Arquivos Brasileiros de Oftalmologia
Volume 64 - fascículo 5
Resumos e Artigos Completos

Resumo dos artigos deste fascículo

Prevalence of refractive errors and ocular disorders in preschool and schoolchildren of Ibiporã - PR, Brazil (1989 to 1996)
Autores:
Rui Barroso Schimiti, Vital Paulino Costa, Maria José Ferreira Gregui, Newton Kara-José, Edméa Rita Temporini

Ceratoplastia lamelar profunda com viscodissecção da membrana de Descemet
Autores: Cláudia M. Francesconi, Adriana S. Forseto, Regina M. Nosé, Walton Nosé

Análise da camada de fibras nervosas da retina em portadores de enxaqueca com aura
Autores:
Felipe Andrade Medeiros, Neuman C. Dantas, Maria Antonieta Ginguerra, Remo Susanna Jr.

Promoção da saúde ocular na escola: percepções de professores sobre erros de refração
Autores:
Jane de Eston Armond, Edméa Rita Temporini, Milton Ruiz Alves

Etiologia da obstrução canalicular
Autores: Simone Bison, Marinho Jorge Scarpi, Ovídio Soccol, Maira Tiyomi Sacata Tongu

Comparação entre cirurgia e aplicações unilaterais e bilaterais de toxina botulínica para o tratamento dos estrabismos
Autores: Maria de Lourdes M. M. Villas Boas, Henderson Celestino de Almeida

Laser de diodo no tratamento da retinopatia da prematuridade
Autores:
Josilene de Carvalho Soares Liarth, João Orlando Ribeiro Gonçalves, Ednaldo Atem Gonçalves, Eridê Sousa Meneses, Fábio Martins Soares

Comparação do uso tópico de cetotifeno com a olopatadina no tratamento de conjuntivites alérgicas
Autores:
Ana Luisa Höfling-Lima, Alfredo J. M. Andrade, Patrícia M. F. Marback, Michel Eid Farah, Vera Mascaro

Ultra-sonografia ocular em suspeita clínica de endoftalmite
Autores: Consuelo Bueno Diniz Adan, Doris Blay, Maria Cecília Zorat Yu, Denise de Freitas, Norma Allemann
Condições de adaptação e venda de lentes de contato em óticas do estado de São Paulo
Autores:
Andrea Cotait Kara José, Kátia Gargiulo da Cunha, João Baptista Nigro Santiago Malta, Ana Carolina Marcelo Gomes, Fernando José De Novelli
Uso de membrana amniótica no tratamento de complicações pós-trabeculectomia
Autores:
José Álvaro Pereira Gomes, Luiz Henrique Schurig Fernandes, Ciro Massayuki Komagome, Ana Luísa Höfling-Lima, João Antônio Prata Jr.

Avaliação do envelhecimento do cristalino em olhos normais
Autores:
Lucila Grandberg, Adriana dos Santos Forseto, Renate Ferreira de Souza, Regina Menon Nosé, Walton Nosé

Estudo retrospectivo dos transplantes penetrantes de córnea da Santa Casa de Porto Alegre
Autores:
Caroline Fabris, Zélia Maria S. Corrêa, Alexandre S. Marcon, Terla Nunes de Castro, Ítalo Mundialino Marcon, Cristiane Pawlowski

Reações iniciais do paciente infanto-juvenil ante a indicação de cirurgia de estrabismo
Autores:
Maria Cristina Oliveira Regina, Keila Monteiro de Carvalho, Rodolfo José Rodrigues da Silva

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Prevalence of refractive errors and ocular disorders in preschool and schoolchildren of Ibiporã - PR, Brazil (1989 to 1996)

Rui Barroso Schimiti
Vital Paulino Costa
Maria José Ferreira Gregui
Newton Kara-José
Edméa Rita Temporini

Purpose: To establish the prevalence of refractive errors and ocular disorders in preschool and schoolchildren of Ibiporã, Brazil. Methods: A survey of 6 to 12-year-old children from public and private elementary schools was carried out in Ibiporã between 1989 and 1996. Visual acuity measurements were performed by trained teachers using Snellen’s chart. Children with visual acuity <0.7 in at least one eye were referred to a complete ophthalmologic examination. Results: 35,936 visual acuity measurements were performed in 13,471 children. 1.966 children (14.59%) were referred to an ophthalmologic examination. Amblyopia was diagnosed in 237 children (1.76%), whereas strabismus was observed in 114 cases (0.84%). Cataract (n=17) (0.12%), chorioretinitis (n=38) (0.28%) and eyelid ptosis (n=6) (0.04%) were also diagnosed. Among the 614 (4.55%) children who were found to have refractive errors, 284 (46.25%) had hyperopia (hyperopia or hyperopic astigmatism), 206 (33.55%) had myopia (myopia or myopic astigmatism) and 124 (20.19%) showed mixed astigmatism. Conclusions: The study determined the local prevalence of amblyopia, refractive errors and eye disorders among preschool and schoolchildren.

