ROC de 0,96 (Se: 85%, Es: 95%). Conclusões: A utilização da análise multivariada proposta pode aumentar a capacidade do TOPSS de diferenciar entre olhos normais e glaucomatosos, com alta sensibilidade e especificidade.

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P 090
Correlação Entre o Topógrafo de Disco Óptico (TOPSS) e Índices do Campo Visual

Leopoldo Magacho, Ana Maria Marcondes, Vital Paulino Costa
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) SP / Universidade de Goiás

Objetivo: Avaliar a correlação entre os parâmetros do topógrafo de disco optico (TOPSS) e índices da perimetria computadorizada. Material e Métodos: Cento e doze pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto e 88 indivíduos normais foram incluídos no estudo. Todos os indivíduos foram submetidos ao exame oftalmológico completo, perimetria computadorizada (Humphrey 24-2, Full Threshold), avaliando-se Mean Deviation (MD) e Correct Pattern Standard Deviation (CPSD) e exame com TOPSS (average disc diameter, total disc area, cup area, cup shape, cup volume, average cup depth, average disc depth, neuroretinal rim (NRR) volume, NRR area, cup/disc area ratio, horizontal cup/disc ratio e vertical cup/disc ratio). A comparação entre os grupos foi realizada utilizando-se o Teste U de Mann-Whitney ou o Teste T de Student Independente. A correlação entre cada parâmetro do TOPSS e os índices do campo visual foi verificada utilizando-se a correlação de Spearman. Resultados: Os parâmetros do TOPSS que apresentaram as correlações mais significativas com os índices de campo visual foram: Cup Area (MD: r= -0,538, p<0,001; CPSD: r= 0,512, p<0,001), Vertical C/D Ratio (MD: r= -0,506, p<0,001; CPSD: r= 0,483, p<0,001) e Cup/Disc Area Ratio (MD: r= -0,458, p<0,001; CPSD: r= 0,453, p<0,001). Entretanto, houve importante variabilidade desses parâmetros em diferentes níveis de dano glaucomatoso, representados pelo MD e CPSD. Conclusões: As variáveis do TOPSS apresentam, no geral, correlação satisfatória com os índices do campo visual. Apesar de alguns desses parâmetros apresentarem correlação altamente significativa, existe grande variabilidade dos parâmetros estruturais para um mesmo nível de dano funcional, limitando a utilização isolada de parâmetros estruturais derivados do TOPSS no diagnóstico do glaucoma. 

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P 091
Relação da Espessura Corneana Com a Pressão Intra-ocular, Sexo e Faixa Etária
Luciana Meirelles Franklin, Roberto Penido, Fábio Nishimura Kanadani, Carlos Rubens Figueiredo, Wagner Duarte Batista
Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte - MG

Introdução: Atualmente o glaucoma é considerado como uma neuropatia óptica em que a Po é o seu maior fator de risco, mas não a única causa. Este estudo tem o objetivo de analisar a variação da espessura central da córnea com a pressão intra-ocular, faixa etária e sexo em uma população sem patologias oculares conhecidas. Materiais e métodos: Realizado um estudo prospectivo observacional em 214 pacientes de 5 a 83 anos. Em cada um deles foi medida a pressão intra-ocular (tonômetro de Goldmann) e espessura corneana central (paquímetro ultra-sônico Topcon P.G.H.). O teste t-Student foi utilizado para verificar a existência de diferença estatisticamente significativa entre a espessura da córnea de homens e mulheres. O coeficiente de correlação de Pearson e o modelo de regressão linear foram utilizados para verificar a existência de correlação significativa entre a espessura da córnea e a idade e pressão intra-ocular dos indivíduos estudados. Resultados: Dos 214 pacientes, 123 (57,5%) eram do sexo feminino e 91 (42,5%) do masculino. A média da idade foi de 43,9 anos (5 aos 83). A espessura corneana central média foi de 550,1µm (dp=38,6µm) e a pressão intra-ocular média foi de 13,6mmHg (dp=2,8). Os homens apresentaram uma espessura corneana central estatisticamente significativa (p=0,016) maior que as mulheres. Encontramos uma relação negativa entre a espessura corneana com a idade (r= -0,153 e p=0,025), ou seja, há uma diminuição da espessura corneana central com o aumento da idade. Conclusão: No nosso estudo podemos observar que a espessura central média da córnea dos homens é significamente maior que a das mulheres e para cada aumento de 10 anos na idade da população estudada observou-se uma diminuição de 3µ na espessura da córnea.

