Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 65 - fascículo 5
Resumos e Artigos Completos

Resumo dos artigos deste fascículo

Trabeculectomia com mitomicina-C no tratamento de glaucomas refratários: avaliação dos resultados de 108 casos
Autores: Carmo Mandia Júnior e Maria de Lourdes Veronese Rodrigues

Transplante de córnea em ceratite por herpes simples
Autores: Maria Emília Xavier dos Santos Araújo, Namir Clementino Santos e Denise de Freitas
Uso da topografia de córnea na adaptação de lente de contato rígida gás-permeável em pacientes portadores de ceratocone: descrição de técnica e resultados preliminares
Autores: José Álvaro Pereira Gomes, Luiz Alexandre Lani, Yara Juliano, Roseli Gomes, Erik Alessandro Pedro e
Roberto Anbar

Comparação da eficácia da ropivacaína 1% quando associada ou não à hialuronidase na anestesia peribulbar para cirurgia de catarata
Autores: Hélio Francisco Shiroma, Efrígenes de Melo Ferreira, David Leonardo Cruvinel Isaac, Vinícius Coral Ghanem e Carlos Eduardo Leite Arieta

Efeitos da constrição pupilar na perimetria de freqüência dupla em olhos normais
Autores: Enyr Saran Arcieri, Cybele Crosta, Rui Barroso Schimiti, Susana Bolívia Saavedra Pozo e Vital Paulino Costa
Pterígio e alterações da curvatura corneana
Autores: Fábio Henrique Silva Ferraz, Silvana Artioli Schellini, Erika Hoyama, Suely Romano Bernardes e Carlos Roberto Padovani

Avaliação da área de melanomas amelanóticos de coróide em coelhos. Modelo matemático*
Autores: Ayrton Roberto Branco Ramos,
Paulo Afonso Bracarense Costa, Eglas Emanuel Rossi, Carlos Augusto Moreira Júnior e Lawrence Paul Chong

Ceratoplastia lamelar em cães utilizando membrana fetal eqüina como enxerto. Estudo experimental
Autores: Cintia Aparecida Lopes Godoy, José Luiz Guerra e Paulo Sergio de Moraes Barros
Doenças oculares em neonatos
Autores: Daniela Endriss, Liana Maria V. O. Ventura, José Ricardo Diniz, Ana Carolina Celino e Jana Toscano
A campanha da catarata atrai pacientes da clínica privada?
Autores: Leandro Cabral Zacharias, Rosa Maria Graziano, Bráulio Folco Telles de Oliveira, Marcelo Hatanaka, Fernando Betty Cresta e Newton Kara José

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Trabeculectomia com mitomicina-C no tratamento de glaucomas refratários: avaliação dos resultados de 108 casos
Carmo Mandia Júnior
Maria de Lourdes Veronese Rodrigues

Objetivo: Avaliar o comportamento da pressão intra-ocular (PIO) e a possibilidade de eventuais complicações do uso da mitomicina-C (MMC) nas trabeculectomias de pacientes com glaucoma refratário. Métodos: Foram estudados prospectivamente 108 olhos de 92 pacientes submetidos à trabeculectomia com mitomicina-C a 0,2 mg/ml por 5 minutos. O tempo de seguimento foi de 11,92 ± 5,13 meses, com mínimo de 6 e máximo de 24 meses. A média de idade foi de 39,59 ± 24,05 anos, variando de 3 a 87 anos. A média da pressão intra-ocular no período pré-operatório dos 108 olhos foi de 32,36 ± 9,90 mmHg, e a mediana de 30 mmHg, variando de 18 a 68 mmHg. Resultados: A média da pressão intra-ocular no período pós-operatório foi de 13,74 ± 9,68 mmHg e a mediana de 12 mmHg, variando de 1 a 60 mmHg. Houve sucesso em 90,7% dos olhos. Em 76,8% não houve necessidade de medicação suplementar. Não houve diferença significante (p > 0,75) quanto aos resultados pressóricos e às complicações, nos pacientes submetidos ou não à intervenção prévia. Em 25% dos olhos houve complicações; atalamia (11,11%) e hipotonia (7,41%) foram as mais freqüentes. Conclusão: Trata-se de procedimento eficaz para o tratamento de glaucomas refratários com baixo índice de complicações.

