Volume 66 - fascículo 4 Resumo dos Casos Clínicos do XXXII Congresso Brasileiro de Oftalmologia |
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Esses resumos correspondem a trabalhos completos examinados e selecionados pela Comissão Científica do Conselho Brasileiro de Oftalmologia para apresentação, mas não passaram por análise editorial pelos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
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CC 001 Introdução: Nd:YAG laser é indicado principalmente para realização da capsulotomia posterior, no tratamento da opacificação de cápsula posterior decorrente da cirurgia de catarata, porém este procedimento tem se tornado útil também no tratamento da síndrome da distensão capsular e síndrome da contração capsular. Outras aplicações terapêuticas do Nd:YAG laser incluem iridotomia, membranotomia pupilar, tratamento de opacificação interlenticular em implantes do tipo “piggyback” e vitreólise. Relato de casos: Nós apresentamos três casos de explante de lente intra-ocular (LIO) nos quais Nd:YAG laser foi realizado antes da cirurgia para fraturar o háptico visando tornar a manipulação intra-ocular mais fácil e mais segura. Estratégica realização da fratura facilitou as manobras necessárias para explante dos segmentos da LIO. A dilatação da pupila realizada após a aplicação do Nd:YAG laser juntamente com o posicionamento adequado da cabeça do paciente minimizaram o risco do segmento livre da LIO lesar o endotélio corneano ou deslocar-se posteriormente para a cavidade vítrea. Conclusão: A fratura do háptico da LIO realizada com Nd:YAG laser previamente ao procedimento de explante de LIO tornou esta cirurgia mais segura e menos traumática. Nós acreditamos que esta técnica constitui mais um viável procedimento “combinado” no qual o cirurgião de segmento anterior deve estar ciente. |
CC 002 Objetivo: Este trabalho relata as histórias clínicas de cinco pacientes com colesterolosis ou sínquise cintilante na câmara anterior chamando a atenção para as principais características clínicas destes casos e para o aparecimento desta situação em olhos previamente traumatizados ou na presença de cataratas de longa duração. Métodos: Estudo retrospectivo com análise dos prontuários dos pacientes portadores do diagnóstico de sínquise cintilante na câmara anterior que foram atendidos no Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre no período entre 1987 e 2002. Comentários: A sínquise cintilante ou “colesterolosis bulbi” é um processo degenerativo caracterizado pela deposição de cristais de colesterol tanto na cavidade vítrea como na câmara anterior ou ainda no espaço sub-retiniano. Usualmente secundária a trauma ocular, inflamação ou hemorragia intra-ocular recorrente essas opacidades, multicoloridas e brilhantes, são suscetíveis à ação da gravidade, tendendo a decantar-se inferiormente. A ocorrência dos cristais de colesterol no vítreo é bem mais freqüente de ser encontrada tanto na clínica diária quanto em publicações na literatura científica, mas a sínquise cintilante da câmara anterior é de aparecimento bem mais raro no dia a dia do oftalmologista. O objetivo dos autores é atualizar os oftalmologistas a respeito da sínquise cintilante na câmara anterior uma vez que poucas descrições existem na literatura científica sobre esta situação bem como comentar sobre algumas hipóteses a respeito da etiologia da formação dos cristais de colesterol e do seu aparecimento na câmara anterior. |
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CC 003 Introdução: A síndrome da contração capsular ocorre mais comumente em pacientes submetidos à extração de catarata pela técnica de facoemulsificação e nos quais foi realizada a capsulorrex curvilínea contínua. Relato de caso: Paciente submetido à cirurgia de catarata pela técnica extracapsular e capsulotomia tipo “abridor de latas” e que apresentou após dois anos de cirurgia, na ausência de traumas, a síndrome da contração capsular com subluxação de lente e saco capsular ínfero-nasalmente. Comentários: Apesar de rara, a contração capsular pode ocorrer em pacientes submetidos a facectomia pela técnica extracapsular e capsulotomia tipo “abridor de latas”. |
CC 004 Objetivo: Relatar um caso de amaurose aguda secundária à isquemia do nervo óptico por hemorragia peribulbar em olho direito (O.D.). Métodos: Revisão de dados para relato de caso. Relato de caso: Paciente de 60 anos de idade, alta míope, foi submetida à cirurgia de facoemulsificação com anestesia peribulbar. A indicação foi baseada na anisometropia induzida por cirurgia prévia de catarata do olho contralateral, um mês antes. Durante o procedimento anestésico, assim que a aspiração pós-introdução da agulha foi realizada, visualizou-se refluxo sangüíneo na agulha e seringa. O anestésico não foi injetado e a agulha removida. Iniciou-se compressão imediata do local e todos os procedimentos padrões para tais casos. A pressão intra-ocular (PIO) foi intensivamente controlada por um tonômetro de Perkins, alcançando uma PIO inicial de 60 mmHg e, após todos os procedimentos, uma PIO final de 18 mmHg. A cirurgia foi cancelada. No dia seguinte a paciente apresentou midríase paralítica e a acuidade visual era sem percepção luminosa. Decidiu-se realizar uma ressonância nuclear magnética (RNM) e não foi evidenciada compressão do nervo óptico (NO) nem déficit do suprimento sangüíneo. Discussão: A RNM com supressão de gordura e contraste de gadolínio é um excelente método de estudo do NO. Conclusões: A hemorragia peribulbar pode levar à isquemia aguda do NO, resultando em amaurose, mesmo quando tratada prontamente. |
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CC 005 Objetivo: Relatar a experiência do nosso serviço com a correção de miopia e astigmatismo miópico composto com a técnica do PRK, utilizando o laser Meditec Mel 60. Métodos: Estudo retrospectivo feito através da avaliação de prontuários médicos de pacientes submetidos a PRK para correção de miopia. Foram separados 3 grupos a depender do equivalente esférico tratado: até -4,00D (A), maior ou igual a -4,00D e menor do que -6,00D (B) e maior ou igual a -6,00D (C). Foram avaliados AV s/c e c/c, equivalente esférico, componente cilíndrico no pré e no pós-operatório, além de freqüência de haze. Resultados: foram avaliados 101 olhos de 55 pacientes. No grupo A (n=38 olhos), a AV pós-operatória sem correção foi melhor ou igual a 20/40 em 94,74% dos olhos e o EE final foi plano ± 0,61D; no grupo B (n=35 olhos), a AV s/c foi melhor ou igual a 20/40 em 97,14% dos olhos, com EE final igual a 0,03 ± 0,56. Neste grupo 5,71% dos olhos desenvolveram haze. Em 50% dos olhos do grupo C (n=28 olhos) a AV s/c foi melhor ou igual a 20/40 e 39,29% alcançaram 20/20 com correção e EE final de -0,82 ± 1,09. A freqüência de haze foi 21,42% neste grupo. Conclusão: o PRK deve ser lembrado como uma opção segura e eficáz no tratamento de miopias baixas e moderadas. |
