Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 66 - fascículo 2
Resumos e Artigos Completos

Resumo dos artigos deste fascículo

Uso de trasplante de membrana amniótica no tratamento da ceratopatia bolhosa
Autores: Waleska Belmino Chaves Donato, Myrna Serapião dos Santos, Namir Santos, Luciene Barbosa de Souza, Moacyr, Pezati Rigueiro e José Álvaro Pereira Gomes 
Minimizando erros na administração de drogas intravítreas
Autores: Yeh Shu I, Bruno Castelo Branco, Érika Sayuri Yasaki, Paulo Schor, Denise de Freitas e Rubens Belfort Jr
Ceratocone: correlação entre grau evolutivo e padrão topográfico com o tipo de lente de contato adaptada
Autores: Vinícius Coral Ghanem, Cleusa Coral-Ghanem, Ramon Coral Ghanem e Cristiane Larinho
Estudo normativo do eletrorretinograma de campo total em adultos jovens
Autores: Josenilson Martins Pereira, Luana Mendieta, Paula Yuri Sacai, Solange Rios Salomão e Adriana Berezovsky
Três anos pós-lasik em crianças anisométropes de 8 a 15 anos de idade
Autores: Belquiz R. Amaral Nassaralla e João J. Nassaralla Jr
Catarata em corticoterapia sistêmica: prevalência e relação com tempo e dose cumulativa de glicocorticóides
Autores: Fernanda Ziger, Rommel Josuel Zago, Marcelo Gehlen, Marília B. Silva e Thelma L. Skare 
Avaliação da capacidade de reconhecimento de erros de português escrito em pós-graduandos em oftalmologia
Autores: Carlos Alberto Rodrigues-Alves
Avaliação da resolutividade e da satisfação da clientela de um serviço de referência secundária em oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
Autores: Rosana Maura Gentil, Sandra Maria Reis Leal e Marinho Jorge Scarpi
Avaliação da acuidade visual em escolares da 1a série do ensino fundamental
Autores: José Aparecido Granzoto, Carolina S. P. Esteves Ostermann, Lívia Freire Brum, Pablo Gnutzmann Pereira e Ticiana Granzoto
Dacriocistorrinostomia endoscópica endonasal em casos de epífora com vias lacrimais pérvias
Autores: Denis Knijnik, Viviane Neutzling Uebel e Roberta Silveira Santos
Contribuição diagnóstica da avaliação eletrofisiológica visual em pacientes atendidos em hospital universitário
Autores: Paula Yuri Sacai, Adriana Berezovsky, Sérgio Costa Fantini e Solange Rios Salomão
Sensibilidade corneana e secreção lacrimal após LASIK
Autores: Marcelo Guimarães Brandão Rêgo, Adriano Jorge Mattoso Rodovalho, André Adolfo Alves da Rocha, João J. Nassaralla Júnior e Belquiz R. Amaral Nassaralla
Delaminação límbica: Uma nova técnica para correção de astigmatismo pós-transplante
Autores: Sandro Antonini Coscarelli, Patrick Figueiredo e Maria Dulce Fornaciari Ramos Miranda
Perfil oftalmológico dos alunos do programa alfabetização solidária em quatro municípios do Ceará
Autores: Islane Castro Verçosa e Élida Ferreira Maia
Acuidade visual em implantes bilaterais de lentes intra-oculares monofocais e multifocais
Autores: Leonardo Akaishi, André Gustavo Rolim de Araújo, Regina C. N. dos Santos e Procópio Miguel dos Santos
LASIK X PRK após cirurgia de descolamento de retina
Autores: Adriano Jorge Mattoso Rodovalho, Marcelo Guimarães Brandão Rego, João J. Nassaralla Júnior e Belquiz Rodrigues do Amaral Nassaralla

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Uso de transplante de membrana amniótica no tratamento da ceratopatia bolhosa
Waleska Belmino Chaves Donato
Myrna Serapião dos Santos
Namir Santos
Luciene Barbosa de Souza
Moacyr Pezati Rigueiro
José Álvaro Pereira Gomes

