Volume 66 - fascículo 4 Resumo dos Casos Clínicos do XXXII Congresso Brasileiro de Oftalmologia |
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Esses resumos correspondem a trabalhos completos examinados e selecionados pela Comissão Científica do Conselho Brasileiro de Oftalmologia para apresentação, mas não passaram por análise editorial pelos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
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CC 037 Introdução: A síndrome de Fraser é uma condição sistêmica caracterizada por criptoftalmo, sindactilia e anomalia da genitália, podendo ainda estar associada a alterações dos rins, do ouvido, do nariz, da laringe e do esqueleto. O criptoftalmo pode representar um achado isolado (que tem sido relatado como de herança autossômica dominante) ou associado a outras anomalias congênitas (relatado como herança autossömica recessiva). Relato de caso: RMSA, sexo feminino, três meses, avaliada no ambulatório geral de oftalmologia do Instituto Brasileiro de Oftalmologia e Prevenção à Cegueira. Filha de pais consangüíneos. Genitora referia tio e irmão com a mesma alteração. Ao exame, foram observados criptoftalmo total à direita, nariz em sela, implantação baixa das orelhas, má formação de conduto auditivo, clitoromegalia, aumento de grandes lábios e sindactilia de mãos e pés. A USG abdominal evidenciou agenesia renal à esquerda. A USG ocular do OD mostrou diminuição do diâmetro antero-posterior, desorganização do segmento anterior, afacia e descolamento total da retina. Comentários conclusivos: A patogênese da criptoftalmia ainda não foi determinada, mas a consagüinidade tem sido apontada por vários autores como fator de grande importância. Os médicos devem estar atentos para as manifestações clínicas e o diagnóstico preciso para que estes pacientes possam ser acompanhados por uma equipe multidisciplinar e os casais tenham o devido aconselhamento genético. |
CC 038 Os autores descrevem um caso de xeroderma pigmentar, no qual utilizou-se tecido dérmico acelular porcino na reconstrução da pálpebra inferior, após excisão de carcinoma basocelular. Enfatizou-se a função da derme porcina como substrato para crescimento de células normais do tecido adjacente. Estudos com maior casuística e tempo de seguimento são necessários para melhor avaliar esse procedimento. |
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CC 039 Objetivo: Relatar um caso de uma afecção incomum de linfoma de saco lacrimal como única manifestação clínica. Relato do caso: Paciente feminina, de 67 anos, se apresentou com lacrimejamento crônico e massa de consistência fibroelástica, em topografia de saco lacrimal esquerdo, sem nenhum outro sinal ou sintoma sistêmico. O saco lacrimal foi removido, identificando-se linfoma maligno de baixo grau de células B de tecido linfóide e mucoso associado (MALT). As características clínicas, histológicas e o tratamento são descritos. Conclusão: O acometimento do saco lacrimal por linfoma como manifestação clínica isolada é raro. O diagnóstico preciso e o tratamento adequado são muito importantes para que se tenha bom prognóstico. |
CC 040 Objetivo: Alertar para o diagnóstico precoce da síndrome dos múltiplos pontos brancos evanescentes. Relato do caso: Um paciente de 9 anos de idade com história de redução da acuidade visual e fotopsia no olho direito. O exame fundoscópico do olho direito evidenciou várias lesões brancacentas na retina, borramento da papila e leve turvação vítrea. O exame angiográfico apresentou hiperfluorescência das lesões. Comentários conclusivos: Apesar de incomum, a síndrome dos múltiplos pontos brancos evanescentes deve fazer parte do diagnóstico diferencial de afecções oculares que se apresentam com baixa acuidade visual e comprometimento retiniano. |
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CC 041 Introdução: O feocromocitoma é um tumor produtor de catecolaminas. Constitui uma causa rara de hipertensão arterial sistêmica. Em 10% dos casos são extra-adrenais (paraganglioma). Caracteriza-se pela tríade de palpitações, sudorese e cefaléia. A hipertensão refratária ao tratamento pode sugerir o diagnóstico, que é confirmado com a determinação das catecolaminas na urina, no plasma e anatomo-patológico da lesão. Relato do Caso: JNB, fem., 19 anos, 31 semanas de gestação encaminhada ao IBOPC com história de “perda de visão” há 20 dias, e aumento da TA desde o 2º mês de gestação sendo introduzido Metildopa sem melhora. Ao exame: TA= 190x140 mmhg, AV