Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 65 - fascículo 1
Resumos e Artigos Completos

Resumo dos artigos deste fascículo

Perfil das ceratites fúngicas no Hospital São Geraldo Belo Horizonte - MG
Autores: Cristina Moreira Salera, Marco Antônio Guarino Tanure, Wellington Tadeu Montenegro Lima, Christian Marcellus Campos, Fernando Cançado Trindade, Júlia dos Anjos Moreira

Resultados da conjuntivodacriocistorrinostomia com implante de prótese lacrimal de polietileno de baixa densidade
Autores: Simone Bison, Ovídio Soccol, Marinho Jorge Scarpi
Alterações da microbiota conjuntival e palpebral após o uso tópico de lomefloxacina e tobramicina na cirurgia de catarata e cirurgia refrativa
Autores: Ana Luisa Höfling-Lima, Michel Eid Farah, Luciano Montenegro, Lênio Souza Alvarenga, Maria Regina Catai Chalita, Maria Cecília Zorat You
Estudo comparativo da flarefotometria em pacientes com melanoma maligno e nevo de coróide
Autores: Priscilla Luppi Ballalai, Clélia Maria Erwenne, Martha Motono Chojniak

Videokeratograph (VKS) for monitoring corneal curvature during surgery
Autores: Luis Alberto Vieira de Carvalho, Antonio Carlos Romão, Silvio Tonissi, Fátima Yasuoka, Jarbas C. Castro, Paulo Schor, Wallace Chamon

Nova proposta de treinamento e avaliação do uso de auxílios ópticos em portadores de visão subnormal
Autores: Silvana Terezinha Figueiredo Moya, Lenira Maria Lima de Carvalho, Luciene Chaves Fernandes, André Aguiar Oliveira
Estudo histopatológico da retina de coelhos após injeção intravítrea de lidocaína
Autores: Marcos Antônio Ferreira, Moacyr Pezati Rigueiro, Paulo Henrique Moralles, Magno Antônio Ferreira, Michel Eid Farah

Discromatopsias congênitas e condução de veículos
Autores: Mário Teruo Sato, Alfredo Vidal Moreira, Daniel Roncglio Guerra, Ana Cristina Alvarez de Carvalho, Carlos Augusto Moreira Júnior

Anel intracorneano de Ferrara em ceratocone
Autores: Hamilton Moreira, Cinara Sakuma de Oliveira, Glaucio de Godoy, Sâmia Ali Wahab

Influência da orientação psicológica na fidelidade ao tratamento em portadores de glaucoma crônico simples
Autores: Paula Roberta Mucci, Roberta Andrade Galhardo, Ricardo Belfort, Paulo Augusto de Arruda Mello

Interesse e conhecimento em cirurgia refrativa entre estudantes de medicina
Autores: Flávio Cotait Kara José, Lúcia Battistella Passos, Ana Carolina Jervásio, Gustavo Henrique Salomão

Avaliação clínica de um programa computadorizado para adaptação de lentes de contato
Autores: Helaine Vinche Zampar, Paula Renata Caluff Lobato, Isaac Neustein, Renato Leça
Detecção de tracoma e doenças corneanas em índios da região do Alto Rio Nigro
Autores: Ana do Carmo Paula Pessoa dos Reis, Cláudio Chaves, Jacob Moysés Cohen, Fernando Belfort, Norimar Pinto de Oliveira, Rubens Belfort Jr.
A proteinúria como fator de risco para retinopatia diabética
Autores: André Moraes Freitas, Zélia Maria da S. Corrêa, Ítalo Mundialino Marcon, Helena Schmidt
Estudo de melanoma de coróide na Universidade Federal de Uberlândia
Autores: Enyr Saran Arcieri, Daniela Fonseca, Edimar Tiago França, Eduardo Facury Braga, Magno Antônio Ferreira
Indicações de transplante de córnea no Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Autores: Silvana Cattani, Sergio Kwitko, Marco Antonio Hermann Kroeff, Diane Marinho, Samuel Rymer, Francisco de Lima Bocaccio

