Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 64 - fascículo 6
Resumos e Artigos Completos

Resumo dos artigos deste fascículo

Complicações per e pós-operatórias em 1000 olhos submetidos a lasik
Autores: Telma Pereira, Adriana dos Santos Forseto, Walton Nosé

Variações nas dimensões do cristalino humano de acordo com a idade
Autores: Mauro Waiswol, José Wilson Cursino, Ralph Cohen
Ganciclovir intravítreo para retinite por citomegalovírus em pacientes com AIDS
Autores: Áisa Haidar, Cristina Muccioli, Tércio Guia, Rubens Belfort Jr.
Tratamento cirúrgico das canaliculites crônicas: relato de nossa experiência em 7 casos
Autores: Roberto Murillo Limongi de Souza Carvalho, José Byron V. D. Fernandes, Marcos Volpini, Suzana Matayoshi, Eurípedes da Mota Moura

Cirurgias de músculos retos horizontais: análise de planejamentos e resultados
Autores: Rosália M. Simões Antunes Foschini, Harley E. A. Bicas

Disfunções dos músculos oblíquos nas variações alfabéticas
Autores: Luciana Oyi de Oliveira, Maria Antonieta da A. Ginguerra, Mariza Aparecida Polati
O uso de lentes intra-oculares em pacientes portadores de hanseníase
Autores: Edmundo Frota de Almeida, Luciana Negrão Frota de Almeida

Avaliação de um novo produto na desinfecção do tonômetro de aplanação de Goldmann
Autores: Nelson Maimone, Aline Leonel Maimone

Ceratectomia fotorrefrativa para correção da baixa miopia utilizando diferentes perfis de ablação
Autores: Paulo Dantas Rodrigues, Mauro Nishi, Mauro Silveira de Queiroz Campos, Wallace Chamon

Resultados e indicações de ceratoplastias penetrantes realizadas por médicos em treinamento, num país em desenvolvimento
Autores: Marta Ferrari Teixeira, Gildásio Castello de Almeida Jr., Maria Letícia Rodrigues, Paula Sayuri Kamimoto, Luiz Kazuo Kashiwabuchi

Politetrafluoroetileno e esclera humana no tratamento cirúrgico de perfuração escleral em coelhos
Autores: Simone Pezzutti, Nilo Holzchuh, Milton Ruiz Alves, Marlene Pezzutti Holzchuh, Ricardo Holzchuh

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Complicações per e pós-operatórias em 1000 olhos submetidos a lasik

Telma Pereira
Adriana dos Santos Forseto
Walton Nosé

Objetivo: Analisar a incidência, tipo, tratamento e evolução das complicações em LASIK. Métodos: Estudo retrospectivo de 1000 olhos submetidos a LASIK usando os microceratótomos Hansatome® ou Automated Corneal Shaper® e os aparelhos de Excimer Laser VISX 20/20B ou Chiron Technolas 217C. Complicações peroperatórias e pós-operatórias precoces e tardias foram analisadas. Resultados: A média do equivalente esférico pré-operatório foi de -4,29 ± 3,20D. A média do seguimento foi de 6,05 ± 6,69 meses. No período peroperatório foram encontradas cinco (0,5%) complicações do disco relacionadas ao microceratótomo (3 discos finos, 1 disco com perfuração central e 1 disco pequeno). As complicações mais freqüentes no período pós-operatório precoce foram as dobras de disco (6,4%), seguidas de debris na interface (4,1%), ceratite não específica da interface (1,1%), "haze" (0,4%), crescimento epitelial da interface (0,4%) e deslocamento de disco (0,3%). A maioria destes eventos foi prontamente tratada, alcançando-se bons resultados. Para as complicações tardias, relacionadas à refração, foram analisados 655 olhos que apresentavam seguimento mínimo de 3 meses. No último exame, a média do equivalente esférico neste grupo foi de -0,26±0,76D. Oito por cento dos olhos encontravam-se com hipocorreção superior a 1,00D; e 1,67% com hipercorreção > 1,00D. Retratamento foi necessário em 28 olhos (4,27%). Cinco casos (0,76%) perderam de 2 ou mais linhas da melhor acuidade visual corrigida. Não foram observadas outras complicações visualmente importantes. Conclusão: LASIK é um procedimento refrativo seguro e com poucas complicações.

