Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 66 - fascículo 4
Resumos e Artigos Completos

Resumo dos artigos deste fascículo

Evolução da terapêutica do retinoblastoma
Célia Beatriz Gianotti Antoneli, Flávio Steinhorst, Karina de Cassia Braga Ribeiro, Clélia Maria Erwenne, Paulo Eduardo R.S. Novaes, Victor Arias, Alois Bianchi
Biomicroscopia ultra-sônica (UBM) no planejamento cirúrgico e acompanhamento pós-operatório de melanomas malignos de íris e corpo ciliar
Zélia Maria da Silva Corrêa, Luciane Dreher Irion, Ítalo Mundialino Marcon, Roberto Conte, Abdo Abas Abed, Silvana Lubisco Portela, Roberto Freda
Sensibilidade e especificidade do perímetro de dupla freqüência
Telma Gondim Freitas, Francisco Valter da Justa Freitas
Estudo comparativo da eficácia do uso de prednisolona e cetorolaco de trometamina tópicos após cirurgia de estrabismo
Jorge Meireles-Teixeira, Marcos Pitarello Moya, Jairo Cuperman, Tomás Mendonça, Célia Nakanami
The accute effects of resistance exercise on intraocular pressure
Geraldo Magela Vieira, Eduardo Pinheiro Penna,Martin Bottaro Marques, Ricardo Flávio Bezerra
Proposição de modelo experimental para estudo morfométrico de vasos e células em esclera de coelhos
Suzana Matayoshi, Ruth Miyuki Santo, Vera Capelozzi, Paulo Hilário Saldiva, Milton Ruiz Alves
Classificação diagnóstica dos portadores de doenças degenerativas de retina, integrantes dos grupos Retina São Paulo e Retina Vale do Paraíba
Nichard Unonius, Michel Eid Farah, Juliana M. Ferraz Sallum
Ciclofotocoagulação com laser diodo em glaucoma refratário, resultado a longo prazo
Vera Christina Waller de Lima, Paulo Augusto de Arruda Mello, João Antonio Prata Junior
Métodos alternativos na correção de transtornos oculomotores
Harley E. A. Bicas
Aspectos clínico-tomográficos da mucocele com invasão orbitária
Mary Lúcia Bedran, Jaime Guedes, Vitor Barbosa Cerqueira, Viviane Guedes, Edson Marchiori
Viscosidade como fator frenador de rotações
André Augusto Homsi Jorge
Estudo epidemiológico dos traumas oculares graves em um Hospital Universitário de São José do Rio Preto – SP
Gustavo Nishimura Aragaki, Eliane Terumi Inada, Marta Ferrari Teixeira, Gildásio Castello de Almeida Júnior, Luiz Kazuo Kashiwabuchi
Adaptação de lentes de contato pós-trauma ocular
Heryberto da Silva Alvim, Leonardo Torqueti Costa, Rogério de Almeida Tárcia, Lourival Franco de Sá Filho
Síndrome de Down e alterações de vias lacrimais
Suzana Matayoshi, Mariluze Sardinha, Alexandra Lemos Cozac, Davi Araf, Eurípedes da Mota Moura
Proptose causada por adenoma pituitário gigante - Relato de caso
Andréa Pereira, Mário Luiz Ribeiro Monteiro
O que os pediatras conhecem sobre afecções oculares na criança?
Michel Broilo Manica, Zélia Maria Silva Corrêa, Ítalo Mundialino Marcon, Nelson Telichevesky, Luiz Fernando Loch
Efeito do colírio de 5-fluorouracil sobre o epitélio corneano íntegro de coelhos
Lucieni Cristina Barbarini Ferraz, Silvana Artioli Schellini, Elisa Aparecida Gregório
Infiltração de 5-fluorouracil no pré-operatório do pterígio
Claudia Akemi Shiratori, Érika Hoyama, Silvana Artioli Schellini, Carlos Roberto Padovani
Normatização do eletrorretinograma por reversão alternada de padrões em voluntários normais
Andréa Mara Simões Torigoe, Elizabeth M. A. B. Quagliato, Marcelo Torigoe, Keila Mirian Monteiro de Carvalho

Menu principal | Índice de artigos

Evolução da terapêutica do retinoblastoma
Célia Beatriz Gianotti Antoneli
Flávio Steinhorst
Karina de Cassia Braga Ribeiro
Clélia Maria Erwenne
Paulo Eduardo R.S. Novaes
Victor Arias
Alois Bianchi