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Perfil das ceratites fúngicas no Hospital São Geraldo Belo Horizonte - MG
Autores: 
Cristina Moreira Salera
Marco Antônio Guarino Tanure
Wellington Tadeu Montenegro Lima
Christian Marcellus Campos
Fernando Cançado Trindade
Júlia dos Anjos Moreira

Objetivos: Apresentar 20 casos de ceratite fúngica do Hospital São Geraldo, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil e analisá-los quanto aos fatores associados, fungos identificados e tratamento instituído. Métodos: Foi realizada uma análise retrospectiva dos prontuários de 20 pacientes (20 olhos) com ceratite fúngica, confirmada pela cultura, durante o período de janeiro de 1994 a dezembro de 1999 no Hospital São Geraldo. Resultados: Quinze pacientes (75%) eram do sexo masculino. A idade variou de 9 a 67 anos (média de 35,7 anos). Um dos fatores associados analisado foi o trauma ocular (60%). O fungo mais freqüentemente isolado foi o Fusarium sp (60%), seguido pelo Aspergillus sp (30%). Natamicina foi o antifúngico tópico mais freqüentemente utilizado. No que diz respeito ao tratamento sistêmico, a droga mais utilizada foi o cetoconazol. Quatorze pacientes (70%) necessitaram de ceratoplastia penetrante durante a fase aguda da infecção. Conclusões: Fusarium sp foi o fungo mais isolado em nosso Serviço e a história de trauma ocular foi freqüente (60%). Nossa experiência mostrou um número maior de indicações de ceratoplastia penetrante terapêutica.

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Resultados da conjuntivodacriocistorrinostomia com implante de prótese lacrimal de polietileno de baixa densidade
Autores: 
Simone Bison
Ovídio Soccol
Marinho Jorge Scarpi

Objetivos: Estabelecer quais são as complicações pós-operatórias da conjuntivodacriocistorrinostomia (CDCR) com implante de prótese lacrimal de polietileno de baixa densidade e relacionar a etiologia da obstrução e o aparecimento destas complicações e, conseqüentemente, o sucesso pós-operatório. Métodos: Foram analisadas 35 vias lacrimais submetidas a conjuntivodacriocistorrinostomia com implante de prótese lacrimal de polietileno. Com a finalidade de estudar as possíveis relações entre as variáveis encontradas (etiologia x complicações e etiologia x sucesso) realizou-se o teste exato de Fisher. Resultados: As etiologias de obstrução mais freqüentes foram a dacriocistite crônica e pós-dacriocistorrinostomia que, em conjunto, foram responsáveis por 53,9% dos casos. Os traumatismos ocasionaram 16,3% das obstruções. A taxa de complicações encontrada foi 74,3%. A conjuntivodacriocistorrinostomia apresentou sucesso em uma única intervenção cirúrgica em 9 vias lacrimais (25,7%). Após duas ou mais intervenções cirúrgicas, 17 próteses lacrimais tornaram-se pérvias e bem localizadas (48,6%). O insucesso ocorreu em 9 vias lacrimais (25,7%). Não houve relação estatisticamente significante entre etiologia e ocorrência de complicações nem entre etiologia e sucesso pós-operatório. Conclusões: As complicações encontradas são similares às descritas na literatura e não tiveram relação com a etiologia da obstrução canalicular. O mesmo pode ser considerado no que se refere ao sucesso da conjuntivodacriocistorrinostomia. As vantagens da prótese lacrimal de polietileno de baixa densidade são a grande disponibilidade, a fácil confecção no per-operatório de acordo com o comprimento e o diâmetro do colarete desejados e pode ser substituída pela prótese lacrimal de vidro de borosilicato assim que o edema regrida.