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Transplante de córnea em ceratite por herpes simples
Maria Emília Xavier dos Santos Araújo
Namir Clementino Santos
Denise de Freitas

Objetivo: Avaliação de transplante de córnea em ceratite por herpes simples. Métodos: Foram revisados os prontuários de 38 pacientes submetidos a transplante de córnea por herpes simples, no período de 1993 a 1998. Todos os pacientes tinham apenas um olho acometido. Foi avaliada a transparência do botão corneano, reação de rejeição, recidiva da infecção herpética e acuidade visual final. Pacientes que usaram profilaxia antiviral foram comparados com os que não usaram. O seguimento pós-operatório variou de 6 a 68 meses (média de 21). Resultados: Trinta e um enxertos (81,6%) permaneceram transparentes. Reação de rejeição ocorreu em 14 pacientes (36,8%) e recidiva da ceratite herpética em 4 (10,5%). A acuidade visual pós-operatória foi melhor ou igual a 0,25 em 60% dos pacientes. Não houve diferença estatisticamente significante na sobrevivência do enxerto entre o grupo que usou e o que não usou antiviral sistêmico profilático. Conclusão: Melhores resultados têm sido alcançados no transplante de córnea em ceratite herpética.

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Uso da topografia de córnea na adaptação de lente de contato rígida gás-permeável em pacientes portadores de ceratocone: descrição de técnica e resultados preliminares
José Álvaro Pereira Gomes
Luiz Alexandre Lani
Yara Juliano
Roseli Gomes
Erik Alessandro Pedro
Roberto Anbar

Objetivo: Apresentar um método prático baseado nos valores topográficos para adaptação de lente de contato rígida gás-permeável (LCRGP) em pacientes com ceratocone. Método: Foram estudados 33 olhos de 17 pacientes consecutivos portadores de ceratocone, no período de julho de 1997 a abril de 1999. O exame inicial consistiu de medida da acuidade visual, refração, biomicroscopia e topografia de córnea com o topógrafo computadorizado Eye Sys. As sessões de adaptação foram feitas com lentes de contato de teste, com curva-base selecionada a partir da topografia de córnea. Foi considerada como referência inicial o valor médio de K 1,5 mm superior ao centro óptico de cada olho a 90º. Resultados: A adaptação de lente de contato rígida gás-permeável foi bem sucedida em 30 olhos (91%). Em todos esses casos houve melhora significativa da acuidade visual, que no final variou de 20/20 a 20/60. Para a adaptação inicial, foram necessárias, em média, 3 ± 1 tentativas. Foi realizada readaptação com sucesso em 3 casos (10%). Na maioria dos casos (57%), as lentes pedidas possuíam curva-base com valor mais próximo de K 1,5 mm a 90º em relação a K. Esse achado foi comprovado por análise estatística das medidas individualmente e das médias das diferenças entre as duas medidas topográficas e a curva-base final de lente pedida. Conclusão: A adaptação baseada na topografia de córnea 1,5mm superiormente 90º ao centro óptico mostrou-se rápida e eficaz nos casos de ceratocone.

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Comparação da eficácia da ropivacaína 1% quando associada ou não à hialuronidase na anestesia peribulbar para cirurgia de catarata
Hélio Francisco Shiroma
Efrígenes de Melo Ferreira
David Leonardo Cruvinel Isaac
Vinícius Coral Ghanem
Carlos Eduardo Leite Arieta