CC 006 Introdução: A polipseudofacia foi introduzida no intuito de correção da afacia nos casos em que o valor dióptrico da lente a ser implantada fosse muito elevado em relação às lentes disponíveis, principalmente nos casos de altas hipermetropias, pós ceratoplastias ou cirurgias refrativas. Descrevemos uma complicação possível denominada opacificação interlenticular (OIL), que ocasiona alterações refrativas e redução da acuidade visual, muitas vezes requerendo substituição das lentes como tratamento definitivo. Relato dos casos: 1- "refractive lens exchange" para alta hipermetropia, sendo utilizadas duas lentes acrílicas Acrysof no saco capsular em ambos os olhos, após quatro anos de evolução, desenvolveram-se opacidades interlenticulares periféricas, preservando apenas a área central de contato entre as lentes; 2- paciente com catarata, alta hipermétrope em ambos os olhos, utilizadas uma lente de silicone Allergan posterior e a anterior foi uma lente acrílica Acrysof, em ambos os olhos, que, após dois anos desenvolveram opacidades interlenticulares, sendo resolvida a complicação pela substituição das lentes acrílicas por lentes de silicone, com resultados satisfatórios; 3- "refractive lens exchange" para alta hipermetropia, sendo utilizadas duas lentes de silicone Allergan no saco capsular em ambos os olhos, após seis meses notou-se presença de opacificação interlenticular refringente sem comprometimento da função visual. Comentários conclusivos: A opacificação da interface interlenticular é causada por pérolas de Elschnig ou formação de membrana, e relaciona-se à proliferação e migração de células epiteliais residuais do cristalino, no saco capsular. Os casos relatados apresentam formas distintas de opacidades interlenticulares. |
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CC 007 Objetivo: Descrever um caso de erosões recorrentes pós LASIK. Relato do caso: Uma paciente feminina de 35 anos submeteu-se a LASIK no olho direito para correção de -4,00 DE -2,50 DC x 25°. Durante a cirurgia notou-se defeito epitelial grande depois do corte do microcerátomo. Em cinco dias a melhor acuidade visual era de 20/30. Aos 2 meses de pós-operatório a paciente apresentou uma estória de olho vermelho e irritação no olho direito. Ao exame observava-se defeito epitelial pequeno com resolução completa em 5 dias com uso de LCT. Aos quatro e 6 meses de pós-operatório a paciente apresentou a mesma estória. A investigação sistêmica mostrou-se negativa para qualquer outra patologia. Aos 9 meses de pós-operatório, após ter coçado seu olho a paciente apresentou olho vermelho e sensação de corpo estranho, com muita dor. Observava-se uma abrasão corneal de 3mm em seu olho direito acompanhado de infiltrado inflamatório multifocal e granular, restrito à interface do flap, característico da ceratite lamelar difusa (DLK). Em duas semanas a visão era de 20/40 com resolução completa da inflamação. No pós-operatório de 1 ano a paciente apresentava nébula corneal na região das 2 últimas desepitelizações, com refração de + 0,50 DE -2,25 DC x 30 (20/20). No olho contralateral optou-se pela indicação de ceratectomia fotorefrativa (PARK) para correção de -4,50 DE -1,50 DC x 165. Em 2 meses de pós-operatório não se observou nenhum episódio de ceratite ou defeito epitelial. Conclusão: Prefere-se indicar PRK em casos comprovados ou com leve suspeita de distrofia da membrana basal do epitélio da córnea. |
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CC 008 Introdução: A distrofia endotelial hereditária congênita é uma doença corneana bilateral rara e caracterizada por opacidade corneana difusa, que leva à diminuição da acuidade visual. Relato do caso: Paciente, procura atendimento por diminuição da acuidade visual em ambos olhos e opacidade corneana congênita. Ao exame inicial foi encontrada acuidade visual de 20/400 - 20/200, edema de córnea importante e leucoma central em ambos olhos. Aproximadamente 24 meses após a consulta inicial, foi realizada a ceratoplastia penetrante. O paciente foi acompanhado semanalmente no pós-operatório inicial, que transcorreu sem alterações até o 8º mês quando ocorreu rejeição corneana (acuidade visual 20/200 – cd 1m). Paciente retornou para a lista de espera e aproximadamente 15 meses após a primeira cirurgia foi realizada a segunda ceratoplastia penetrante em olho esquerdo. No pós-operatório imediato foi encontrada acuidade visual de 20/400 – 20/200. O acompanhamento não demonstrou alterações e atualmente paciente se encontra com 45 meses de seguimento com acuidade visual de cd 50cm – 20/100, com botão claro, sem sinais de rejeição e edema, tonometria normal em ambos olhos. Comentários: A ceratoplastia penetrante nos casos de distrofia endotelial hereditária congênita, resulta em melhora funcional da córnea e aumento da acuidade visual. O caso apresentado de ceratoplastia penetrante obteve sucesso, com melhora importante da acuidade visual inclusive com desejo do paciente e dos familiares de se realizar a ceratoplastia em olho direito. |