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P 092
INFLUÊNCIA DA ESPESSURA CORNEAL CENTRAL SOBRE A MEDIDA DA PRESSÃO INTRA-OCULAR COM OS TONÔMETROS DE GOLDMANN E DE NÃO-CONTATO
Maurício Della Paolera, Cristiano Caixeta-Umbelino, Roberta Pereira de Almeida Manzano, Ricardo Nunes Eliezer, Renato Klingelfus Pinheiro, Luis Otávio Guarniere
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - SP

Objetivo: Verificar a eventual influência da espessura corneal central (ECC) em olhos normais de adultos, sobre a medida da pressão intra-ocular (PIO) pelo tonômetro de Goldmann e pelo tonômetro de não-contato. Método: Analisou-se 101 olhos (45% homens, 55% mulheres), divididos em quatro grupos, sendo analisado porém, os extremos (1º quartil: 25% dos olhos com menores ECC, 4º quartil: 25% dos olhos com maiores ECC). Foi feito ajuste de curvas para cada quartil a fim, de obter uma expressão matemática linear que possibilitasse ser realizada correção entre os dois métodos de tonometria. Resultados: Não houve diferença estatisticamente significante entre as medidas das pressões intra-oculares obtidas pelo tonômetro de Goldmann e pelo tonômetro de não contato em córnea finas (1º quartil), assim como tendência a superestimar a pressão intra-ocular quando utilizando o tonômetro de não-contato em córneas espessas (4º quartil). Conclusão: O tonômetro de não-contato é aplicável e confiável na clínica oftalmológica, pois a influencia da espessura corneal central, desde que compreendida entre 0,445 e 0,620mm, não é estatisticamente significante na medida da pressão intra-ocular.

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P 093
RESSECÇÃO DE BOLHA GIGANTE APÓS TRABECULECTOMIA COM MITOMICINA-C - rELATO DE CASO

Marco Antonio Pires Melo, Danielle Starlling Valle Salles, Luis Alberto Soares de Melo Junior, Paulo Augusto de Arruda Mello
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Objetivo: Relato de caso de um paciente que foi submetido à redução de bolha gigante, sintomática, após trabeculectomia (TREC) com mitomicina C realizada há três anos. Relato de Caso: Paciente de 53 anos, branco, apresentava bolha filtrante gigante três anos após a realização de cirurgia combinada de facectomia sem implante de lente intra-ocular e TREC com mitomicina-C. O paciente queixava-se de dor ocular e do aspecto estético do olho. O exame do olho direito apresentava retração palpebral, exotropia de aproximadamente 60D, exoftalmometria de 29 mm (9 mm maior que no olho contralateral), aumento do comprimento axial (32 mm) ao exame ultra-sonográfico transpalpebral. Apesar da pressão ocular (Po) estar controlada e da doença glaucomatosa estar em estágio bastante avançado, decidimos pela ressecção da bolha, uma vez que o controle clínico dos sintomas não foi alcançado. A Po manteve-se estável após um mês de cirurgia (12 mmHg às 10h) e uma pequena bolha superior estava presente. Houve redução da medida da exoftalmometria em 8 mm e o paciente não mais apresentava retração palpebral. Também houve redução da exotropia em aproximadamente 20D. Os exames laboratoriais revelaram a presença de líquido eosinofílico e tecido conjuntival de aspecto normal. Conclusão: O tratamento cirúrgico da bolha gigante se mostrou efetivo em eliminar os sintomas, melhorar o aspecto estético ocular, além de não levar a diminuição da acuidade visual ou ao descontrole da Po. 

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P 094
TRABECULECTOMIAS - AVALIAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS REALIZADOS NA FUNDAÇÃO ALTINO VENTURA

Maria Cecília de Aguiar Remigio, Cecília Sales Pires, Danielle Lima, Márcia Trovão, Hellman Dantas
Fundação Altino Ventura - Recife - PE