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Ceratoplastia lamelar profunda com viscodissecção da membrana de Descemet

Cláudia M. Francesconi
Adriana S. Forseto
Regina M. Nosé
Walton Nosé

Objetivo: Avaliar a eficácia da técnica de ceratoplastia lamelar profunda preservando a membrana de Descemet e as células endoteliais do paciente, com a utilização de botão esclero-corneano. Métodos: Foram realizadas 14 ceratoplastias lamelares com viscodissecção da membrana de Descemet do receptor usando sulfato de condroitina 4% e hialuronato de sódio 3%. Dez (10) pacientes apresentavam ceratocone avançado, 3 tinham leucoma por herpes simples e em 1 havia irregularidade corneana pós-ceratotomia radial. O acompanhamento pós-operatório variou de 12 a 48 meses (média 24 ±10,5 meses). Resultados: Após a retirada de todas as suturas a média do equivalente esférico no último exame oftalmológico foi de -2,0 ± 3,6 dioptrias (D) (-10,3 D a +4,74 D). O astigmatismo final variou de -6,0 DC a -0,75 DC com média de -3,3 ± 1,9 DC. Dos 14 pacientes 12 apresentaram na visita final acuidade visual com correção de 20/40 ou melhor. Todos os pacientes ganharam linha de visão pela tabela de Snellen. Não houve presença de edema corneano, descompensação endotelial ou rejeição. Nenhuma opacidade ou depósito na interface foi observado. Dois pacientes apresentaram dobras na membrana de Descemet com baixa da acuidade visual. Conclusão: Apesar das dificuldades técnicas relacionadas à ceratoplastia lamelar e viscodissecção da membrana de Descemet, acreditamos que este seja um procedimento de escolha em pacientes cuja população de células endoteliais esteja preservada. Esta técnica resulta em melhor acuidade visual final quando comparada ao transplante lamelar tradicional e menor reação imunológica quando comparada a ceratoplastia penetrante. Independentemente da qualidade do tecido doador, conseguimos córneas transparentes como resultado, pois o endotélio do receptor foi preservado.

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Análise da camada de fibras nervosas da retina em portadores de enxaqueca com aura

Felipe Andrade Medeiros
Neuman C. Dantas
Maria Antonieta Ginguerra
Remo Susanna Jr.

Objetivo: Avaliar as possíveis alterações na camada de fibras nervosas da retina (CFNR) em pacientes com enxaqueca com aura, detectada por meio da polarimetria de varredura a laser. Métodos: Vinte pacientes com enxaqueca com aura e vinte indivíduos normais foram estudados. Os critérios de inclusão para os dois grupos compreenderam: idade de pelo menos 18 anos; ausência de história de doenças oculares, exceto erro refracional ou estrabismo; e ausência de história familiar de hipertensão ocular ou glaucoma. Foram excluídos pacientes com erro refracional maior que 5 DE e/ou 2 DC; acuidade visual corrigida menor que 20/40; pressão intra-ocular maior que 21 mmHg; discos ópticos anômalos ou com escavação maior que 0,5 ou assimetria de escavação maior que 0,2; ou com presença de doenças retinianas concomitantes. Os pacientes foram submetidos a exame de campo visual (Humphrey 30-2) e análise da CFNR com a polarimetria a laser (GDx - Nerve Fiber Analyzer). Um olho de cada paciente foi randomizado para análise estatística. Resultados: Nenhum dos pacientes do grupo controle apresentou defeitos de campo visual. Nove olhos (45%) dos pacientes com enxaqueca tiveram anormalidades de campo visual além de 95% do intervalo de confiança do normal, como indicado pelos índices MD, CPSD ou GHT. Os valores de retardo no setor superior da CFNR dos pacientes com enxaqueca foram significativamente menor que no grupo controle (p=0,005). Não houve diferença significativa entre os valores de retardo dos dois grupos nas medidas globais e nos setores inferior, nasal e temporal. Conclusão: As medidas de retardo obtidas com a polarimetria a laser foram significativamente menores na porção superior da CFNR dos pacientes com enxaqueca com aura, sugerindo possível dano isquêmico às fibras nervosas, relacionadas à enxaqueca.