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Cirurgias de músculos retos horizontais: análise de planejamentos e resultados

Rosália M. Simões Antunes Foschini
Harley E. A. Bicas

Objetivo: Estudo retrospectivo dos resultados de cirurgias para correção de estrabismo horizontal num hospital-escola. Métodos: Selecionados casos de eso ou exotropias aproximadamente concomitantes, sem sinais evidentes de paralisias musculares ou de processos de contenção das rotações oculares, em que se realizaram, apenas, cirurgias de recuo dos retos mediais (grupo A), ou laterais (grupo C), ou de recuo e ressecção em esotropias (grupo B), ou exotropias (grupo D), com ou sem transposições das inserções dos músculos operados. Resultados: Esotropias foram mais freqüentes que exotropias (nA = 66; nB = 28; nC = 27; nD = 22) e cirurgias com transposições (96) superaram as sem (47). A distribuição dos ângulos pré-operatórios (m = 42,49D, s = 11,68D nas esotropias; m = 35,39D; s = 9,93D nas exotropias) e a das correções obtidas (m = 38,95D, s = 13,57D nas esotropias; m = 31,64D, s = 14,58D nas exotropias) são praticamente equivalentes e, além disso, altas correlações foram observadas entre o ângulo pré-operatório e a quantidade da operação respectiva. Todavia, as correlações entre os ângulos pré-operatórios e os resultados proporcionais da cirurgia (em D/mm) foram, todas, baixas. As quantidades de correções adequadas quando considerados ângulos residuais de desvio de ±5D, ±10D e ±15D, foram respectivamente de 31,9%, 62,8%, e 80,8% nas esotropias e 40,8%, 55,1% e 73,5% nas exo- tropias. Conclusões: Embora planejamentos cirúrgicos e suas execuções produzam resultados coletivos satisfatórios, os individuais mostram ainda uma imprevisibilidade muito alta.

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O uso de lentes intra-oculares em pacientes portadores de hanseníase

Edmundo Frota de Almeida
Luciana Negrão Frota de Almeida

Objetivo: Avaliar as alterações oculares decorrentes da cirurgia de catarata com implante de lentes intra-oculares (LIO) em pacientes portadores de mal de Hansen (MH) e compará-las às dos pacientes não-portadores de Hanseníase. Métodos: Neste estudo, 122 olhos de 80 pacientes portadores de MH e 71 olhos de 71 pacientes não hansenianos foram submetidos à facectomia extracapsular e/ou à facoemulsificação com implante de LIO e examinados periodicamente durante o pós-operatório. Resultado: Foram constatadas alterações oculares decorrentes da cirurgia e da presença da LIO mais freqüentes no grupo portador de hanseníase. Conclusão: O uso da LIO em pacientes com hanseníase, mesmo ocorrendo algumas alterações inflamatórias, é indicado devido ao benefício que propicia a esses pacientes em face das mutilações decorrentes da doença.

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Disfunções dos músculos oblíquos nas variações alfabéticas