Objetivos: Avaliar as indicações e os resultados obtidos nas trabeculectomias realizadas na Fundação Altino Ventura (FAV). Materiais e Métodos: Analisaram-se os resultados de 58 trabeculectomias realizadas na FAV no período de janeiro a julho de 2002. Quanto ao tipo de glaucoma: 35 - primário de ângulo aberto; 6 - primário de ângulo fechado e 17 - secundário. A relação escavação-disco em 37 pacientes foi de 0,9-total. Resultados: Em 12 pacientes (20,7%), a indicação foi por falta de condições financeiras para custear o tratamento clínico. A acuidade visual pós-operatória melhorou ou manteve-se preservada em 29,3% e piorou em 36,2%. Houve uma redução média de 12mmHg na pressão intra-ocular dos pacientes. Comentários: A freqüência dos tipos de glaucoma dos pacientes incluídos no estudo foi similar a de outras séries. A baixa renda mensal da população atendida pelo sistema único de saúde e a não assistência por parte da administração pública impossibilita a continuação do tratamento clínico do glaucoma em muitos pacientes, o que resulta em uma indicação precoce do procedimento cirúrgico – trabeculectomia social. Conclusões: A indicação cirúrgica por baixa renda (trabeculectomia social) foi significante. A trabeculectomia reduziu a pressão intra-ocular satisfatoriamente e promoveu a sua estabilidade em curto prazo.

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P 095
Comparação entre a Correção Cilíndrica Total e o Equivalente Esférico na realização da Perimetria Computadorizada

Maurício Della Paolera, Marcela Colussi Cypel-Gomes, Ricardo Nunes Eliezer, Renato Kingleufus Pinheiro, Niro Kasahara, Cristiano Caixeta-Umbelino
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - SP

Objetivo: Verificar a existência de diferença estatisticamente significativa entre exames de campimetria computadorizada, realizados com a utilização da correção total e do equivalente esférico, em pacientes com ametropia cilíndrica de valores iguais ou maiores que 1,50 dioptrias. Material e Método: Vinte pacientes (35 olhos) foram submetidos a exame de campo visual, perimetria computadorizada Humphrey - estratégia SITA 24-2, usando em um exame a correção total e em outro o equivalente esférico. Foram utilizados como parâmetros de comparação os valores do Mean Deviation, Pattern Standard Deviation, perdas de fixação, falsos positivos, falsos negativos e duração dos exames. Resultados: Os parâmetros Mean Deviation, Standard Pattern Deviation, falsos positivos, falsos negativos e duração do exame não apresentaram diferença estatisticamente significativa. A perda de fixação foi maior no grupo usando correção cilíndrica total, dado estatisticamente significante. Conclusão: Exames de campo visual realizados com equivalente esférico não mostram diferença na sensibilidade retínica quando comparados com o uso de correção cilíndrica total, dentro dos padrões adotados neste estudo.

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P 096
Avaliação da pressão intra-ocular e estudo anatomopatológico após vácuo do anel de microcerátomo nos olhos de coelhos

Maurício Della Paolera, Cristiano Caixeta-Umbelino, Niro Kasahara, Ricardo Nunes Eliezer, Renato Klingelfus Pinheiro
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - SP

Introdução: Muitos pacientes com glaucoma crônico e acuidade visual nula, têm dor refratária a tratamento clínico, tendo indicação de evisceração. Visando procedimentos alternativos a esta operação, outros tratamentos menos invasivos têm sido propostos. Objetivo: Avaliar a PIO em olhos de coelhos submetidos ao vácuo do anel de microcerátomo e investigar possíveis alterações anatomopatológicas e intra-oculares causadas por essa manobra. Material e Método: Foram utilizados 19 coelhos machos da raça Nova-Zelândia, com o olho direito submetidos ao anel de vácuo do microcerátomo e olhos esquerdos como controles. Mediram-se as PIOs de ambos os olhos antes, durante, logo após e 15 dias após a aplicação do vácuo. Depois da última mensuração, enuclearam-se os olhos para análise anatomopatológica. Resultado: Houve diminuição efetiva da PIO nos olhos submetidos ao vácuo. Não houve diferença anatomopatológica entre os olhos submetidos ao vácuo e os controles. Comentários: Com base nos resultados, propõe-se nova alternativa para tratamento não-invasivo em pacientes com glaucoma absoluto refratários ao tratamento clínico.

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P 097
IMPORTÂNCIA DA PERIMETRIA DE DUPLA FREQUÊNCIA NA DETECÇÃO DE GLAUCOMA PRIMÁRIO DE ÂNGULO ABERTO - RASTREAMENTO EM FUNCIONÁRIOS DE HOSPITAL PÚBLICO NUMA ÁREA URBANA DE SÃO PAULO

Geraldo Vicente de Almeida, Niro Kasahara, Cristiano Caixeta-Umbelino,Carmo Mandia Júnior, Maurício Della Paolera, Paula Boturão de Almeida, Francisco Soares Seixas, Ricardo Nunes Eliezer, Renato Kingleufus Pinheiro, Mauricio Flank, Eduardo Villaça Filho, Ralph Cohen
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - SP