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Promoção da saúde ocular na escola: percepções de professores sobre erros de refração

Jane de Eston Armond
Edméa Rita Temporini
Milton Ruiz Alves

Objetivo: Identificar percepções de professores do sistema público de ensino, em relação aos erros de refração manifestados na idade escolar, a fim de subsidiar programas de treinamento para docentes, visando à detecção e posterior assistência a problemas oftálmicos de escolares. Métodos: Estudo transversal em população de professores de primeira série do ensino fundamental, de todas as escolas públicas da região sul do município de São Paulo. Aplicou-se questionário estruturado com base em estudo exploratório. Resultados: Foi obtida uma população de 545 sujeitos, distribuídos em 120 escolas. A população apresentou média de idade de 37,8 anos e média de tempo de magistério de 13,2 anos. A maioria (67,4%) não recebeu orientação sobre saúde ocular nos últimos três anos. Os professores distinguiram mais corretamente os sinais de miopia (70,8%) do que os de hipermetropia (42,9%) e astigmatismo (40,9%). Proporção significativa (48,5%) apontou sinais e comportamentos indicativos da presença de miopia no escolar; 40,9% apontaram dificuldades na leitura e na escrita, para a criança hipermétrope sem correção óptica. Na criança astigmata as manifestações mais mencionadas foram "vista embaçada" (45,4%) e desinteresse por atividades que exigem esforço visual (40,9%). Os professores classificaram todos os erros de refração como agravos muito graves. Conclusão: Foram evidenciados conhecimentos distorcidos e/ou insuficientes entre professores do ensino fundamental, a respeito de erros de refração manifestados na idade escolar.

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Etiologia da obstrução canalicular

Simone Bison
Marinho Jorge Scarpi
Ovídio Soccol
Maira Tiyomi Sacata Tongu

Objetivo: São raros os artigos encontrados na literatura nacional sobre a etiologia da obstrução alta das vias lacrimais de drenagem. O objetivo deste estudo foi, portanto, analisar as diversas etiologias encontradas no nosso meio. Métodos: Foram estudadas 63 vias lacrimais (59 pacientes examinados) com diagnóstico de obstrução alta feito, na maioria dos casos, apenas por meio da propedêutica clínica que incluiu a inspecção, a biomicroscopia, os testes de Jones I e II e a cateterização dos canalículos lacrimais. O estudo foi realizado nos Departamentos de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina e do Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, no período compreendido entre 1991 e 1997. Resultados: As etiologias mais freqüentes foram a dacriocistite crônica e pós-dacriocistorrinostomia que, em conjunto, foram responsáveis por 53,9% dos casos. Em seguida apareceram os traumatismos, nos quais houve 4 agressões, 5 acidentes automobilísticos e uma mordida de cão. As agenesias contribuíram com 9,5% e menos freqüentes foram a canaliculopatia estenosante, os procedimentos cirúrgicos e radioterápicos no canto medial e as obstruções idiopáticas. Conclusões: Baseando-se nos dados encontrados, pode-se inferir que a etiologia da obstrução alta das vias lacrimais de drenagem em nosso meio não difere da referida na literatura internacional.

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Comparação entre cirurgia e aplicações unilaterais e bilaterais de toxina botulínica para o tratamento dos estrabismos