Objetivo: Avaliar o tempo de instalação e a qualidade da anestesia peribulbar com ropivacaína 1%, quando associada ou não à hialuronidase para realização de cirurgia de catarata. Métodos: Por meio de um ensaio clínico con-trolado, foram estudados 57 pacientes, submetidos à extração extracapsular da catarata sob anestesia peribulbar, distribuídos aleatoriamente em dois grupos. Grupo C: ropivacaína 1% com hialuronidase 100 utr/ml, e Grupo S: apenas com ropivacaína 1%. Foram avaliados o tempo de instalação do bloqueio de 2 em 2 minutos, utilizando-se a acinesia pela escala da motilidade ocular de Nicoll, intensidade da dor durante o procedimento e a necessidade de complementação anestésica. O bloqueio foi considerado satisfatório quando apresentava valor £ 3 na escala de Nicoll. Resultados: O tempo médio de instalação do bloqueio no grupo C foi de 4,07 minutos (± 3,24) ao passo que no grupo S foi de 5,03 (± 3,28) não havendo diferença estatisticamente significativa entre os grupos. Os dois grupos foram similares em relação à escala de dor, com ausência de dor em 57,14% no grupo C e 68,97% no grupo S. Houve necessidade de complementação em 5 casos (2 pacientes no grupo C e 3 pacientes no grupo S). Foram constatados dois casos de bradicardia intra-operatória, havendo necessidade do uso de atropina em um deles. Conclusão: A ropivacaína 1% proporcionou boa qualidade anestésica para cirurgia de catarata, apresentando discreta redução no tempo de instalação do bloqueio motor quando associado a hialuronidase 100 utr/ml, porém sem diferença significativa.

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Efeitos da constrição pupilar na perimetria de freqüência dupla em olhos normais
Enyr Saran Arcieri
Cybele Crosta
Rui Barroso Schimiti
Susana Bolívia Saavedra Pozo
Vital Paulino Costa

Objetivo: Estudar os efeitos da redução do diâmetro pupilar nos resultados da perimetria de freqüência dupla em um grupo de voluntários normais. Métodos: Dezoito voluntários saudáveis participaram do estudo. Realizou-se perimetria de freqüência dupla no olho direito de cada participante (estratégia "Full Threshold" C-20). Para a segunda sessão de perimetria, instilou-se uma gota de pilocarpina 2% no olho direito dos voluntários e refez-se o exame após 60 minutos. Resultados: Sessenta minutos após adição de pilocarpina 2% houve redução significante do diâmetro pupilar de 4,22 ± 0,17 mm para 1,55 ± 0,51 mm (p<0,05). Houve redução sig-nificativa da sensibilidade retiniana média após constrição pupilar de 5,67 ± 2,49 dB nos 5º centrais, 4,49 ± 2,73 dB entre 2,5º e 10º e 5,10 ± 3,55 dB entre 10º e 20º (p<0,01). Observou-se redução de 4,06 ± 2,67 dB no "mean deviation" e aumento de 0,64 ± 0,94 dB no "pattern standard deviation" (p< 0,01). Não se observaram diferenças em relação às respostas falso-positivas, falso-negativas, perdas de fixação e duração média do exame (p>0,05). Conclusão: A alteração do diâmetro pupilar está associada a redução significativa dos limiares de sensibilidade dentro dos 20º centrais do campo testado pela perimetria de freqüência dupla. Estes resultados sugerem que seja importante manter o diâmetro pupilar constante em exames seriados.

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Pterígio e alterações da curvatura corneana
Fábio Henrique Silva Ferraz
Silvana Artioli Schellini
Erika Hoyama
Suely Romano Bernardes
Carlos Roberto Padovani