Objetivo: Mostrar a evolução do tratamento do retinoblastoma ao longo de uma década e suas implicações na sobrevida global e na preservação da visão. Métodos: Trezentos e dezenove pacientes foram avaliados no estudo. Analisamos 257 pacientes portadores de retinoblastoma admitidos no Hospital do Câncer, entre janeiro de 1986 a dezembro de 1996, divididos em dois grupos de acordo com tratamento a que foram submetidos (1986 a 1990 e 1991 a 1996). Analisamos ainda 62 pacientes portadores de retinoblastoma intra-ocular entre janeiro de 1996 e maio de 2000 que foram submetidos a quimiorredução, aliada a medidas oftalmológicas, sem enucleação ou radioterapia externa. Resultados: Em pacientes com doença intra-ocular, nos dois períodos, não houve significância estatística com relação à sobrevida. Analisamos 59 pacientes com retinoblastoma extra-ocular, de acordo com a classificação do CCG (Children´s Cancer Group), e a sobrevida global em 5 anos foi maior no 2º período, (63,7% vs. 41%; p= 0,059). Entre 1996 e 2000 analisamos 62 pacientes com retinoblastoma intra-ocular com visão preservada, sendo 47 (75,8%) com doença bilateral e 15 (24,2%) com tumor unilateral. Os portadores de tumor bilateral tiveram uma taxa de preservação de visão de 49,8%, versus 26,7% para os pacientes com tumor unilateral. Conclusões: Tumores intra-oculares mantêm altas taxas de cura e preservação da visão. Novas combinações de drogas poderão melhorar a sobrevida dos extra-oculares. Quanto às perspectivas futuras, há pesquisas envolvendo terapia gênica/molecular e terapêutica anti-angiogênese. Apesar de toda a evolução, o diagnóstico precoce é a arma mais poderosa, na cura dos portadores deste tumor.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |
Biomicroscopia ultra-sônica (UBM) no planejamento cirúrgico e acompanhamento pós-operatório de melanomas malignos de íris e corpo ciliar
Zélia Maria da Silva Corrêa
Luciane Dreher Irion
Ítalo Mundialino Marcon
Roberto Conte
Abdo Abas Abed
Silvana Lubisco Portela
Roberto Freda

Objetivo: Estudar os achados da biomicroscopia ultra-sônica (UBM) em melanomas malignos primários da íris e corpo ciliar antes e depois da ressecção cirúrgica e correlacionar a extensão do tumor (revelado pela biomicroscopia ultra-sônica) aos achados histopatológicos. Métodos: Estudo prospectivo de 5 pacientes com diagnóstico clínico de tumor de íris e/ou corpo ciliar. Estes pacientes foram avaliados pela biomicroscopia ultra-sônica antes e após iridociclectomia ou iridectomia. Os espécimens foram enviados para estudo histopatológico. Os pacientes foram acompanhados por período mínimo de 6 meses quando foi realizada nova biomicroscopia ultra-sônica. Resultados: Neste grupo de 5 pacientes, 3 eram do sexo feminino e 2, do masculino, variação de idade de 32 e 64 anos. Todos os casos eram unilaterais. Quatro pacientes apresentaram massa iridociliar e um apresentou lesão limitada à íris. Em todos os casos a biomicroscopia ultra-sônica auxiliou o planejamento cirúrgico para a ressecção tumoral com margens livres. A biomicroscopia ultra-sônica no pós-operatório revelou ausência de crescimento tumoral em todos os casos, sendo que 2 pacientes apresentaram vítreo na incisão cirúrgica, 1 deles com tração vítrea leve, mas sem sinais de descolamento de retina. Conclusão: A biomicroscopia ultra-sônica pareceu ser método auxiliar confiável para diagnosticar tumores de íris e corpo ciliar, planejar o tratamento cirúrgico e o acompanhamento pós-operatório.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |
 
Estudo das modificações oculares induzidas pelo implante estromal do anel de Ferrara em portadores de ceratocone
Paulo Ferrara de Almeida Cunha
Eduardo Adan França Alves
Frederico Bicalho Dias da Silva
Guilherme Hermeto de Almeida Cunha