Objetivo: Estudar a prevalência de GPAA, em funcionários da Santa Casa de S.Paulo e analisar a validade da inclusão da perimetria de dupla frequência junto a tonometria de não contato e fundoscopia direta, em triagens para GPAA. Material e Método: Foram examinados 612 funcionários voluntários, 71,57% mulheres, com idade média de 45,05 ± 7,7 anos. Eram 437 brancos, 104 pardos, 43 da raça negra e 28 da amarela. Todos os funcionários tiveram ambos os olhos examinados, conforme a rotina seguinte: perimetria de dupla freqüência (FDP), oftalmoscopia direta (FO), tonometria de não contato (TNC). Resultados: Dos 612 indivíduos triados, 159 (25,98%) preencheram os critérios de inclusão. Desses: 5 (3,14%) tinham TNC+; 13 (8,17%) FO+; 110 (69,18%) FDP+; 8 (5,03%) TNC+ e FO+; 10 (6,28%) TNC+ e FDP+; 9 (5,66%) FO+ e FDP+; 4 (2,51%) TNC+, FO+ e FDP+. Foram detectados 12 (1,96%) indivíduos com glaucoma, quatro dos quais (0,65%), com glaucoma de pressão normal. Discussão: Estudos recentes demonstraram boa sensibilidade e especificidade do FDT na detecção de dano glaucomatoso. No presente estudo, 110 (17,8%) funcionários foram considerados suspeitos exclusivamente pelo FDT. Dos 105 que compareceram, no reteste, 50 (47,6%) foram considerados normais. Dos 55 indivíduos cuja segunda avaliação pelo FDT confirmou o defeito, 31 (56,4%) tiveram exame normal com a perimetria acromática. Do total de 12 indivíduos que tiveram o diagnóstico de glaucoma na campanha, 5 (41,6%) deles não teriam sido detectados se não tivessem sido submetidos ao FDT.

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P 098
PERFIL DO PACIENTE GLAUCOMATOSO ATENDIDO NO AMBULATÓRIO ESCOLA DA FACULDADE DE MEDICINA DE PETRÓPOLIS

Patrícia Maciel Pachá, Aline Ruilowa de Pinho, Ana Carolina Faria Chaves, Keith Motta, Thaís Capel Modesto
Faculdade de Medicina de Petrópolis - RJ

Objetivo: Avaliar o perfil dos pacientes com glaucoma acompanhados no Ambulatório Escola da Faculdade de Medicina de Petrópolis. Material e Métodos: Foram analisados os prontuários de 2935 pacientes atendidos na oftalmologia do AMBE entre outubro de 1998 e março de 2003 e selecionados 66 com diagnóstico de glaucoma. Avaliou-se o perfil dos pacientes afetados quanto à cor, idade, sexo, patologias associadas, pressão intra-ocular, fundoscopia e tratamento. Resultados: O glaucoma foi encontrado em 66 pacientes (3,47%). A prevalência foi maior nas mulheres (68%). A média de idade da população foi de 58,80 anos. A distribuição racial evidenciou 51 pacientes brancos (77%), 10 negros (15%) e 5 pardos (18%). O tipo mais prevalente foi o de ângulo aberto em 74%, seguido pelo congênito em 15%, neovascular em 6%, de ângulo fechado em 3% e 2% de pressão normal. A PIO média inicial foi de 21,64 + 7,58 mmHg e a média de escavação foi de 0,6dp +0,27. A primeira opção de tratamento foi os beta-bloqueadores utilizados em 43 pacientes. Os alfas agonistas foram prescritos para 9 pacientes em associação aos beta-bloqueadores. A pilocarpina e os inibidores da anidrase carbônica foram associados em 5 pacientes e os análogos da prostaglandina constituíram o tratamento em 3 pacientes. Na última consulta houve manutenção do beta-bloqueador como principal droga (57,35%), seguida pelos análogos de prostaglandinas (19,2%), os alfas agonistas (8,83%), pilocarpina (5,80%), e inibidores da anidrase carbônica em 4,41%. A média da PIO na última consulta foi de 15,48 + 5,39 mmHg. Conclusão: Este estudo atenta para a necessidade de implementação das políticas de saúde que visem um diagnóstico precoce, a garantia do tratamento e condições de acompanhamento do paciente glaucomatoso.