Objetivo: Avaliar o efeito terapêutico do transplante de membrana amniótica no tratamento da ceratopatia bolhosa. Métodos: Nove pacientes portadores de ceratopatia bolhosa sintomática, com baixa acuidade visual, com e sem indicação de transplante de córnea foram avaliados antes, 1, 3, 6 e 12 meses após transplante de membrana amniótica. Em cada visita, os pacientes foram questionados sobre intensidade da dor, fotofobia, sensação de corpo estranho, e submetidos a exame oftalmológico completo,estesiometria e paquimetria. Resultados: As comparações realizadas entre os valores antes e após o procedimento referentes à dor, fotofobia, sensação de corpo estranho e estesiometria apresentaram diferenças estatisticamente significantes quanto à diminuição desses sintomas e da sensibilidade corneal (p<0,05). A paquimetria apresentou aumento da espessura logo após o procedimento e uma diminuição entre as avaliações de 6 e 12 meses, que foram estatisticamente significantes (p<0,05). Após o sexto mês de seguimento, observou-se reabsorção parcial da membrana amniótica em 3 casos (33,3%) e reabsorção total em outros 3 casos (33,3%). Conclusão: O transplante de membrana amniótica representa modalidade efetiva no controle dos sintomas da ceratopatia bolhosa por até 12 meses.

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Minimizando erros na administração de drogas intravítreas
Yeh Shu I
Bruno Castelo Branco
Érika Sayuri Yasaki
Paulo Schor
Denise de Freitas
Rubens Belfort Jr

Objetivo: Avaliar possíveis erros na administração de drogas intravítreas para o tratamento da endoftalmite e propor técnica que seja reprodutível e acessível. Métodos: Avaliação de técnicas utilizadas e aferição dos volumes retidos nas agulhas utilizando balança analítica. Resultados: A média e o desvio padrão dos volumes retidos nas agulhas de 26, 22 (25 x 0,7 mm e 30 x 0,7 mm) e 18 G (gauge) foram 0,051±0,006, 0,056±0,005, 0,055±0,004 e 0,075±0,004, respectivamente, para a marca Ryncosâ e 0,050±0,003, 0,056±0,002, 0,063±0,002 e 0,084±0,004, respectivamente, para a marca Becton-Dickinsonâ. Houve diferença estatisticamente significante entre os volumes retidos das duas marcas para as agulhas de 26, 22 (30 x 0,7 mm) e 18 G com p = 0,01, p < 0,01 e p < 0,01 respectivamente. Não foi encontrada diferença estatisticamente significante apenas para as agulhas de 25 x 0,7 mm (22 G) com p= 0,83. Conclusão: A maioria das agulhas utilizadas na injeção intravítrea comporta um volume residual no espaço morto que deve ser valorizado, minimizando assim erros na injeção de drogas intravítreas no tratamento da endoftalmite.

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Ceratocone: correlação entre grau evolutivo e padrão topográfico com o tipo de lente de contato adaptada
Vinícius Coral Ghanem
Cleusa Coral-Ghanem
Ramon Coral Ghanem
Cristiane Larinho

