Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 65 - fascículo 2
Resumos e Artigos Completos

Resumo dos artigos deste fascículo

Modelos experimentais de deficiência limbar em coelhos - análise clínica
Autores: Daniel Ramos Parente, Maria Rosa Bet de Moraes Silva, Raimundo Gerônimo da Silva Júnior, Mariângela de Alencar Marques

Transplante autólogo de limbo conjuntival e de limbo córneo-conjuntival no tratamento das queimaduras químicas oculares em coelhos
Autores: Samuel Rymer, Miguel Burnier, Diane Marinho, Sérgio Kwitko, Rubens Belfort Jr., Daniela Rohe
Genetic aspects of strabismus
Autores: Rosane da Cruz Ferreira, Faye Oelrich, Bronwyn Bateman
Estudo comparativo entre técnicas para fixação de placa metálica em esclera de coelhos
Autores: Sandra Lucia Dias Ramos de Abreu, Harley E. A. Bicas

Topografia da córnea após perfuração ocular
Autores: Mirko Jankov, José Ricardo de Abreu Reggi, Adamo Lui Netto, Sandra Cayres Naufal, Paulo Elias Corrêa Dantas, Maria Cristina Nishiwaki Dantas

Tratamento cirúrgico da catarata pediátrica
Autores: Jacqueline H. Katina, João Marcelo de Almeida Gusmão Lyra, Charles Demo Souza, Fernando Cançado Trindade
Braquiterapia com Cobalto 60 para o tratamento do melanoma da úvea: análise dos fatores prognósticos para melhor resposta local
Autores: Martha Motono Chojniak, Clelia Maria Erwenne

Hipertensão e retinopatia hipertensiva
Autores: Kenji Sakata, Viviane Sakata, Jackson Barreto Jr., Kátia M. Bottós, Juliana M. Bottós, Newton P. Duarte Filho, Daniele Busatto

Eletrorretinograma: considerações a respeito dos limites de normalidade e comparação entre valores normais de dois diferentes laboratórios
Autores: Flávio Rocha Lima Paranhos, Augusto Paranhos Jr., Márcio Bittar Nehemy

Estudo do raspado de conjuntiva e margem palpebral de pacientes tratados de retinoblastoma: Etapa I - Microflora aeróbica
Autores: Maria Carmen Menezes Santos, Gilda da Cunha Santos, João Antônio Vozza, Nivaldo Medeiros, Clélia Maria Erwenne

Urgência Oftalmológica: Corpo estranho ocular ainda como principal causa
Autores: Ângelo Augusto da Silva Araújo, Davison Vieira Almeida, Vitalina Martins de Araújo, Max Rollemberg Góes

Efeito de drogas utilizadas no tratamento de hipertensão arterial sistêmica sobre a pressão intra-ocular: estudo experimental no cão
Autores: Mitsuo Hashimoto
, Maria Rosa Bet de Moraes Silva, Francisco José Teixeira Neto
Influence of patient race on the outcome of photorefractive keratectomy for myopia correction
Autores: Fernando Betty Cresta, Steven MA, Lauree D. LaBree, Peter J. McDonnell
Estudo da morfologia endotelial em usuários de lentes de contato acrílicas
Autores: Tânia Mara Schaefer, Fernando Cesar Abib, Jackson Barreto Junior
Nucleodissecção & facoemulsificação
Autor: Marcelo Siqueira de Freitas
Descrição de nova distrofia macular associada à síndrome dos cabelos anágenos frouxos
Autores: Mário Teruo Sato, Rodrigo Marzagão, Christine Graff , Jaime Arana, Ana Tereza Ramos Moreira, Nina Amália Brancia Pagnan, Enilze Maria de Souza Fonseca Ribeiro, Carlos Augusto Moreira Júnior

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Modelos experimentais de deficiência limbar em coelhos - análise clínica
Autores: 
Daniel Ramos Parente
Maria Rosa Bet de Moraes Silva
Raimundo Gerônimo da Silva Júnior
Mariângela de Alencar Marques