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Alterações da microbiota conjuntival e palpebral após o uso tópico de lomefloxacina e tobramicina na cirurgia de catarata e cirurgia refrativa
Autores: 
Ana Luisa Höfling-Lima
Michel Eid Farah
Luciano Montenegro
Lênio Souza Alvarenga
Maria Regina Catai Chalita
Maria Cecília Zorat You

Objetivo: Avaliar as alterações da microbiota conjuntival e palpebral após o uso tópico de colírios de lomefloxacina ou tobramicina a 0,3% no preparo de pacientes a serem submetidos à cirurgia de catarata e cirurgia refrativa e avaliar a sensibilidade das bactérias isoladas da conjuntiva e pálpebra a estes antibióticos. Métodos: Realizou-se um estudo prospectivo de análise da microbiota conjuntival e palpebral de pacientes submetidos à cirurgia de catarata e cirurgia refrativa (PRK ou LASIK). O estudo da microbiota conjuntival e palpebral foi realizado antes das cirurgias, sem uso de agentes para profilaxia, no período pós-operatório durante o uso de profilaxia, e após a suspensão dos antibióticos. Resultados: O uso tópico de tobramicina e lomefloxacina reduziu o número de colheitas positivas na conjuntiva e pálpebra nos indivíduos submetidos à cirurgia de catarata e cirurgia refrativa. Em ambos os grupos de pacientes ocorreu maior resistência dos microrganismos à tobramicina. No grupo submetido à cirurgia de catarata, pacientes tratados profilaticamente com tobramicina tiveram uma recuperação da microbiota mais lenta após a suspensão do antibiótico do que com a lomefloxacina, ocorrendo o oposto no grupo submetido à cirurgia refrativa. Conclusão: Tanto a lomefloxacina quanto a tobramicina foram eficazes em diminuir o número de culturas positivas da conjuntiva e da pálpebra enquanto estavam sendo administrados, sendo esta diminuição mais acentuada na conjuntiva. Houve maior resistência à tobramicina na maioria das colheitas realizadas. A lomefloxacina apresentou número menor de bactérias resistentes do que a tobramicina durante o uso da antibioticoterapia tópica profilática. O uso de antibiótico reduziu o número de amostras positivas.

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Estudo comparativo da flarefotometria em pacientes com melanoma maligno e nevo de coróide
Autores:
Priscilla Luppi Ballalai
Clélia Maria Erwenne
Martha Motono Chojniak

Introdução: Os tumores malignos intra-oculares estão associados com um aumento do "flare" na câmara anterior, causado por uma quebra na barreira hemato-aquosa, que pode ocorrer por vários mecanismos. Estudos utilizando a flarefotometria confirmam o aumento do "flare" em olhos com tumores intra-oculares malignos e benignos. Objetivo: Avaliar a flarefotometria como auxiliar no diagnóstico diferencial de melanoma maligno e nevo de coróide, comparando-se com olhos contralaterais normais. Métodos: Foram avaliados olhos com melanoma maligno e olhos com nevo de coróide diagnosticados por meio de oftalmoscopia indireta e/ou ultra-sonografia. Os olhos normais contralaterais foram utilizados como controles. A flarefotometria foi realizada em todos os pacientes, sob midríase bilateral, utilizando equipamento Laser Flare Meter (FC 500, Kowa). Foram aplicados os testes de Wilcoxon, Mann-Whitney, e Spearman para análise estatística. Resultados: A média da flarefotometria nos olhos com melanoma maligno de coróide foi 17,1 ph/ms e nos olhos normais contralaterais foi 4,06 ph/ms. Nos olhos com nevo de coróide o valor da flarefotometria foi 6,12 ph/ms e nos olhos contralaterais normais foi 4,47 ph/ms. O valor da flarefotometria foi maior nos olhos com melanoma maligno e nevo quando comparado com os olhos contralaterais normais (p<0,001 e p<0,01). Nos olhos com melanoma maligno o valor da flarefotometria foi significantemente maior que nos olhos com nevo de coróide (p<0,001). Foi observada correlação positiva entre a espessura do tumor e a flarefotometria (r=0,47). Conclusão: A flarefotometria é um exame útil no diagnóstico diferencial entre melanoma maligno e nevo de coróide.