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CC 009 Objetivo: A ausência de relatos de ceratoplastia endotelial lamelar posterior na literatura brasileira motivou-nos à publicação dos resultados preliminares desta cirurgia em distrofia de Fuchs. Método: O procedimento cirúrgico foi realizado no olho direito em um caso de distrofia de Fuchs com falência endotelial. Através de uma incisão límbica tunelizada autoselante de 9 mm, o estroma corneano foi delaminado a uma profundidade de 0,35 mm. Um disco lamelar de 8,5 mm, contendo estroma, membrana de Descemet e endotélio, foi transplantado sem sutura corneana. Foram avaliados: acuidade visual sem e com correção, biomicroscopia, topografia, paquimetria ultra-sônica e densidade endotelial. Resultado: A paciente apresentava no pré-operatório: acuidade visual sem correção de 20/200 e com correção de 20/100 (+4,0 -3,25 x 60°), astigmatismo irregular de 6,6 dioptrias (37,5 a 12° x 44,1 a 102°), paquimetria de 0,625 mm, microscopia especular de 720 cel/mm2. Após três meses da cirurgia, apresentava-se com: acuidade visual sem correção de 20/50 e com correção de 20/30 (-1,25 -0,5 x 45°), paquimetria de 0,503mm, microscopia especular de 2447 cel/mm2 e astigmatismo regular de 1,0 dioptria (37,2 a 75° x 38,2 a 165°). Complicações: Corte inadvertido da íris, sendo feito pupiloplastia, má coaptação de bordas, dobras de disco doador e nébula de interface. Conclusão: Os resultados preliminares sugerem que a ceratoplastia endotelial lamelar posterior é uma alternativa para o tratamento cirúrgico da distrofia de Fuchs com falência endotelial. Um seguimento mais prolongado se faz necessário para melhor entendimento e caracterização desta técnica de ceratoplastia e de suas repercussões. |
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CC 010 Introdução: Infecção escleral é rara, sendo mais comum a imunológica, a maioria por infecção corneana ou endoftalmite. Os organismos mais encontrados: Pseudomonas aeruginosa, Estreptococcus sp, Estafilococcus sp e Proteus sp. Relato de caso: Paciente M.A.R., 47a, branca, procurou atendimento com dor e baixa de acuidade visual (BAV) há um dia no olho esquerdo (OE). Há dois meses teve ceratoesclerite infecciosa após queda de soda caústica no OE. Ficou internada, com antibioticoterapia (ATB) amplo espectro (Vancomicina e Fortaz) e, após três dias, alta hospitalar. Ao exame, febril, AV OE: percepção luminosa; bioOE: tarsorrafia temporal, infiltrado ceratoescleral nasal 3+/4+, ceratólise com descementocele superior, hipópio 2/3, suspeitando-se de ceratoesclerite infecciosa. Recebeu ATBintravenosa (Ceftazidima, Vancomicina) e via oral (Ciprofloxacina), além de corticóide e colírios fortes (Vancomicina, Amicacina). A cultura foi positiva para Pseudomonas aeruginosa e a bacterioscopia negativa. Evoluiu com necrose extensa da esclera nasal inferior, perfuração corneana às 10h. Foi feito transplante de córnea com enxerto escleral, facectomia sem implante de LIO e tarsorrafia temporal. Houve restauração da integridade corneoescleral. Discussão: Esclerite por Pseudomonas é uma infeção grave que pode ser resistente ao tratamento clínico e levar à cegueira. O tratamento deve ser prolongado com ATB parenteral e tópica, com corticóide tópico. Em nosso relato, trata-se de caso grave, resistente ao primeiro tratamento, provavelmente devido à dificuldade do acesso destas drogas ao local da lesão em níveis suficientes, levando ao fracasso terapêutico inicial. Em casos de evolução não satisfatória, indica-se intervenção cirúrgica, como ressecção conjuntival, crioterapia ou biópsia excisional com transplante escleral. Apesar de diferentes formas terapêuticas, o prognóstico deste processo patológico é reservado. |
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CC 011 Introdução: A distrofia amorfa posterior é uma patologia muito rara mesmo nos grandes centros de referência oftalmológica. Assim, poucas são as publicações sobre esta entidade na literatura nacional e internacional. Relato de caso: Neste trabalho descrevemos o caso de uma criança portadora de distrofia amorfa posterior e correlacionamos seus achados clínicos com a refração, topografia e biomicroscopia ultra-sônica (UBM). Comentários conclusivos: É importante alertar o oftalmologista da possibilidade de se deparar com casos raros de distrofias corneanas. É relevante também que se examine os familiares destes pacientes o quanto antes com o intuito de detectar ametropias e evitar a ambliopia. |
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CC 012 Objetivo: Avaliar os efeitos da ceratectomia fototerapêutica (PTK) em pacientes com ceratopatia bolhosa. Relato de Caso: Foi realizado PTK em um paciente pseudofácico com descompensação corneana pós facectomia, com excimer laser NIDEK EC 5000, após debridamento epitelial manual. O paciente apresentou melhora da dor após a aplicação do laser e durante os oito meses de seguimento. Não houve melhora da acuidade visual. Conclusão: A realização de PTK deve ser considerada uma alternativa a mais no tratamento da dor em ceratopatia bolhosa de pseudofácicos. |
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CC 013 Objetivo: Este estudo tem o objetivo de avaliar os pacientes com estrabismo sensorial em aspectos variados, como etiologia, tipo e medida do desvio, correlação do tipo do desvio com a idade de aparecimento da patologia de base, e resultados cirúrgicos nos casos operados. Métodos: Avaliação dos prontuários médicos dos pacientes com estrabismo sensorial atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo no setor de Motilidade Ocular Extrínseca, no período de setembro de 1990 a julho de 2002. Resultados: Foram avaliados 84 pacientes masculinos e 107 femininos; os diagnóstico mais prevalente para baixa visual foi coriorretinite atrófica em 49 casos. 87 pacientes tinham exotropia e 97 tinham esotropia. Um total de 82 pacientes tiveram cirurgia indicada, 50 acabaram operando e, nos 42 com dados pós-operatórios disponíveis, foi constatado um sucesso cirúrgico de 90,5%. Conclusões: O bom resultado cirúrgico observado nesse estudo, associado à melhora da estética, auto-estima, relações pessoais e performance profissional desses pacientes reforça a necessidade da correção cirúrgica nesses casos. |