Objetivo: Avaliar as mudanças de curvatura corneana ocorridas após a exérese do pterígio (Pt). Métodos: Foi realizado estudo prospectivo em 49 olhos com Pt primário avaliando-se idade, sexo, tamanho [grau (G) I, GII, GIII e GIV] e a morfologia da lesão (atrófica ou carnosa) à biomicroscopia. Todos os pacientes foram submetidos ao exame de videoceratoscopia computadorizada e ceratometria no pré-operatório (pré-op), e no 30º e 60ºdias após a cirurgia. Os dados foram submetidos à análise estatística. Resultados: 63% dos indivíduos avaliados eram do sexo masculino e 80% tinham mais de 41 anos. Houve predomínio dos Pt atróficos (77%), GII e GIII (39% e 28%, respectivamente). Observou-se manutenção do astigmatismo (Astg) presente no pré-operatório no 2º mês pós-operatório (PO), principalmente nos portadores de Pt GI e GII. A variação no valor de K do 1º mês para o 2º mês de PO foi pequena. As variações observadas estiveram mais relacionadas com o tamanho do pterígio, do que com a idade do paciente, ou com as suas características morfológicas. Conclusões: A avaliação ceratométrica e topográfica da córnea em portadores de pterígio no pré e no pós-operatório mostrou que os Pt menores (GI e GII) estão associados com graus menores de astigmatismo e no pós-operatório a córnea sofre menos mudanças que nos GIII e GIV. Após 2 meses da cirurgia, o padrão da curvatura corneana é semelhante ao do pré-operatório, na maioria dos pacientes.

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Avaliação da área de melanomas amelanóticos de coróide em coelhos. Modelo matemático*
Ayrton Roberto Branco Ramos

Paulo Afonso Bracarense Costa
Eglas Emanuel Rossi
Carlos Augusto Moreira Júnior
Lawrence Paul Chong

Objetivo: Os métodos terapêuticos para o tratamento dos melanomas de coróide incluem a observação, a radioterapia, a cirurgia e a laserterapia. Para acompanhamento do crescimento tumoral, há necessidade de documentação e medida do tamanho desses tumores. O objetivo deste estudo é apresentar um modelo matemático simples e de baixo custo, para medida de áreas desses tumores do fundo de olho. Métodos: Utilizaram-se 25 olhos de coelhos pigmentados. Fragmentos de melanomas amelanóticos de hamster foram implantados cirurgicamente no espaço supracoroideo dos olhos dos animais. Quando os tumores atingiram 3 a 4 diâmetros papilares de tamanho realizaram-se as retinografias e angiografias fluorescentes com retinógrafo sem Imaginet, com foco fixo. Por meio de cálculos matemáticos verificaram-se as áreas reais dos tumores. Resultados: Foi possível verificar as áreas reais dos tumores e na análise da comparação dos valores das médias obtidas para os tumores, verificou-se que não existiu diferença estatisticamente significativa entre eles (p= 0,717). Conclusões: Concluiu-se neste estudo, que com o uso de retinógrafo sem Imaginet, foi possível medir com acurácia e segurança, por meio de cálculo matemático, a área de melanomas amelanóticos de hamster implantados no espaço supracoroídeo de coelhos.

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Ceratoplastia lamelar em cães utilizando membrana fetal eqüina como enxerto. Estudo experimental
Cintia Aparecida Lopes Godoy
José Luiz Guerra
Paulo Sergio de Moraes Barros

Objetivo: Avaliar o emprego da membrana fetal (membrana amniótica, córion e alantóide) eqüina como enxerto em ceratoplastia lamelar em cães. Métodos: Foram utilizados 9 animais SRD, respeitando as normas para experimentos em animais da ARVO - Association for Research in Vision and Ophthalmology. Ceratectomia semipenetrante foi realizada com o auxílio de trépano de 5 mm de diâmetro em região temporal superior, com subseqüente fixação de fragmento de membrana fetal eqüina de 6 mm de diâmetro com fio mononylon 8-0. Realizou-se avaliação clínica durante 2, 7, 15 e 60 dias. Os animais foram sacrificados e os olhos enucleados submetidos a estudo histológico. Resultados: Observou-se clinicamente edema moderado nas áreas circunjacentes ao implante desde o início até a fase intermediária do experimento. A neovascularização apareceu de maneira progressiva, com maior intensidade no período intermediário, regredindo paulatinamente. Aos 60 dias, notava-se uma mácula no local da cirurgia. Os achados histológicos demonstraram epitelização e perfeita integração do enxerto ao tecido autóctone logo aos 7 dias de evolução, quando também evidenciou respostas celular e vascular mais intensas. Aos 15 dias, verificou-se diminuição dos elementos vasculares em relação à quantidade de matriz e elementos celulares proliferados. Constatou-se ausência quase total de infiltrado inflamatório no enxerto e nos pontos de sutura. Conclusão: O emprego da membrana fetal (membrana amniótica, córion e alantóide) eqüina como enxerto em ceratoplastia lamelar em cães é factível e produz bons resultados.