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P 099
Custo mensal de hipotensores oculares EM Belo Horizonte

Paulo Galvão Neto, Felício Aristoteles da Silva, Emílio Suzuki Junior, Mônica Siqueira, Régis Sá Vieira
Santa Casa de Belo Horizonte - MG

Objetivo: Avaliar o custo mensal do tratamento do glaucoma usando medicações disponíveis no Brasil, especificamente na região metropolitana de BH, de forma a proporcionar ao médico oftalmologista uma orientação na melhor prescrição. Métodos: 26 colírios antiglaucomatosos foram utilizados no estudo. Três amostras de cada produto foram instiladas em uma folha de papel com a finalidade de se obter o número de gotas por frasco. Levantou-se o preço dos produtos em quatro redes de farmácia de BH. Com base no número médio de gotas de cada apresentação, no preço médio obtido nas farmácias e na posologia, calculou-se o custo mensal de tratamento com cada uma destas medicações. Não foram utilizados os produtos genéricos neste estudo. Resultados: Os betabloqueadores foram as drogas que apresentaram o menor custo mensal. Entre eles os produtos de maior e menor custo mensal foram, respectivamente, o Betoptic-S® e o Glautimol®. O Xalacom® apresentou o maior custo mensal entre todas as drogas estudadas. No grupo dos análogos das prostaglandinas, o Rescula® foi a apresentação de menor custo mensal, enquanto as demais apresentaram pequena variação entre si. Discussão: Vários fatores devem ser analisados no ato da prescrição de um colírio, entre eles: o tipo de glaucoma, a Po alvo, a posologia, a eficácia, os efeitos colaterais e o custo da medicação. Nosso trabalho teve como intuito a análise deste último fator, visto que o custo mensal da medicação influencia diretamente na aderência dos pacientes ao tratamento. Conclusão: Observou-se grande variação no custo mensal do tratamento do glaucoma entre os vários grupos de drogas e, também, entre drogas de uma mesma classe. O custo do tratamento com determinados colírios antiglaucomatosos não é tão elevado quanto sugere seu preço bruto.

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P 100
Volume da gota dos análogos das prostaglandinas

Paulo Galvão Neto, Carlos Rubens Figueiredo, Felício Aristóteles da Silva, Wagner Duarte Batista, Emílio Suzuki Junior
Santa Casa de Belo Horizonte - MG

Objetivo: Avaliar o volume da gota dos análogos das prostaglandinas disponíveis comercialmente no Brasil para o tratamento do glaucoma. Métodos: Os medicamentos utilizados nesse estudo foram: Bimatoprost 0,03% (Lumigan, lab. Allergan), Latanoprost 0,005% (Xalatan, lab. Pharmacia), Latanoprost 50 mcg/ml + Maleato de Timolol 5 mg/ml (Xalacom, lab. Pharmacia), Travoprost 0,004% (Travatan, lab. Alcon), Unoprostona isopropílica (Rescula, lab. Ciba). Seis frascos de cada produto foram utilizados no estudo. O conteúdo de cada frasco foi instilado para contagem do número de gotas e seu volume medido. Com base no número médio de gotas e no volume médio do frasco, calculou-se o volume médio da gota de cada medicamento. Resultados: Notou-se grande variação no número de gotas entre frascos de um mesmo produto. Também houve considerável variação entre o número médio de gotas dos cinco medicamentos analisados. Quanto ao volume das gotas, Xalatan® e Xalacom® foram os colírios de menor e maior volume, respectivamente. Discussão: Nesse estudo encontramos um volume médio de gota que variou entre 25,34µl a 31,97µl, valores acima do ideal. A redução do volume da gota desses produtos reduziria a chance de surgirem efeitos colaterais sistêmicos ao mesmo tempo em que reduziria o desperdício e aumentaria a duração do colírio sem, entretanto, comprometer a eficácia do tratamento. Conclusão: Dos medicamentos estudados, o que mais se aproximou do volume de gota considerado ideal (20 a 23 µl) foi o Xalatan®, mesmo assim, sendo algo superior (25,34 µl). Rescula®, Lumigan®, Travatan e Xalacom® apresentaram volumes de gota superiores, respectivamente. O volume excessivo da gota dos colírios estudados sugere desperdício e conseqüente aumento no custo do tratamento do glaucoma.