Objetivo: Verificar a existência de associações entre grau evolutivo e padrão topográfico do ceratocone com as lentes de contato (LC) adaptadas. Métodos: Estudo retrospectivo do tratamento de 454 pacientes (881 olhos) com ceratocone, 746 adaptados com lentes de contato, de julho de 1996 a junho de 2000. Classificou-se o ceratocone segundo grau evolutivo e padrão topográfico. A primeira lente de contato testada foi rígida gás-permeável (RGP) monocurva. Quando não se alcançou a adaptação desejada, testou-se as rígidas gás-permeáveis bicurvas e outros desenhos, procurando-se relação lente-córnea com livramento apical ou discreto toque apical. Em caso de insucesso com as rígidas foram testadas as lentes de contato gelatinosas, esféricas, tóricas e com desenhos especiais. Resultados: Para 15 (3,3%) pacientes foram receitados óculos; 111 olhos (12,6%) permaneceram sem correção; 746 (84,68%) olhos foram adaptados com LC; 39 olhos (4,44%) de 39 pacientes (8,6%) foram encaminhados para transplante de córnea. O grau evolutivo mais encontrado foi o avançado (575 olhos - 66,86%), seguido do incipiente (160 olhos – 18,6%). O valor ceratométrico médio do meridiano mais plano (K) foi de 47,80 (±3,73) para os olhos adaptados com lentes de contato gelatinosas; de 49,03 (±3,7) para as lentes de contato rígidas gás-permeáveis monocurvas; de 51,62 (±3,6) para as lentes de contato bicurvas e de 51,14 (±3,5) para o sistema "piggyback". Quanto à classificação topográfica, o mais freqüente foi o periférico inferior (436 olhos - 50,7%), seguido pelo central assimétrico (348 olhos - 40,46%). No olho direito, a análise das variáveis padrão topográfico e tipo de lente adaptada demonstrou associação estatisticamente significante (p=0,045) de lentes de contato gelatinosas tóricas e sistema "piggyback" com percentual maior de adaptações nos ceratocones centrais. Com as lentes de contato rígidas gás-permeáveis monocurvas e bicurvas houve percentual semelhante de adaptações em relação aos padrões topográficos encontrados. No olho esquerdo não se observou associação estatisticamente significante, apenas tendências. Conclusões: A maioria dos ceratocones pode ser adaptada com lentes de contato rígidas monocurvas, mas é importante contar com outros desenhos para adaptar os cones de graus avançados e severos. Isso permite, para a maior parte dos pacientes, postergar a necessidade do transplante de córnea. As lentes de contato gelatinosas tóricas e o sistema "piggyback" foram mais adaptados nos cones centrais; enquanto nos cones periféricos inferiores, foram as lentes de contato monocurvas e as bicurvas.

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Estudo normativo do eletrorretinograma de campo total em adultos jovens
Josenilson Martins Pereira
Luana Mendieta
Paula Yuri Sacai
Solange Rios Salomão
Adriana Berezovsky

Objetivos: A proposta deste estudo é estabelecer valores normativos para o eletrorretinograma (ERG) de campo total, em um grupo de voluntários adultos jovens segundo o protocolo padrão recomendado pela Sociedade Internacional de Eletrofisiologia Visual Clínica (ISCEV). Métodos: Participaram deste estudo 42 voluntários normais com idades variando de 15 a 26 anos, sendo 20 homens e 22 mulheres. Os eletrorretinogramas de campo total foram obtidos com eletrodos de lente de contato bipolares e seguiram as 5 etapas do protocolo da Sociedade Internacional de Eletrofisiologia Visual Clinica: a) resposta de bastonetes; b) reposta máxima; c) potenciais oscilatórios; d) resposta máxima de cones; e) resposta de cones ao flicker 30 Hz. Os parâmetros analisados foram a amplitude de resposta do pico da onda-a até o pico da onda-b (pico a pico em mV) e o tempo de culminação da onda-b (ms). Resultados: As médias (± 1 desvio padrão) da amplitude pico a pico foram: resposta de bastonetes - 241,1 ± 66,9 µV; resposta máxima - 385,4 ± 71,8 µV; potenciais oscilatórios - 180,6 ± 48,6 µV; resposta de cones -102,8 ± 36,3 µV e flicker 30 Hz - 69,2 ± 26,6 µV. Para o tempo implícito da onda-b os valores foram: resposta de bastonetes - 85,2 ± 7,6 ms; resposta máxima -45,6 ± 2,0ms; resposta de cones - 27,8 ± 1,2ms e flicker 30 Hz - 27,9 ± 1,2 ms. Os resultados foram comparáveis entre os grupos masculino e feminino, exceto para a resposta máxima em que as mulheres obtiveram amplitudes estatisticamente maiores (t=2,06; P=0,046). Conclusão: Os valores encontrados estão de acordo com dados normativos da literatura e são fundamentais para o diagnóstico correto de disfunções retinianas em pacientes na mesma faixa etária. Inclusão de outras faixas etárias e o aumento no número de sujeitos testados são necessários para estender valores normativos para o eletrorretinograma. 