Objetivo: Comparar em coelhos três modelos experimentais de destruição das células germinativas (CG) do limbo corneano quanto a aspectos clínicos. Métodos: Foram utilizados 54 coelhos, 108 olhos, subdivididos em 3 grupos experimentais: (G1), (G2) e (G3), cada um formado pelos OE de 18 coelhos, submetidos às técnicas experimentais (T1), (T2) e (T3), respectivamente, e um grupo controle, formado pelos 54 olhos contralaterais (OD). Nas três técnicas foi utilizado o n-heptanol. Na T1, o n-heptanol foi aplicado por 5 minutos, para remoção do epitélio límbico. Na T2, além da aplicação do n-heptanol, realizou-se peritomia e remoção da conjuntiva perilímbica até 4 mm do limbo, juntamente com a escarificação do tecido episcleral. Na T3, além dos procedimentos da T2, foi realizada dissecção lamelar do limbo abrangendo aproximadamente 1,5 mm na periferia da córnea e 2 mm na superfície escleral. Em todas as córneas dos animais foram estudados seis parâmetros clínicos: neovascularização, perda da transparência, irregularidade da superfície, reparação epitelial, erosão ou defeito epitelial, granuloma e outras lesões corneanas. Resultados: A neovascularização corneana iniciou-se mais precocemente com a T1 e T2; ocorreu em 100% dos casos com as três técnicas, de forma não homogênea, variando de leve a intensa; permaneceu estável a partir do 28º dia até o final do experimento (56º dia), foi maior nos quadrantes superior e inferior e menor nos quadrantes nasal e temporal. A perda da transparência e a irregularidade da superfície corneana foram menores com a T1 que com a T2 e T3, que foram similares entre si. Houve, nas três técnicas experimentais, latência de três dias para o início da reepitelização, que se completou com a T1 no 7º dia e com a T2 e T3 no 14º dia. Erosão epitelial corneana e granuloma corneano foram encontradas de forma similar nas três técnicas experimentais. Conclusões: A T2 e T3 mostraram-se adequadas como possíveis modelos de ampla remoção das CG límbicas, levando a resultados similares nos diversos parâmetros estudados. A T1 se mostrou adequada como modelo de remoção parcial do epitélio límbico. Ocorreu conjuntivalização e neovascularização nas três técnicas experimentais.

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Transplante autólogo de limbo conjuntival e de limbo córneo-conjuntival no tratamento das queimaduras químicas oculares em coelhos
Autores: 
Samuel Rymer
Miguel Burnier
Diane Marinho
Sérgio Kwitko
Rubens Belfort Jr.
Daniela Rohe

Objetivo: Analisar e comparar a recuperação da córnea após queimadura química ocular, em olhos de coelhos tratados com transplante autólogo de limbo conjuntival e limbo córneo-conjuntival. Métodos: Um total de 35 coelhos foi submetido a uma queimadura química unilateral da córnea e limbo, com solução de hidróxido de sódio (NaOH) 1 mol -1. Após 30 dias da queimadura, foram constituídos 3 grupos. Os coelhos do Grupo 1(12) não foram operados e foram utilizados como controle. Os coelhos do Grupo 2 (12) foram submetidos a um transplante autólogo, utilizando limbo conjuntival do olho contralateral. Os coelhos do Grupo 3 (11) foram submetidos a um transplante autólogo, utilizando limbo córneo-conjuntival do olho contralateral. Foram estudados os seguintes itens: indução e regressão da neovascularização corneana, tempo de reepitelização corneana, alteração da transparência corneana e estudo do fenótipo corneano, empregando-se métodos de rotina hematoxilina-eosina (HE), método do ácido periódico - Schiff (PAS) e reação da peroxidase-antiperoxidase (PAP), utilizando anticorpos monoclonais. Resultados: Não houve diferenças estatisticamente significantes, nas variáveis estudadas, quando comparados os dois grupos operados. Houve diferenças estatisticamente significantes, em todas variáveis estudadas, quando comparados os grupos operados com o grupo controle. Notou-se diminuição gradativa do número de células caliciformes, reconhecidas pelo PAS e aumento gradativo do número de células epiteliais corneanas, reconhecidas pelo anticorpo monoclonal AE5, configurando-se, aos 90 dias de pós-operatório, um fenótipo predominantemente epitelial corneano na superfície corneana, independentemente da técnica cirúrgica utilizada. O grupo controle mostrou extensa necrose do epitélio corneano em todos os casos. Conclusões: Os transplantes autólogos de limbo conjuntival e de limbo córneo-conjuntival produziram os mesmos resultados clínicos e fenotípicos epiteliais em um modelo experimental de queimadura química em olhos de coelhos, configurando-se, aos 90 dias de pós-operatório, um fenótipo predominantemente epitelial corneano. O grupo controle mostrou defeitos epiteliais persistentes, aumento da neovascularização corneana, diminuição da transparência e fenótipo da superfície corneana tipicamente conjuntival.