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P 101
ESTUDO COMPARATIVO DA EFICÁCIA DOS COLÍRIOS DE TRAVOPROST E BIMATOPROST NOS PACIENTES DA RAÇA NEGRA

Renato Klingelfus Pinheiro, Geraldo Vicente de Almeida, Ricardo Eliezer, Cristiano Caixeta-Umbelino, Fernando Crosta
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - SP

Introdução: Os beta-bloqueadores são as drogas mais utilizadas no tratamento do glaucoma, porém seus efeitos colaterais tem estimulado alternativas medicamentosas. Recentemente foi aprovado um novo análogo das prostaglandinas chamado de Travatan™ e em seguida outro análogo chamado de Lumigan™. A raça negra por si só já é um fator de risco e merece maior atenção, por este motivo optamos por comparar estas drogas nesta população. Objetivo: Comparar a eficácia destas medicações no abaixamento da PIO em pacientes da cor negra. Material e Métodos: Selecionamos 14 pacientes (25 olhos), com idade variando entre 53 e 81 anos, com GPAA. Os pacientes receberam de forma aleatória as medicações. Esta medicação foi usada no olho ou nos olhos indicados por 3 meses, após foi feito um “wash out“ por 15 dias e instituído o tratamento com a segunda droga a qual foi usada por 3 meses. Separamos a amostra em 2 grupos, o G-1 que recebeu como primeira medicação o Travatan™ e o G-2 que recebeu primeiramente Lumigan™. Resultados: A PIO dos pacientes que receberam Travatan no G1 diminuiu de 23,1±2,8 para 15,6±2,2mmHg (p<0,05) após 90 dias de tratamento. No G2, o Travoprost abaixou a PIO de 21,2±2,9 para 15,4±1,2mmHg (p<0,05). O Bimatoprost, no G2, proporcionou uma diminuição de 36%, abaixando a PIO inicial de 24,9±4,7 para 15,9±2,2mmHg (p<0,05). No G1, a PIO foi de 21,2±2,9 para 15,4±1,2mmHg (p<0,05). Discussão: As 2 drogas tiveram um comportamento semelhante com relação a diminuir e manter baixa a PIO. Porém, não houve diferença estatística entre as 2, mostrando serem drogas potentes para o controle do glaucoma. Conclusão: A eficácia das drogas pôde ser comparada e comprovada neste estudo, não havendo diferença estatística entre as 2 medicações, no que se refere ao abaixamento da PIO. 

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P 102
Cultura de tonômetros em ambulatório oftalmológico geral da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro

Renato Penha Machado, Gustavo Rafael Nascimento Ferreira, João Antônio Prata Júnior, Mônica Hitomi Okura, Hélia Soares Angotti
Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro / Universidade de Uberaba

Introdução: Este estudo visa verificar se há contaminação dos tonômetros de aplanação de Goldmann utilizados na mensuração da pressão intra-ocular no serviço de Oftalmologia da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro. Métodos: Os tonômetros utilizados no presente estudo são higienizados com álcool etílico a 70% após se examinar os pacientes. Foram realizadas culturas das pontas dos tonômetros que entram em contato com a superfície ocular, sendo obtidas 8 amostras feitas no período da manhã e outras 8 amostras no período da tarde, no intervalo de um mês. Resultados: Observou-se crescimento em ambas as amostras com predomínio de positividade no período da tarde em 6 salas: Staphilococcus coagulase negativo em 4 salas, Corynobacteriun acolens em uma e Alcaligenes faecalis (odorans) na outra. Já as culturas feitas pela manhã apenas duas foram positivas com Staphilococcus coagulase negativo em uma e Pseudomonas cepacea em outra. Conclusão: Nossa forma de desinfecção dos tonômetros não está sendo eficaz na eliminação de microorganismos.

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P 103
AVALIAÇÃO CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICA DA CIRURGIA DE GLAUCOMA EM SOROCABA

Roberta Jansen de Mello Farias, Rejane Aires, Fernanda Bon Duarte
Hospital Oftalmológico de Sorocaba - SP