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Três anos pós-lasik em crianças anisométropes de 8 a 15 anos de idade
Belquiz R. Amaral Nassaralla
João J. Nassaralla Jr

Objetivo: Determinar a segurança, eficácia, previsibilidade e estabilidade da técnica “laser in situ keratomileusis” (LASIK), três anos após a cirurgia, para a correção de alta anisometropia em crianças, para as quais os tratamentos convencionais não obtiveram êxito. Métodos: Nove olhos de nove pacientes, três meninos e 6 meninas, com idade média de 11,5 anos (variando de 8 a 15 anos), foram submetidos à técnica LASIK utilizando-se o excimer laser Chiron Technolas 217. O tempo mínimo de seguimento foi de 36 meses. Resultados: Três anos após o LASIK, a acuidade visual sem correção (AVSC) melhorou pelo menos 5 linhas em todos os olhos; cinco olhos (55,5%) apresentavam AVSC de 20/50 ou melhor. Seis olhos (66,6%), apresentavam acuidade visual com correção (AVCC) de 20/50 ou melhor e cinco olhos (55,5%) ganharam pelo menos 1 linha na AVCC. Devido a ambliopia, nenhum olho apresentou AVSC de 20/20 ou melhor. A média do equivalente esférico pré-operatório foi reduzida de -7,66 (± 3,75) D para -1,02 (± 1,26) D e a do astigmatismo, de -3,11 (± 2,09) D para -0,75 (± 0,25) D. A maior anisometropia encontrada foi de 1,5 D. Conclusões: Após três anos de seguimento, a técnica LASIK parece ser opção segura e eficaz na correção de alta anisometropia em crianças entre 8 e 15 anos de idade, para os quais os tratamentos con-
vencionais não obtiveram êxito. A progressão do erro refracional relacionada à idade não impediu o uso da correção visual adequada.
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Catarata em corticoterapia sistêmica: prevalência e relação com tempo e dose cumulativa de glicocorticóides
Fernanda Ziger
Rommel Josuel Zago
Marcelo Gehlen
Marília B. Silva
Thelma L. Skare 

Objetivo: O presente estudo teve por finalidade estudar a freqüência de catarata em pacientes reumáticos e usuários crônicos de corticóide, procurando-se correlacionar o seu aparecimento com tempo de uso, dose cumulativa total e doença de fundo. Métodos: Foram estudados 27 pacientes reumáticos usuários crônicos de corticóide, com exame de lâmpada de fenda e calculado o tempo de uso e doses cumulativas de prednisona ou equivalente. Resultado: Encontrou-se freqüência de 18,52% de cataratas e não foi possível demonstrar correlação com dose cumulativa do medicamento (p=0,231) ou com o tipo de doença de fundo. Apesar do tempo médio de uso de corticóide ter sido maior entre os pacientes que apresentaram catarata, esta correlação não demostrou significância estatística (p=0,694). Conclusão: Os autores concluem que esta complicação é relativamente comum e que mais estudos são necessários para melhor entender o processo fisiopatológico implicado na sua formação.

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Avaliação da capacidade de reconhecimento de erros de português escrito em pós-graduandos em oftalmologia
Carlos Alberto Rodrigues-Alves

Objetivo: Avaliar a capacidade de pós-graduandos em oftalmologia para corrigir erros de português contidos em sentenças. Métodos: Solicitou-se a correção de erros encontrados em 18 frases fictícias. Resultados: 30 alunos responderam os testes e cometeram 92 erros. O número médio de erros por aluno foi de 3,066. 26,66% dos examinados cometeram 5 ou mais erros. Conclusão: Um quarto dos alunos de pós-graduação em Oftalmologia avaliados demonstrou resultados sofríveis quanto à correção de textos escritos em português.