Luciana Oyi de Oliveira
Maria Antonieta da A. Ginguerra
Mariza Aparecida Polati

Objetivos: Estabelecer a importância das disfunções dos músculos oblíquos na etiopatogenia das variações alfabéticas ("A" e "V") nos pacientes portadores de estrabismo do Hospital das Clínicas da Faculdadede Medicina da Universidadede São Paulo (HCFMUSP); estabelecer qual a disfunção de oblíquo mais comumente associada a cada variação alfabética. Métodos: Estudo retrospectivo realizado por meio de levantamento dos prontuários dos pacientes atendidos pelo Serviço de Motilidade Extrínseca Ocular do HCFMUSP de 1983 a 1988. Foram incluídos no trabalho 178 pacientes portadores de eso/exodesvios mais variações alfabéticas ("A" e "V"), com ou sem disfunções de oblíquos. Foram excluídos os pacientes portadores de formas especiais de estrabismo (síndromes e paresias) e os com cirurgia de estrabismo prévia à primeira consulta em nosso serviço. Resultados: Foram estudados os prontuários de 78 pacientes portadores de variação alfabética em "A": 44 mulheres e 34 homens; 61 pacientes com menos de 20 anos e 17 com mais; 59 esodesvios e 19 exodesvios. 58 pacientes com variação em "A" de até 30 dioptrias prismáticas, 12 pacientes com "A" diagnosticado apenas pelas versões e 8 com variação maior que 30; disfunções de oblíquos encontradas em 70 dos 78 pacientes estudados (89,74%), sendo as mais freqüentes a hiperfunção de oblíquo superior bilateral associada à hipofunção bilateral de oblíquo inferior (31 casos) e hiperfunção de oblíquo superior bilateral isolada (12 casos). Foram estudados 100 prontuários de pacientes portadores de variação alfabética em "V": 58 mulheres e 42 homens; 77 pacientes com menos de 10 anos de idade; 65 esodesvios, 34 exodesvios e 1 ortoforia; grande maioria dos pacientes com "V" entre 10 e 30 dioptrias prismáticas (71 casos); disfunções de oblíquos encontradas em 93 pacientes, sendo as mais freqüentes a hiperfunção de oblíquo inferior bilateral isolada (33 casos) e a hiperfunção de oblíquo inferior bilateral associada à hipofunção de oblíquo superior bilateral (30 casos). Conclusões: Os resultados desse trabalho confirmam a importância das disfunções de oblíquos na etiopatogenia das anisotropias em "A" e "V". Nas anisotropias em "A" a disfunção de motilidade extrínseca ocular mais freqüente foi a hiperfunção de oblíquo superior; nas anisotropias em "V", foi a hiperfunção de oblíquo inferior.

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Tratamento cirúrgico das canaliculites crônicas: relato de nossa experiência em 7 casos

Roberto Murillo Limongi de Souza Carvalho
José Byron V. D. Fernandes
Marcos Volpini
Suzana Matayoshi
Eurípedes da Mota Moura

Objetivo: Discutir as principais formas de tratamento existentes atualmente e relatar a nossa experiência com o tratamento cirúrgico das canaliculites crônicas. Métodos: Estudo retrospectivo com 7 casos atendidos na Clínica Oftalmológica do HC-FMUSP nos últimos 3 anos. Resultados: Todos os pacientes submetidos a tratamento cirúrgico tiveram cura completa dos sinais e sintomas. Conclusões: Devemos sempre lembrar da possibilidade de canaliculite em pacientes com queixa de epífora e secreção crônica no ponto lacrimal para que seja realizado o tratamento cirúrgico adequado.

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Variações nas dimensões do cristalino humano de acordo com a idade

Mauro Waiswol
José Wilson Cursino
Ralph Cohen

Objetivo: Demonstrar eventual relação entre a idade e o aumento da espessura e diâmetro do cristalino humano. Métodos: Diâmetro e espessura de 108 cristalinos removidos de olhos doados para transplante de córnea foram medidos com uso de paquímetro e microscopia estereoscópica. Resultados: As medidas médias obtidas com os cristalinos avaliados foram de 3,73 mm de espessura com desvio-padrão de 0,73 mm e de 8,96 mm de diâmetro com desvio-padrão de 0,41 mm. Sessenta e três cristalinos (58,3%) provinham de indivíduos do sexo feminino e 45 (41,7%), do sexo masculino, não havendo diferenças significativas entre os sexos relativamente à sua idade e à espessura e diâmetro dos cristalinos. Foi encontrada correlação significativa e diretamente proporcional entre a idade dos indivíduos e a espessura dos cristalinos, que mostrou aumento médio de 54,86% entre os dez e os 90 anos de idade. Esta correlação não foi observada com relação ao diâmetro dos cristalinos. Conclusões: Ocorre aumento da espessura do cristalino em ambos os sexos e em todos os grupos etários estudados.