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Videokeratograph (VKS) for monitoring corneal curvature during surgery
Autores: 
Luis Alberto Vieira de Carvalho
Antonio Carlos Romão
Silvio Tonissi
Fátima Yasuoka
Jarbas C. Castro
Paulo Schor
Wallace Chamon

Purpose: We have developed an instrument for computerized surgical videokeratography. A corneal central region of approximately 7.00 mm in diameter may be analyzed, providing the surgeon with information of the power and the astigmatism. Methods: The system is based on a fiber optic Placido disc projecting cone, which is attached to the objective lens of a Zeiss compatible surgical microscope. At the beam splitter we installed a monochromatic high resolution camera. A frame grabber is installed on a PC and images are digitized at a 480x640 resolution. Image processing is used for edge detection of rings. Results: Calibrating curves based on 4 spherical surfaces were generated and approximately 3600 points are calculated for each examination. Preliminary measurements on 10 healthy corneas were compared with those of an EyeSys System 2000 Corneal Topographer. Mean deviation was 0.05 for radius of curvature, 0.24 D for the power and 5.0 degrees for the cylinder. Conclusions: This surgical VKS, with some hardware and software improvements, may be used to reduce residual astigmatisms in conventional cataract and keratoplasty. It could also be used to gather preoperative data in corneal topography assisted LASIK.

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Nova proposta de treinamento e avaliação do uso de auxílios ópticos em portadores de visão subnormal
Autores: 
Silvana Terezinha Figueiredo Moya
Lenira Maria Lima de Carvalho
Luciene Chaves Fernandes
André Aguiar Oliveira

Objetivo: Elaboração de uma nova seqüência de treinamento e avaliação no uso do auxílio óptico para portadores de baixa visão. Métodos: Construção de tabelas obedecendo a uma seqüência de complexidade lingüística, iniciando com palavras, seguindo com expressões, períodos e culminando com textos. Utilização do novo material em 32 portadores de retinose pigmentária, com acuidade visual entre 0,5 e 1,3 LogMAR (20/63 e 20/400), registrando as velocidades de leitura com e sem auxílio óptico. Resultados: Tabelas de palavras, expressões, períodos e textos de tamanhos variados, com impressão de letras pretas em fundo branco e letras brancas em fundo preto. Apresentação dos dados referentes à idade, sexo, acuidade visual, auxílio óptico empregado, tamanho da impressão lida, velocidades de leitura sem e com auxílio e número de sessões de treinamento. Conclusões: A leitura de textos constitui o melhor instrumento de avaliação qualitativa e quantitativa no uso dos auxílios ópticos. As tabelas propostas baseiam-se em uma complexidade lingüística crescente, tentando minimizar ao máximo os fatores não relacionados à visão. Constitui valioso instrumento na prática da visão subnormal, entretanto, o desempenho de leitura depende de fatores relacionados a cada paciente.

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Estudo histopatológico da retina de coelhos após injeção intravítrea de lidocaína
Autores: 
Marcos Antônio Ferreira
Moacyr Pezati Rigueiro
Paulo Henrique Moralles
Magno Antônio Ferreira
Michel Eid Farah

Objetivo: Estudar em olhos de coelhos as alterações retinianas após injeção intravítrea de lidocaína nas concentrações 0,5, 1,0 e 2,0% por meio de análise histopatológica com microscopias de luz e eletrônica de transmissão. Métodos: Foram utilizados 40 olhos de 20 coelhos albinos da raça Nova Zelândia, submetidos à injeção intravítrea de lidocaína a 0,5% (grupo II), 1,0% (grupo III) e 2,0% (grupo IV) nos olhos direitos e solução salina nos olhos esquerdos (grupo I-controle) após anestesia geral. Foi realizada oftalmoscopia binocular indireta, antes, durante, imediatamente e uma hora após a injeção intravítrea e nos dias 1o, 3o, 7o e 15o de evolução. Nos mesmos períodos um olho do grupo II, dois olhos do grupo III, um olho do grupo IV e todos olhos contralaterais (grupo I), foram enucleados e examinados sob microscopia de luz e eletrônica de transmissão. Resultados: A observação por oftalmoscopia binocular indireta antes e durante a injeção intravítrea não apresentou alteração em todos os olhos examinados. Após a injeção intravítrea observou-se a retina com aspecto esbranquiçado difuso, elevação da interface vítreo-retiniana, focal e próximo ao local de injeção, edema de retina e anel de condensação vítrea tanto no grupo controle quanto nos olhos com injeção de lidocaína. A análise histológica por microscopia de luz e eletrônica de transmissão não evidenciou alterações em nenhum dos olhos examinados. Conclusões: A injeção intravítrea de lidocaína nas concentrações de 0,5, 1,0 e 2,0% demonstrou ser atóxica para a retina, considerando os estudos de microscopia de luz e eletrônica de transmissão.