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Avaliação da resolutividade e da satisfação da clientela de um serviço de referência secundária em oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
Rosana Maura Gentil
Sandra Maria Reis Leal
Marinho Jorge Scarpi

A prevalência de cegueira estaria reduzida nos países em desenvolvimento caso o acesso da população ao atendimento oftalmológico não estivesse prejudicado pela falta de organização dos recursos. Na organização da oferta de serviços de atenção ocular, após a atenção primária, seguem-se dois níveis graduados pela complexidade dos meios diagnósticos e dos tratamentos especializados – o secundário e o terciário. O Centro de Referência Secundária em Oftalmologia – CERESO, do Departamento de Oftalmologia da UNIFESP, por meio de um modelo de fluxo de atendimento interno, seleciona os casos de menor complexidade para tratamento oftalmológico, passíveis de atendimento no mesmo dia, e encaminha os demais para o nível terciário de atenção ocular. Objetivo: Avaliar a resolutividade e a satisfação da clientela deste serviço de atenção secundária. Métodos: Pela aplicação de um questionário voltado para a resolutividade do principal motivo de consulta e, para a satisfação da clientela, entrevistou-se amostra de 238 usuários de fevereiro a julho de 1998. Resultado: A resolutividade do CERESO foi igual a 85,96%; o grau de satisfação da clientela foi de 100%; 6,8% escolheram o CERESO devido à proximidade da residência; 21,3% pela possibilidade de atendimento no mesmo dia; 13,9% por já ser paciente da UNIFESP e 58,1% por gostar da UNIFESP ou ter sido indicado por outro paciente. Conclusão: A clientela demonstrou alto grau de satisfação pelo atendimento recebido. Os principais motivos de procura dos usuários ao serviço foram resolvidos. Deste modo, a organização deste serviço amenizaria um importante problema de saúde pública.

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Avaliação da acuidade visual em escolares da 1a série do ensino fundamental
José Aparecido Granzoto
Carolina S. P. Esteves Ostermann
Lívia Freire Brum
Pablo Gnutzmann Pereira
Ticiana Granzoto

Objetivos: Estudar a importância dos programas de promoção de saúde ocular na avaliação da acuidade visual para detecção precoce de distúrbios oftalmológicos, em programas de promoção da saúde ocular. Métodos: Estudo descritivo de delineamento transversal. Foram avaliados escolares primários, pertencentes a 21 escolas municipais de Pelotas, RS, por meio de questionário com as variáveis: sexo e idade, percepção da própria visão, uso de óculos ou lentes de contato e medida da acuidade visual (AV) pela escala de Snellen. Os alunos com AV £ 0,7 ou algum sintoma de problema visual foram encaminhados a serviços médicos especializados para a realização de exame oftalmológico. Resultados: Na amostra de 1502 escolares, 774 (51,5%) eram do sexo masculino e 1328 (88,41%), de idades entre 6 e 8 anos. Aproximadamente 90% das crianças consideraram ter boa visão. Ao exame, 227 alunos (15,1%) apresentaram baixa acuidade visual; desses, 124 (54,6%) eram meninas. Daqueles que acreditavam não apresentar problemas visuais, 193 (14,23%) foram encaminhados ao exame oftalmológico. Conclusões: A pesquisa realizada durante o Programa de Avaliação Oftalmológica de Escolares apontou dados importantes, acentuando o valor das campanhas para a detecção e prevenção de problemas visuais, cujo objetivo principal é proporcionar à criança condições de atingir o melhor desenvolvimento de seu potencial.