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Genetic aspects of strabismus
Autores: 
Rosane da Cruz Ferreira
Faye Oelrich
Bronwyn Bateman

Purpose: To evaluate the genetic aspects of strabismus. Methods: Ophthalmic and orthoptic evaluations were performed prospectively on 110 strabismic probands and 478 relatives. We used 3 different criteria in the diagnosis of strabismus: primary diagnosis (dx1) defined as any manifest horizontal or vertical deviation, a secondary diagnosis (dx2) including esophoria (>7 prism diopters) or exophoria (>9 prism diopters), and a tertiary diagnosis (dx3) including abnormal fusional amplitudes, accommodative convergence/accommodation (AC/A) ratio, and/or stereopsis; monofixation syndrome; 4 prism diopters base out; and/or abnormal Maddox test responses. Analyses were carried out within mating types. Results: Hypotheses of autosomal dominant or recessive inheritance with no sporadics were rejected. Based on the dx1, 25% of the families had more than one individual affected and there was vertical transmission in 13%; adding dx2 there were 36% of the families with more than one affected and 21% had vertical transmission; and adding dx3, there were 73% with more than one affected and 51% with vertical transmission. Conclusions: There is evidence for a pattern consistent with an autosomal dominant form of strabismus in most families.

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Estudo comparativo entre técnicas para fixação de placa metálica em esclera de coelhos
Autores: 
Sandra Lucia Dias Ramos de Abreu
Harley E. A. Bicas

Objetivo: Comparação entre dois diferentes métodos para fixação escleral de placa metálica em coelhos, utilizando-se adesivo de cianoacrilato e fio de sutura Mersileneã 6.0. Métodos: Vinte e sete coelhos adultos foram operados sob anestesia geral e seus olhos foram examinados quanto à reação inflamatória ocular no 8º, 23º e 38º dia de pós-operatórios. Foi estudada a aderência da placa à esclera por meio das forças de tração tangencial e perpendicular. Resultados: Sinais clínicos de reação inflamatória estiveram presentes até o 23º dia em todos os olhos e foram levemente mais intensos nos olhos que usaram cianoacrilato. Exame microscópico mostrou reações até o 38º dia em todos os olhos. Diferentes forças de tração foram aplicadas nas placas e variavam de 20 a 80 gf. Forças de tração de 80 gf não produziram descolamento em todas as placas até o 38º dia. Conclusões: A fixação da placa metálica na esclera em coelhos pode ser obtida com a utilização do fio de sutura ou do adesivo de cianoacrilato.

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Topografia da córnea após perfuração ocular
Autores: 
Mirko Jankov
José Ricardo de Abreu Reggi
Adamo Lui Netto
Sandra Cayres Naufal
Paulo Elias Corrêa Dantas
Maria Cristina Nishiwaki Dantas

Objetivo: Estudar a topografia de córnea após perfurações oculares grau 1. Métodos: Por meio de estudo clínico transversal controlado, foram realizados exames de topografia computadorizada de córnea (topógrafo EyeTech CT-2000) em ambos os olhos em 21 pacientes que haviam sido atendidos e submetidos à correção cirúrgica de perfuração corneana em um dos olhos pela equipe do Pronto Socorro do Departamento de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo no período de janeiro a dezembro de 1998. Os olhos contralaterais formaram o grupo controle. Resultados: Quinze pacientes (71%) apresentaram lesões menores que 4 mm. O astigmatismo topográfico no grupo de olhos perfurados foi 2,66 ± 2,64 D, e 0,52 ± 0,25 D no grupo controle. Ao comparar distribuição dos pacientes com astigmatismo topográfico maior ou menor que 2,00 D nas categorias do tamanho médio e da configuração da lesão, observaram-se diferenças estatisticamente significativas (p=0,04 e p=0,02 respectivamente). A localização não mostrou diferença estatisticamente significativa (p=1,00). Não houve diferença estatisticamente significativa (p=0,98) entre o poder dióptrico corneal de olhos perfurados e do grupo controle. A distribuição, quanto ao padrão topográfico corneal, foi semelhante no grupo de olhos perfurados, grupo controle, bem como na literatura. Melhor acuidade visual corrigida melhor ou igual a 0,5 foi encontrado em 81% dos pacientes. Conclusões: O astigmatismo topográfico resultante de lesão de córnea foi maior que o do grupo controle, porém não houve mudança qualitativa do padrão topográfico destes olhos, excluindo os casos de topografia irregular. Confirma-se a correlação do astigmatismo topográfico com o tamanho da lesão, reafirmando-se o tamanho crítico de 4 mm. Perfurações grau 1 têm bom prognóstico visual, ao passo que pior prognóstico é esperado para padrões topográficos irregulares ou lesões maiores que 4 mm.