de CD a 5 m e descolamento seroso total de retina em AO. TC de abdomem evidenciou uma tumoração retroperitoneal. Optou-se pela exérese da lesão. Após a cirurgia a paciente evoluiu com níveis tensionais normais, melhora progressiva da AV e após 2 meses a retina estava toda aplicada e AV de 20/60. O feocromocitoma foi confirmada pelo anatomo-patológico. Conclusão: O feocromocitoma é uma neoplasia rara e por isso poucas vezes considerada no diagnóstico diferencial de HAS. A paciente JNB tinha ao exame, uma hipertensão refratária e descolamento seroso de retina. As principais causas de descolamento seroso de retina foram levantadas como suspeita diagnóstica: Corioretinopatia serosa central, Vogt-Koyanagi-Harada, Esclerite posterior, Eclâmpsia e Hipertensão maligna. Por se tratar de uma mulher grávida, o diagnóstico de eclâmpsia parecia óbvio, porém, o exame de urina tipo I não demonstrava proteinúria e por fim o parto foi realizado e a paciente manteve-se com hipertensão. A partir disto suspeitamos de feocromocitoma. Pelo fato de se tratar de paraganglioma associado ao descolamento seroso de retina podemos considerar esta entidade clínica como avis rara da patologia oftalmológica. |
CC 042 Introdução: Os autores apresentam um caso de uma primigesta com síndrome Hellp que desenvolveu descolamento de retina seroso bilateral. Relato de caso: Paciente primigesta de 20 anos de idade apresentou baixa de acuidade visual bilateral, hipertensão arterial (240/140 mmHg) e edema generalizado com 22,6 semanas de gestação, evoluindo com síndrome Hellp e insuficiência de múltiplos órgãos. Três meses após o parto, a paciente apresentou melhora da acuidade visual e do descolamento de retina, com alteração pigmentar residual macular e manchas de Elschnig. Comentários conclusivos: O descolamento de retina deve ser considerado dentro dos diagnósticos diferenciais de perda visual em casos complicados com síndrome Hellp. Na maioria dos casos há resolução do quadro de descolamento de retina com recuperação da função visual normal no pós-parto. |
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CC 043 Objetivo: O lupus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença de origem desconhecida que envolve diferentes sistemas do organismo, caracterizada pela formação de auto-anticorpos, deposição de imunocomplexos e oclusão de pequenos vasos em órgãos variados. As manifestações oftálmicas do lupus eritematoso sistêmico variam desde acometimento das pálpebras pela doença mucocutânea até doença vascular retiniana e envolvimento neuro-oftálmico. Método: Apresentamos um paciente portador de LES valorizando as manifestações oculares e a realização da angiografia fluorescente como meio diagnóstico. Conclusões: O LES causa deposição vascular de imunocomplexos levando à ativação da cascata do complemento, gerando vasculite, acometendo pacientes jovens, geralmente do sexo feminino, podendo causar baixa visual súbita. |
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CC 044 Objetivo: Relatar a experiência pessoal dos autores com o Fluoron um novo produto que tem um bom potencial de aplicabilidade na cirurgia vítreo-retiniana de grande complexidade. Observações e Métodos: Os autores relatam os casos, as indicações e os resultados cirúrgicos obtidos em oito pacientes onde este produto foi utilizado com grande sucesso. Resultados: Em todos os pacientes operados ocorreu a reaplicação anatômica da retina, objetivo principal de toda e qualquer cirurgia vítreo-retiniana. São analisadas algumas complicações que podem ou não ser atribuídas ao uso do Fluoron. |
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CC 045 Objetivo: Relatar o caso de um paciente portador de hemangioma capilar justapapilar endofítico da retina em acompanhamento evolutivo por 15 anos. Caso clínico: Em 1987, paciente com 11 anos de idade consultou por baixa visual recente no OE. Ao exame oftalmológico apresentava hemorragia vítrea e lesão com aspecto tumoral de localização justapapilar no OE. Foi realizado exame oftalmológico completo, retinografia da papila, angiografia fluoresceínica e ecografia ocular. A hemorragia vítrea evoluiu bem com reabsorção total em poucos dias e recuperação da acuidade visual sem qualquer intervenção médica estando o paciente assintomático desde este episódio inicial. A lesão no fundo de olho mostrou crescimento lento nos quinze anos de seguimento deste paciente. Comentários: A angiomatose retiniana é uma doença rara que deve entrar no diagnóstico diferencial de lesões de localização próxima à papila do nervo óptico. Pode causar baixa visual quase sempre por hemorragia no vítreo. O oftalmologista precisa ter cautela na decisão de realizar procedimentos invasivos frente a um quadro de hemorragia vítrea associada com alterações do disco óptico, pois estas lesões são benignas na maior parte das vezes com a complicação hemorrágica resolvendo-se bem sem necessidade de tratamento cirúrgico. |