Maria de Lourdes M. M. Villas Boas
Henderson Celestino de Almeida

Objetivo: Comparar a eficácia de 3 formas de tratamento para estrabismos de pequeno e médio ângulos: cirurgia, aplicações unilaterais e bilaterais de toxina botulínica. Métodos: Foram estudados 97 pacientes, divididos em três grupos. No grupo I foi feito um estudo prospectivo no qual 44 pacientes receberam injeção unilateral da toxina botulínica tipo A; no grupo II, 24 pacientes receberam injeção bilateral da toxina, e no grupo III foi feito estudo retrospectivo de 29 pacientes previamente operados de estrabismo. A eficácia dos tratamentos foi estudada segundo o percentual de correção do desvio ocular e segundo o índice de sucesso terapêutico, definido como um desvio residual de até 10 DP (dioptrias prismáticas). Resultados: Os percentuais de correção dos desvios horizontais, para longe, no 3o mês, foram: grupo I = 50,9%; grupo II = 55,8% e grupo III = 77,0%. Para perto, foram: 48,6%, 49,2% e 72,8%, respectivamente. Os índices de sucesso terapêutico foram: grupo I = 57,1%; grupo II = 68,4% e grupo III = 72,4%. Conclusão: Concluiu-se não ter havido diferença estatisticamente significativa entre os percentuais de correção do desvio ocular e o índice de sucesso terapêutico entre os três grupos estudados.

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Laser de diodo no tratamento da retinopatia da prematuridade

Josilene de Carvalho Soares Liarth
João Orlando Ribeiro Gonçalves
Ednaldo Atem Gonçalves
Eridê Sousa Meneses
Fábio Martins Soares

Objetivo: Determinar a eficácia do laser de diodo e suas complicações no tratamento da retinopatia da prematuridade, estágio 3 limiar. Métodos: De 348 crianças pré-termo examinadas na Clínica Oftalmológica do Hospital Getúlio Vargas e Instituto de Olhos do Piauí, em Teresina, Piauí, no período de julho/89 a março/99, 152 (43,7%) apresentaram retinopatia da prematuridade. As crianças com retinopatia da prematuridade no estágio 3 limiar foram submetidas a laserablação retiniana com laser de diodo indireto, no centro cirúrgico, sob anestesia geral. Resultados: Vinte crianças (38 olhos) foram submetidas a laserablação retiniana. Doze pacientes (80,0%) tiveram regressão da retinopatia e três (20,0%) evoluíram para o estágio 5. Cinco crianças não retornaram para controle, sendo excluídas do estudo quanto aos resultados do laser. Não foram observadas complicações oculares. Cinco crianças apresentaram apnéia relacionada à anestesia. Conclusões: Neste grupo de crianças, o laser de diodo foi eficaz em 80,0% dos pacientes tratados. As complicações encontradas (cinco casos de apnéia) se relacionaram possivelmente à anestesia geral.

 
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Comparação do uso tópico de cetotifeno com a olopatadina no tratamento de conjuntivites alérgicas

Ana Luisa Höfling-Lima
Alfredo J. M. Andrade
Patrícia M. F. Marback
Michel Eid Farah
Vera Mascaro

Objetivo: Avaliar e comparar a eficácia e tolerância do uso tópico do fumarato de cetotifeno a 0,05% e cloridrato de olopatadina a 0,1% no tratamento de pacientes com conjuntivite alérgica. Método: Foi realizado estudo clínico mascarado, randomizado comparando a eficácia, segurança e os efeitos colaterais com o uso da solução oftálmica de fumarato de cetotifeno a 0,05% e cloridrato de olopatadina a 0,1% no alívio dos sintomas e sinais em pacientes com conjuntivite alérgica. Trinta e quatro pacientes obedecendo aos critérios de inclusão do protocolo receberam um frasco com a droga mascarada e instilaram uma gota duas vezes por dia em cada olho durante 30 dias. Os sintomas e sinais dos pacientes foram avaliados em uma visita pré-tratamento e cinco com tratamento (1º dia, 2º dia, 7º dia, 14º dia e 30º dia). Resultados: A gravidade da conjuntivite alérgica foi semelhante nos dois grupos do estudo. Tanto cetotifeno como a olopatadina foram equivalentes e eficazes na diminuição dos sintomas de prurido, ardor e lacrimejamento. Quanto aos sinais, a hiperemia em conjuntiva bulbar foi atenuada nos dois grupos. Na avaliação das reações adversas observou-se ardor após a administração de ambos colírios e a ocorrência de prurido no grupo do cetotifeno. Não foi observada nenhuma reação de hipersensibilidade das drogas estudadas. Conclusões: Este estudo evidencia que a solução oftálmica de fumarato de cetotifeno a 0,05% e o cloridrato de olopatadina a 0,1% quando instilados duas vezes ao dia durante 30 dias, são eficazes e seguros no alívio dos principais sintomas das conjuntivites alérgicas.