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Tratamento cirúrgico da catarata pediátrica
Autores: 
Jacqueline H. Katina
João Marcelo de Almeida Gusmão Lyra
Charles Demo Souza
Fernando Cançado Trindade

Objetivo: Descrever as diferentes abordagens dos casos cirúrgicos de catarata pediátrica (CP) em pacientes do Serviço de Córnea e Catarata do Hospital São Geraldo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no período de junho de 1998 a novembro de 2000. Métodos: Foram estudados prospectivamente 37 olhos de 31 crianças. Trinta e cinco olhos (94,6%) apresentavam catarata congênita e dois olhos (5,4%) catarata traumática. A abordagem cirúrgica variou de acordo com a idade dos pacientes, que foram divididos nos seguintes grupos: Grupo I (abaixo de 1 ano de idade): facectomia por aspiração manual, sem implantação de lente intra-ocular (LIO) com capsulotomia posterior primária, nos primeiros 2 olhos; capsulorrexe posterior primária (CPP) nos demais, e vitrectomia anterior (VA) via límbica em todos. Grupo II: (entre 1 e 5 anos de idade): facectomia por aspiração manual, com implantação de LIO com CPP e VA via límbica. Grupo III: (entre 1 e 5 anos de idade): facectomia por aspiração manual, com implantação de LIO, capsulotomia posterior primária e VA via pars-plana. Grupo IV: (acima de 5 anos de idade): facectomia por aspiração manual, com implantação de LIO sem capsulotomia/CPP e VA. Para confecção da capsulorrexe anterior e posterior (quando indicada), também foi utilizado aparelho de radiofreqüência. A capsulotomia posterior primária era realizada com vitreófago do aparelho de facoemulsificação Universal – Alcon. Resultados: LIO foi implantada em 31 olhos (83,8%), sendo que 28 (90,3%) dentro do saco capsular e 3 (9,7%) no sulco ciliar. O seguimento pós-operatório variou entre 2 e 27 meses. No grupo IV, houve opacificação secundária da cápsula posterior em 53,8 % dos casos (7 olhos), sendo estes submetidos a capsulotomia com YAG-laser. Conclusão: O uso da radiofreqüência na realização da capsulorrexe anterior e CPP, assim como a VA melhoraram o resultado cirúrgico da CP.

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Braquiterapia com Cobalto 60 para o tratamento do melanoma da úvea: análise dos fatores prognósticos para melhor resposta local
Autores: 
Martha Motono Chojniak
Clelia Maria Erwenne

Objetivo: Determinar fatores prognósticos para resposta tumoral local ao tratamento do melanoma uveal por braquiterapia com cobalto 60, segundo parâmetros clínicos e próprios deste método. Métodos: Avaliamos os índices de controle tumoral, complicações, doença metastática e sobrevida global em 69 portadores de melanoma uveal tratados por braquiterapia com cobalto 60 de novembro de 1988 a outubro de 1994, no Hospital do Câncer - A.C.Camargo de São Paulo. Confrontamos estes índices com diferentes características tumorais e da técnica de braquiterapia para determinação dos melhores fatores prognósticos. Resultados: Após o tratamento, 79,9% das lesões demonstraram diminuição da altura, 66,7% do diâmetro basal, e 37,2% da acuidade visual. Foram realizadas 16 (23,2%) enucleações, em média 21,1meses após o tratamento, 10 (62,5%) por falha no controle tumoral e 6 (37,5%) devido a complicações. O índice de doença metastática foi de 11,6% e o de sobrevida para 5 anos de 89,1%. O índice de complicação foi 76,8% e o de conservação do globo ocular foi 76,8%. Fatores prognósticos para maior índice de conservação associado a menor índice de complicações foram: tratamento de lesões com até 5mm de altura e 10 mm de diâmetro basal; dose apical maior que 12.000 cGy; taxa de dose apical maior que 45 cGy/h; dose basal menor que 25.000 cGy; taxa de dose basal menor que 120 cGy/h e atividade da placa menor que 2 mCi. O tempo de seguimento médio foi de 44,3 meses (10,1-114,3 m). Conclusão: Tamanho tumoral, atividade da placa, dose e taxa de dose devem ser cuidadosamente estudados no planejamento braquiterápico, para otimização do método.