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CC 014 Objetivo: Estudar o resultado cirúrgico de pacientes com paralisia crônica do 6º nervo craniano tratados no setor de Motilidade Ocular Extrínseca do Departamento de Oftalmologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Nós comparamos dados envolvendo etiologia, sexo, idade, lateralidade, tempo de início, ângulo de desvio e outros, e avaliamos as taxas de sucesso nos diferentes grupos de tratamento cirúrgico. Métodos: Nós coletamos dados retrospectivos de paresias ou paralisias crônicas do 6º nervo craniano tratadas cirurgicamente. Os pacientes foram incluídos nesse estudo segundo alguns critérios, como: duração da paralisia maior que 6 meses, ângulo inicial de desvio maior que 10 dioptrias prismáticas (DP) na posição primária do olhar, e algum grau de deficiência de abdução. Um seguimento pós-operatório mínimo de 6 meses foi obrigatório. Resultados: 34 pacientes cirúrgicos foram incluídos. Doze foram tratados com técnicas de retrocesso-ressecção (sucesso cirúrgico de 66,7%), 11 tratados com técnica de retrocesso-ressecção associado com sutura de tração (sucesso cirúrgico de 18,2%), 2 pacientes foram operados com técnica de transposição muscular ajustável de Carlson-Jampolsky sem retrocesso do reto medial (sucesso cirúrgico de 100%) e 9 pacientes com retrocesso do reto medial associado (sucesso cirúrgico de 22,2%). Conclusão: Nesse estudo retrospectivo, o tratamento cirúrgico da paralisia ou paresia crônica do 6º nervo craniano obteve baixas taxas de sucesso quando havia uma completa deficiência de abdução. É desencorajadora a comparação entre os diferentes grupos devido aos diversos fatores existentes e características próprias de cada grupo. |
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CC 015 Introdução: Trauma direto a um músculo extra–ocular pode causar ruptura ou desinserção das fibras, estando os músculos retos mais expostos ao traumatismo devido sua localização anatômica. Relato de Caso: E.R.S., 55 anos, com queixa de diplopia vertical em posição primária do olhar (PPO) após queda da própria altura há 12 horas. O músculo reto inferior direito (RID) estava exposto e fixado à pele com adesivo. A acuidade visual era 20/20 em ambos os olhos, a pressão intra-ocular estava normal e à biomicroscopia observou-se ceratite puntata inferior em olho direito. No teste de Krimsky, em PPO, havia hipertropia do olho direito (HTD) 62D e exotropia 10D. A ducção ativa era positiva à elevação e a ducção passiva era negativa. O paciente foi submetido à cirurgia sob anestesia local. A estrutura aderida à pele correspondia à porção anterior do RID. Após exploração cirúrgica, identificaram-se fibras posteriores do RID que foram reinseridas na inserção original do mesmo, após ressecção de 13mm da porção anterior. Na avaliação peroperatória, em PPO, havia HTD 25D e o paciente ainda referia diplopia. Foi então realizada ressecção e anteriorização do oblíquo inferior direito. Ele foi novamente examinado e negava diplopia em PPO. No 35º pós-operatório, o paciente estava ortotrópico, apresentando ao teste de prisma e cobertura HTD 4D e exoforia 2D em infraversão. Ele estava satisfeito com resultado cirúrgico, praticando suas atividades diárias sem restrições. Conclusão: É fundamental durante a cirurgia, distinção do tipo de lesão, identificação das fibras musculares e avaliação peroperatória da função muscular. A evolução desse caso confirma a importância do diagnóstico precoce e tratamento imediato para correção do desvio ocular, oferecendo melhor qualidade de vida ao paciente. |
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CC 016 Introdução: Apresentamos um caso de endoftalmite pós-cirurgia de estrabismo onde a paciente teve melhora dos sinais e sintomas clínicos após diagnóstico precoce e terapêutica adequada com antibióticos. Relato do caso: Paciente de 28 anos, foi submetida à correção de esotropia através de recuo de 5,0 mm dos retos mediais. No 1º dia pós-operatório (DPO) a paciente apresentava-se sem inflamação intra-ocular e em uso de colírio a base de polimixina B, neomicina e dexametasona (4/4h) em ambos os olhos (AO). No 3º DPO apresentou no exame de olho esquerdo (OE): hiperemia conjuntival, hipópio. A prescrição foi modificada para colírios de ciprofloxacina (2/2h) e atropina (12/12h) em OE. No 4º DPO, a paciente evoluiu com baixa de acuidade visual no OE, apresentando piora da reação inflamatória em segmento anterior, turvação vítrea, não sendo possível a realização da fundoscopia. A paciente foi internada e submetida à punção vítrea em OE para cultura de material e injeção intravítrea de amicacina (0,4 mg) e vancomicina (1,0 mg). Foi feita injeção subconjuntival de 0,5 ml de gentamicina (80mg/2ml). Foi prescrito também durante o internamento cefalotina, gentamicina parenterais que foram substituídos posteriormente por ceftriaxone, além dos colírios de cefalotina, gentamicina e ofloxacinina (1/1h) e atropina 1% (12/12h). No 27º DPO não mais apresentava hipópio; acuidade visual em AO de 20/20. Nenhuma das placas (ágar sangue, ágar chocolate e Sabouraud) apresentou crescimento microbiano. Comentários conclusivos: Este caso ratifica a necessidade da anamnese, do exame biomicroscópico, da oftalmoscopia, nos primeiros dias de pós-operatório; além do conhecimento sobre medidas profiláticas e do uso de antibióticos nas diversas vias de administração. |
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CC 017 Objetivo: Análise da distribuição da pressão intra-ocular em seres humanos como fator coadjuvante na prevenção da cegueira por glaucoma. Pacientes e Método: Amostra de 940 pacientes acima de quarenta anos de idade. Avaliamos a média, variância, desvio padrão, desvio de erro, percentis e moda. Usamos o teste “t” de Student com estatística T mostrando os graus de liberdade e gerando o valor de p. Resultado: Homocedasticidade alta com olho contralateral, indicando grande força de associação na distribuição amostral. Média de 16,614 milímetros de mercúrio (mmHg) e variância de 12,736 mmHg, gerando uma curva bem próxima da distribuição gaussiana desviada para a direita característica da distribuição do glaucoma consagrada. Erro padrão de 0,116 e desvio padrão de 3,569 mm de Hg. 20 mmHg está no percentil 91,8. O T estatístico foi de 138.867 para um 939 graus de liberdade e um valor de p=0,00000. Conclusão: A amostra avaliada tem correlação boa com outras populações. Bom parâmetro no combate à cegueira pelo glaucoma. Torna-se útil pela sua homocedasticidade para comparação em outros estudos e na conduta com o paciente. |