 
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Discromatopsias congênitas e condução de veículos
Autores: 
Mário Teruo Sato
Alfredo Vidal Moreira
Daniel Roncglio Guerra
Ana Cristina Alvarez de Carvalho
Carlos Augusto Moreira Júnior

Objetivo: Apresentar a importância do uso da tabela de Ishihara para o diagnóstico das discromatopsias congênitas e avaliação da incidência em motoristas, observando-se os erros mais comuns no teste da Caixa de Cores. Além disso, abordar a relação entre discromatopsias congênitas, condução de veículo e acidentes de tráfego. Métodos: Foram examinados 523 motoristas, seguindo as normas da resolução 734/89 do Contran. Os motoristas foram submetidos ao teste de cores com a Tabela de Ishihara, e os que tinham discromatopsias foram submetidos ao teste da Caixa de Cores, com luzes dispostas como em um semáforo. Resultados: Encontrou-se uma incidência de discromatopsias de 5,5% (29 pacientes). Destes, 3 pacientes foram excluídos do estudo, 16 possuíam o grau forte e 10, o grau moderado. Desse último grupo, 7 apresentaram-se com deuteranomalia e 3 com protanomalia. Dos 7 com deuteranomalia, 3 apresentaram alterações no teste da Caixa de Cores. Dos 3 com protanomalia, 1 paciente teve exame alterado. Dos pacientes de grau forte, 14 possuíam deuteranopia e 2 protanopia, sendo que todos apresentaram alterações no teste da Caixa de Cores. Conclusão: Todos os pacientes com discromatopsias de grau forte e metade dos pacientes com grau moderado cometeram erros no teste da Caixa de Cores. Conclui-se que não haveria necessidade de ser realizado o teste para diferenciar as cores, desde que se faça o uso da tabela de Ishihara para diagnosticar as discromatopsias congênitas.

 
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Anel intracorneano de Ferrara em ceratocone
Autores: 
Hamilton Moreira
Cinara Sakuma de Oliveira
Glaucio de Godoy
Sâmia Ali Wahab

Objetivo: Análise dos resultados dos dez primeiros pacientes com ceratocone submetidos a implante do anel de Ferrara no Hospital de Olhos do Paraná. Métodos: Foi realizado um estudo prospectivo em 10 pacientes com ceratocone. Os critérios de inclusão foram: intolerância a lentes de contato, acuidade visual sem correção inferior ou igual a 20/100, ausência de cicatrizes corneanas significativas e ausência de doenças oculares ou sistêmicas que contra-indicassem a cirurgia. Acuidade visual (LogMAR), refração e topografia pré e pós-operatórias foram as variáveis analisadas. Os pacientes foram seguidos pelo período mínimo de três meses. Resultados: Das complicações cirúrgicas encontradas, destacaram-se dois casos de microperfuração corneana durante a confecção das incisões para os túneis inferiores, um de extrusão e quatro de deslocamento pós-operatório do anel. A acuidade visual corrigida melhorou de 0,750 ± 0,374, para 0,438 ± 0,342 (p=0,026). A média da acuidade visual não corrigida no primeiro dia pós-operatório foi de 0,667 ± 0,447 (n=9), e a acuidade visual final não corrigida foi de 0,562 ± 0,272. De acordo com a refração realizada após o terceiro mês pós-operatório, cinco pacientes evoluíram com acuidade visual com correção melhor do que ou igual a 0,5 unidades LogMAR. Um paciente não apresentou aplanamento significativo do cone segundo a topografia corneana. Conclusão: O presente estudo demonstrou melhora nos valores pós-operatórios de acuidade visual, refração e topografia na maioria dos pacientes avaliados, em relação aos valores pré-operatórios.