 
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Ultra-sonografia ocular em suspeita clínica de endoftalmite

Consuelo Bueno Diniz Adan
Doris Blay
Maria Cecília Zorat Yu
Denise de Freitas
Norma Allemann

Objetivo: Apresentar os achados ultra-sonográficos em olhos com suspeita clínica de endoftalmite. Métodos: Estudo prospectivo (agosto/97 a abril/99) de olhos com suspeita clínica de endoftalmite infecciosa. Utilizou-se ultra-sonografia ocular (sonda de 10 MHz, modos A e B) com técnica de contato direto (UltraScan®, Alcon). Resultados microbiológicos da punção da câmara anterior e/ou vítreo, quando presentes, foram anexados à ficha ultra-sonográfica, por ocasião do estudo dos casos. Resultados: Foram estudados 25 olhos (pacientes entre 2 e 79 anos). A fonte de infecção foi exógena em 23 e endógena em 2. Das exógenas, 12 pacientes tinham história de cirurgia prévia (7 pós-cirurgia de catarata com implante de LIO, 4 pós-cirurgia de glaucoma, 1 pós-transplante de córnea), 6 referiam história de trauma perfurante, 4 apresentavam úlcera de córnea e 1 fora submetido a sutura de córnea e extração do cristalino após trauma penetrante. Dos casos de etiologia metastática, 1 paciente era diabético e 1 era imunodeprimido. A presença de ecos membranáceos e/ou puntiformes foi a alteração ultra-sonográfica comum a todos os pacientes. Em 2 casos, os ecos tênues e simétricos em relação ao olho normal contralateral possibilitaram afastar a hipótese de comprometimento vítreo. O grau de acometimento do vítreo pareceu ser proporcional à densidade dos ecos membranáceos. A condensação dos ecos, a mobilidade em bloco e a presença de cavitações ou vacúolos denotaram severidade do quadro. Outras alterações ultra-sonográficas comuns foram: espessamento global da coróide (12 casos), descolamento de coróide (8 casos) e retina (5 casos), impregnação da membrana hialóide (4 casos) e comprometimento orbitário (1 caso). Não foi possível correlacionar os achados ultra-sonográficos aos agentes etiológicos. Conclusão: A ultra-sonografia, um método não-invasivo e de fácil acesso, demonstrou ter valor nos casos com suspeita clínica de endoftalmite, principalmente quanto ao grau de comprometimento do segmento posterior.

 
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Condições de adaptação e venda de lentes de contato em óticas do estado de São Paulo

Andrea Cotait Kara José
Kátia Gargiulo da Cunha
João Baptista Nigro Santiago Malta
Ana Carolina Marcelo Gomes
Fernando José De Novelli

Objetivo: Avaliar as condições de adaptação e venda de lentes de contato (LC) em óticas de quatro cidades do Estado de São Paulo, Brasil. Métodos: Realizou-se estudo por meio de respostas a um questionário aplicado por quatro estudantes de Medicina em óticas situadas em várias cidades do Estado de São Paulo. Foram obtidos dados sobre a necessidade da apresentação de receita médica para a compra das LC, os tipos de LC vendidas/adaptadas, o profissional que orienta a venda e/ou adaptação, os equipamentos usados no teste de tolerância, a conduta do cliente diante de complicações quando da adaptação da LC ou durante o uso, orientação quanto a possíveis sinais e sintomas de perigo, as doenças que contra-indiquem o uso e a higiene do usuário, as horas de uso e a possibilidade de pernoite. Resultados: Das 198 óticas pesquisadas, 121 (61,11%) vendem LC. Não foi necessária receita médica para a compra das lentes em 112 óticas (92,56%), sendo que nessas, a graduação era determinada pela medida dos óculos em 69 (61,61%) casos e por relato verbal em 28 (25,00%) casos. Quanto aos equipamentos, 102 (91,07%) óticas possuíam lensômetro; 41 (36,61%) possuíam ceratômetro e 14 (12,50%), lâmpada de fenda. Lentes descartáveis hidrofílicas foram encontradas para venda/adaptação em 66 (54,55%) óticas; lentes hidrofílicas de uso prolongado ou diário em 68 (56,20%) e lentes rígidas, em 54 (44,63%). Em 103 (85,12%) óticas, foram feitos testes de tolerância, sendo os responsáveis pelo atendimento e pela monitorização dos testes os profissionais autodenominados contatólogos em 78 (64,46%) dessas óticas, balconista em 20 (16,53%), óptico em 12 (9,92%) e oftalmologistas em 9 (7,44%). Quanto às complicações na adaptação, em 66 (54,55%) óticas, afirmou-se que elas só ocorreriam, se evidenciadas no teste de tolerância; em 35 (28,93%), aconselhou-se tratamento com oftalmologista e em 20 (16,53%), sugeriu-se o retorno à ótica para indicação de tratamento. Em apenas 15 (13,39%), o profissional orientou quanto à possível sintomatologia de perigo e em 13 (11,61%), preocupou-se com doenças que contra-indicassem o uso de LC. Em 105 (93,75%) óticas, a orientação foi insuficiente em relação à higiene com as LC, às horas de uso e à possibilidade de pernoite. Conclusão: Das 198 óticas pesquisadas, 61,11% vendem lentes de contato, sendo que em 92,56% não foram solicitadas receitas médicas; 14,88% não fizeram qualquer tipo de teste de tolerância e as óticas restantes (85,12%) fizeram testes normalmente insuficientes para detecção de alterações induzidas por LC. Não houve preocupação com contra-indicações, sinais e sintomas de perigo nem avaliação de possíveis complicações pela presença das LC e conduta em caso de sua ocorrência, além dos cuidados mínimos de higiene durante o teste de tolerância. O profissional responsável pela adaptação (autodenominado contatólogo, balconista, ótico; ou oftalmologista) não forneceu orientação adequada sobre o uso e, em muitos casos, não deu orientação em relação à higiene.