Objetivo: Comparar a acuidade visual com e sem correção, ceratometria média e equivalente esférico antes e após o implante do anel intraestromal de Ferrara em pacientes portadores de ceratocone intolerantes a lentes de contato. Métodos: Foram analisados os primeiros 400 olhos com ceratocone tratados com o implante do anel de Ferrara, levando-se em consideração as alterações obtidas na curvatura corneana, acuidade visual e refração, bem como a estabilidade dos resultados no primeiro ano. Resultados: Nos 400 olhos estudados, observamos redução média na curvatura corneana de 4,18 D, o equivalente esférico diminuiu 4,65 D quando comparamos os valores obtidos no pré-operatório e os do último exame realizado. A AV média não corrigida foi a que sofreu maior alteração, passando de <20/400 para 20/100 e a acuidade visual média corrigida foi de 20/100 para 20/50. Os ceratocones classificados como grau III obtiveram maior benefício com a cirurgia no que se refere à redução da curvatura corneana. O anel de Ferrara mostrou ter a propriedade de manter a curvatura corneana estável durante o período estudado, para todos os grupos. Conclusão: O anel de Ferrara mostrou produzir redução do equivalente esférico, regularização da córnea e conseqüente correção do astigmatismo irregular com desaparecimento do padrão de ceratocone, além de uma melhora significativa na acuidade visual corrigida e sem correção.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |
 
Estudo comparativo da eficácia do uso de prednisolona e cetorolaco de trometamina tópicos após cirurgia de estrabismo
Jorge Meireles-Teixeira
Marcos Pitarello Moya
Jairo Cuperman
Tomás Mendonça
Célia Nakanami

Objetivo: Avaliar os resultados do uso de antiinflamatório não hormonal (AINH) no controle da inflamação no pós-operatório de estrabismo, comparando-se com corticóide tópico. Métodos: Selecionaram-se exclusivamente pacientes submetidos a recuo-ressecção em um só olho. Os dois grupos de pacientes usaram o mesmo antibiótico, sendo que para um grupo foi prescrito prednisolona 0,12% e para o outro cetorolaco de trometamina. Eles foram avaliados quanto a hiperemia, edema, conforto e variação da pressão intra-ocular, até o 21º dia de pós-operatório. Resultados: Foram 27 pacientes, sendo 15 no grupo de AINH e 12 no de corticóide. Com relação a edema, conforto e PIO não houve variação entre os grupos. Porém, no grupo com AINH houve 5 (33,3%) casos de hiperemia conjuntival de ++/4 no 21º dia de pós-operatório e três (20%) de granuloma. Entre os pacientes com corticóide só se observou 1 (8,3%) caso de hiperemia de ++/4 ao término do tratamento e nenhum de granuloma. Conclusão: Para cirurgias de recuo-ressecção, procedimentos que parecem induzir maior resposta inflamatória, o uso de AINH não é aconselhável.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |
 
The accute effects of resistance exercise on intraocular pressure
Geraldo Magela Vieira
Eduardo Pinheiro Penna
Martin Bottaro Marques
Ricardo Flávio Bezerra

Purpose: To study intraocular pressure (IOP) variations in healthy volunteers after weight lifting, in the supine position. Methods: A descriptive study was designed. Thirty-four individuals were preselected for this study, and a group of 25 volunteers fulfilled the inclusion criteria for joining the initial phase of this research. All of them were healthy without glaucoma. They were asked to lift an 85% top load in the supine position for 8 times. IOP was measured before and after the exercise. Student’s t test was used to analyze the IOP variations. Results: A small, but significant IOP decrease (1.61 mmHg) was obtained after exposing 25 individuals (49 eyes) to a specific physical effort. Conclusions: After a session of weight lifting in the supine position with 85% top load for 8 repetitions, there is a small, but significant IOP decrease.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |
 
Proposição de modelo experimental para estudo morfométrico de vasos e células em esclera de coelhos
Suzana Matayoshi
Ruth Miyuki Santo
Vera Capelozzi
Paulo Hilário Saldiva
Milton Ruiz Alves

Objetivo: A inexistência de modelos experimentais para estudo de alterações causadas por terapêuticas variadas na esclera motivou os autores à proposição de modelo animal para estudo quantitativo de vasos e células na esclera. Métodos: Por meio de estudo experimental prospectivo, aleatório e mascarado, foram avaliadas 15 coelhas albinas, divididas em 3 grupos. O grupo 1 (controle) foi constituído por animais que não foram submetidos a procedimento cirúrgico ou aplicação de medicação; o grupo 2 foi submetido à cirurgia conjuntival e aplicação de esponja embebida em água destilada; e o grupo 3 foi submetido à cirurgia conjuntival e à aplicação de esponja contendo mitomicina C a 0,4 mg/ml. Foi realizada análise histológica morfométrica (contagem de pontos) da esclera. Resultados: O grupo 3 mostrou redução dos parâmetros vasculares e aumento dos parâmetros celulares quando comparado aos outros dois grupos. O grupo 2 mostrou diminuição do número de núcleos de células endoteliais e aumento de células inflamatórias comparativamente ao grupo controle. Conclusões: O modelo apresentado mostrou-se exeqüível para quantificação vascular e celular em esclera de coelhos. O modelo experimental proposto revelou-se de utilidade para quantificação de vasos e células em esclera, viabilizando a detecção de alterações vasculares e celulares esclerais provocadas pela aplicação tópica de mitomicina C a 0,4 mg/ml.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Classificação diagnóstica dos portadores de doenças degenerativas de retina, integrantes dos grupos Retina São Paulo e Retina Vale do Paraíba
Nichard Unonius
Michel Eid Farah
Juliana M. Ferraz Sallum