Objetivos: Traçar o perfil clínico-epidemiológico de pacientes submetidos à cirurgia de glaucoma no Hospital Oftalmológico de Sorocaba. Material e Métodos: Foram avaliados, retrospectivamente, 105 olhos de pacientes submetidos à cirurgia de glaucoma neste hospital entre janeiro de 2001 e junho de 2002. Dados descritivos como sexo e idade e dados pré-operatórios como acuidade visual, pressão intra-ocular (PO), escavação, tipo de glaucoma e número de medicações em uso foram coletados dos prontuários. As cirurgias foram realizadas por residentes do 2º e 3º ano sob supervisão de médico especialista em glaucoma. A avaliação pós-operatória constou de dados da PO final e medicações pós-operatória. Resultados: 44,8% eram do sexo feminino e 55,2% do sexo masculino. A idade média foi de 77,72 ± 13,20 anos. A PO média pré-operatória foi de 30mmHg ± 0,92. Sessenta por cento foram classificados como glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), 20% como glaucoma primário de ângulo estreito (GPAE) e 20% como glaucomas secundários. 85,7% dos pacientes fizeram trabeculectomias (TREC) e 14,3% tubo. Entre as TREC, 60 foram com uso de mitomicina (MMC) e 30 sem uso de MMC. A PO média final pós-operatória caiu para 21 ±1,2 mmHg. Uma PO £ 20mmHg foi encontrada em 90% das TREC com MMC e 83% nas TREC sem MMC. No GPAA, 90% atingiram esta PO em TREC com MMC e 95% sem MMC. No GPAE, 93% a atingiram com MMC enquanto 83% sem MMC. Os pacientes ficaram sem ou com 1 medicação em 58,3% das TREC com MMC contra 53,3% em TREC sem MMC. Os tubos foram implantados em 15 pacientes, sendo que 3 atingiram PO <10mmHg. Conclusões: Os pacientes que fizeram TREC com MMC mantiveram PO mais baixas sem medicação. O glaucoma pós-transplante apresentou PO £ 20mmHg com TREC com MMC (66,6%) e PO < 10mmHg com uso de tubo (50%). Trabeculectomias sem mitomicina para glaucomas pós-implante secundário de LIO não apresentaram redução satisfatória da PO.

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P 104
TONOMETRIA DE GOLDMANN X TONOMETRIA DE NÃO- CONTATO

Roberto Freire Santiago Malta, Arnaldo Amêndola, Cristine Araújo Póvoa
Clínicas particulares dos autores RFSM e AA

Objetivo: Comparar a tonometria de aplanação de Goldmann com a tonometria de não-contato (tonômetro XPERT) em uma população da clínica particular dos autores. Casuística e métodos: 150 pacientes foram submetidos, inicialmente, a tonometria de Goldmann seguido, cinco minutos após, da tonometria de não- contado (Grupo 1) e, 150 pacientes foram submetidos a tonometria de não-contato seguido, quinze minutos após, da tonometria de Goldmann. Os grupos foram comparados por meio de análise de variância no programa Microsoft Excel 97. O nível de significância dos testes foi fixado em 0,05. Resultados: Não houve diferença estatisticamente significante entre a tonometria de Goldmann e a tonometria de não-contato, mesmo desconsiderando as medidas discrepantes (valores de pressão intra-ocular superiores a 30 mmHg). Conclusão: A tonometria de não-contato (tonômetro XPERT) não apresentou diferença significante quando comparada à tonometria de Goldmann.

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P 105
IRIDOSQUISE E GLAUCOMA - RELATO DE CASO

Silvane Bigolin, Jair Giampani Júnior, Vera Castanheira, Danilo Ibiapina Boletti
Universidade de São Paulo - São Paulo

Introdução: Iridosquise é uma condição rara que consiste na separação do estroma da íris em dois folhetos, anterior e posterior, com predileção para o segmento inferior. Geralmente ocorre em indivíduos idosos como um processo degenerativo de causa desconhecida e está associada a glaucoma em 50% dos casos. Relato do caso: Os autores descrevem o caso de uma paciente de 69 anos com iridosquise bilateral associada à crise de glaucoma agudo bilateral atendida no Pronto Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a qual evoluiu com pressões intra-oculares normais após a estabilização do quadro inicial. Comentários conclusivos: A associação freqüente entre iridosquise e glaucoma faz mandatória a investigação desta patologia em todos os pacientes com clivagem do estroma iriano.

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P 106
OPACIFICAÇÃO DA CÁPSULA POSTERIOR EM PACIENTES PSEUDOFÁCICOS - ANÁLISE DA CAMADA DE FIBRAS NERVOSAS PELA POLARIMETRIA SCANNING LASER

Tatiana Azevedo Arraes, Hellmann Dantas Cavalcanti, João Carlos Arraes, Ana Cecília de Souza Leão, Marília Fernandes Sena
Fundação Altino Ventura - PE