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CC 046 Objetivos: Avaliar o perfil dos pacientes atendidos no setor de Retina do Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre no período de 1980 a 2002 com diagnóstico de macroaneurisma arterial da retina. Métodos: Foram analisados retrospectivamente os prontuários de 115 pacientes com diagnóstico de macroaneurisma arterial retiniano que foram submetidos a exame oftalmológico completo e angiografia fluoresceínica. Resultados: Dos 115 pacientes analisados, 21eram do sexo masculino (18%) e 94 do sexo feminino (82%). A idade variou entre 50 a 82 anos com a maior prevalência na faixa dos 60 aos 69 anos totalizando 65 casos (56%). 73 pacientes eram portadores de HAS e 28 tinham diabetes associada à HAS. Em apenas 14 pacientes nenhuma doença sistêmica foi associada à presença de macroaneurisma. Foram registrados 20 casos tratados pela fotocoagulação com laser argônio. Destes, todos obtiveram melhora clínica, angiográfica e fundoscópica tendo sido assinalado um caso de recidiva do macroaneurisma arterial 6 anos após o tratamento inicial. Conclusão: Os dados obtidos neste estudo corroboram outros da literatura cientifica sendo a população feminina na faixa etária acima dos 60 anos e portadoras de HAS a mais acometida por esta alteração vascular. |
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CC 047 Introdução: Relaciona-se a um grupo de desordens congênitas caracterizadas por um defeito estacionário ou progressivo na visão de cores. Apresenta-se entre a primeira e terceira décadas de vida com perda progressiva da acuidade visual, fotofobia e nistagmo pendular. A incidência da doença autossômica recessiva é de 3 para cada 100.000. Seu diagnóstico é fundamentado pelo quadro clínico, fundoscopia, eletroretinograma (ERG). Objetivo: Descrever três casos desta patologia de indivíduos pertencentes à mesma família, de herança autossômica recessiva. Esta patologia, apesar de rara, deve ser de conhecimento do oftalmologista pelas sérias conseqüências visuais que pode acarretar. Relato dos casos: Descrição com documentação retinográfica e ERG dos três casos de distrofia de cones. Resultados: Nos três casos, todos os irmãos apresentaram visão subnormal, nistagmo pendular, fotofobia e ERG com resposta negativa na fase clara. Os achados fundoscópicos estavam normais ou apresentaram falha do reflexo foveal e irregular distribuição do epitélio. Comentários conclusivos: Apesar de ser uma doença rara, o diagnóstico é essencial para o aconselhamento genético desses pacientes. |
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CC 048 Introdução: A oclusão da artéria central da retina é mais comum em pacientes acima de 40 anos, sendo a principal causa o êmbolo de colesterol, manifestações clínicas de perda súbita da visão, sem dor, unilateral, a retina apresenta-se opaca por edema difuso intracelular de suas camadas internas, exceto pela fóvea que se apresenta vermelho cereja, pela visualização da circulação da coróide, palidez de disco óptico apresenta-se após 4 a 6 semanas. Relato do caso: Uma criança de 2 anos, sexo masculino, que foi atendida no serviço de oftalmologia do Hospital das Clínicas de Teresópolis, por ter sofrido trauma contuso em canto nasal de olho esquerdo, treze dias antes, era previamente hígido, exame físico sem alterações, apresentava ao exame oftalmológico, reflexos fotomotores direto e consensual de olho direito normais e olho esquerdo ausentes, exodesvio de olho esquerdo, paralisia de reto medial esquerdo, acuidade visual segue objetos em ambos os olhos, tonometria bidigital normotensa, fundoscopia sob midríase de olho direito sem alterações, olho esquerdo com papila de bordos, coloração, forma e tamanho normais, vasos com diminuição do calibre arteriolar, retina espessada, com isquemia, mácula vermelho cereja. Comentários conclusivos: Este caso contraria os dados da literatura, pois ocorreu em criança e de forma traumática. |