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Avaliação de um novo produto na desinfecção do tonômetro de aplanação de Goldmann

Nelson Maimone
Aline Leonel Maimone

Objetivo: Avaliar a eficácia de um produto usado habitualmente para limpeza de lentes de contato (Complete: poliexametileno de biguanida (TrisChemTM), tiloxapol, trometamina e EDTA em solução isotônica estéril) na desinfecção do cone do tonômetro de aplanação. Métodos: O cone permaneceu imerso na solução no período médio de 28 minutos. Foi utilizado um recipiente para limpeza de lentes de contato e um suporte de isopor. Ao final de cada dia, durante 22 dias, foram realizadas culturas para fungos e bactérias, exames diretos para fungos e bacterioscopia por Gram. Foi testado "in vitro" o poder bactericida e fungicida do produto para S. aureus ATCC#25923, E. coli ATCC#25922, P. aeruginosa ATCC#27853, C. albicans ATCC# 76615, A. niger ATCC#16404. Resultados: Nas culturas, nos exames diretos para fungos e nas bacterioscopias por Gram não foram identificados microrganismos. No estudo "in vitro", foram necessárias 48 horas para eliminação completa de todas cepas estudadas. Conclusão: Não foram encontradas bactérias e fungos em todos exames realizados da solução e recipiente. No entanto, os testes "in vitro" demonstraram que o tempo de imersão do cone na solução (média de 28 minutos) é insuficiente para eliminação completa dos microrganismos, o que inviabiliza o uso desse produto na desinfecção do cone plástico do tonômetro de aplanação.

 
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Ceratectomia fotorrefrativa para correção da baixa miopia utilizando diferentes perfis de ablação

Paulo Dantas Rodrigues
Mauro Nishi
Mauro Silveira de Queiroz Campos
Wallace Chamon

Objetivos: O presente estudo prospectivo compara os resultados obtidos pela ceratectomia fotorrefrativa com uma ou duas zonas de ablação para tratamento de baixa miopia. Métodos: Dezenove pacientes com graus de miopia até 6,00 dioptrias foram submetidos a PRK com diferentes perfis de ablação em cada olho. Foi realizado tratamento esférico com uma única zona de ablação de 6,0 mm, ao passo que o outro olho recebeu tratamento com duas zonas de ablação, sendo uma de 6,0 mm e outra de 6,5 mm. Todos os tratamentos foram programados para correção total do equivalente esférico. Resultados: No grupo multizona (MZ), o equivalente esférico pré-operatório foi em média de -2,87 dioptrias (-1,25 a -4,62D). No grupo submetido à cirurgia com uma única zona de ablação (ZU), o equivalente esférico pré-operatório foi de -2,78 dioptrias (-1,37 a -4,62 D). Não foi observada diferença significante entre os resultados obtidos nos dois grupos com relação ao equivalente esférico final (p = 0,391). No primeiro mês de pós-operatório, 84% dos pacientes do grupo MZ (múltiplas zonas de ablação) e 95% do grupo ZU (única zona de ablação), apresentaram acuidade visual sem correção melhor ou igual a 20/40. Com relação ao tempo transcorrido até se atingir a melhor acuidade visual, não houve diferença significante entre os dois grupos (p = 0,53). Conclusão: Os resultados obtidos utilizando-se diferentes perfis de ablação para tratamento de baixas miopias foram equivalentes no que diz respeito a equivalente esférico final, indução de astigmatismo e incidência de complicações. O estudo conclui que não foi possível observar diferença estatisticamente significante entre os dois grupos, podendo-se utilizar qualquer um dos procedimentos no tratamento das baixas miopias.

 
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Resultados e indicações de ceratoplastias penetrantes realizadas por médicos em treinamento, num país em desenvolvimento

Marta Ferrari Teixeira
Gildásio Castello de Almeida Jr.

Maria Letícia Rodrigues
Paula Sayuri Kamimoto
Luiz Kazuo Kashiwabuchi

Objetivos: Avaliar as indicações mais freqüentes, bem como o resultado da acuidade visual final após a ceratoplastia penetrante, realizadas por residentes em treinamento. Métodos: Avaliaram-se retrospectivamente 159 casos de ceratoplastia penetrante realizadas no período de janeiro de 1991 a outubro de 1998, na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base, correlacionando-os em termos de indicação para ceratoplastia penetrante e acuidade visual final. O tempo mínimo de acompanhamento para obtenção da acuidade visual final foi de seis meses. Para comparação e análise estatística da acuidade visual final, os casos de ceratoplastia penetrante foram divididos em seis grupos de diagnóstico pré-operatório: ceratocone, ceratopatia bolhosa pseudofácica, ceratopatia bolhosa afácica, distrofia endotelial de Fuchs, ceratopatia em faixa e leucomas. Todas as cirurgias foram realizadas por residentes em treinamento, sob supervisão docente. Resultados: O ceratocone foi o grupo que atingiu um maior aumento médio de acuidade visual pós-operatória em linhas (7,55 ± 2,83) e a ceratopatia em faixa o menor (0,33 ± 3,20). Constatou-se significativa diferença entre as indicações encontradas nos países desenvolvidos, onde se observa predominância de ceratocone. De acordo com nosso estudo, as principais indicações para ceratoplastia penetrante foram, em ordem decrescente, leucoma, ceratopatia bolhosa pseudofácica, ceratocone, distrofia endotelial de Fuchs, ceratopatia bolhosa afácica e ceratopatia em faixa. Conclusão: O ceratocone apresentou diferença significativa (p < 0,05) em termos de melhora de acuidade visual final quando comparado com os outros 5 grupos de indicação para ceratoplastia penetrante.