Objetivo: Avaliar se a opacificação da cápsula posterior, em pacientes pseudofácicos, poderia influenciar na avaliação da camada de fibras nervosas pela polarimetria “scanning laser” (GDx). Materiais e Métodos: Dezessete pacientes, 20 olhos, pseudofácicos, não glaucomatosos, portadores de opacificação capsular posterior (OCP) submeteram-se ao GDx antes e após a capsulotomia com Nd: YAG laser. Resultados: Em dezesseis dos 20 olhos as imagens foram obtidas. Não houve diferença estatisticamente significante entre os parâmetros por elas avaliados. Nâo foi obtida qualquer imagem em quatro olhos no primeiro GDx. Nestes, o grau de opacifação foi previamente classificado pela biomicroscopia de 3+/4+ e/ou associada à presença de macrófagos na lente intra-ocular (LIO). Conclusão: Nos pacientes portadores de OCP nos quais a imagem foi obtida não houve alteração nos resultados do GDx.

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P 107
COMPLICAÇÕES NO TRATAMENTO CIRÚRGICO DO GLAUCOMA CONGÊNITO NO HOSPITAL DE CLÍNICAS DO PARANÁ

Tatiana Flores Ferreira, Kátia Mantovani Bottós, Adriana Moser, Sueli Lima Teixeira, Ana Tereza Ramos Moreira
Universidade Federal do Paraná

Objetivo: Analisar as complicações existentes no tratamento cirúrgico do glaucoma no período de 5 anos no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Material e Método: Estudo retrospectivo dos casos cirúrgicos do glaucoma congênito no Hospital de Clínicas do Paraná no período de janeiro de 1998 a dezembro de 2002. Resultados: Analisados 36 casos cirúrgicos em 11 pacientes com glaucoma congênito, sendo 30 (83,3%) trabeculotomias, 4 (11,1%) trabeculectomias, 1 (2,7%) trabeculectomia com mitomicia C e 1 (2,7%) implante de tubo de silicone. No total foram realizadas em média 1,8 cirurgias por olho. As complicações ocorreram em 9 (25%) casos: 4 (11,11%) casos hifema pós-cirúrgico em trabeculotomia, 1 (2,77%) descolamento hemorrágico de coróide com posterior descolamento retiniano pós implante de tubo de silicone, 1 (2,77%) hipotensão severa com luxação do cristalino e descolamento de retina, 1 (2,77%) descolamento de retina pós trabeculectomia e 2 (5,55%) perdas vítreas pós trabeculectomia. Conclusão: Foi observado um alto índice de complicações no período estudado, sendo a principal o hifema pós-operatório.

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FORMAS DE GLAUCOMAS CIRURGICAMENTE TRATADOS NO HOSPITAL DE CLÍNICAS DO PARANÁ

Tatiana Flores Ferreira, Kátia Mantovani Bottós, Adriana Moser, Kenji Sakata, Ana Tereza Ramos Moreira
Universidade Federal do Paraná

Objetivo: Analisar os tipos de glaucoma cirurgicamente tratados no período de 5 anos no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Material e Método: Estudo retrospectivo dos casos cirúrgicos do glaucoma no Hospital de Clínicas do Paraná no período de janeiro de 1998 a dezembro de 2002. Resultados: Analisados 142 cirurgias em 120 olhos de 90 pacientes. Os casos que necessitaram de tratamento cirúrgico neste período foram separados quanto ao seu diagnóstico, sendo 88 (73,3%) glaucomas primários e 32 (26,7%) glaucomas secundários. Dos 142 procedimentos realizados, 54,2% (n=77) foram trabeculectomias, 21,1% (n=30) trabeculotomias, 19,7% (n=28) trabeculectomia com antimetabólico (mitomicina C), 4,2% (n=6) revisão de implante de silicone e 0,7% (n=1) implante de silicone (tubo de Molteno). A trabeculectomia sem mitomicina foi realizada no glaucoma de ângulo aberto unilateralmente (9,1% das cirurgias), bilateralmente (7,7%), glaucoma de ângulo estreito unilateralmente (10,6%), bilateralmente (6,3%), e no glaucoma pós-facectomia (4,9%). O uso de mitomicina se deu com maior freqüência nas trabeculectomias realizadas em glaucoma primário de ângulo aberto (5,6% das cirurgias), glaucoma juvenil (2,8%), glaucoma primário de ângulo estreito e glaucoma pós-facectomia (2,1% em cada). Conclusão: O tipo de glaucoma mais prevalente quanto ao tratamento cirúrgico foi o primário, principalmente os glaucomas de ângulo aberto, estreito e congênito. Mais estudos a respeito da prevalência dos glaucomas cirurgicamente tratados deve ser realizados a fim de corroborar com a literatura nacional.


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