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CC 018 Objetivo: Analisar 17 casos de síndrome de íris plateau (33 olhos) enfocando a apresentação clinica, diagnóstico, tratamento adotado e evolução. Material e Métodos: Os pacientes foram diagnosticados como síndrome de íris plateau baseado em história clínica, evolução, resposta à terapia e resultados de ultrabiomicroscopia (UBM). Resultados: Catorze pacientes (28 olhos) foram submetidos a iridectomia. Apesar das iridotomias patentes, 8 deles apresentaram nova crise de glaucoma agudo; e os outros 6 apresentaram teste provocativo positivo. Foi realizada iridoplastia periférica em 5 pacientes (10 olhos), sendo que dois pacientes foram diagnosticados e submetidos a iridoplastia recentemente, e não foram incluídos na análise. A iridoplastia foi efetiva em 2 olhos. Nos 8 olhos restantes, a iridoplastia não foi suficiente para manter o ângulo aberto e, o uso de mióticos foi necessário. Doze de quinze pacientes desenvolveram sinéquias anteriores periféricas (SAP). Conclusão: Em nosso estudo, se obteve controle efetivo da síndrome em apenas 2 olhos submetidos a iridoplastia periférica realizada de maneira correta. Vinte e sete dos 29 olhos estão em uso de pilocarpina como parte do tratamento e 12 apresentam SAP. Os autores acreditam que o uso crônico da pilocarpina a 2% 3x/dia pode ser responsável pelo desenvolvimento de SAP, ou pelo menos, não está sendo capaz de evitá-las; e que a iridoplastia periférica não é um procedimento fácil e deve ser realizado por oftalmologistas com experiência. |
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CC 019 Objetivo: Descrever os sistemas eletrônicos de comunicação adaptados por um paciente com esclerose lateral amiotrófica (ELA). Revisar as manifestações oftalmológicas desta doença e a importância da função visual e óculo-motora na comunicação e tratamento de pacientes severamente incapacitados. Método: Relato de caso clínico, descrição do equipamento e revisão da literatura. Resultados: A ELA é uma desordem neurológica progressiva, de causa(s) desconhecida(s), caracterizada por sintomas de origem bulbar e compromisso da musculatura respiratória e dos membros, que geralmente poupa a musculatura ocular extrínseca e deixa intacto o intelecto e o estado de consciência. Atualmente, o tratamento de suporte recomendado costuma ser fornecido por uma equipe multi-profissional semelhante à Assistência Domiciliar da Unimed-Campinas (ADUC). Utilizando a mobilidade facial e ocular, equipamento eletrônico e um computador, o paciente conseguiu comunicar-se à distância e com as pessoas que o rodeiam, estabelecendo uma ocupação digna como desenhista gráfico. Conclusões: A ELA pode deteriorar tremendamente a qualidade de vida das pessoas. O tratamento e planejamento de custos de longo prazo devem proporcionar ao paciente a maior autonomia possível, uma boa comunicação e um meio ambiente digno e adequado, visando sua saúde física e psicológica e a de seus familiares. Medidas simples como piscar perante uma cartela, ou sofisticadas, como o uso de um computador, possibilitam a comunicação com o paciente contribuindo com sua qualidade de vida e seu desenvolvimento pessoal. Os autores definem como “comunicação visual”, aquela que utiliza os olhos e as pálpebras como os elementos corporais que permitem a expressão de idéias e pensamentos. |
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CC 020 Introdução: A síndrome Tolosa-Hunt (STH) é caracterizada por oftalmoplegia dolorosa secundária a uma inflamação granulomatosa idiopática do seio cavernoso ou fissura orbital superior. Um dos diagnósticos diferenciais é a arterite temporal (AT), uma vasculite de vasos de médio e grande calibre caracterizada por infiltração mononuclear e por fragmentação da lâmina elástica. Este relato de caso descreve um raro caso de associação entre essas duas entidades clínicas. Relato do caso: Paciente do sexo feminino, 50 anos, apresentou dor retro-orbital associada à diplopia com mirada à direita, paralisia do VI par craniano à direita, diminuição da acuidade visual, náusea e vômitos. Os exames de atividade inflamatória estavam dentro dos parâmetros de normalidade. Tomografia computadorizada mostrou captação laminar assimétrica na porção ântero-medial da fossa média direita, adjacente ao gânglio de Gasser e da porção orbital da asa maior do esfenóide. Corticóides foram usados, com melhora rápida dos sintomas. Um mês depois, houve recorrência dos sintomas, exames de atividade inflamatória apresentavam-se com resultados elevados, e apresentava defeito pupilar aferente relativo (DPAR) no olho direito. Foi realizada biópsia da artéria temporal, com diagnóstico de arterite fibrinosa. Os sintomas foram controlados com uso de corticoesteróides. Comentários conclusivos: A paciente preencheu os critérios diagnósticos da Sociedade Internacional de Cefaléia (International Headache Society) para STH e apresentou os achados radiográficos compatíveis com esta. Devido à presença do DPAR foi suspeitada neuropatia óptica isquêmica anterior e realizada biópsia da artéria temporal, com resultado anátomo-patológico compatível com AT. Levando em conta estes achados, acreditamos que este seja um raro caso de associação entre STH e AT, mesmo estas sendo, tradicionalmente, diagnósticos diferenciais. |
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CC 021 Introdução: A neurite óptica pós-infecção por sarampo é uma rara complicação desta virose infantil e ocorre principalmente associada a encefalomielite. Os autores descrevem um caso em que esta complicação aparece na ausência de encefalomielite. Relato do caso: Paciente T.H.C., 10 anos, sexo feminino, procurou o serviço com queixa de baixa da acuidade visual progressiva em ambos os olhos há 12 horas. Tinha diagnostico clínico e laboratorial de sarampo, sem evidências de encefalomielite. Ao exame oftalmológico foi diagnosticado neurite óptica bilateral. A conduta adotada foi expectante. Após quinze dias de acompanhamento apresentou resolução quase total do quadro com acuidade visual final de 20/60 em OD e 20/40 em OE. Comentários conclusivos: A neurite óptica pós-infecção por sarampo deve sempre constituir diagnóstico diferencial em crianças que apresentem história recente desta virose, mesmo na ausência de encefalomielite. |