Objetivo: Organizar um banco de dados regional de todos os indivíduos portadores de doenças degenerativas da retina, com o objetivo de classificar cada paciente de acordo com o tipo de distrofia e padrão de herança. Métodos: Durante o encontro do Grupo Retina São Paulo no dia 5 de maio de 2001, duzentas e quarenta e três pessoas foram registradas, sendo que parte forneceu dados de antecedentes oculares, pessoais e familiares e árvore genealógica. Noventa e três pacientes foram questionados quanto a idade, origem, tipo de distrofia, história familiar e árvore genealógica, tipo de herança, outras anomalias sistêmicas e exames complementares. Foram classificados quanto ao diagnóstico e padrão de herança. Resultados: Dos duzentos e quarenta e três pacientes registrados, as distrofias encontradas foram retinose pigmentária, doença de Stargardt, síndrome de Usher, amaurose congênita de Leber e coroideremia. Quanto à divisão por doença dos 93 pacientes argüidos, havia 62 pacientes com retinose pigmentária, 13 com doença de Stargardt, 13 com síndrome de Usher, três com amaurose congênita de Leber e dois com coroideremia. Dos pacientes com retinose pigmentária, o padrão de herança detectado foi autossômico dominante em quatro casos (7%), autossômico recessivo em vinte casos (32%), ligado ao cromossomo X recessivo em sete casos (11%), caso isolado em vinte e nove (47%) e padrão indeterminado em dois (3%). Para a doença de Stargardt três indivíduos (23%) seguiam o padrão de herança autossômico recessivo e dez (77%) eram casos isolados. Dos treze pacientes com síndrome de Usher, oito (61,5%) apresentavam herança autossômica recessiva, quatro (31%) eram casos isolados e um (7,5%) tinha o padrão de herança indeterminado. Os dois pacientes com coroideremia seguiam o padrão de herança ligado ao X recessivo. Para amaurose congênita de Leber, um paciente (33,5%) tinha padrão autossômico recessivo de herança e dois (66,5%) eram casos isolados. Conclusão: Destaca-se assim a importância desta classificação como a primeira referência nacional dos padrões de hereditariedade das distrofias retinianas do país. Este é o primeiro passo para se proceder em seguida a classificação genético-molecular baseada no seqüenciamento de cada gene responsável por cada um dos padrões de herança. A freqüência de cada tipo específico é semelhante à encontrada em outros trabalhos epidemiológicos de outros países.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Ciclofotocoagulação com laser diodo em glaucoma refratário, resultado a longo prazo
Vera Christina Waller de Lima
Paulo Augusto de Arruda Mello
João Antonio Prata Junior

Objetivo: Relatar experiência de longo prazo com ciclofotocoagulação com laser diodo em glaucomas refratários. Métodos: Foram selecionados casos de glaucomas refratários com indicação de ciclofotocoagulação com laser diodo acoplado a uma sonda G (Iris Medical). Todos os procedimentos foram realizados pelo mesmo cirurgião que realizou 20 aplicações (em média) com 2000 mW de potência em 270 graus de extensão, com a sonda colocada a 1,5 mm do limbo, por 2,0 a 2,5 s. Foram incluídos somente casos com pelo menos 6 meses de seguimento. Considerou-se sucesso ci-rúrgico Po final £ 24mmHg ou redução maior ou igual a 30% da Po inicial com remissão dos sintomas. Resultados: 133 casos tiveram acompanhamento médio de 18,1 ± 9,6 meses e observou-se sucesso em 116 (87,2%) casos e 17 (12,7%) casos de insucesso. A Po inicial média foi 48,20 ± 12,11mmHg e a final 19,93 ± 11,93mmHg (p < 0,0001), com uma redução média de - 55,62 ± 29,37%. As principais complicações foram “phthisis bulbi” em 7 (5,2%) casos e hipotonia prolongada em 6 (4,5%) casos. Conclusão: Observaram-se freqüência de sucesso e níveis de Po pós-operatório satisfatórios, com incidência relativamente baixa de complicações, considerando-se a refratariedade dos casos.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Métodos alternativos na correção de transtornos oculomotores
Harley E. A. Bicas