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Dacriocistorrinostomia endoscópica endonasal em casos de epífora com vias lacrimais pérvias
Denis Knijnik
Viviane Neutzling Uebel
Roberta Silveira Santos

Objetivos: Epífora em pacientes nos quais a dacriocistografia mostra vias lacrimais permeáveis constitui ainda desafio ao especialista, especialmente quando não há lacrimejamento reflexo, nem alterações oculares externas, palpebrais ou de pontos lacrimais. Nestes pacientes, com provável obstrução incompleta, quisemos verificar o resultado da dacriocistorrinostomia endonasal endoscópica. Métodos: Doze pacientes com epífora e vias lacrimais permeáveis à dacriocistografia foram submetidos a dacriocistorrinostomia endonasal, utilizando-se a uncinectomia no meato médio. Resultados: Sete pacientes ficaram livres da epífora e três obtiveram melhora significativa após seguimento de 3 meses. Conclusão: A dacriocistorrinostomia endonasal é alternativa de tratamento válida para o tratamento de epífora em pacientes com vias lacrimais pérvias à dacriocistografia e sem alterações palpebrais. 

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Contribuição diagnóstica da avaliação eletrofisiológica visual em pacientes atendidos em hospital universitário
Paula Yuri Sacai
Adriana Berezovsky
Sérgio Costa Fantini
Solange Rios Salomão

Objetivo: Determinar a freqüência de diferentes categorias diagnósticas em um laboratório de eletrofisiologia visual clínica de um hospital universitário. Métodos: Os pacientes participaram de um estudo transversal sendo submetidos a testes eletrodiagnósticos visuais entre outubro de 1998 e outubro de 2000 (N=570). Os exames de eletrorretinografia (ERG) foram realizados em 385 pacientes (68%) e de potenciais visuais evocados (PVE) por reversão de padrão e/ou flashes e varredura em 185 pacientes (32%). Resultados: Após avaliação da eletrorretinografia, as categorias diagnósticas mais freqüentes foram identificadas na seguinte ordem: retinose pigmentária, doença de Stargardt, distrofia de cones, degeneração do tipo cone-bastonete, retinotoxicidade devido a vários agentes (cloroquina, tamoxifeno, etc) e trauma ocular, além de perdas visuais de causas idiopáticas. Em 23% dos casos, não foi possível obter o diagnóstico final ao primeiro exame. O grupo mais freqüente referido para o eletrorretinografia foi para documentar ou excluir as degenerações tapeto-retinianas (42%). Neste grupo, 110 casos de retinose pigmentária foram identificados: 91 casos isolados e 19 sindrômicos. Para o exame de potenciais visuais evocados, as categorias diagnósticas mais freqüentes foram: doenças que afetam somente o nervo óptico (atrofia de nervo óptico, neurites ópticas, edema de disco óptico, etc.); condições neurológicas afetando a via visual (esclerose múltipla, paralisia cerebral, trauma crânio-encefálico, tumores, etc.), condições neurológicas e/ou doenças oculares pediátricas (catarata congênita, deficiência visual cortical, glaucoma congênito, etc.), e opacidade de meios (leucoma, trauma ocular, etc.). Conclusões: A análise deste amplo grupo de pacientes, mostra as indicações mais freqüentes e significativas para registros eletrofisiológicos visuais e decisões diagnósticas. Vários diagnósticos podem ser de difícil conclusão sem os testes eletrofisiológicos visuais. Dentre essas doenças incluem-se estágios iniciais da retinose pigmentária, distrofia progressiva de cones, retinopatia tóxica sem alterações fundoscópicas, função de nervo óptico ou retiniana em opacidades de meios, envolvimento de nervo óptico em esclerose múltipla e avaliação da acuidade visual em doenças oculares infantis com ou sem alterações neurológicas.