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CC 022 Objetivo: Descrever um caso de atrofia óptica dominante associada a hipoacusia bilateral e fazer uma revisão dos principais diagnósticos diferenciais. Método: Relato de caso. Resultado: Neste estudo descrevemos um caso de atrofia óptica dominante associada a hipoacusia bilateral e alteração assimétrica da acuidade visual. Ao estudo eletrofisiológico, observamos diminuição das amplitudes e latência normal no exame de potencial visual evocado (PVE) padrão reverso e respostas normais no eletrorretinograma. A ressonância nuclear magnética mostrou sinais de atrofia do disco óptico em ambos os olhos, atrofia na via óptica anterior à esquerda e no quiasma óptico. Foram descartados os diagnósticos diferenciais, particularmente o glaucoma de pressão normal. Conclusão: Atrofia óptica dominante, apesar de constituir uma entidade rara, deve ser lembrada em pacientes com história de baixa acuidade visual, quadro de palidez de disco óptico e perda de campo visual. Diagnósticos diferenciais devem ser descartados, principalmente o glaucoma de pressão normal. |
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CC 023 Objetivo: Descrever o caso clínico de um paciente com paralisia do nervo óculo-motor secundária à síndrome de Benedict e discutir os seus aspectos diagnósticos e terapêuticos. Materiais e Métodos: Descrevemos o caso de um paciente atendido no ambulatório de Oftalmologia do Hospital Universitário Onofre Lopes, da UFRN, em março de 2001. Relato do caso: RWS 32 anos, masculino, branco, com relato de ptose palpebral esquerda aos 14 anos, seguida, após 4 meses, por tremores nos membros direitos e, após 10 meses, por défcit motor nos membros direitos. Ao exame, apresentava ptose palpebral esquerda, com impossibilidade de aduzir, supraduzir ou infraduzir este olho. Manifestava, ainda, impossibilidade de supraduzir e infraduzir e dificuldade de aduzir o olho direito, tanto em levoversão como na tentativa de convergência, porém sem ptose neste olho. Os reflexos pupilares estavam abolidos nos dois olhos e as pupilas eram médias e simétricas. Manifestava ainda movimentos involuntários, além de discreta paresia (grau 4) e tremores nos membros direitos. O exame tomográfico revelou uma lesão hiperdensa no mesencéfalo dorsal, à esquerda, com extensão anterior e medial, provável germinoma da pineal, atingindo o núcleo do óculo-motor contralateral. Comentários conclusivos: Lembramos a importância da investigação diagnóstica adequada, em face da grande variedade de causas de paralisia óculo-motora e da eventual gravidade e necessidade de tratamento precoce de algumas delas. Além disto, o tratamento cirúrgico deve ser considerado naqueles pacientes em que o tratamento da doença de base não logrou resultado quanto à recuperação do nervo. Pois é possível em certos casos, além de considerável melhora estética, conseguir-se bom alinhamento dos olhos com algum grau de visão binocular. |
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CC 024 Introdução: Manifestações oculares das vasculites podem envolver qualquer parte do olho ou da órbita, podendo ter como uma de suas manifestações a doença inflamatória da órbita. Relato de caso: O autor descreve um caso de doença inflamatória específica da órbita com manifestações sistêmicas sugestivas da granulomatose de Wegener, porém, apresentando dosagem do anticorpo ANCA C negativa e cuja biópsia do tecido orbitário não mostrou granuloma, caracterizando uma vasculite inespecífica. No entanto, alguns autores observaram que a sensibilidade do anticorpo ANCA C é dependente da atividade e extensão da doença, podendo chegar a uma positividade de 67% nos casos da atividade limitada, e 96% nos pacientes com atividade generalizada da doença. Em relação ao anatomo-patológico, os três elementos que classicamente são encontrados na granulomatose de Wegener são: vasculite, granuloma e necrose tissular. No entanto, alguns autores relatam que a ausência de um desses elementos não exclui a doença, podendo estar presente apenas um infiltrado perivascular inespecífico. Comentários conclusivos: A ausência de granuloma na biópsia e, o fato de podermos considerar a forma limitada da granulomatose de Wegener na qual a sensibilidade do ANCA C é menor, não nos permitiu excluir esse diagnóstico. |
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CC 025 Objetivo: Apresenta técnica cirúrgica para melhoria da deformidade facial em pacientes portadores de neurofibromatose de von Recklinhausen. Método: Relato de dois casos de deformidade facial às custas do neurofibroma localizado no quadrante superolateral da órbita. Resultados: Realizada a exérese da tumoração em ambos os casos, através da cirurgia de blefaroplastia associada à técnica de Bick modificada, com melhora da parte estética. Conclusão: Apesar de ser considerada uma doença benigna, esta facomatose pode acarretar lesões deformantes nos pacientes. Dependendo da localização e extensão da lesão nem sempre o procedimento cirúrgico é bem sucedido. Através da cirurgia realizada nestes dois casos, observamos resultado estético satisfatório, sendo esta técnica cirúrgica mais uma alternativa para situações semelhantes. |
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CC 026 Introdução: Microftalmia é uma malformação congênita na qual o globo ocular é menor do que o normal. Pode ser definida como olho com comprimento axial menor que dois desvios padrões do normal. Em um adulto, um olho menor que 20,9 mm. François classificou como puro, complicado ou colobomatoso, e Weiss como simples ou complexo. O microftalmo simples, apresenta diminuição do comprimento axial com hipermetropia acentuada, sem outras anomalias oculares. Este trabalho objetiva relatar os achados de um microftalmo puro. Relato de caso: C.S., 51 a, fem., que faz acompanhamento por BAV em ambos os olhos, referindo piora no olho direito (OD) após crise de glaucoma há dois anos. Usa colírio de maleato de timolol 0,5% e lubrificante no OD. Não apresenta queixas atuais. Ao exame, enoftalmo bilateral; AV: SPL no OD e 0,6 no OE (+13,00DE 0,50DC 40°). Biomicroscopia OD: edema de córnea, microbolhas epiteliais centrais, CA rasa, média midríase, sinéquias posteriores, atrofia de íris, rubeosis, opacidade de cristalino. OE: câmara anterior rasa, iridotomia periférica superior. Tonometria: OD 28 mmHg e OE 12 mmHg. Oftalmoscopia OD: impossível, e OE: sem alterações. Diâmetro corneano OD:10,5 e OE:11,0mm. Topografia corneana: OD dificultado pela irregularidade corneana e ceratocone superior, OE: K1 52,16D 93° e K2 51,21D 3°. Microscopia especular: OD: impossível e OE: 3005 céls/mm3. USG: microftalmia bilateral com espessamento de parede do globo ocular. O comprimento axial de 15 mm. Comentários conclusivos: O microftalmo é uma das malformações congênitas mais prevalentes, entretanto apresenta-se de forma isolada em 9,58% dos casos. Weiss encontrou valores entre 52,00 e 56,00D em 18,75% dos casos, relacionados com microcórnea, porém sem mencionar a presença de ceratocone superior. Na literatura, encontramos causa desconhecida na maioria das vezes. |