 
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Hipertensão e retinopatia hipertensiva
Autores:
Kenji Sakata
Viviane Sakata
Jackson Barreto Jr.
Kátia M. Bottós
Juliana M. Bottós
Newton P. Duarte Filho
Daniele Busatto


Objetivo: Avaliar a prevalência de retinopatia hipertensiva (RH) em pacientes hipertensos (controlados e não controlados) e normotensos na população acima dos 40 anos do município de Piraquara. Correlacionar os casos de alteração retiniana com o sexo, a raça e a idade do paciente. Métodos: Durante 1998 e 2000, foram examinados no Projeto Glaucoma da Universidade Federal do Paraná 1.954 pacientes. Destes, excluíram-se aqueles abaixo de 40 anos e os diabéticos, sendo que a população considerada para este estudo foi de 1.741 pacientes. O protocolo do projeto consiste de anamnese direcionada, aferição da pressão arterial (PA), glicemia por tiras reativas, PIO e fundoscopia direta e indireta. As alterações fundoscópicas pertinentes a retinopatia hipertensiva foram estudadas segundo a classificação de Gans e correlacionadas conforme mencionado anteriormente. Resultados: Dos 1.741 pacientes analisados, 669 (38,43%) são hipertensos, 645 (37,05%) normotensos e 427 (24,53%) suspeitos de hipertensão arterial sistêmica (HAS). Foram encontrados 211 (12,12%) pacientes com sinais de RH, sendo 136 (64,46%) do sexo feminino e 75 (35,54%) do sexo masculino; 134 (63,98%) de 40 a 60 anos e 77 (36,02%) com idade superior a 60 anos; predominando as raças branca (75,83%) e negra (11,37%). Do total de pacientes com RH, 154 (73%) eram hipertensos, 17 (2,64%) normotensos e 40 (9,37%) suspeitos de HAS. Dentre os hipertensos com PA controlada, 12,2% apresentavam sinais de retinopatia. Já dentre os hipertensos com PA não controlada, 25,3% apresentavam sinais da patologia. Conclusão: A prevalência de RH foi maior nos hipertensos comparativamente aos normotensos e suspeitos de HAS (p<0,001, OR=5,32). Os pacientes negros (p<0,05 e OR= 1,67), os hipertensos com PA não controlada (p<0,01, OR=2,44) e os acima de 60 anos (p<0,001, OR=1,85) apresentaram maiores chances de desenvolverem RH.
 
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Eletrorretinograma: considerações a respeito dos limites de normalidade e comparação entre valores normais de dois diferentes laboratórios
Autores: 
Flávio Rocha Lima Paranhos
Augusto Paranhos Jr.
Márcio Bittar Nehemy

Objetivo: Comparar os valores dos limites de normalidade da amplitude e tempo de culminação do eletrorretinograma (ERG) de 2 laboratórios diferentes. Métodos: Dados normativos do ERG disponibilizados pelo fabricante de aparelhos de eletrofisiologia com o programa UTAS (LKC Technologies), que incluíam 110 indivíduos normais de 22 a 79 anos de idade, foram comparados com valores normais de nosso laboratório publicados anteriormente, referentes a 42 indivíduos normais com idades variando de 6 a 72 anos, cujo exame foi realizado em um dos modelos LKC (EPIC 2000). O método de registro do ERG foi o de estimulação simples ("single flash") e seguiu as recomendações da ISCEV (International Society of Clinical Electrophysiology of Vision). Resultados: Todos os parâmetros do ERG, tanto de amplitude quanto de tempo de culminação, com exceção da amplitude dos potenciais oscilatórios (p = 0,0779) e do tempo de culminação da onda-b da resposta máxima combinada (p = 0,7771), foram significativamente (p < 0,0001) diferentes. Conclusão: Cada laboratório de eletrofisiologia deve ter seus próprios parâmetros de normalidade, os quais podem ser resultado do intervalo de confiança de 95% da média de sua amostra de normais, ou os percentis 2,5 e 97,5. No primeiro caso os limites serão bastante estreitos, aumentando a sensibilidade do teste, ocorrendo o inverso no segundo.