Introdução: O equilíbrio do sistema oculomotor depende de múltiplos fatores, para cujas correções os procedimentos são geralmente indiretos (modificação de respostas musculares, não das causas inervacionais) e, em muitos casos (correção de paralisias, dissinergias, nistagmos), insatisfatórios. Métodos para controle específico dos mecanismos de comando não têm sido possíveis, pelas peculiaridades próprias do sistema nervoso central, restando, pois, os de introdução de forças de movimentação ou de contenção sobre o próprio olho. Análises de métodos alternativos: Forças de movimentação: Entre os métodos com perspectivas de produção de rotações oculares, são revistos os de transposições musculares, com proposta para favorecer a ação abdutora de oblíquos. Referem-se ainda a métodos de aproveitamento de forças acumuladas em mecanismos distensíveis, ao de estimulação elétrica direta sobre músculos, e ao de geração de forças originadas por campos magnéticos (em modelos de construção experimental). Forças de contenção: Para se contrapor a ações musculares excessivas ou indesejáveis, propõe-se o uso de forças de contenção geradas por meio de fixações distensíveis (do olho à órbita), por campos magnéticos, ou pelo aumento da fricção no movimento ocular rotacional, por maior viscosidade.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Aspectos clínico-tomográficos da mucocele com invasão orbitária
Mary Lúcia Bedran
Jaime Guedes
Vitor Barbosa Cerqueira
Viviane Guedes
Edson Marchiori

Objetivo: Avaliar e relacionar os achados clínico-radiológicos da mucocele orbitária. Métodos: Análise clínica e de imagem referente a 166 pacientes com lesões expansivas da órbita examinadas com o tomógrafo Somaton DR da marca Siemens de terceira geração num período de 10 anos consecutivos em Hospital Universitário de referência. Resultados: Os achados clínicos mais comuns foram tumoração e proptose do globo ocular. À tomografia computadorizada, o achado típico foi de massa com baixa densidade, originando-se em seios paranasais, com destruição óssea adjacente, invasão da órbita e deslocamento do globo ocular. Conclusão: O desenvolvimento da tomografia computadorizada foi decisivo no estudo da órbita pois propicia, por meio de exame radiológico altamente especializado, imagens de incrível fidelidade anatômica revelando informações sobre o processo patológico como sua localização, sua relação com as estruturas adjacentes e sua vascularização.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Viscosidade como fator frenador de rotações
André Augusto Homsi Jorge

Objetivo: Determinar se forças de atrito viscoso podem, sob o ponto de vista quantitativo, agir como possíveis promotoras de estabilização ocular com manutenção dos movimentos de rotação, dando noção dos valores necessários para a aplicabilidade no sistema ocular. Métodos: Um modelo mecânico foi elaborado para a medida de forças necessárias para vencer o atrito de uma esfera de alumínio parcialmente mergulhada em um líquido viscoso. Foram testadas soluções de metilcelulose de 1% a 6% (com variação de 0,5%) e dois produtos viscoelásticos (Viscoat® e Provisc®). Outra variável foi a área de contato entre a esfera e o líquido viscoso. Resultados: A força encontrada, após correções e descontos apropriados, foi significativa (acima de 5 gf) apenas nas soluções de metilcelulose 5,5% e 6% e somente na maior área de contato testada. Conclusão: Os líquidos viscosos testados aparentemente não são capazes de obter força de atrito suficiente para a estabilização ocular, com exceção das soluções de metilcelulose 5,5% e 6% mas somente na maior área de contato testada (que correspondeu a 26,2% da área total da esfera).

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Estudo epidemiológico dos traumas oculares graves em um Hospital Universitário de São José do Rio Preto – SP
Gustavo Nishimura Aragaki
Eliane Terumi Inada
Marta Ferrari Teixeira
Gildásio Castello de Almeida Júnior
Luiz Kazuo Kashiwabuchi

Objetivos: Estudar a prevalência e as circunstâncias do trauma ocular grave em um Hospital Universitário de São José do Rio Preto - SP. Métodos: Realizou-se estudo retrospectivo de 216 pacientes no período de setembro de 1986 a setembro de 2000 com traumatismo ocular grave que evoluiu para cirurgia. Foram avaliados o sexo, idade, lateralidade, causa do trauma, tipo de trauma, atividade no momento do acidente e acuidade visual pós-trauma. Resultados: Foram estudados 216 pacientes sendo 173 (80%) do sexo masculino. A faixa etária mais acometida foi a menor de 20 anos em 94 (43,5%) pacientes. As lesões unilaterais predominaram em 209 (96,8%). A atividade predominante no momento do trauma foi o lazer em 88 (40,7%) pacientes e os principais agentes causais foram os materiais de construção em 82 (38%) dos casos. A perfuração ocular foi o tipo de trauma mais comum em 84 (85,2%) pacientes. Conclusões: As perfurações oculares unilaterais por materiais de construção predominaram em crianças, adolescentes e idosos do sexo masculino em atividades de lazer.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Adaptação de lentes de contato pós-trauma ocular
Heryberto da Silva Alvim
Leonardo Torqueti Costa
Rogério de Almeida Tárcia
Lourival Franco de Sá Filho