 
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Uso de membrana amniótica no tratamento de complicações pós-trabeculectomia

José Álvaro Pereira Gomes
Luiz Henrique Schurig Fernandes
Ciro Massayuki Komagome
Ana Luísa Höfling-Lima
João Antônio Prata Jr.

Métodos: Quatro olhos de 4 pacientes que apresentavam complicações pós-trabeculectomia com mitomicina-A (vazamento de humor aquoso com teste de Seidel +, 3 olhos, e bolha hiperfiltrante, 1 olho) foram submetidos à cirurgia para reconstrução da bolha filtrante com uso de membrana amniótica. Resultados: A média do tempo de seguimento foi de 5,75 meses (variação de 2 a 9 meses). Conseguiu-se resolução do quadro em todos os casos, sendo que em 1 caso necessitou-se de aplicação de cola e lente de contato para resolução do quadro. Em média, a epitelização ocorreu em 14,75 dias (variação de 8 a 21 dias). A acuidade visual melhorou em apenas 1 paciente e manteve-se inalterada nos outros 3 casos. Após as cirurgias, a pressão intra-ocular manteve-se sob controle com uso de medicação antiglaucomatosa tópica em todos os pacientes. Conclusão: O uso de membrana amniótica constitui uma opção viável para o tratamento do vazamento do humor aquoso e bolha hiperfiltrante pós-trabeculectomia resistentes ao tratamento convencional. Mais casos são necessários para melhor avaliar e refinar a técnica operatória.

 
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Avaliação do envelhecimento do cristalino em olhos normais

Lucila Grandberg
Adriana dos Santos Forseto
Renate Ferreira de Souza
Regina Menon Nosé
Walton Nosé