 
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Influência da orientação psicológica na fidelidade ao tratamento em portadores de glaucoma crônico simples
Autores: 
Paula Roberta Mucci
Roberta Andrade Galhardo
Ricardo Belfort
Paulo Augusto de Arruda Mello

Introdução: O glaucoma é uma das causas mais freqüentes de cegueira. É muito importante que o paciente tenha conhecimento sobre sua patologia. Como toda doença crônica, o glaucoma apresenta problemas na fidelidade ao tratamento. É necessário dar ênfase ao acompanhamento contínuo ao tratamento clínico. Objetivo: Avaliar a fidelidade ao tratamento clínico de pacientes com glaucoma crônico simples com e sem orientação psicológica. Métodos: Foram avaliados 24 pacientes divididos em 8 pacientes do grupo de estudo, com orientação médica e psicológica, e 16 pacientes do grupo controle, com orientação médica. No grupo controle, a idade variou de 50 a 82 anos, sendo 14 homens e 2 mulheres. Em relação à raça foram 10 brancos, 4 pardos e 2 negros. Destes, 8 casados, 4 viúvos, 3 separados e 1 solteiro. As medicações variaram de 2 a 9 colírios. Houve 13 casos cirúrgicos. No grupo de estudo a idade variou de 54 a 86 anos, sendo 7 homens e 1 mulher. Em relação à raça foram 3 brancos, 3 pardos e 2 negros. Destes, 4 casados, 2 viúvos, 1 separado e 1 solteiro. As medicações variaram de 1 a 3 colírios e não houve casos cirúrgicos. Resultados: Por meio da orientação médica e psicológica dada aos pacientes do grupo de estudo, verificou-se que a pressão intra-ocular, após o segundo mês, diminuiu notoriamente, sem nenhum caso cirúrgico. No grupo controle, que recebeu somente orientação médica, notou-se o aumento da pressão intra-ocular, levando o paciente à cirurgia (80%). Não houve relação estatisticamente significante da pressão intra-ocular com o tempo de estudo. Conclusão: A análise dos resultados do presente trabalho revela a necessidade de um cumprimento adequado ao tratamento do glaucoma. No grupo de estudo, somente com orientação psicológica; foi observada uma maior fidelidade ao tratamento. Perante esses dados podemos observar a grande importância de um trabalho psicológico nos pacientes portadores de glaucoma crônico simples.

 
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Interesse e conhecimento em cirurgia refrativa entre estudantes de medicina
Autores: 
Flávio Cotait Kara José
Lúcia Battistella Passos
Ana Carolina Jervásio
Gustavo Henrique Salomão

Objetivo: Realizou-se um estudo em estudantes da Faculdade de Medicina do ABC a fim de analisar e relacionar a freqüência de usuários de correção óptica, o tipo de vícios de refração, o número de pessoas submetidas à cirurgia refrativa e o conhecimento e interesse por essa operação. Métodos: realizou-se um levantamento entre estudantes de medicina da Faculdade de Medicina do ABC, no período de 19 a 21 de junho de 2000. Foi utilizado um questionário auto-aplicável como instrumento de coleta de dados. Resultados: foi relatado que 62,7% dos estudantes usavam correção óptica, sendo que 53,3% desses apresentavam, como erro de refração, miopia simples ou associada ao astigmatismo. 92,8% do total dos entrevistados já tinham ouvido falar em cirurgia refrativa, contendo apenas 34,2% conhecedores dessa técnica cirúrgica e 17,6% conhecedores dos riscos e complicações pós-operatórios. Entre os 200 estudantes amétropes, 50,5% gostariam de ser submetidos à operação, sendo que 69,0% deles esperavam, através da cirurgia, a cura definitiva. Foi coletado, também, que 51,7% dos entrevistados tiveram a última consulta oftalmológica há menos de 1 ano; 32,0% entre 1 e 3 anos e 15,7% há mais de três anos. Apenas 5 estudantes já tinham sido submetidos à cirurgia refrativa. Conclusão: A maioria dos estudantes de Medicina (62,7%) é portador de vício de refração corrigido, sendo os mais freqüentes a miopia simples e a miopia associada a astigmatismo. Há pouco conhecimento e falsa expectativa em relação à cirurgia, sendo que apenas 34,2% entrevistados conhecem o procedimento cirúrgico, 17,6% sabem dos riscos e das complicações e 69,0% esperam cura total. Diante das condições desse estudo, foi constatado que apesar de muitos se interessarem pela cirurgia refrativa, poucos se submeteram a ela, devido, principalmente, em ordem decrescente, a: contra-indicação médica, falta de oportunidade, falta de conhecimento e problemas financeiros. Os consultórios oftalmológicos são apenas a quarta fonte de informação, precedido, em ordem decrescente, por familiares, amigos e faculdade, o que é evidenciado pelo fato de 81,5% dos entrevistados gostariam de se informar melhor sobre a cirurgia refrativa. Mesmo tendo 83,7% se consultado nos últimos três anos, informações e esclarecimento satisfatório não foram fornecidos.