Objetivos: Descrever os achados referentes à adaptação de lentes de contato nos casos de trauma ocular nos últimos 6 anos no Hospital São Geraldo, identificando os mecanismos dos traumas, os parâmetros das lentes de contato prescritas, e por fim avaliar quantitativamente a melhora da acuidade visual com o uso destas. Métodos: Revisão dos prontuários de pacientes atendidos no Serviço de Lentes de Contato do Hospital São Geraldo nos últimos 6 anos. Os dados referentes à idade, sexo, diagnóstico, doenças associadas, olho acometido, acuidade visual pós-trauma, raio, curvatura e índice de permeabilidade ao oxigênio das lentes são descritos. Resultados: O principal diagnóstico foi perfuração, com 25 casos (44,6%), o olho esquerdo estando acometido em 25 casos (58,2%). A AV pós-trauma corrigida mais freqüente foi 20/200 (20,9%). A AV corrigida média após o uso das lentes de contato foi de 20/20 (14%). O maior ganho em número de linhas na tabela de Snellen ocorreu em seis pacientes (14%) (5 linhas). O diâmetro médio das lentes foi de 9,5 mm, o raio médio foi de 8,0 mm. A curvatura das lentes variou de 37,00 D a 52,75 D. A maioria das lentes tinha DK 71. A adaptação foi adequada em todos os casos. O intervalo médio entre o trauma e o início da adaptação foi de 3,5 anos. Conclusão: As lentes de contato são parte importante no tratamento tardio do trauma ocular, permitindo melhora significativa da AV na maioria dos casos.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Síndrome de Down e alterações de vias lacrimais
Suzana Matayoshi
Mariluze Sardinha
Alexandra Lemos Cozac
Davi Araf
Eurípedes da Mota Moura

Objetivo: Caracterizar as alterações de vias lacrimais em portadores de síndrome de Down. Métodos: Estudo retrospectivo descritivo envolvendo 11 olhos de 8 pacientes com diagnóstico de síndrome de Down, acompanhados no período de 1995 a 2001. Resultados: Todos os pacientes apresentaram quadro de dacriocistite crônica com obstrução no ducto nasolacrimal. Um paciente cursou também com canaliculite por Strepto- coccus sp e outro paciente apresentava ausência do ponto lacrimal inferior. Cinco pacientes foram submetidos à dacriocistorrinostomia, três à sondagem e intubação das vias lacrimais. A epífora foi resolvida em 4 olhos. Conclusões: Existem poucos relatos acerca do comprometimento das vias lacrimais em pacientes com síndrome de Down. A caracterização e a resolução cirúrgica do mecanismo obstrutivo lacrimal são importantes, uma vez que há interferência na qualidade de vida desses pacientes. No presente estudo, verificou-se que a obstrução da via lacrimal ocorreu no ducto nasolacrimal. O prognóstico cirúrgico foi ruim em 83,4% das intubações e em 57,2% das dacriocistorrinostomias. Causas do insucesso cirúrgico podem estar relacionadas à maior fibrose pós-operatória nesses pacientes e à dificuldade de colaboração dos mesmos no controle pós-cirúrgico. Estudos posteriores são necessários para verificação das presentes observações.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Proptose causada por adenoma pituitário gigante - Relato de caso
Andréa Pereira
Mário Luiz Ribeiro Monteiro

Objetivo: Relatar um caso raro de proptose unilateral associada à paralisia oculomotora e cegueira causados por adenoma pituitário gigante. Métodos: A paciente foi submetida a exame clínico e oftalmológico completo, campimetria, exame de imagem por ressonância magnética e estudo histopatológico do tumor após intervenção cirúrgica. Resultados: Paciente de 21 anos apresentou perda visual progressiva bilateral associada à prop-tose e limitação da motilidade ocular do olho esquerdo. A campimetria re-velou hemianopsia temporal completa no olho direito e havia ausência de percepção luminosa no olho esquerdo. O exame de imagem por ressonância magnética mostrou extenso tumor infiltrando o terceiro ventrículo, seio cavernoso e ápice da órbita à esquerda. O estudo histopatológico revelou se tratar de adenoma hipofisário produtor de hormônio de crescimento e prolactina sem sinais de malignidade. Conclusão: Este caso é de interesse não apenas pelo fato do envolvimento orbitário pelos adenomas ser ex-tremamente raro, mas também para salientar a importância de diagnóstico precoce uma vez que apesar da histologia benigna, os adenomas invasivos nem sempre seguem curso clínico favorável.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