Objetivo: Avaliar alterações do cristalino relacionadas à idade, em olhos normais, analisando-se sua densidade e espessura, além da profundidade da câmara anterior (PCA). Métodos: Foram estudados 120 olhos de 60 pacientes hígidos por meio do sistema Scheimpflug. Os pacientes foram distribuídos em 6 grupos: Grupo I, 10 a 19 anos; Grupo II, 20 a 29 anos; Grupo III, 30 a 39 anos; Grupo IV, 40 a 49 anos; Grupo V, 50 a 59 anos ; e Grupo VI, 60 a 69 anos. Foram analisadas as seguintes variáveis: profundidade da câmara anterior, densidade do cristalino (DC) e espessura do cristalino (EC). Para avaliação da densidade, o cristalino foi dividido em 5 áreas: cápsula anterior, córtex anterior, núcleo, córtex posterior e cápsula posterior. Estas variáveis foram correlacionadas com a idade. Resultados: A profundidade da câmara anterior diminuiu, ao passo que a espessura do cristalino aumentou com o envelhecimento. A densidade do cristalino aumentou com a idade em todas as áreas estudadas, exceto na cápsula posterior, onde ocorreu diminuição nos valores. Quando correlacionadas idade e densidade do cristalino observou-se forte correlação positiva nas seguintes áreas: cápsula anterior (r = 0,78; p<0,001), córtex anterior (r = 0,87; p<0,001), núcleo (r = 0,88; p<0,001) e córtex posterior (r = 0,70; p<0,001). A correlação entre idade e DC na área capsular posterior foi negativa (r = -0,62; p<0,001). Encontrou-se correlação significante entre idade e EC (r = 0,73; p<0,001). Os coeficientes de correlação para PCA e EC (r = -0,60; p<0,001) e PCA e idade (r = -0,34; p<0,001) foram negativos. Conclusões: Este estudo mostrou, por meio do sistema Scheimpflug, as alterações da profundidade da câmara anterior, densidade do cristalino e espessura do cristalino decorrentes do envelhecimento. Deve-se ter atenção com estas mudanças relacionadas à idade na realização de estudos envolvendo drogas anticataratogênicas, drogas tóxicas ao cristalino e pacientes com catarata.

 
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Estudo retrospectivo dos transplantes penetrantes de córnea da Santa Casa de Porto Alegre

Caroline Fabris
Zélia Maria S. Corrêa
Alexandre S. Marcon
Terla Nunes de Castro
Ítalo Mundialino Marcon
Cristiane Pawlowski

Objetivos: Traçar o perfil clínico e social dos pacientes submetidos a transplante de córnea e avaliar as principais indicações desses transplantes, tempo de espera para doação e os índices de sucesso, rejeição e falência dos transplantes penetrantes de córnea. Métodos: Foram analisados retrospectivamente os prontuários de 87 pacientes submetidos a transplante penetrante de córnea no Serviço de Oftalmologia da Santa Casa de Porto Alegre entre janeiro de 1990 e dezembro de 1998, totalizando 91 olhos. Destes, 56 pacientes foram chamados para avaliação clínica do enxerto durante o levantamento de dados para este estudo. Resultados: Considerando-se os 91 transplantes (87 pacientes), 53 (60,9%) foram realizados em pacientes do sexo masculino e 34 (39%), do sexo feminino. A idade variou de 3 a 89 anos, com média de 42,3 ± 19,8 anos. As principais indicações para transplante de córnea foram ceratocone em 32 (35%) olhos, ceratopatia bolhosa (pós-facectomia, distrofia de Fuchs e outros) em 24 (26,4%), trauma mecânico em 9 (9,9%), causas infecciosas em 9 (9,9%), queimadura química em 2 (2,2%), queimadura térmica em 1 (1,1%) e outras causas em 14 (15,4%) olhos. O tempo médio de espera por doação de córnea foi de 17,3 ± 9,9 meses. Do total de 91 olhos transplantados, 25 (27,5%) apresentaram rejeição e 12 (13,2%) olhos apresentaram falência do transplante. Conclusões: Este estudo mostrou a epidemiologia dos pacientes transplantados. A falta de dados seriados devido à alta precoce e perda de acompanhamento dos pacientes tornou impossível a análise e a comparação dos resultados pós-operatórios com outros estudos.

 
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Reações iniciais do paciente infanto-juvenil ante a indicação de cirurgia de estrabismo

Maria Cristina Oliveira Regina
Keila Monteiro de Carvalho
Rodolfo José Rodrigues da Silva

Objetivo: O presente trabalho pretendeu identificar as principais reações de crianças em face de cirurgia de estrabismo resultantes de sua imediata e recente indicação em consulta médica. Métodos: Pesquisa - Ação. Resultados: Ansiedade e medo foram os mais importantes sentimentos encontrados. Parecem ser sustentados por conceitos parciais formados sobre cirurgia a partir do estágio de desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. Motivação própria ou pessoal para a cirurgia somente mostrou-se reconhecível entre sujeitos mais velhos: a partir de 9 anos de idade. Crianças com menos idade têm seu desejo/motivação para cirurgia, mesclado, ou até mesmo confundido, com os objetivos dos adultos que as rodeiam, especialmente os pais. Conclusões: O significado especial destes dados nos remete à função simbólica. Ela deve ser considerada para o preparo psicológico das crianças para cirurgia, em ambas as direções: no âmbito cognitivo e emocional/afetivo.


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