 
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Avaliação clínica de um programa computadorizado para adaptação de lentes de contato
Autores: 
Helaine Vinche Zampar
Paula Renata Caluff Lobato
Isaac Neustein
Renato Leça

Objetivo: Avaliar o desempenho do software de adaptação de lentes de contato do Topógrafo EyeSys (versão 3.10) em pacientes acompanhados do setor de lentes de contato do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, sendo alguns deles com o diagnóstico de ceratocone. Métodos: Os 29 pacientes, sendo 9 deles com diagnóstico de ceratocone, tiveram suas lentes de contato adaptadas no setor de lentes de contato deste serviço baseados na ceratometria simulada e melhor padrão fluoresceinográfico. Posteriormente, os padrões curva base e poder dióptrico das lentes adaptadas na clínica foram comparados aos mesmos padrões sugeridos pelo programa de adaptação do Topógrafo Computadorizado. Resultados: Não foi encontrada diferença estatisticamente significante nos parâmetros curva base (p=0,158) e poder dióptrico das lentes adaptadas (p=0,013), tanto nos pacientes normais como nos portadores de ceratocone (p=0,463 para curva base e p=0,842 para poder dióptrico); entretanto nestes encontramos valores de curva base e poder da lente maiores do que no grupo dos pacientes normais. Conclusões: O programa computadorizado EyeSys (versão 3.10) de adaptação de lentes de contato pode ser utilizado como método adjuvante para adaptação de lentes rígidas gás-permeáveis, tanto em pacientes normais como nos pacientes com ceratocone, diminuindo o tempo necessário para adaptação com maior conforto para os pacientes. Entretanto a experiência clínica continua sendo a melhor escolha.

 
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Detecção de tracoma e doenças corneanas em índios da região do Alto Rio Nigro
Autores:
Ana do Carmo Paula Pessoa dos Reis
Cláudio Chaves
Jacob Moysés Cohen
Fernando Belfort
Norimar Pinto de Oliveira
Rubens Belfort Jr.

Objetivo: Avaliar as condições oftalmológicas da população indígena do Alto Rio Negro, fronteira do Brasil com a Colômbia. Métodos: Exame oftalmológico de 179 índios habitantes do Rio Tiquié, afluente do Rio Negro, em julho de 1999. Resultado: Opacidades numulares corneanas 28,5%; pterígio 12,8%; tracoma 55%. Do total de índios examinados 2,8% apresentavam visão inferior a contar dedos a 5 metros, devido a lesões corneanas secundárias ao tracoma.

 
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A proteinúria como fator de risco para retinopatia diabética
Autores:
André Moraes Freitas
Zélia Maria da S. Corrêa
Ítalo Mundialino Marcon
Helena Schmidt

Introdução: A diabete mélito é doença metabólica complexa que envolve hiperglicemia, doença microvascular (retina e rim) e neuropatia. A retinopatia e a nefropatia são importantes causas de cegueira e falência renal respectivamente, e complicações relacionadas à diabete mélito. Objetivo: Determinar a relação entre a presença de proteinúria e nefropatia com a gravidade da retinopatia diabética num estudo transversal de pacientes diabéticos. Métodos: Estudo transversal de pacientes diabéticos, sem tratamento oftalmológico prévio, atendidos em serviço de oftalmologia terciário. Estes pacientes foram submetidos a exame fundoscópico, exames laboratoriais e interrogados quanto ao tempo de duração e o tipo de diabete. Comparados os fatores de risco abordados com os achados fundoscópicos. Na análise dos dados quantitativos foi usado o teste t de Student. Resultados: Estudados 81 pacientes, 28 do sexo masculino, 53 do sexo feminino, 28 com diabete insulino-dependente 53 com diabete não-insulino-dependente. Fatores correlacionados estatisticamente com o grupo com retinopatia diabética mais grave incluem: diabete mélito insulino dependente (a<0,01), nefropatia (a<0,05), proteinúria (a<0,05), maior tempo de doença (p<0,001) e valores mais elevados de glicemia de jejum (p=0,01). Conclusões: Concluiu-se que a gravidade de retinopatia diabética está relacionada à presença de proteinúria e nefropatia além de sofrer influência de fatores de risco tais como tempo de duração da doença, tipo de diabete e controle metabólico da doença.