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CC 049 Objetivo: Demonstrar dois casos de retinopatia por talco em pacientes soropositivos (HIV) e usuários de droga intravenosa. Local: Hospital e Maternidade Celso Pierro - PUC - Campinas. Métodos: Foram realizadas retinografias simples para documentar alterações compatíveis com a patologia avaliada. Resultados: Os dois pacientes apresentam à retinografia cristais amarelo-brilhantes, maiúsculos, concentrados ao longo das pequenas arteríolas da arcada perifoveal no polo posterior. Conclusão: O exame acurado do fundo de olho foi direcionador do diagnóstico de retinopatia por talco. |
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CC 050 Introdução: A vitreoretinopatia exsudativa familial é uma doença heredodegenerativa incomum com diferentes tipos de herança e graus de severidade, caracterizando-se por tração retiniana, opacidades vítreas periféricas e exsudatos sub e intra-retinianos. Os diagnósticos diferenciais da doença incluem: retinopatia da prematuridade; vítreo primário hiperplásico; doença de Coats; uveítes periféricas, retinoblastoma e doença de Norie, porém essa diferenciação pode ser feita pela história e achados clínicos. Relato dos casos: Nosso trabalho avaliou 7 membros de uma família na qual o diagnóstico foi elucidado a partir de uma criança de 2 anos de idade trazida à consulta pelos pais. Três gerações da família foram estudadas e o padrão de herança evidenciado foi autossômico dominante. Seis membros da família são atualmente afetados pela doença em diferentes graus de severidade. Eles apresentam os achados clássicos da doença como descolamento de retina tracional, ectopia macular, dobras de retina, estiramento dos vasos em direção a periferia temporal, ausência de capilares na periferia, exsudação, atrofia ocular, entre outros. Comentários conclusivos: A partir desse estudo pode se fazer o diagnóstico em 6 membros desta família e será oferecido à família acompanhamento clínico e os tratamentos disponíveis em nosso meio. |
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CC 051 Introdução: O eletrorretinograma (ERG) consiste em exame objetivo, não invasivo, capaz de avaliar a função retiniana de pacientes verbais ou não. Caso clínico: Com o recente surgimento em São Paulo, de cães da raça Pit Bull apresentando déficit visual severo, optou-se por realizar ERG de campo total em um filhote macho, 5 meses de idade, com baixa de visão desde os 40 dias de idade, com intuito de avaliar sua função retiniana. O animal, sob anestesia geral, foi submetido ao ERG, segundo o protocolo padrão da ISCEV (International Society for Clinical Electrophysiology of Vision). Em um dos olhos foi adaptado eletrodo de lente de contato monopolar, após adaptação ao escuro por 30 minutos e dilatação completa da pupila. As respostas escotópicas e fotópicas mostraram-se não detectáveis, confirmando o efeito devastador da degeneração na função retiniana. Comentários conclusivos: O Erg foi capaz de detectar a severidade da degeneração retiniana e acredita-se que o estudo do heredograma destes animais possibilitará melhor compreensão desta nova doença. |
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CC 052 Introdução: Relatar um caso de maculopatia viteliforme polimórfica exsudativa aguda que procurou serviço de oftalmologia por diminuição aguda da acuidade visual. Relato do caso: Paciente previamente hígida refere diminuição da acuidade visual aguda bilateral. Na fase aguda, a paciente apresentava no fundo de olho placas branco-amareladas, de caráter exsudativo, maculares, além de exsudatos duros dispostos temporalmente. Com a evolução, houve melhora da acuidade visual e a paciente desenvolveu pontos brancos subretinianos esparsos, além de manchas brancas subretinianas maculares com material semelhante ao material viteliforme da doença de Best. Comentários conclusivos: Essa nova doença poderia ser confundida com a doença de Best na sua forma multifocal, mas tem evolução diferente e não há história familiar para ela. O prognóstico é bom. |