 
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Estudo do raspado de conjuntiva e margem palpebral de pacientes tratados de retinoblastoma: Etapa I - Microflora aeróbica
Autores: 
Maria Carmen Menezes Santos
Gilda da Cunha Santos
João Antônio Vozza
Nivaldo Medeiros
Clélia Maria Erwenne


Objetivo: A queixa de secreção ocular é muito freqüente entre os pacientes tratados de retinoblastoma submetidos à enucleação e radioterapia. A falta de dados sobre a microflora em pacientes nessas condições foi o que motivou este estudo. Métodos: Foram examinadas 114 órbitas de 58 pacientes. Este trabalho apresenta os resultados das culturas para bactérias aeróbicas e fungos, de conjuntiva e margem palpebral em 4 condições, com e sem enucleação, com e sem radioterapia. Procedeu-se à identificação dos microrganismos de acordo com o Protocolo do National Committee for Clinical Laboratory Standards e os esfregaços para citologia foram submetidos às colorações de Gram e Leishman. Resultados: A presença de microrganismos foi mais freqüente nas cavidades anoftálmicas irradiadas, tanto na conjuntiva (54,5%) quanto na margem palpebral (63,6%), porém sem diferença estatisticamente significante. Além disso, em órbitas com bulbo ocular, a radiação, na fase tardia, representou um fator limitante da presença de microrganismos na conjuntiva e na margem palpebral, mas sem diferença estatisticamente significante. O Staphylococcus coagulase negativa foi o microrganismo mais freqüente na conjuntiva e margem palpebral de todos os grupos. Houve crescimento de fungo, Candida tropicalis, em apenas um caso. Conclusões: Sugere-se o uso de colírios antibióticos em pacientes tratados de retinoblastoma, portadores de cavidade anoftálmica, irradiada ou não.
 
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Urgência Oftalmológica: Corpo estranho ocular ainda como principal causa
Autores:
Ângelo Augusto da Silva Araújo
Davison Vieira Almeida
Vitalina Martins de Araújo
Max Rollemberg Góes

Objetivo: Os distúrbios traumáticos constituem a grande maioria das urgências oftalmológicas. O conhecimento prévio dos fatores de risco epidemiológicos possibilita trabalhos de medicina preventiva, dentre outros. Este estudo avalia os motivos que conduzem os pacientes a procurarem um serviço de emergência oftalmológica. Métodos: Foram cadastrados, em um "software" exclusivo, os prontuários dos pacientes atendidos entre os dias 01/01/2000 e 20/10/2000 no Hospital Governador João Alves Filho, Aracaju / SE - Brasil. Selecionaram-se 859 pacientes, de acordo com critérios previamente estabelecidos, analisando as seguintes variáveis: sexo, idade, dia da semana, mês, diagnóstico e conduta médica adotada. Resultados: O sexo masculino representou 72% no total de atendimentos; o diagnóstico de trauma foi encontrado em 52% dos casos, sendo que 59,5% correspondiam ao corpo estranho ocular; as consultas nos dias úteis superaram em 62,5% as dos dias não-úteis. Conclusão: O sexo masculino demonstrou maior vulnerabilidade ao trauma, visto que a faixa etária mais acometida foi a economicamente ativa. A etiologia mais freqüente foi corpo estranho ocular e o atendimento em dias úteis foi maior do que nos dias não-úteis.