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CC 027 Objetivo: Descrever um caso de criança portadora de massa paranasal, atentando para a importância dos diagnósticos diferenciais. Relato do caso: ACS, 6 meses, sexo feminino, com abaulamento não inflamatório no canto medial à esquerda, lacrimejamento e hiperemia no olho direito desde o nascimento. Ao exame apresentava lagoftalmo bilateral, opacidade corneana à direita; presença de lesão arredondada, de superfície lisa, em canto medial esquerdo, sem sinais inflamatórios, medindo aproximadamente 2 cm de diâmetro. À palpação, a lesão era elevada, de consistência fibroelástica, imóvel, indolor, irredutível. À propedêutica das vias lacrimais, não havia refluxo à compressão, o teste de Milder foi negativo em ambos olhos e as vias apresentavam-se pérvias a dacriocistografia. O exame tomográfico revelou tratar-se de meningocele fronto-etmoidal. Comentários: Os autores chamam a atenção para a adequada semiologia para a investigação das massas paranasais, a fim de se instituir o adequado tratamento. |
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CC 028 Introdução: A endoftalmite endógena é rara, geralmente acomete pacientes debilitados ou que foram submetidos a procedimentos invasivos. Os microorganismos chegam ao olho via hemática e determinam pobres resultados visuais. Relato de caso: MPPM, 24 anos, masculino, casado, pardo, desempregado, natural de São Paulo e procedente de Itaim Paulista. Paciente com proptose em olho direito e diminuição da acuidade visual (AV) acompanhado de broncopneumonia. Negava uso de drogas e doenças de base, relatava tosse com secreção amarelada, dor torácica, febre, dispnéia, hemoptise, prostração e emagrecimento. Ao exame encontrava-se dispnéico com (AV) de percepção luminosa, ptose, quemose, edema periorbitário, hipópio, obscurecimento do reflexo vermelho e limitação da motilidade. Foi feita a hipótese diagnóstica de celulite orbitária e endoftalmite endógena secundária à broncopneumonia. A USG ocular apresentava sinais sugestivos de endoftalmite, realizou-se coleta de material do fórnice e punção vítrea para cultura seguida de injeção intravítrea de antibiótico. Apresentava leucocitose com intenso desvio à esquerda, transaminases elevadas e radiografia com velamento inferior do hemitórax, a cultura identificou Klebsiella como patógeno intra-ocular. Foi instituída antibioticoterapia com resposta sistêmica e oftalmológica. Ao final de 21 dias teve alta com cura do quadro pulmonar e processo de atrofia do olho direito. Comentários: A finalidade é mostrar o papel da punção vítrea em pacientes com suspeita clínica de endoftalmites endógenas e de alertar para a importância do diagnóstico e tratamento precoce da patologia ocular, além de ressaltar que o diagnóstico do patógeno foi pela cultura vítrea. |
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CC 029 Objetivo: Descrever os achados clínicos, cirúrgicos e do exame de imagem de um caso de rabdomiossarcoma congênito da órbita. Métodos: O paciente foi submetido a exame pediátrico, oftalmológico completo, tomografia computadorizada do crânio e órbitas, abordagem cirúrgica e estudo histopatológico do material removido pela cirurgia. Resultados: Observou-se exoftalmia unilateral severa, à direita, lateralizada com olho desviado para baixo e para dentro, não pulsátil, não inflamatória, não traumática. A lesão expansiva situava-se nos quadrantes superiores da órbita, distendia as pálpebras, principalmente a superior, e era palpável e visível entre o bulbo ocular e o teto da órbita, apresentando consistência mediana e mole ao nível do sulco órbito-palpebral. Bulbo ocular mostrava segmento anterior e vítreo normais. A retina apresentava um descolamento exsudativo de extensão de 11 horas. Nervo óptico normal. A tomografia computadorizada de crânio e órbita foi normal para o crânio e mostrava volumoso processo expansivo sólido que deformava o bulbo ocular direito. A abordagem cirúrgica mostrou uma tumoração tomando toda a cavidade orbitária direita, envolvendo os músculos extra-oculares e nervo óptico em bloco e de coloração rosa clara com aspecto grumoso. O exame imuno-histoquímico identificou um rabdomissarcoma embrionário. Conclusões: O rabdomiossarcoma embrionário deve ser incluído no diagnóstico diferencial das lesões expansivas congênitas da órbita. O diagnóstico preciso e o tratamento de urgência podem salvar a vida do paciente. |
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CC 030 Objetivo: Relatar um caso de nódulo de Fordyce na superfície ocular. Método: Relato de caso. Resultados: Paciente masculino de 41 anos referia nódulo em região temporal superior do olho esquerdo a cinco meses. Antecedentes oculares de três excisões de pterígio recorrente no olho esquerdo, sendo a última realizada há 15 anos, quando foi realizado enxerto de mucosa labial para recobrimento escleral. A lesão sobrelevada consistia de múltiplos e pequenos grânulos branco amarelados com mucosa espessada de aproximadamente 7 x 7 mm, entre 1 e 4 horas e infiltrado corneano superficial adjacente. O estudo histopatológico da biópsia excisional revelou epitélio conjuntival queratinizado, acantótico, com ausência de células caliciformes. No estroma observou-se processo inflamatório crônico, áreas de fibrose, elastose e glândulas sebáceas típicas, consistentes com nódulos de Fordyce. Conclusões: os nódulos de Fordyce são uma rara complicação benigna tardia de enxerto de mucosa labial na superfície ocular. |
CC 031 Objetivo: Descrição clínica de dois casos de necrose escleral intensa como complicação do uso tópico de mitomicina C após exérese de pterígio. Método: Revisão dos prontuários. Resultados: Um dos pacientes evoluiu para perfuração do globo ocular; o outro apresentou lenta cicatrização e vascularização da área ectásica com tratamento conservador. Conclusão: A mitomicina C deve ser utilizada com cautela devido às complicações implicadas no seu uso. |