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CC 053 Introdução: A distrofia viteliforme de Best é uma doença retiniana autossômica dominante com penetrância e expressividade variáveis. É classicamente caracterizada pelo aparecimento de uma lesão macular cística única resultante do acúmulo de lipofucsina nas células do epitélio pigmentado da retina, no espaço sub-retiniano e na coróide. Nos estágios finais da doença o quadro retiniano é inespecífico podendo ser confundido com outras doenças maculares. Relato do caso: CCA, 35 anos, masculino com história de baixa de acuidade visual progressiva em ambos os olhos (pior em olho esquerdo) desde os 7anos de idade. Ao exame apresentava acuidade visual corrigida de 20/40 em olho direito e 20/400 em olho esquerdo. Biomicroscopia e tonometria eram normais em ambos os olhos. À oftalmoscopia observou-se a presença de lesão macular amarelada, cística com nível (pseudo-hipópio) em olho direito e lesão cicatricial associada a buraco macular em olho esquerdo. Na OCT observou-se descolamento do epitélio pigmentado da retina no olho direito, e no olho esquerdo foi observado buraco macular com descolamento de retina adjacente. Comentários conclusivos: O desenvolvimento de buraco macular em distrofia macular viteliforme de Best é raro, mas também é uma complicação da doença. A tomografia de coerência óptica é um exame coadjuvante em oftalmologia, não invasivo e de grande valor por fornecer informações precisas da anatomia da retina para o correto diagnóstico. |
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CC 054 Introdução: A síndrome de POEMS (polineuropatia, organomegalia, endocrinopatia, proteína M, alterações de pele “skin changes”), consiste num raro conjunto de sinais e sintomas pouco descrito na literatura mundial, que tem como uma de suas características a presença de edema de papila, com uma prevalência que pode variar de 29% a 73% nos pacientes diagnosticados com esta síndrome, sendo que existem somente 13 relatos na literatura mundial de pacientes com esta síndrome associada a edema de papila bilateral. Relato de caso: Paciente do sexo feminino com 49 anos de idade, referindo diminuição de acuidade visual em ambos os olhos, sendo mais acentuada em olho esquerdo. Ao exame oftalmológico constataram-se edema de papila bilateral (hipertensão intracraniana descartada por avaliação neurológica), associada à estase venosa, hemorragias em chama de vela e hemorragia localizada na camada de fibras nervosas sobre a fóvea do olho esquerdo. Comentário conclusivo: A síndrome de POEMS deve ser lembrada pelos oftalmologistas como uma rara causa de edema de papila. Por se tratar de uma síndrome pouco descrita na literatura internacional, sua patogenia e conseqüentemente seu tratamento são ainda pouco conhecidos, sendo necessário estudos complementares para o completo entendimento desta síndrome. |
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CC 055 Introdução: A artro-oftalmopatia progressiva hereditária, também conhecida como síndrome de Stickler, é uma doença autossômica dominante com alterações oculares, orofaciais e esqueléticas. Os sinais oculares podem incluir degeneração vitreorretiniana, faixas vítreas, pigmentação retiniana, atrofia coriorretiniana, catarata pré-senil, alta miopia, astigmatismo, estrabismo e descolamento de retina. Relato do caso: Descrevemos um caso de um adolescente de 14 anos com síndrome de Stickler, que ao exame oftalmológico inicial, apresentava descolamento de retina antigo no olho direito, com percepção luminosa, e descolamento de retina recente no olho esquerdo, alto míope, com acuidade visual de movimentos de mão. Este olho foi submetido a vitrectomia via pars plana com retinopexia e implante de óleo de silicone. Após a cirurgia, evoluiu de forma satisfatória, já tendo sido efetuada a retirada do óleo de silicone, com retina aplicada e acuidade visual melhor corrigida de 0,5. Comentários conclusivos: Acreditamos que foi obtido desfecho favorável em um caso complicado de uma doença rara. |
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CC 056 Introdução: A fístula carótido-cavernosa (FCC) é uma comunicação anormal entre o sistema carotídeo e cavernoso, sendo a maioria de origem traumática (75%) e o restante espontânea. Sua freqüência é de 0,17 - 0,27% dos traumas craniofaciais. O quadro clínico das FCC depende da extensão e localização, podem ser diretas (costumam apresentar quemose, ingurgitamento dos vasos conjuntivais, oftalmoplegia do sexto nervo, espessamento dos músculos extraoculares e diminuição da acuidade visual) e indiretas (baixo fluxo com quadro clínico mais sutil). A confirmação diagnóstica pode ser por TC de crânio, ultrassom com Doppler e angiografia do sistema carotideocavernoso. A resolução pode ser espontânea ou com tratamento com balão intravascular. Relato de caso: Paciente I.D.O.W., feminino, 35 anos, sem antecedentes patológicos, vítima de acidente automobilístico apresentando à avaliação oftalmológica olho direito sem particularidades e à esquerda