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Doenças oculares em neonatos
Daniela Endriss
Liana Maria V. O. Ventura
José Ricardo Diniz
Ana Carolina Celino
Jana Toscano

Objetivo: Identificar as principais doenças oculares numa população de neonatos assistidos pelo Sistema Único de Saúde em maternidades de referência no Estado de Pernambuco, orientando o seguimento e tratamento necessário. Métodos: Realizou-se estudo de corte transversal numa população de recém-nascidos em três maternidades públicas, no período de abril a outubro de 2000. Procedeu-se ao exame oftalmológico durante visitas semanais, orientando-se o seguimento e tratamento dos casos com alterações oculares ou fatores de risco. Resultados: Examinaram-se 3280 recém-nascidos: 1403 (42,8%) na Maternidade da Encruzilhada (CISAM), 1232 (37,5%) na Maternidade do Hospital Barão de Lucena (MHBL) e 645 (19,7%) na Maternidade do Hospital Agamenon Magalhães (MHAM). 387 eram pré-termo (11,8% dos casos). Encaminharam-se ao serviço especializado 701 neonatos (21,4% do total examinado) com alterações oculares ou com fatores de risco. Destes, 46,4% eram pré-têrmo e 37,9% receberam oxigenoterapia, observando-se maior número porcentual na MHBL (45,4%). Observou-se conjuntivite em 3,0% dos olhos, leucocoria em 0,4% e hemorragia subconjuntival em 2,0%. À fundoscopia, encontraram-se hemorragias retinianas em 7,8% dos casos, com acometimento macular em 4,3%. Conclusões: As doenças oculares mais freqüentes foram: hemorragias retinianas e conjuntivites. Os principais fatores de risco observados foram: prematuridade e doenças infecciosas neonatais. Os autores enfatizam que o exame ocular deve ser realizado rotineiramente nos neonatos.

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A campanha da catarata atrai pacientes da clínica privada?
Leandro Cabral Zacharias
Rosa Maria Graziano
Bráulio Folco Telles de Oliveira
Marcelo Hatanaka
Fernando Betty Cresta
Newton Kara José

Objetivo: Avaliar qual o tipo de assistência médica utilizada pelo paciente que procura as “Campanhas da Catarata”. Métodos: Foram realizadas 299 entrevistas com pacientes que participaram da “Campanha da Catarata” do dia 15 de abril de 2000, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Resultados: Dos entrevistados 58,9% eram do sexo masculino e 41,1 % do sexo feminino; a idade média foi de 69,9 anos. A população estudada é composta principalmente por pessoas de baixa escolaridade (89,5% eram analfabetas ou com escolaridade até primeiro grau) e economicamente inativos em 70,9% (aposentados, 50,2%; desempregados, 8,3% e donas de casa, 12,5%). Os meios de assistência médica mais utilizados são serviço público em 87,0%, convênio médico em 8,0% e médico particular em 4,9%. Os principais motivos alegados pelos pacientes que dispunham de convênio e não o utilizaram, foram: não cobria a cirurgia em 25%, não dava cobertura para a lente intra-ocular em 33%. Conclusão: O público alvo da “Campanha da Catarata” atendido no HC-FMUSP é constituído por indivíduos de baixa escolaridade, a maioria não integrada no mercado de trabalho, e que utilizam como recurso de saúde o SUS ou convênios médicos que não cobrem os gastos da cirurgia de catarata. Projetos catarata dentro das condições realizadas por este estudo não atraem pacientes que possam pagar os custos da cirurgia de catarata.

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