 
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Efeito de drogas utilizadas no tratamento de hipertensão arterial sistêmica sobre a pressão intra-ocular: estudo experimental no cão
Autores: 
Mitsuo Hashimoto
Maria Rosa Bet de Moraes Silva
Francisco José Teixeira Neto

Objetivo: Estudar os efeitos de duas drogas utilizadas no tratamento de hipertensão arterial sistêmica (captopril e propranolol) sobre a pressão intra-ocular (PIO) e pressão de perfusão (PP) em cães anestesiados. Métodos: Foram estudados 24 cães, divididos em 3 grupos de 8. No primeiro grupo (GI), foi administrado captopril (um inibidor da enzima conversora de angiotensina) na dose de 1,5 mg/kg por via endovenosa. No segundo grupo (GII), foi administrado propranolol (um beta-bloqueador) na dose de 1,5 mg/kg por via endovenosa. O terceiro grupo (GIII) foi o grupo controle. A PIO e a pressão arterial média (PAm) foram medidas por manometria. A pressão de perfusão (PP) foi calculada pela diferença entre a PAm e a PIO. A freqüência cardíaca (FC) foi monitorada com oxímetro de pulso. Os parâmetros foram estudados em 6 momentos (0, 10, 30, 60, 90 e 120 minutos). Resultados: Houve redução estatisticamente significativa da PIO (p<0,05) nos grupos em que foram administrados captopril e propranolol, sem diferença entre as drogas. Com captopril, houve redução da PAm e da PP aos 10 e 30 minutos. Com propranolol, não houve redução da PAm ou da PP. Conclusão: Houve redução da PIO com uso do captopril e também do propranolol. Entretanto, a redução acentuada da PAm e da PP causadas pelo captopril, podem ser indesejáveis para a irrigação do nervo óptico.

 
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Influence of patient race on the outcome of photorefractive keratectomy for myopia correction
Autores:
Fernando Betty Cresta
Steven MA
Lauree D. LaBree
Peter J. McDonnell

Purpose: To examine the effect of patient race on clinical outcomes following excimer laser surgery for myopia and myopic astigmatism. Methods: A total of 116 eyes from Caucasian patients, 16 eyes from Asian patients and 16 eyes from Hispanic patients who underwent PRK were evaluated retrospectively. PRK procedures were performed by the same surgeon using a 193 nm argon- fluoride excimer laser (VISX) with 160 mJ/cm2 fluence and a 6.5 Hz repetition rate at the Doheny Eye Institute. During 6 months of follow-up, changes in the uncorrected visual acuity (UCVA), refraction and spectacle-corrected visual acuity (SCVA) were evaluated. Pairwise comparisons between races were performed for age, sphere and cylinder using independent sample t tests, while UCVA and SCVA were compared using Fisher’s exact tests. The accepted level of significance for all tests was a = 0.05/3 = 0.0167. Results: The only differences found were between the Asian versus Caucasian groups related to the spectacle-corrected visual acuity of 20/15 (p=0.01) and in the Asian versus Hispanic groups related to the mean cylinder (p=0.04) at 3 months postoperatively. The comparison of the mean cylinder showed a statistically significant difference between the Asian versus Hispanic groups at 6 months postoperatively (p=0.04). After 6 months, 72.7% of the eyes in the Asian group, 85.7% of the eyes in the Hispanic group and 87.1% of the eyes in the Caucasian group had uncorrected visual acuity of 20/40 or better and the mean sphere and cylinder (±SD) were: –0.55 (± 0.88) and 0.97 (± 0.79); –0.75 (± 1.24) and 0.40 (± 0.45); –1.21 (± 2.55) and 0.75 (± 0.89), respectively. Conclusion: In this study, there were no statistically significant differences between the three race groups related to the final visual outcome following photorefractive keratectomy. These preliminary results suggest that the clinical outcomes of PRK are not significantly affected by patient race. Larger populations and longer-term studies are needed to definitely determine whether racial differences exist.

 
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Estudo da morfologia endotelial em usuários de lentes de contato acrílicas
Autores: 
Tânia Mara Schaefer
Fernando Cesar Abib
Jackson Barreto Junior