ausência de percepção luminosa, edema bipalpebral, quemose, olho íntegro, midríase paralítica e paralisia da musculatura extrínseca, ausência de sopro ou pulsatilidade na região, tonometria normal evoluindo no quinto dia com aumento da quemose e hemorragia retiniana. A TC de órbita evidenciou à esquerda proptose, espessamento do nervo óptico e da musculatura extrínseca e dilatação da veia oftálmica esquerda. A angiografia confirmou fístula carotidocavernosa esquerda. Tratamento instituído foi conservador devido a regressão espontânea. Conclusão: A anamnese e o quadro clínico da paciente foram importantes para suspeita do caso sendo que a angiografia foi fundamental para a confirmação diagnóstica e conduta conservadora, poupando o paciente dos riscos cirúrgicos uma vez que não havia prognóstico visual no olho esquerdo. |
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CC 057 Objetivos: O carcinoma epidermóide é o tumor maligno encontrado com mais freqüência na conjuntiva. O objetivo do presente trabalho é relatar os casos de quatro pacientes com esta patologia tratados em nosso serviço tecendo considerações sobre aspectos clínicos e epidemiológicos. Relato dos casos: Apresentamos os casos de quatro pacientes, de ambos os sexos, com idade entre 45 e 81 anos que foram atendidos no ambulatório do Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre durante o ano de 2002 que apresentavam, ao exame, lesão tumoral na conjuntiva nasal de longa evolução. Foi realizada exérese completa das lesões e exame anatomo-patológico em todos os pacientes confirmando carcinoma epidermóide conjuntival em todos os casos. Comentários: O pleomorfismo e a semelhança entre as diversas apresentações clínicas dos tumores conjuntivais mostram a importância do correto diagnostico bem como o diagnóstico diferencial entre lesões benignas e malignas para a adequada conduta terapêutica. |
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CC 058 Objetivo: Relatar caso clínico onde paciente apresentou por 3 meses uveíte anterior que demonstrou ser metástase para o corpo ciliar de adenocarcinoma primário do pulmão. Descrevendo os achados da biomicroscopia ultra-sônica (UBM) e sua importância para a elucidação do caso. Relato de caso: Homem, branco, 33 anos procurou o PS de Oftalmologia do Hospital da Clinicas da FMUSP por dor ocular e diagnóstico de uveíte realizado há 3 meses em outro serviço. Ao exame confirmou-se quadro de uveíte anterior discreta e iniciou-se investigação mais detalhada. A UBM revelou o espessamento difuso do corpo ciliar na região nasal, processo expansivo no local. Iniciou-se investigação sistêmica. Em 3 semanas ocorre rápida piora do quadro inflamatório ocular, glaucoma neovascular e o surgimento de lesões sugestivas de metástases para a coróide do olho contralateral, faz-se o diagnóstico de adenocarcinoma pouco diferenciado primário do pulmão, com metástases para múltiplos locais e apenas nove dias após os primeiros sintomas clínicos o paciente vai a óbito por insuficiência respiratória. Discussão: Apenas 10% das metástases que afetam o trato uveal ocorrem na íris e corpo ciliar e as manifestações atípicas podem dificultar esse diagnóstico. No caso relatado destaca-se a ocorrência de dor paradoxalmente intensa para a reação inflamatória e a utilidade da UBM redirecionando toda a propedêutica diagnóstica. Conclusões: A UBM, exame inócuo e de realização relativamente simples, deve ser utilizada em situações oftalmológicas atípicas que afetem o segmento anterior. |
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CC 059 Objetivo: Relatar caso de infiltração leucêmica de íris, demonstrando os achados e a importância da biomicroscopia ultra-sônica (UBM) como método propedêutico complementar. Relato de caso: Menina com 7 meses de vida e antecedente de leucemia mielóide aguda em remissão, apresentou iridociclite no olho direito e presença de nódulo em região superior da íris. A UBM demonstrou espessamento do estroma iriano e formação nodular sólida ocupando o estroma da íris. Diante dos achados intensificou-se o tratamento oncológico e após 11 meses o controle ultra-sonográfico demonstrou a reversão das alterações irianas Conclusão: A UBM colaborou objetivamente para confirmar o diagnóstico clínico de infiltração leucêmica da úvea anterior, localizando, avaliando a extensão e o desaparecimento da lesão. |