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Sensibilidade corneana e secreção lacrimal após LASIK
Marcelo Guimarães Brandão Rêgo
Adriano Jorge Mattoso Rodovalho
André Adolfo Alves da Rocha
João J. Nassaralla Júnior
Belquiz R. Amaral Nassaralla

Objetivo: Avaliar as alterações que ocorrem na sensibilidade corneana e secreção lacrimal após a cirurgia de "laser in situ keratomileusis" (LASIK). Métodos: Foram examinados 38 olhos de 19 pacientes, 9 homens e 10 mulheres submetidos à cirurgia de LASIK para correção de miopia com equivalente esférico médio de –3,79 D (± 1,29 D). A sensibilidade corneana foi medida com o estesiômetro de Cochet-Bonnet, na região central da córnea. A secreção lacrimal foi avaliada pelos testes de Schirmer I, secreção basal, medida do tempo de rotura do filme lacrimal, e sintomatologia apresentada. Os exames foram realizados antes e após 7, 30, 90, 180 e 270 dias da cirurgia ou até que os níveis pré-operatórios fossem atingidos. Resultados: Antes da cirurgia, o valor mediano da sensibilidade tátil corneana foi de 60,0 mm (variando de 50 a 60 mm); o teste de Schirmer I apresentou mediana de 21,5 mm (variando de 10 a 30 mm); o teste de secreção basal obteve mediana de 11,5 mm (variando de 6 a 20 mm); o tempo de rotura do filme lacrimal alcançou mediana de 16,0 segundos (variando de 8 a 22 segundos). Todos os pacientes recuperaram seus valores pré-operatórios de sensibilidade corneana e secreção lacrimal entre 90 e 180 dias após a cirurgia. Durante os 9 meses de seguimento, 5 pacientes (10 olhos) não apresentaram qualquer sintoma relacionado a olho seco. Conclusão: Após a cirurgia de LASIK a sensibilidade corneana e a secreção lacrimal podem ficar reduzidos por até 6 meses. Neste período, 73,6% dos pacientes apresentaram sintomas de olho seco. Estudos futuros são necessários para avaliar os efeitos destas alterações sobre a fisiologia corneana.

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Delaminação límbica: Uma nova técnica para correção de astigmatismo pós-transplante
Sandro Antonini Coscarelli
Patrick Figueiredo
Maria Dulce Fornaciari Ramos Miranda


Objetivo: Avaliar segurança e eficácia da técnica de delaminação límbica para correção de astigmatismos pós-transplantes. Métodos: Cinco pacientes, sendo três do sexo feminino e dois do sexo masculino com idades entre 21 e 42 anos, apresentando erros de refração e enxerto transparente após transplante penetrante, foram submetidos à delaminação límbica. Resultados: Em um ano de acompanhamento, os enxertos permaneceram transparentes e o astigmatismo foi reduzido em média de 3,80 dioptrias cilíndricas. Conclusão: A delaminação límbica mostrou-se técnica eficiente para correção dos astigmatismos pós-transplante.

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Perfil oftalmológico dos alunos do programa alfabetização solidária em quatro municípios do Ceará
Islane Castro Verçosa
Élida Ferreira Maia

Objetivo: Avaliar o perfil oftalmológico de estudantes da Alfabetização Solidária no Estado do Ceará, identificar as principais causas de baixa acuidade visual, descrever a experiência e os principais resultados obtidos. Métodos: Foram utilizados para o exame oftalmológico de mil e sete (1007) alunos do Programa Alfabetização Solidária dois refratores automatizados, dois refratores tipo Greens, duas colunas pantográficas, duas cadeiras, quatro oftalmoscópios, uma lâmpada de fenda portátil, dois tonômetros de aplanação, um oftalmoscópio indireto. Participantes: alfabetizadores treinados para medida da acuidade visual, oftalmologistas, residentes de oftalmologia, auxiliares e secretárias. Resultados: Observamos que cerca da metade dos alunos (46%) tinha baixa de acuidade visual (acuidade visual menor que 0,8 em ambos os olhos), 66,33% da população estudada necessitou correção óptica, destes, 37,00% eram présbitas. Predominou a população na faixa de 41 a 50 anos. A maioria da população examinada era do sexo feminino (56%). Trinta e nove por cento da população estudada apresentou alguma doença oftalmológica. Encontramos o pterígio e a catarata como doenças mais freqüentes. Conclusão: O programa deve ter no início do seu funcionamento prévio exame oftalmológico dos alunos de cada comunidade, para melhor aproveitamento do conteúdo ensinado, diminuindo desta forma a grande evasão escolar.