 
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Estudo de melanoma de coróide na Universidade Federal de Uberlândia
Autores: 
Enyr Saran Arcieri
Daniela Fonseca
Edimar Tiago França
Eduardo Facury Braga
Magno Antônio Ferreira

Objetivo: Mostrar os resultados de avaliação, conduta e evolução com a população de pacientes portadores de melanoma de coróide atendidos no período de 01/01/1994 a 01/01/2000 no Ambulatório de Retina e Vítreo da Universidade Federal de Uberlândia - MG. Métodos: Análise retrospectiva de 7 prontuários de pacientes com diagnóstico de melanoma de coróide, analisando: idade, sexo, cor, sintomas e duração, métodos de diagnóstico, tratamento realizado, tamanho e tipo do tumor e evolução. Resultados: Não existiu diferença em relação ao sexo e a idade média dos pacientes foi de 58,5 anos. O tumor predominou em brancos (66,5%) e baixa de acuidade visual foi o sintoma mais freqüente (66,5%). O diagnóstico deveu-se principalmente à oftalmoscopia indireta (66,5%) e todos realizaram ultra-sonografia (USG). Todos pacientes foram submetidos a tratamento cirúrgico, pois apresentavam tumores grandes (maior diâmetro basal superior a 12 mm à USG). O tipo mais freqüente foi o de celularidade mista (50%) e o tamanho médio dos tumores foi de 20,50 mm de maior diâmetro basal e 15,16 mm de espessura. O seguimento variou entre 8 meses e 5 anos. Dois pacientes apresentaram metástase à distância e evoluíram a óbito. Conclusões: Todos pacientes foram diagnosticados com o tumor em um estádio avançado, necessitando tratamento cirúrgico, com 2 pacientes desenvolvendo metástase à distância e evoluindo a óbito. Ressaltamos a importância da oftalmoscopia indireta em função da malignidade do tumor e da possibilidade do diagnóstico precoce, ampliando as opções de tratamento e melhorando seus resultados.

 
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Indicações de transplante de córnea no Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Autores: 
Silvana Cattani
Sergio Kwitko
Marco Antonio Hermann Kroeff
Diane Marinho
Samuel Rymer
Francisco de Lima Bocaccio

Objetivo: Definir as indicações mais freqüentes de ceratoplastia penetrante no Serviço de Oftalmologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - a verificação da doença corneana mais transplantada bem como as médias etária e de tempo de preservação das córneas utilizadas. Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo comparativo entre os pacientes atendidos e que tiveram indicação de transplante de córnea (transplantados e em lista de espera) no período de janeiro de 1988 a dezembro de 1997. Resultado: As principais indicações foram: ceratocone (28,6%), ceratopatia bolhosa (20,9%), leucoma (12,6%) e retransplante (11,0%). A doença mais transplantada foi o ceratocone (95% dos casos). As médias etária e de preservação das córneas utilizadas foram 44 anos e 6,6 dias respectivamente. Conclusão: As principais indicações de ceratoplastia penetratnte em nosso meio são o ceratocone, a ceratopatia bolhosa, os leucomas e o retransplante. A doença mais transplantada foi o ceratocone por ser a doença mais incidente e não pelo fato de termos maior oferta de córneas doadoras idosas como suspeitávamos inicialmente. Quanto às médias etária e de tempo de preservação das córneas utilizadas houve preferência estatisticamente significativa pelo uso de córneas mais jovens nos casos de ceratopatia bolhosa.

 
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