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CC 060 Objetivo: Objetivo do presente trabalho é mostrar a casuística e o tratamento adotado no serviço de plástica ocular da clinica oftalmológica do Hospital Getulio Vargas. Material e métodos: Foram estudados quarenta pacientes que apresentavam esta doença, atendidos no período de 1970-2003. Foram avaliados os seguintes dados: sexo, procedência, idade, localização da lesão, tratamento adotado e seguimento dos pacientes. O diagnóstico foi essencialmente clínico. Os pacientes foram avaliados com 1 e 15 dias; 1, 3, 6, 12 e 24 meses após o início do tratamento. Os tratamentos utilizados foram: injeção intralesional de triancinolona, exérese cirúrgica e conduta expectante. Após o tratamento os pacientes foram agrupados como obtendo regressão total e parcial do hemangioma. Resultados: Dos 40 pacientes, 26 (65%) eram do sexo feminino e 14 (35%) do sexo masculino, 18 pacientes (45%) residiam em Teresina e 22 (55%) em outras localidades. A faixa etária de maior prevalência foi a de 0-5 anos (67,5%). 19 pacientes (47,5%) usaram a triancinolona, 13 (32,5%) foram tratados com exérese da lesão, 8 (20%) pacientes adotou-se a conduta expectante. A pálpebra superior foi o local mais acometido, totalizando 22 (55%) pacientes. O período médio de seguimento foi de 8,5 meses. Conclusão: A triancinolona é uma droga segura para o tratamento do hemangioma órbito-palpebral, podendo ser utilizada em crianças de baixa idade. A triancinolona apresentou eficácia comprovada na regressão do hemangioma órbito-palpebral. A resposta terapêutica é rápida com isso prevenindo complicações subseqüentes. Pode ser aplicada em crianças de baixa idade. O hemangioma órbito-palpebral é uma doença benigna que pode levar a complicações graves se obstruir o eixo visual. |
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CC 061 Introdução: A amiloidose é uma patologia secundária a um transtorno no metabolismo de proteínas. É caracterizada por depósito extracelular de material proteináceo patológico (amilóide) em um ou vários órgãos, podendo apresentar variada gama de manifestações clínicas. Segundo classificação clínica, a amiloidose pode ser sistêmica ou localizada. Na amiloidose localizada os depósitos envolvem um único órgão ou tecido, podendo formar nódulos detectáveis macroscopicamente ou apenas no exame microscópico. Nos últimos 15 anos encontram-se relatados na literatura 12 casos de amiloidose primária localizada envolvendo conjuntiva, entretanto apenas um deles como massa tumoral, conforme o caso por nós descrito. Relato do caso: C.A.G., masculino, 44 anos, com tumoração em pálpebra superior de olho direito (OD) a um ano, de crescimento lento. A biomicroscopia revelou massa em conjuntiva tarsal superior do OD, medindo 2,0 x 1,5mm vertical e espessura estimada 2,0mm. A tumoração apresentava coloração amarelo-esbranquiçada, superfície irregular, consistência fibrótica. A biópsia excisional evidenciou massas de material hialino amorfo corável pelo vermelho congo, com propriedades de birrefringência à luz polarizada, compatível com amiloidose. Comentários conclusivos: O acometimento ocular na amiloidose é raro. A conjuntiva é responsável por apenas 15% de todas as localizações oculares, na maioria dos casos associadas a alguma afecção ocular (amiloidose localizada secundária). A apresentação clínica nesse caso não é usual - massa de grandes dimensões em conjuntiva tarsal superior. |
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CC 062 Introdução: Tumores de pele e conjuntiva comumente afetam as pálpebras, porém raramente acometem a região dos pontos lacrimais. As dificuldades no tratamento estão não apenas na retirada completa do tumor, mas também na reconstrução da via lacrimal excretora. Relatos de casos: Apresentamos dois casos de tumores hiperpigmentados acomentendo o ponto lacrimal inferior. Caso 1: 65 anos, feminino, branca, lesão hiperpigmentada com crescimento rápido, cujo anatomo-patológico diagnosticou melanoma maligno de conjuntiva. Caso 2: 72 anos, feminino, amarela, lesão hiperpigmentada com crescimento lento, cujo anatomo-patológico diagnosticou nevo melanocítico intradérmico. As pacientes foram submetidas à reconstrução da via lacrimal com entubação monocanalicular. Comentários conclusivos: Embora raros os tumores na via lacrimal, o exame anátomo patológico específico pode demonstrar uma lesão maligna. |