Introdução: A diabete mélito é doença metabólica complexa que envolve hiperglicemia, doença microvascular (retina e rim) e neuropatia. A retinopatia e a nefropatia são importantes causas de cegueira e falência renal respectivamente, e complicações relacionadas à diabete mélito. Objetivo: Determinar a relação entre a presença de proteinúria e nefropatia com a gravidade da retinopatia diabética num estudo transversal de pacientes diabéticos. Métodos: Estudo transversal de pacientes diabéticos, sem tratamento oftalmológico prévio, atendidos em serviço de oftalmologia terciário. Estes pacientes foram submetidos a exame fundoscópico, exames laboratoriais e interrogados quanto ao tempo de duração e o tipo de diabete. Comparados os fatores de risco abordados com os achados fundoscópicos. Na análise dos dados quantitativos foi usado o teste t de Student. Resultados: Estudados 81 pacientes, 28 do sexo masculino, 53 do sexo feminino, 28 com diabete insulino-dependente 53 com diabete não-insulino-dependente. Fatores correlacionados estatisticamente com o grupo com retinopatia diabética mais grave incluem: diabete mélito insulino dependente (a<0,01), nefropatia (a<0,05), proteinúria (a<0,05), maior tempo de doença (p<0,001) e valores mais elevados de glicemia de jejum (p=0,01). Conclusões: Concluiu-se que a gravidade de retinopatia diabética está relacionada à presença de proteinúria e nefropatia além de sofrer influência de fatores de risco tais como tempo de duração da doença, tipo de diabete e controle metabólico da doença.

 
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Nucleodissecção & facoemulsificação
Autor: 
Marcelo Siqueira de Freitas

O autor descreve uma técnica para dissecar o núcleo cataratoso em duas porções: uma externa, ou camada externa, e outra interna, ou núcleo interno. A camada externa é segmentada com a ponteira do facoemulsificador e o gancho de Sinskey ou um "chopper" e o núcleo interno luxado e emulsificado sempre em primeiro lugar. A emulsificação da camada externa originou dois modelos cirúrgicos, um para cataratas maduras e outro para cataratas moderadamente duras. Nas cataratas maduras, emulsificamos cada divisão da camada externa anterior e depois a porção posterior, deslocada para câmara anterior. Nas cataratas moderadamente duras, é possível separar um conjunto de lamelas formadas por fibras duras, tanto anteriores como posteriores das lamelas superficiais que permanecem protegendo a cápsula posterior. As lamelas duras são emulsificadas no espaço que surge depois da emulsificação do núcleo interno, que denominamos de espaço intranuclear. A nucleodissecção assim como os modelos cirúrgicos referidos mostraram-se de grande utilidade e são usados na nossa rotina cirúrgica.

 
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Descrição de nova distrofia macular associada à síndrome dos cabelos anágenos frouxos
Autores:
Mário Teruo Sato
Rodrigo Marzagão
Christine Graff
Jaime Arana
Ana Tereza Ramos Moreira
Nina Amália Brancia Pagnan
Enilze Maria de Souza Fonseca Ribeiro
Carlos Augusto Moreira Júnior

Objetivos: Descrever os achados oftalmológicos, dermatológicos e de microscopia óptica (MO) e microscopia eletrônica de varredura (MEV) de nova distrofia macular associada à síndrome dos cabelos anágenos frouxos (SCAF). Métodos: Uma família de sete pacientes, quatro deles afetados, foi examinada. Os pacientes foram submetidos ao exame oftalmológico completo, teste de cores (Ishihara e Farnsworth D-15), ecografia, angiografia, exames laboratoriais e dermatológico, teste do suor, microscopia óptica e microscopia eletrônica de varredura dos fios de cabelo. Resultados: Em duas irmãs afetadas encontramos no fundo de olho dispersões pigmentares em pólo posterior da retina, com estafiloma da mácula. Em dois irmãos foram encontradas as mesmas dispersões pigmentares em pólo posterior, com maior pigmentação e coloração amarelada em área macular e sem estafiloma. A avaliação na microscopia óptica e microscopia eletrônica de varredura dos indivíduos afetados confirmou a SCAF. Em uma mulher e em um homem não afetados todos os exames foram normais, exceto que na MO e MEV encontramos algumas semelhanças com os indivíduos afetados. Quanto ao modo de herança, o heredograma é compatível com herança autossômica recessiva com expressão parcial no heterozigoto. Conclusões: Há somente um relato na literatura internacional da associação de SCAF e coloboma ocular. Neste trabalho descrevemos os achados de nova distrofia macular associada à síndrome dos cabelos anágenos frouxos, distrofia cujos achados fundoscópicos são diferentes entre homens e mulheres. Por se tratar do primeiro relato na literatura, os achados descritos sugerem fortemente que esta associação pode ser parte de uma nova entidade nosológica.


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