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CC 032 Introdução: Miíase é uma zoonose produzida por larvas de mosca. Ocorre em pacientes de baixo nível socio-econômico ou em pacientes de áreas rurais. Quando acomete o olho ou seus anexos é referida como oftalmomiíase, que ocorre aproximadamente em 5% de todos os casos. Baseado no sítio de infestação, pode ser classificada em externa, interna ou orbitária. Relato de caso: J.L.M, 32 anos, masculino, casado, branco, mecânico, procedente e residente de Mogi das Cruzes/SP. O paciente queixava-se de queimadura com solda elétrica no olho esquerdo (OE), há um dia, associada a olho vermelho e sensação de corpo estranho. Ao exame oftalmológico observava o olho direito (OD) sem alterações, e no OE, pálpebras hiperemiadas e edemaciadas, com presença de orifício temporal superior, e nasal inferior, havendo movimentação em seu interior. A conjuntiva apresentava hiperemia intensa, e em região tarsal inferior tinha lesão esbranquiçada com espículas pretas em sua superfície. Foi levantada a hipótese de miíase ocular e cutânea, sendo realizado o tratamento cirúrgico, que se baseou na incisão dos orifícios na região dos nódulos, com remoção mecânica das larvas, sob anestesia local. As peças foram enviadas ao laboratório, para investigação anatomopatológica. Comentários: O acometimento ocular, embora raro, pode ser assintomático ou sintomático. Os sinais e sintomas dependem das espécies causadoras, antigenicidade heterogênea entre elas e sua localização. As principais espécies causadoras são: Oestrus ovis, Rhinoestrus purpureus, Gasterophilus spp e Chrysomyia bezziana. Devido ao dano visual em conseqüência de migração da larva é sugerido o tratamento precoce independente de sua localização. |
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CC 033 Objetivos: Determinar as indicações clínicas que levaram ao procedimento cirúrgico de evisceração bem como estudar a faixa etária e o sexo dos pacientes atendidos no Setor de Plástica Ocular do Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre no período de 1988 até 2002 que necessitaram ser submetidos a este tipo de intervenção. Métodos: Foram estudadas retrospectivamente as fichas clínicas de 126 pacientes submetidos à evisceração do globo ocular no período estudado. Avaliaram-se os diagnósticos clínicos que conduziram os casos à cirurgia da evisceração bem como a faixa etária e o sexo de todos os pacientes. Conclusões: A causa mais freqüente das eviscerações em olhos atróficos ou pré-atróficos e dolorosos atendidos no Setor de Plástica Ocular do Hospital Banco de Olhos de Porto alegre foi o trauma que acometeu na maioria das vezes homens com média de idade de 32 anos. Em segundo lugar o glaucoma congênito que, da mesma forma, foi mais freqüente em homens e, em terceiro lugar, o glaucoma neovascular que foi mais freqüente em mulheres. A quarta causa de evisceração encontrada foi a endoftalmite refratária ao tratamento seguida pelas úlceras corneanas. |
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CC 034 Objetivo: Relatar o uso do implante integrável Medpor em pacientes submetidos à evisceração, enucleação ou colocação tardia em cavidades anoftálmicas sem implante, com diferentes tipos de revestimento do mesmo. Método: Em 43 pacientes foi feita a colocação do implante Medpor, sendo que em 15 casos o revestimento utilizado foi material autólogo (esclera, derme ou músculo orbicular). Resultados: Os pacientes foram operados no período de janeiro/1998 a outubro/2002, com “follow-up” médio de 2 anos. Em 2 casos foi necessária a utilização de enxerto de pele devido à presença de fórnices conjuntivais rasos. Em 4 casos de evisceração com preservação da córnea, fragmentos de esclera da região do equador foram retirados e colocados entre a superfície anterior do implante e a córnea para uma maior proteção do mesmo na área de contato com a prótese. Em todos os casos houve uma boa adaptação da prótese cerca de 4 semanas após a cirurgia. Em apenas 1 caso houve uma pequena exposição do implante 2 anos após a sua colocação, não sendo necessário a sua retirada mas sim, o seu reposicionamento na cavidade (técnica da “cambalhota”). Conclusões: Em nossa experiência com o implante Medpor, obtivemos uma taxa mínima de exposição (apenas um caso), nenhum caso de infecção e nem descentração, e uma boa adaptação da prótese em todos os pacientes. Em 4 casos foi possível a diminuição do implante para que melhor se adaptasse à cavidade. O uso de material autólogo para o revestimento da superfície anterior do implante elimina o risco inerente ao uso de tecidos homólogos, além da facilidade de sua obtenção. |
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CC 035 Introdução: Fasceíte necrotizante periorbital é uma condição rara e de extrema gravidade. Relato de caso: Descrevemos um caso de paciente com fasceíte necrotizante infrapalpebral bilateral, com cultura positiva para MRSA (Staphylococcus aureus meticilino resistente), ocorrida durante a fase pancitopênica da tricoleucemia. Ocorreu mellhora da fasceíte após debridamento e antibioticoterapia. Ocorreu ectrópio cicatricial após término do tratamento clínico. Comentários conclusivos: A fasceíte necrotizante periorbital deve ter seu diagnóstico prontamente reconhecido para o estabelecimento precoce do plano terapêutico, devido à gravidade do quadro. |
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CC 036 Introdução: Neste trabalho, apresentamos uma opção terapêutica para restaurar o equilíbrio da expressão facial, utilizando a toxina botulínica-A. A toxina botulinica-A é uma neurotoxina que atua bloqueando a liberação da acetilcolina na junção neuro-muscular, levando à paralisia muscular. Métodos: Quatro pacientes com assimetria facial após paralisia facial foram tratados com 10 a 20U de toxina botulínica-A, aplicada nos músculos risório, zigomático maior e menor do lado contralateral. Resultados: Todos pacientes notaram melhora da simetria facial, em repouso e em movimento dinâmico facial. Conclusão: Neurectomia química com toxina resulta em tratamento efetivo no manuseio da assimetria facial. É um método seguro, simples e rápido. |