O que os pediatras conhecem sobre afecções oculares na criança?
Michel Broilo Manica
Zélia Maria Silva Corrêa
Ítalo Mundialino Marcon
Nelson Telichevesky
Luiz Fernando Loch

Objetivo: Avaliar o grau de conhecimento dos pediatras sobre os problemas oculares na criança, seu diagnóstico e conduta, por meio de questionário padronizado. Métodos: Aplicou-se questionário semi-estruturado, no qual constam dados demográficos e questões sobre conhecimentos oftalmológicos, entre pediatras na cidade de Porto Alegre no período de janeiro a abril de 2002. Após realizou-se estudo de delineamento transversal, cujas respostas foram tabuladas. Amostragem foi por conveniência. Foram consideradas erradas as questões em branco e as respostas dos testes foram comparadas a artigos já publicados. Resultados: Foram entrevistados 140 pediatras com idade média de 37,78 anos, e desses 89 (63,57%) eram do sexo feminino. O tempo médio de profissão referido pelos entrevistados foi 11,77 anos. Em relação à análise das questões (n=19), a média de acertos foi de 11(58%). O grupo que teve melhor número de acertos foi o com menor tempo de atuação profissional em pediatria. A primeira escolha de antibiótico foi a tobramicina (61%) (n=85), a segunda, o cloranfenicol (31%) (n=44) e outros foram citados esporadicamente (8%) (n=11). Mais da metade dos entrevistados desconheciam o momento correto da avaliação oftalmológica na retinopatia da prematuridade. Grande parte dos pediatras entrevistados (70%) (n=98) desconheciam o significado correto do termo ambliopia. Questões sobre catarata congênita, glaucoma congênito e leucocoria também revelaram o desconhecimento oftalmológico neste grupo de pediatras. Conclusão: Os resultados sugerem o pouco conhecimento oftalmológico entre os pediatras entrevistados.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Efeito do colírio de 5-fluorouracil sobre o epitélio corneano íntegro de coelhos
Lucieni Cristina Barbarini Ferraz
Silvana Artioli Schellini
Elisa Aparecida Gregório

Objetivo: Observar os efeitos da aplicação tópica de 5-fluorouracil (5-FU) sobre o epitélio corneano íntegro. Métodos: Foram utilizados 10 coelhos albinos (14 olhos), divididos em: grupo controle (GC), 4 olhos nos quais não se administraram drogas, grupo 1 (G1), 5 olhos que receberam 5-fluorouracil na concentração 1,25% e grupo 2 (G2), 5 olhos que receberam 5-fluorouracil na concentração de 2,5%. A droga foi instilada 4 vezes por dia, durante 7 dias, quando os animais foram sacrificados, os olhos remo-vidos, separando-se a córnea que foi preparada de modo convencional para estudo em microscópico eletrônico de varredura. Resultados: GC: observaram-se células de formato hexagonal, claras, escuras e intermediárias, compondo o epitélio corneano de coelhos. Presença de numerosas microplicas, principalmente nas células claras. Cada célula possui cerca de 1 a 3 criptas. Nos animais do G1, observou-se maior número de células escuras, regiões com diminuição no número de criptas; alterações da superfície celular, protusão na região do núcleo e descamação de células epiteliais. Os do G2 tiveram aumento de microprojeções na superfície celular, modificações nas junções intercelulares até separação de células adjacentes; diminuição do número e variabilidade no tamanho das criptas. As alterações mais freqüentes ocorreram nas células da periferia da córnea. Conclusão: O 5-fluorouracil teve efeitos deletérios no epitélio íntegro corneano de coelhos. As alterações observadas foram mais importantes nos animais que receberam a droga mais concentrada (G2) e mais freqüentes na periferia da córnea.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Infiltração de 5-fluorouracil no pré-operatório do pterígio
Claudia Akemi Shiratori
Érika Hoyama
Silvana Artioli Schellini
Carlos Roberto Padovani