 
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Politetrafluoroetileno e esclera humana no tratamento cirúrgico de perfuração escleral em coelhos

Simone Pezzutti
Nilo Holzchuh
Milton Ruiz Alves
Marlene Pezzutti Holzchuh
Ricardo Holzchuh

Objetivo: Foi realizado estudo experimental para avaliar o comportamento do politetrafluoroetileno (Gore-Tex®) em relação à esclera humana, em perfurações esclerais produzidas em olhos de coelhos. Métodos: Vinte e dois olhos de coelhos foram submetidos à perfuração escleral seguida da colocação e sutura do enxerto de Gore-Tex® no olho esquerdo e esclera humana no olho direito. A evolução pós-operatória foi avaliada diariamente durante um mês e, analisada a intensidade da hiperemia ocular, presença de infecção, secreção ocular, rejeição e tonicidade do olho à digito-pressão. Resultados: Não foi observada presença de secreção, casos de infecção ou rejeição. As secções histopatológicas mostraram presença de processo inflamatório não granulomatoso tipo fibrose nos olhos com Gore-Tex®, com boa adesão e epitelização. Conclusão: O Gore-Tex® mostrou ser material plausível quando utilizado nos defeitos e perfurações esclerais com algumas vantagens como fácil obtenção, manuseio e durabilidade.

 
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Ganciclovir intravítreo para retinite por citomegalovírus em pacientes com AIDS

Áisa Haidar
Cristina Muccioli
Tércio Guia
Rubens Belfort Jr.

Objetivo: Avaliar a eficácia de alta dosagem de ganciclovir (2000 ou 4000 µg) em pacientes com a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) para tratamento da retinite por citomegalovírus. Métodos: Estudo prospectivo para tratamento de retinite por citomegalovírus com injeção intravítrea de ganciclovir (2000 ou 4000 µg) em pacientes com diagnóstico de AIDS e que apresentavam intolerância ao tratamento com ganciclovir endovenoso. Este estudo foi realizado no Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, no período de 1996 a 1998. Resultados: Dos 1950 pacientes examinados, 21 pacientes com diagnóstico de retinite por citomegalovírus e intolerância ao tratamento endovenoso foram tratados com injeções intravítreas de ganciclovir. A média de idade foi 37,1 anos e 31 olhos dos 21 pacientes receberam tratamento local. O comprometimento ocular era unilateral em 11 pacientes e bilateral em 10. Dezessete pacientes eram do sexo masculino. Dos 21 pacientes tratados, 11 pacientes (14 olhos) receberam injeção intravítrea na dosagem de 2000 µg e 10 pacientes, 17 olhos, receberam injeções intravítreas na dosagem de 4000 µg. No grupo 1 (injeção intravítrea de 2000 µg) foi observado melhora da acuidade visual em 35,7% dos olhos, estabilidade da acuidade visual em 50% e piora em 14,3%, sendo todos atribuídos a descolamento de retina. No grupo 2 (injeção intravítrea de 4000 µg) observamos melhora do quadro em 58,8%, estabilidade do quadro em 23,5% e piora do quadro em 17,6% devido à catarata e descolamento de retina. Conclusão: Altas dosagens de ganciclovir intravítreo são eficazes para tratar a retinite por citomegalovírus. Os efeitos colaterais mais freqüentemente observados foram catarata e descolamento de retina e parecem não estar relacionados ao tratamento local.

 
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