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CC 063 Introdução: A doença ou febre da arranhadura do gato ("Cat scratch fever") é uma afecção sistêmica causada pelo bacilo gram-negativo Bartonella henselae, previamente denominada Rochalimae henselae, transmitida pela mordida ou arranhadura de gato. Apresenta-se clinicamente como uma linfadenopatia crônica, com sintomas constitucionais, envolvimento ocular e cutâneo. Este estudo tem como objetivo relatar um caso confirmado desta doença e outro presumido, discutindo os aspectos fisiopatológicos, clínicos, diagnósticos e terapêuticos desta doença. Relato dos casos: Ambos os pacientes eram jovens (11 e 20 anos) e apresentavam história de contato com filhote de gato há 45 dias. Ao exame observou-se baixa da acuidade visual e quadro de neurorretinite. O tratamento instituído foi o uso de Ciprofloxacina 500 mg de 12/12h por 14 dias, havendo boa resposta terapêutica. Conclusões: O papel da terapia antimicrobiana na doença da arranhadura do gato é controverso, uma vez que esta doença pode ter um curso prolongado, mas auto-limitado. Em pacientes com neurorretinite pela B. henselae, os benefícios do tratamento, inquestionavelmente, excedem os riscos. Nos casos aqui apresentados, não ocorreram efeitos colaterais decorrentes da antibioticoterapia. Os dois pacientes mostraram excelente resolução da doença. Os testes sorológicos tornaram-se a melhor maneira de confirmação diagnóstica em pacientes com achados oculares sugestivos de "Cat scratch fever". No entanto, na impossibilidade de realização dos mesmos e quadro clínico característico, a infecção pela Bartonella henselae deve ser cogitada – de acordo com os critérios clínicos – e tratada. O correto diagnóstico desta causa infecciosa de uveíte, em um estágio inicial, e subseqüente tratamento com antibióticos, podem melhorar o prognóstico da doença. |
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CC 064 Objetivos: Um estudo retrospectivo das retinocoroidites maculares bilaterais foi realizado no Setor de Visão Subnormal do Departamento de Oftalmologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), e diferentes sistemas de mgnificação de imagem foram avaliados. Materais: Nós coletamos dados retrospectivos de pacientes com retinocoroidite macular bilateral e baixa visão. Critérios de inclusão foram a baixa acuidade visual para longe e lesão macular bilateral. Resultados: Sessenta pacientes foram incluídos neste estudo, sendo 39 menores de 17 anos de idade e 21 com 17 ou mais anos de idade. Sistemas de magnificação de imagem foram testados em 48,7% dos pacientes do primeiro grupo e em 85,7% dos pacientes do segundo grupo. Conclusão: A necessidade por sistemas de magnificação de imagem foi principalmente para longe. |
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CC 065 Introdução: A DMRI é responsável por casos irreversíveis de cegueira entre pessoas idosas. Os sintomas e queixas comuns são diminuição da AV, defeitos do campo visual, diminuição da visão de cores, diminuição da sensibilidade ao contraste. Uma preocupação entre os pacientes portadores de doenças maculares é a recuperação da habilidade da leitura. O objetivo desse estudo é avaliar a eficácia do treinamento utilizando os exercícios de pré-leitura e escrita (visABILITIES®) na reabilitação visual. Relato do caso: Em 20/02/03, O.R., 75, masc., aposentado, procurou o Setor de VSN da UNIFESP com queixa de BAV progressiva há 2 anos e dificuldade na leitura. Usava refração OD -0,75 DE e OE -1,25 DE = -0,50 DC x 70° com add +3,50 DE. A AV para longe com correção foi OD =10/200p, OE =10/100p e AO =10/100p e para perto com correção em OD < 8,0 M, OE =4,0 M e AO =4,0 M. A hipótese diagnóstica era de DMRI. Em 10/03/03, o paciente veio para treinamento. Com lentes +10,00 DE=12 BN leu 2,5M e com lentes +12,00 DE=14 BN leu 0,8M e corpo 9 com dificuldade. Ao teste de pré-leitura apresentou tempo de 2 min e 15s. Assim, foram prescritos exercícios para casa a fim de melhorar a realização da leitura contínua e rápida. Em 07/04/03, o paciente retornou com os exercícios realizados em casa. Foi aplicado novo teste de pré-leitura, cujo tempo diminuiu para 1 min e 30s. Realizando treinamento com lentes +12,00 DE=14 BN leu 0,8M e corpo 9 com facilidade, sendo verificada melhora na qualidade da leitura após realização de exercícios adequados. Comentários conclusivos: Esse caso demonstra a necessidade de treinamento específico para atividades de leitura em pacientes com DMRI cuja perda visual prejudica também a atenção e a coordenação. Os exercícios de pré-leitura e escrita auxiliam o paciente a aumentar a sua velocidade de leitura favorecendo a adaptação ao auxílio óptico e melhorando a sua AV. |