Objetivo: Avaliar o efeito do 5-fluorouracil (5FU) injetado intralesionalmente na cabeça do pterígio no período pré-operatório. Métodos: Foram estudados 53 olhos (52 pacientes), sendo 28 pterígios primários e 25 re-cidivados, divididos em dois grupos: grupo 1 (G1), composto por indivíduos que receberam a injeção de 5-fluorouracil 30 dias antes do procedimento cirúrgico e grupo 2 (G2), no qual o 5-fluorouracil foi injetado 10 dias antes da cirurgia. Todas as cirurgias foram realizadas seguindo-se a mesma técnica cirúrgica, pelo mesmo cirurgião. Os pacientes foram reavaliados 7, 30 e 60 dias após a cirurgia. Os resultados observados foram submetidos à análise estatística. Resultados: A amostra estudada foi constituída por 52,8% de pterígios primários e 47,2% de recidivados, sendo composta igualmente por indivíduos de ambos os sexos. Não ocorreram complicações decorrentes da infiltração da droga. A recidiva foi mais freqüente nos pterígios recidivados e no G1. Conclusão: O uso intralesional de 5-fluorouracil no pré-operatório do pterígio não provocou efeitos deletérios aos olhos estudados. Houve menor recorrência quando usado o 5-fluorouracil 10 dias antes da exérese cirúrgica, em relação à aplicação 30 dias antes do procedimento.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Normatização do eletrorretinograma por reversão alternada de padrões em voluntários normais
Andréa Mara Simões Torigoe
Elizabeth M. A. B. Quagliato
Marcelo Torigoe
Keila Mirian Monteiro de Carvalho

Objetivo: Realizar a normatização do eletrorretinograma por reversão alternada em indivíduos oftalmologicamente normais e sem doenças neurológicas associadas, determinando a faixa de normalidade estratificada por sexo, faixa etária e estímulo utilizado. Métodos: A padronização seguiu o modelo proposto pela Organização Internacional de Eletrorretinografia e a normatização foi específica para o laboratório de potenciais evocados do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas - Universidade Estadual de Campinas. Dois tipos de estímulos foram utilizados: o denominado estímulo 16, que proporciona ângulo visual de 60 minutos de arco e o de 32, que proporciona ângulo visual de 30. Resultados: Em todos os pacientes obteve-se uma onda positiva, definida internacionalmente como P50 e uma negativa, chamada N95, sem a presença de artefatos. Foram observados intervalos de normalidade que continham a média das latências, amplitudes e durações das curvas positiva e negativa, internacionalmente aceitas. As ondas P50 e N95 apresentaram diferenças significativas na amplitude, latência e duração quando comparadas às diversas faixas etárias, ocorrendo diminuição na amplitude das ondas e aumento na latência total do eletrorretinograma com o aumento da idade. Construíram-se tabelas com intervalo de predição de 95% em relação à idade para a amplitude, latência e duração das curvas P50 e N95. Conclusões: A normatização do eletrorretinograma por reversão alternada proporciona a reprodutibilidade dos resultados e a possibilidade de estudos comparativos.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

Sensibilidade e especificidade do perímetro de dupla freqüência
Telma Gondim Freitas
Francisco Valter da Justa Freitas

Objetivo: Avaliar a sensibilidade e especificidade do perímetro de dupla frequência (FDP) quando comparada ao perímetro Humphrey (padrão- ouro). Métodos: Quarenta e cinco pacientes glaucomatosos (90 olhos) e 31 pacientes (62 olhos) normais foram submetidos, por meio de estudo prospectivo, a perimetria de dupla freqüência (FDP programa N-30) e perimetria Humphrey (programa "all threshold"). Os olhos glaucomatosos foram classificados quanto ao dano glaucomatoso em dano leve (desvio médio £ -6dB), dano moderado (desvio médio > -6dB e < -12dB) e dano avançado (desvio médio ³ -12dB). Sensibilidade e especificidade foram calculadas. Resultados: Cento e cinqüenta e dois olhos foram submetidos aos dois testes. A média de tempo para a realização do perímetro de dupla freqüência foi de 5,33 minutos ± D.P. e para o Humphrey de 16,53minutos ± D.P. A sensibilidade e especificidade encontrada para o perímetro de dupla freqüência quando não foi levado em consideração o dano glaucomatoso foi de 92% e 71%. Quando os pacientes foram classificados quanto ao dano glaucomatoso, obteve-se sensibilidade e especificidade de 76% e74% para dano leve, 86% e 79% para dano moderado e 93% e 80% para dano avançado. Conclusão: O perímetro de dupla freqüência apresentou alta sensibilidade e especificidade na detecção de defeitos perimétricos, especialmente em olhos com dano glaucomatoso avançado.

| Artigo completo | Menu principal | Índice de artigos |

| Relato de Caso 01 | Relato de Caso 02 | Relato de Caso 03 |

| Atualização Continuada 01 | Atualização Continuada 02 |

| Menu principal | Índice de artigos |