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Acuidade visual em implantes bilaterais de lentes intra-oculares monofocais e multifocais
Leonardo Akaishi
André Gustavo Rolim de Araújo
Regina C. N. dos Santos
Procópio Miguel dos Santos

Objetivo: Comparar a acuidade visual de longe e perto de pacientes submetidos à facoemulsificação binocular não simultânea com implante de lentes multifocais ou monofocais. Métodos: Foram selecionados 20 pacientes com lentes multifocais bilaterais e outros 20 pacientes com lentes monofocais também bilaterais, com acuidade visual sem correção melhor ou igual a 0,63 (20/30), medidos separadamente, nos três primeiros meses de pós-operatório. Foi medida a acuidade visual para longe e perto com e sem correção e testes de sensibilidade ao contraste e ofuscamento. Resultados: A acuidade visual sem correção para longe no grupo das monofocais teve média de 0,82 (DP± 0,16) e no grupo das multifocais, 0,94 (DP±0,12), valor de p 0,001. Os dois grupos de lentes tiveram visão com correção para longe igual a 1. No grupo das multifocais, 75% tiveram J1 e 100% tiveram J3 ou melhor sem correção. No grupo das lentes monofocais, 10% tiveram J1 e 70% tiveram J3 ou melhor sem correção. Não houve diferença significante na avaliação com o teste de sensibilidade ao contraste entre os grupos pesquisados. No teste de ofuscamento, os dois grupos tiveram redução da visão, que foi mais acentuada no grupo dos pacientes com lentes multifocais. Conclusão: A acuidade visual para longe com correção nos pacientes com implante multifocal foi semelhante a dos pacientes com implantes monofocais, embora a acuidade visual para perto no grupo em que foi implantado lente multifocal foi bastante superior ao grupo da lente monofocal. A sensibilidade ao contraste manteve-se semelhante nos dois grupos, já o ofuscamento ("glare test") no grupo multifocal foi maior que no grupo monofocal.

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LASIK X PRK após cirurgia de descolamento de retina
Adriano Jorge Mattoso Rodovalho
Marcelo Guimarães Brandão Rego
João J. Nassaralla Júnior
Belquiz Rodrigues do Amaral Nassaralla

Objetivo: Comparar os resultados obtidos pelas técnicas de "laser in situ keratomileusis" (LASIK) e "photorefractive keratectomy" (PRK) na correção de miopia e astigmatismo em olhos previamente submetidos à cirurgia de descolamento de retina (DR) com "buckle" escleral. Métodos: Vinte e cinco olhos de 22 pacientes com alterações refracionais significativas após a cirurgia de DR foram submetidos à cirurgia refrativa. Em 14 olhos de 13 pacientes foi realizado LASIK e em 11 olhos de 9 pacientes, PRK. O intervalo mínimo entre a cirurgia de DR e a cirurgia refrativa foi de 12 meses. O tempo de seguimento foi de, pelo menos, 12 meses. Resultados: Doze meses após a cirurgia, a média do equivalente esférico (EE) no grupo submetido ao LASIK diminuiu de -6,49 D antes da cirurgia para -0,17 D e a média do cilindro de -1,10 D para -0,23 D. A média do EE no grupo submetido ao PRK foi reduzida de -5,35 D para +0,02 D e a média do cilindro, de -1,38 D para -0,54D. Em ambos os grupos, 11 olhos apresentaram melhora da acuidade visual sem correção de pelo menos 4 linhas. Conclusão: Tanto o LASIK quanto o PRK foram seguros e eficazes para a correção do erro refracional induzido após a cirurgia de DR. Nossos resultados não apresentaram diferenças significativas entre os procedimentos. Estudos posteriores envolvendo maior amostragem e seguimento mais prolongado contribuirão para melhor avaliação da cirurgia refrativa em pacientes submetidos à cirurgia com "buckle" escleral.

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